terça-feira, 12 de junho de 2018

"Amor em Minúsculas" de Francesc Miralles [Opinião]

Título: Amor em Minúsculas
Título original:  Amor en Minúscula
Autor: Francesc Miralles
Tradutora: Liliana Sousa
Edição/reimpressão: 2017
Editora: Marcador
Temática: Romance
N.º de páginas: 248
Para adquirir (a edição mais recente):


Sinopse:

Ao acordar no dia 1 de Janeiro, Samuel, um professor de Linguística solitário, está convencido de que o ano que se inicia só lhe trará verbos no passivo e poucos momentos em itálico, até que um visitante inesperado se esgueira para dentro do seu apartamento e se recusa a sair.

Mishima, um gato vadio, torna-se o catalisador que faz Samuel abandonar a comodidade dos seus livros favoritos, dos seus filmes estrangeiros e da sua música clássica, para ir a lugares onde nunca esteve - como a casa do vizinho - e conhecer pessoas que jamais pensaria conhecer - um velho com o qual nunca trocaria uma palavra.

Mas há mais: o gato fará com que ele reencontre Gabriela, uma misteriosa mulher do seu passado, que ele já não tinha esperança de voltar a ver.

Uma história inteligente, divertida e doce que nos comove e revela que os pequenos detalhes são o grande segredo da felicidade. Amor em Minúsculas é uma pequena preciosidade, que conjuga referências literárias e filosóficas com a magia única das pequenas coisas.

Opinião: 

Procurando uma leitura mais leve, para recuperar da densidade de O Jogo do Anjo, veio encontrar-me este Amor em MinúsculasDa Barcelona de Zafón para a Barcelona de Miralles: que diferença significativa! No primeiro, enquanto o ambiente assume quase o papel de uma personagem mutável, no segundo é quase irrelevante, podendo a narrativa ter tido lugar em qualquer outra grande cidade.

Samuel de Juan, um professor-adjunto do curso de Filologia Alemã está na casa dos trinta e tem a sua independência assegurada. Só que a carapaça que em seu torno formou é de tal forma densa que se isolou de tudo e todos, incluindo dos seus próprios sentimentos.

 Entre as todas as suas dificuldades, a principal é a de sair da sua área de conforto e da solidão em que se instalou. Até que à sua porta aparece um gato que veio para ficar e tudo começa a mudar. Aos poucos começa a fazer o impensável: conviver com o vizinho de cima, percorrer novos locais e, curiosamente, reencontrar um antigo amor. 

Algo que me causou uma certa confusão foi o súbito "despertar" de Samuel, como se do nada se apercebesse que a sua vida estava incompleta. Até aí teria agido tal e qual um mero autómato, seguindo a corrente e tendo inclusive atitudes de quem não sabia lidar com as pessoas.

A mensagem que o autor pretende transmitir é positiva, apelando ao rompimento com a estagnação e à saída de zonas cinzentas. Recorre para isso a uma constante de citações literárias, cinematográficas, musicais, sobretudo de autores alemães e clássicos, não fosse o nosso protagonista um académico, para enquadrar as suas reflexões (mas teria sido absolutamente dispensável o spoiler de Werther!). Contudo, tal volume de referências poderia ter sido mais moderado, causando menos quebras na narrativa que, no final, se precipitou em demasia.

Entre o romance e a introspecção, seja esta uma leitura adequada para quem procura o entretenimento, mas com uma certa dose de seriedade. 


Classificação: 3,5/5*

Sobre o autor:

Francesc Miralles é escritor, mas trabalhou durante vários anos como editor e assessor literário sobre obras de autoajuda e espiritualidade. O seu romance Amor em Minúsculas está traduzido em mais de 20 idiomas. Vendeu 15 000 exemplares nos Estados Unidos, num só dia, figura nas listas dos livros mais vendidos na Alemanha e o seu êxito internacional continua. Fonte: Editorial Presença

domingo, 3 de junho de 2018

Rubricas sobre livros #3: Biblioteca de Bolso


"Uma conversa informal, a três, sobre a relação que estabelecemos com os livros. Um podcast conduzido por Inês Bernardo e José Mário Silva".

