Autora: Soror Mariana Alcoforado
Edição/reimpressão: 2013
Temática: Epístolas e cartas
N.º de páginas: 70
Para adquirir:

Sinopse:
Primeiro publicadas em Paris, em 1669, sob autoria anónima, as cinco cartas que aqui se reúnem são o retrato de um romance malfadado - e um dos mais impressionantes textos que se conhecem sobre a solidão, a ansiedade amorosa e a entrega total e que acabaram consideradas um dos clássicos da literatura mundial.
Stendhal, Sainte-Beuve, Rilke e Rousseau impressionaram-se com o teor de tais missivas, tendo este último inclusivamente, desconfiado da qualidade e da força dos textos, colocando mesmo em causa a sua autoria: "As mulheres não gostam de arte... é possível que alcancem algum sucesso com pequenos trabalhos que só necessitem de algum espírito e malícia. Elas não sabem descrever ou sentir o amor. Aposto tudo em como estas cartas foram escritas por um homem."
Opinião:
A história de Mariana Alcoforado (1640-1723) é deveras conhecida por terras bejenses, pelo menos por todos os que estão atentos e se interessam pelas curiosidades da região. A sua peculiaridade prende-se pela sua condição de freira e pelas cinco cartas que dirigiu ao amante após a sua partida precipitada, julga ela, por razões familiares.
Na época de Mariana era habitual, entre as famílias nobres, a integração de membros do seu núcleo em conventos renomados, com vista ao aumento do prestígio e influência junto do clero e da sociedade em geral.
Enclausurada no convento da Conceição, Mariana relata em suas palavras a primeira visão do amado, o cavaleiro De Chamilly: “estava naquele balcão [a janela gradeada] no dia fatal em que senti os primeiros sinais da minha desgraçada paixão”. Sucedem-se encontros, provavelmente nos aposentos de freira no Convento. Se pode ela ter visto neste amor a personificação da fuga à clausura, imposta tão precocemente, além da expectiva de um futuro diverso, é uma especulação plausível. O certo é que este amor termina com o regresso do cavaleiro a França, deixando Mariana em suspenso. Decide-se por isso ao envio de missivas: num tom cada vez mais extremado e amargo, questiona a ausência de notícias, a veracidade dos sentimentos e as promessas de amor ardente. Testemunhamos um crescendo de sofrimento, fruto da negação da realidade, que redunda em descrença no amor e, por fim, numa inevitável e penosa aceitação dos factos.
A polémica atribuição da autoria [mais pormenores aqui] poderia colocar em causa o seu valor mas, dúvidas à parte, e assumindo que Mariana Alcoforado é a remetente destas cartas, a sua originalidade reside na voz feminina destas epístolas. Estando a mulher condicionada e considerada um ser menor, não seria de esperar que fosse capaz de expressar sentimentos de tamanha intensidade, nem tão pouco se associariam a uma religiosa cuja devoção deveria ser o único foco da sua mente.
Os dramas amorosos são recorrentes na literatura, pelo que este tema não constituiu novidade para mim. Ainda assim, gostaria que me ter sentido arrebatada por estas pungentes confissões. E, mesmo que não tenha sucedido por não me identificar com esta vivência do amor, recomendo a sua leitura visto reconhecer a sua importância como fonte histórica da condição feminina e da vida religiosa no Portugal do século XVII.
De referir a parca divulgação da figura e da história associada, a nível regional e nacional, e o seu chocante desaproveitamento enquanto potenciador do desenvolvimento turístico em Beja.
Este foi o terceiro livro no projeto Ler os Nosssos em "Um livro que te custou uma pechincha", ou seja, adquirido pela maquia de € 3,99 (com 20% de desconto) na WOOK.
Classificação: 3,0/5*
Sobre a autora:
Soror Mariana Alcoforado nasceu na cidade de Beja em 1640.
Ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição com apenas 12 anos,
determinada a dedicar a sua vida ao Senhor.
Contudo, a sua vocação religiosa seria posta à prova quando conheceu o cavaleiro francês Noel Bouton, marquês de Chamilly, que estava em Portugal com as suas tropas, envolvido na guerra da Restauração. Entre os dois surgiu um amor impossível, do qual as Cartas Portuguesas [ou Cartas amorosas de uma religiosa portuguesa] são um belíssimo testemunho.
Para adquirir:
Sinopse:
Primeiro publicadas em Paris, em 1669, sob autoria anónima, as cinco cartas que aqui se reúnem são o retrato de um romance malfadado - e um dos mais impressionantes textos que se conhecem sobre a solidão, a ansiedade amorosa e a entrega total e que acabaram consideradas um dos clássicos da literatura mundial.
