Entre 18 e 20 de Novembro será realizado o I Encontro Ibérico de Leitores de Saramago que terá lugar na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago.
O objectivo do encontro é o de "realizar o sonho de José Saramago apresentado nas suas próprias Palavras" e "contribuir para o crescimento da comunidade de leitores da obra de José Saramago".
Music video by Florence + The Machine performing Wish That
You Were Here (From “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children”). (C) 2016
Island Records, a division of Universal Music Operations Limited
I tried to
leave it all behind me
But I woke
up and there they were beside me
And I don't
believe it but I guess it's true
Some
feelings, they can travel too
Oh there it
is again, sitting on my chest
Makes it
hard to catch my breath
I scramble
for the light of change
You're
always on my mind
You're
always on my mind
And I never
minded being on my own
Then
something broke in me and I wanted to go home
To be where
you are
But even
closer to you, you seem so very far
And now I'm
reaching out with every note I sing
And I hope
it gets to you on some pacific wind
Wraps
itself around you and whispers in your ear
Tells you
that I miss you
and I wish
that you were here
And if I
stay home, I don't know
There'll be
so much that I'll have to let go
You're
disappearing all the time
But I still
see you in the light
For you,
the shadows fight
And it's
beautiful but there's that tug in the sight
I must stop
time traveling
you're
always on my mind
You're
always on my mind
You're
always on my mind
And I never
minded being on my own
Then
something broke in me and I wanted to go home
To be where
you are
But even
closer to you, you seem so very far
And now I'm
reaching out with every note I sing
And I hope
it gets to you on some pacific wind
Wraps
itself around you and whispers in your ear
Tells you
that I miss you
and I wish
that you were here
We all need
something watching over us
Be it the
falcons, the clouds or the cross
And then
the sea swept in and left us all speechless
Speechless
And I never
minded being on my own
Then
something broke in me and I wanted to go home
Gaibéus é um clássico do neo-realismo português:
descreve o drama de um rancho de ceifeiros que do Norte do País descem a
participar na batalha sem fim travada na lezíria. Esta obra já foi vertida no
sistema Braille. Publicações Europa-América sente-se honrada por reeditar uma
obra de um dos maiores escritores contemporâneos, que sempre soube defender os
humilhados, ofendidos e deserdados.
Opinião:
Durante esta leitura lembrei-me várias vezes de Esteiros de Soeiro Pereira Gomes que, porém, conseguia ser mais suave na linguagem, mas igualmente cru nas realidades apresentadas: o trabalho infantil.
Já Alves Redol opta por nos falar dos «gaibéus»: o povo que se resigna a migrar das suas terras até às lezírias do Ribatejo para a ceifa do arroz e a retornar a casa quando esta termina.
Assim, seguindo a linha neo-realista, o colectivo é o protagonista e as personagens que surgem são representativas de cada mal que se pretende criticar.
É o retrato de um grupo de camponeses, explorado, sujeito a condições extremas a todos os níveis: fome, doença, clima, insalubridade, ausência de privacidade, desgaste físico extremo. Nos casos das mulheres encontra-se a agravante de serem vistas como meros objectos sexuais, inapreciáveis após a «desonra».
A história não segue uma personagem em particular mas várias, expondo os seus anseios e receios: Rosa que, escolhida pelo patrão, não mais pode fugir ao assédio a que sempre foi sujeita; a Ti Maria, vítima de malária, símbolo do abandono a que os idosos são votados após deixarem de ser considerados forças de trabalho; o par de aspirantes a emigrantes que, há pelo menos três anos, sonham partir e pedem conselho ao ceifeiro rebelde, aquele que já correu mundo e não conseguiu riqueza, apenas desilusão pelo mal e crueldade entre os homens.
Por outro lado, o patrão Agostinho representa o chefe explorador, para o qual os assalariados são meras ferramentas, chegando ao ponto de escolher, de entre as mulheres, as que considera aptas à satisfação dos seus caprichos, logo dispensadas após o fim das colheitas. Dono e senhor, "Era preciso pressa - cada vez mais pressa", sempre que se aproximava.
Impressionante pelo realismo, julguei sentir o pulsar dos corações dos camponeses, esbraseados pelo sol na ceifa inclemente, destituídos de ânimo na dureza das vidas, com "Ambições naufragadas, restos de alegrias e desditas (...) O presente era amargo, tão doloroso como o passado. Mas ali, naquele silêncio, guardava sonhos de criança, como se nunca tivesse entrado na vida e ainda a julgasse uma floresta de frutos de oiro".
Classificação: 4,5/5*
Sobre o autor:
António Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira no dia 29
de Dezembro de 1911 e faleceu em Lisboa no dia 29 de Novembro de 1969. Era filho
de um comerciante modesto. Trabalhou como operário em Angola durante alguns
anos. Quando regressou a Portugal em 1936, juntou-se ao movimento que se opunha
ao Estado Novo, tornando-se militante do Partido Comunista.