Até ao momento, com 92 episódios publicados, espera-se que não tenha ficado por aqui.

Para ouvir através da SoundCloud aqui. | Página oficial no Facebook aqui.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

XIV Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja [Divulgação]



«Este ano o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja realiza-se entre os dias 25 de Maio e 10 de Junho.

Inaugura no dia 25, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura.

Mas o Festival também se espalha pelas ruas do centro histórico. Boa parte das exposições estarão patentes no Centro Unesco, no Forno da Ti Bia Gadelha, na Galeria da Rua dos Infantes, no Museu Regional de Beja, no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, no Palacete Vilhena – Sede do EMAS, e no Pax Julia – Teatro Municipal.

São 8, os núcleos expositivos.

E 21, as exposições, com autores de muitas partes do Mundo: Brasil, Espanha (País Basco), França, Itália, Portugal e Suécia.

O Festival oferece ainda aos visitantes uma Programação Paralela bastante diversificada: apresentação de projetos, conversas à volta da BD, lançamento de livros - este ano serão 16 -, sessões de autógrafos, concertos desenhados, etc.

Terá também à disposição de todos o Mercado do Livro, com mais de 60 editores presentes, venda de arte original, venda de merchandising, etc.

Na sexta-feira 25 e no sábado 26 as noites são de concertos desenhados (a programação só termina às 4h00 da manhã).

O primeiro fim-de-semana (25, 26 e 27 de Maio) reunirá os autores representados nas exposições.»

segunda-feira, 21 de maio de 2018

As últimas aquisições

Chegou a hora de actualizar as aquisições mais recentes que, sem ausência de sentido pesar, tenho vindo a adiar! Por isso, sem mais delongas, das recebidas até ao final do ano passado e apresentadas pela formosa e sempre prestável Julieta, constam:


Entre ofertas, trocas e passatempos ganhos, destaco Sonho Febril de George R. R. Martin, autor mais do que badalado e com o qual ainda não me estreei; Fábulas de La Fontaine, mais um volume para juntar a Contos de Hans Christian Andersen, Todos os Contos de Edgar Allan Poe e Contos Completos dos Irmãos Grimm; e A Pousada da Jamaica de Daphne Du Marier, da qual li Rebecca, tornando-se uma autora a repetir.

Todas informações sobre os livros:

Como a pilha que se segue é maior, Milady Julieta cedeu o seu lugar, não se fosse dar um desabamento atentatório à sua vida. E desde o início do ano até Abril temos:


Quiet de Susan Cain e Manual do Gato foram lidos e recomendam-se, cada um dentro da sua temática, obviamente. Em ambas as fotografias surgem livros de Paul Auster, autor que me caiu no goto e do qual pretendo ler o máximo de obras possível na eventualidade de não me vir a desiludir. 

Quase todos constavam da minha wishlist, pelo que não sei qual deles me deixou mais feliz ao juntar-se à minha biblioteca, mas acredito que Flores de Afonso Cruz irá ser inesquecível tal como foi Para onde vão os guarda-chuvas

Todas informações sobre os livros:

E entretanto tenho mais novidades, mas convém que fiquem para a próxima publicação deste tema ou  serei apelidada de...

( via Beetiful Things )

sábado, 28 de abril de 2018

Ainda sobre o Dia Mundial do Livro

A 23 de Abril celebrou-se mais um Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Por todo o lado, várias foram as iniciativas que assinalaram a efeméride e no Facebook, pela minha cronologia, surgiram imagens a ela relativas. Algumas considerei-as tão originais que resolvi partilhar uma selecção. Espero que gostem! 