Só em 1810 a autoria seria atribuída a Mariana Alcoforado
(1640-1723), freira do convento da Nossa Senhora da Conceição, na cidade de
Beja, em Portugal. O suposto destinatário era um certo cavalheiro De Chamilly,
oficial do exército francês que servira em terras lusas.
Stendhal, Sainte-Beuve, Rilke e Rousseau impressionaram-se com o teor de tais missivas, tendo este último inclusivamente, desconfiado da qualidade e da força dos textos, colocando mesmo em causa a sua autoria: "As mulheres não gostam de arte... é possível que alcancem algum sucesso com pequenos trabalhos que só necessitem de algum espírito e malícia. Elas não sabem descrever ou sentir o amor. Aposto tudo em como estas cartas foram escritas por um homem."
Opinião:
A história de Mariana Alcoforado (1640-1723) é deveras conhecida por terras bejenses, pelo menos por todos os que estão atentos e se interessam pelas curiosidades da região. A sua peculiaridade prende-se pela sua condição de freira e pelas cinco cartas que dirigiu ao amante após a sua partida precipitada, julga ela, por razões familiares.
Na época de Mariana era habitual, entre as famílias nobres, a integração de membros do seu núcleo em conventos renomados, com vista ao aumento do prestígio e influência junto do clero e da sociedade em geral.
Enclausurada no convento da Conceição, Mariana relata em suas palavras a primeira visão do amado, o cavaleiro De Chamilly: “estava naquele balcão [a janela gradeada] no dia fatal em que senti os primeiros sinais da minha desgraçada paixão”. Sucedem-se encontros, provavelmente nos aposentos de freira no Convento. Se pode ela ter visto neste amor a personificação da fuga à clausura, imposta tão precocemente, além da expectiva de um futuro diverso, é uma especulação plausível. O certo é que este amor termina com o regresso do cavaleiro a França, deixando Mariana em suspenso. Decide-se por isso ao envio de missivas: num tom cada vez mais extremado e amargo, questiona a ausência de notícias, a veracidade dos sentimentos e as promessas de amor ardente. Testemunhamos um crescendo de sofrimento, fruto da negação da realidade, que redunda em descrença no amor e, por fim, numa inevitável e penosa aceitação dos factos.
A polémica atribuição da autoria [mais pormenores aqui] poderia colocar em causa o seu valor mas, dúvidas à parte, e assumindo que Mariana Alcoforado é a remetente destas cartas, a sua originalidade reside na voz feminina destas epístolas. Estando a mulher condicionada e considerada um ser menor, não seria de esperar que fosse capaz de expressar sentimentos de tamanha intensidade, nem tão pouco se associariam a uma religiosa cuja devoção deveria ser o único foco da sua mente.
Os dramas amorosos são recorrentes na literatura, pelo que este tema não constituiu novidade para mim. Ainda assim, gostaria que me ter sentido arrebatada por estas pungentes confissões. E, mesmo que não tenha sucedido por não me identificar com esta vivência do amor, recomendo a sua leitura visto reconhecer a sua importância como fonte histórica da condição feminina e da vida religiosa no Portugal do século XVII.
De referir a parca divulgação da figura e da história associada, a nível regional e nacional, e o seu chocante desaproveitamento enquanto potenciador do desenvolvimento turístico em Beja.
Este foi o terceiro livro no projeto Ler os Nosssos em "Um livro que te custou uma pechincha", ou seja, adquirido pela maquia de € 3,99 (com 20% de desconto) na WOOK.
Classificação: 3,0/5*
Sobre a autora:
Contudo, a sua vocação religiosa seria posta à prova quando conheceu o cavaleiro francês Noel Bouton, marquês de Chamilly, que estava em Portugal com as suas tropas, envolvido na guerra da Restauração. Entre os dois surgiu um amor impossível, do qual as Cartas Portuguesas [ou Cartas amorosas de uma religiosa portuguesa] são um belíssimo testemunho.
Publicadas pela primeira vez em francês, em 1669, pelo
escritor Lavergne de Guilleraggues, as Cartas têm sido até hoje
alvo de grande controvérsia no que diz respeito à sua autoria. A existência de
Mariana Alcoforado e do Marquês de Chamilly e o facto de as cartas serem dirigidas
a este último são indubitáveis. Aquilo que se discute é a atribuição da autoria
dos textos a Soror Mariana Alcoforado e a sua autenticidade. Fonte: WOOK