Foi um dos iniciadores do movimento neo-realista em Portugal
e o primeiro a conseguir ampla aceitação. A sua obra, que alterna momentos de
grande intensidade lírica com quadros de descrição precisa e minuciosa, evoluiu
de uma análise social fortemente documental para uma fase mais pessoal e
afastada dos preceitos da escola, a partir dos finais dos anos 50. Tomou como
motivos centrais os dramas humanos vividos na sociedade ribatejana e, com a
trilogia Port Wine (1949-53), também na região duriense. Autor de uma vasta
obra, para além dos textos das suas conferências e artigos para os jornais,
escreveu romances, contos, peças de teatro e estudos de etnografia. Fonte:Sítio do Livro
Realizador, Editor, Director de Fotografia / Director,
Editor, Cinematographer: André Tentúgal; Produzido por / Produced by Joana Cordeiro; Assistentes de Produção / Production Assistants: David
Craveiro, Margarida Sá Coutinho; “Injuriado” Música e Letra / Song and Lyrics: Chico Buarque
Edição/reimpressão: 2013 (publicação original em 2010)
Editora: Dom Quixote Temática: Romance
N.º de páginas: 232 Para adquirir:
Sinopse: Os antiquários vivem escondidos, sempre rodeados por objetos
do passado, em velhas livrarias ou lojas de antiguidades. Não suportam as
mudanças nem o presente, são colecionadores. Têm a capacidade de evocar nos
outros o rosto ou os gestos de pessoas que morreram. Aprenderam a controlar a
sede primordial. Mas quando se sentem atacados, o antigo apetite regressa…
A partir de um incidente, Santiago Lebrón ficará
contaminado, transformado em mais um antiquário. E enquanto descobre os
segredos dessa antiga tradição, conhecerá o amor estranho, poderoso e
perturbador provocado pela sede de sangue. Terá também de descobrir as estratégias
de sobrevivência num mundo hostil. Entre elas, a obrigação de acabar com a vida
daqueles que cedem à sede, para que a tradição possa continuar na sombra. Reinventando o mito dos vampiros de forma inteligente, e
afastando-se das abordagens corriqueiras da literatura do género dos últimos
anos, Pablo de Santis volta a deslumbrar-nos com um notável romance onde seres
melancólicos, que habitam espaços repletos de nostalgia, e sobretudo de livros,
vivem reclusos.
Opinião:
Desde criança que Santiago Lebrón contactou com os livros: após ser castigado por uma diabrura, o seu local de contrição foi a biblioteca da aldeia. Aos vinte anos procurou, na cidade de Buenos Aires, uma outra vida: primeiro a reparar máquinas de escrever com o tio, depois empregado num jornal onde se torna responsável pela secção «O Mundo do Oculto». E, assim, tudo o que o rodeia começa a mudar drasticamente graças às investigações que desenvolve em torno dos antiquários. Esta é a história de como Santiago se tornou igualmente um antiquário, ou seja, um vampiro que, apesar de de evitar o sol dizimador e de conseguir controlar a sua sede primordial, se vê refém pela impossibilidade de concretizar o amor que o atormenta, restando-lhe a fuga e a solidão. Não há soluções perfeitas, sendo por isso a capacidade de adaptabilidade determinante para a sobrevivência do protagonista. De Santis oferece-nos vampiros que ocultam a sua existência em livrarias, antiquários, galerias de arte, tudo o que lhes invoca o passado, permite controlar a existência quotidiana e os impede de imaginarem o incógnito e solitário futuro. E nada melhor para estes seres avessos a mudanças, do que o universo apelativo aos amantes de livros que o autor explora e do qual fica o exemplo: «Graças a Calisser fui construindo a minha biblioteca. A minha biblioteca-mala, na realidade, porque guardada todos os livros na minha velha mala com autocolantes de transatlânticos e hotéis, que acabou por ficar cheia. Um dos primeiros livros que me ofereceu foi um exemplar da Eneida onde eu tinha estado a meter o nariz. - É uma má tradução. Mas as más traduções são fundamentais na história da literatura porque são a prova de que os bons livros resistem a qualquer coisa. Sem as más traduções, que mérito teria a nossa fé?»
Tal como nos diz a sinopse, esta é uma belíssima reinvenção da mitologia vampiresca e relembrou-me, por diversas ocasiões, A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, pelo seu ambiente melancólico, mas, principalmente, pelo carácter defensivo deste mundo de livros cujos segredos cheiram a sangue fresco.
Classificação: 4,5/5*
Sobre o autor:
Pablo De Santis nasceu em Buenos Aires, em 1963. É
licenciado em Letras pela Universidade de Buenos Aires e trabalhou como
jornalista e como guionista de banda desenhada, quer compilou em dois álbuns:
Rompecabezas e El hipnotizador. Publicou mais de dez livros para adolescentes,
ganhando em 2004 o Prémio Konex de Platina. O volume Rey secreto (2005) reúne
pequenos contos. É também autor dos romances El palacio de la noche (1987), A
Tradução (1998), Filosofía y Letras (1999), El teatro de la memoria (2000), O
Calígrafo de Voltaire (2001), La sexta lámpara (2005), O Enigma de Paris
(2007), com o qual obteve o Prémio Planeta-Casa de América 2007 e o Prémio da
Academia Argentina de Letras 2008, e Os Antiquários (2010). Escritor de sucesso
internacional, as suas obras encontram-se traduzidas em francês, italiano,
português, alemão, checo, grego, holandês e russo. Fonte:WOOK