( ilustração de Anna Grimal, via Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago )



( ilustração de Hugo Van der Ding, via Dom Quixote )



( ilustração de Yoko Tanji, via Suma de Letras Portugal )

quarta-feira, 25 de abril de 2018

"No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex" de Nathaniel Philbrick [Opinião]

Título: No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex
Título original: In the Heart of the Sea
Autor: Nathaniel Philbrick
Tradutoras: Maria João da Rocha Afonso e Ana Cristina Pais
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Editorial Presença
Temática: Não Ficção e Ensaios - Viagens
N.º de páginas: 320
Para adquirir:


Sinopse: 

No verão de 1819, o baleeiro Essex partiu de Nantucket para mais uma expedição de caça à baleia. Quinze meses depois, o impensável aconteceu: numa região remota do Pacífico Sul, um cachalote de enormes proporções provocou o naufrágio do Essex.

A tripulação de 20 homens refugiou-se em três botes salva-vidas rumo à América do Sul, numa jornada épica pela sobrevivência. Três meses depois, os oito tripulantes que continuavam vivos foram encontrados à deriva. Para sobreviver, usaram todos os recursos, inclusive o canibalismo.

No Coração do Mar é um relato empolgante de um naufrágio tão relevante no seu tempo como o do Titanic atualmente. A aventura do Essex inspirou Herman Melville a escrever o clássico Moby Dick.

Opinião:

Apesar de viver em pleno Alentejo, apartada do mar, o meu fascínio pelo este sempre esteve presente. Leituras como Moby Dick de Hermann Melville, A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson ou Robinson Crusoé de Daniel Defoe ainda mais o acentuaram e introduziram-me na época em que os oceanos, além de caminhos para o desconhecido, eram eles próprios um mistério

Na sinopse de No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex, desde logo se destaca o facto de ter sido esta história a inspirar Herman Melville a escrever Moby Dick - um estímulo sobretudo para quem já realizou esta leitura.

Sendo uma obra de não ficção pressupunha-se um tom mais seco, menos artificioso, o que não se verifica de todo. Nathaniel Philbrick consegue agarrar o leitor com a sua profunda pesquisa acerca de todos os aspectos que rodearam este naufrágio, desde a socialização e psicologia de sobrevivência, como a corroboração e/ou esclarecimento das ocorrências descritas pelos sobreviventes. Ficaram demonstrados os efeitos assustadoramente dramáticos da desidratação e da fome em condições extremas, sendo a recorrência ao canibalismo mais frequente do que se julga nestes contextos.

A abertura da obra apresenta uma introdução à história de Nantucket, ilha que, na época dos acontecimentos - no século XIX -, se havia tornado o maior porto baleeiro, dependendo toda a sua economia desta actividade e, no final, constata-se como a diminuição da baleação a afectou Além disso, os esquemas, mapas e fotografias ajudam sem dúvida os leigos na matéria.

O autor conseguiu, ou pelo menos tentou incansavelmente, deslindar a veracidade entre os relatos nem sempre coincidentes de dois dos sobreviventes, Owen Chase e Thomas Nickerson. O que prevalece não deixa margem para dúvidas: desde o início, toda a tripulação do Essex  esteve sujeita a uma terrível conjuntura, quer fosse pelos caprichos da Natureza, quer pelas inexperiência e teimosia dos seus membros, adiando-se a sua salvação muito para lá do razoável.

A adaptação cinematográfica toma algumas liberdades quanto à narrativa de Nathaniel Philbrick, criando interacções entre personagens que não terão sucedido. Tornou, desta forma, o filme mais coeso pelo preenchimento de algumas lacunas impossíveis de desvendar, exceptuando-se o uso excessivo da aparição da vingativa baleia. 

"O desastre do Essex não é uma história de aventura. É uma tragédia que por acaso é uma das maiores histórias verídicas jamais contadas" e com tal não posso deixar de concordar.


Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Nathaniel Philbrick é autor dos livros Mayflower: A Story of Courage, Community, and War e Sea of Glory: The Epic South Seas Expedition, 1838-1842, que venceu o Theodore and Franklin D. Roosevelt Naval History Prize. No Coração do Mar, vencedor do National Book Award, encontra-se traduzido em 23 línguas e deu origem a uma adaptação cinematográfica realizada por Ron Howard e produzida pela Warner Brothers, com Chris Hemsworth como protagonista. Nathaniel Philbrick vive na ilha de Nantucket, nos Estados Unidos da América.  Fonte: Editorial Presença