sexta-feira, 11 de novembro de 2016

I Encontro Ibérico de Leitores de Saramago

Entre 18 e 20 de Novembro será realizado o I Encontro Ibérico de Leitores de Saramago que terá lugar na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. 

O objectivo do encontro é o de "realizar o sonho de José Saramago apresentado nas suas próprias Palavras" e "contribuir para o crescimento da comunidade de leitores da obra de José Saramago".

A programação será a seguinte:

O acesso é gratuito, mas requer inscrição através do email: bibliotecamunicipaldebeja@cm-beja.pt

domingo, 6 de novembro de 2016

Música ao Domingo #23: Florence + The Machine "Wish That You Were Here"


Music video by Florence + The Machine performing Wish That You Were Here (From “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children”). (C) 2016 Island Records, a division of Universal Music Operations Limited

I tried to leave it all behind me
But I woke up and there they were beside me
And I don't believe it but I guess it's true
Some feelings, they can travel too
Oh there it is again, sitting on my chest
Makes it hard to catch my breath
I scramble for the light of change

You're always on my mind
You're always on my mind

And I never minded being on my own
Then something broke in me and I wanted to go home
To be where you are
But even closer to you, you seem so very far
And now I'm reaching out with every note I sing
And I hope it gets to you on some pacific wind
Wraps itself around you and whispers in your ear
Tells you that I miss you
and I wish that you were here

And if I stay home, I don't know
There'll be so much that I'll have to let go
You're disappearing all the time
But I still see you in the light
For you, the shadows fight
And it's beautiful but there's that tug in the sight
I must stop time traveling
you're always on my mind

You're always on my mind
You're always on my mind

And I never minded being on my own
Then something broke in me and I wanted to go home
To be where you are
But even closer to you, you seem so very far
And now I'm reaching out with every note I sing
And I hope it gets to you on some pacific wind
Wraps itself around you and whispers in your ear
Tells you that I miss you
and I wish that you were here

We all need something watching over us
Be it the falcons, the clouds or the cross
And then the sea swept in and left us all speechless
Speechless

And I never minded being on my own
Then something broke in me and I wanted to go home
To be where you are
But even closer to you, you seem so very far
And now I'm reaching out with every note I sing
And I hope it gets to you on some pacific wind
Wraps itself around you and whispers in your ear
Tells you that I miss you
and I wish that you were here

Wish that you were here
Wish that you were here
Wish that you were here
I wish that you

Fonte: Vagalume

terça-feira, 1 de novembro de 2016

"Gaibéus" de Alves Redol [Opinião]


Título: Gaibéus
Autor: Alves Redol
Edição/reimpressão: 1975 
(1.ª publicação em 1939)
Editora: Publicações Europa-América
Temática: Romance
N.º de páginas: 176
Para adquirir:



Sinopse:

Gaibéus é um clássico do neo-realismo português: descreve o drama de um rancho de ceifeiros que do Norte do País descem a participar na batalha sem fim travada na lezíria. Esta obra já foi vertida no sistema Braille. Publicações Europa-América sente-se honrada por reeditar uma obra de um dos maiores escritores contemporâneos, que sempre soube defender os humilhados, ofendidos e deserdados.

Opinião:

Durante esta leitura lembrei-me várias vezes de Esteiros de Soeiro Pereira Gomes que, porém, conseguia ser mais suave na linguagem, mas igualmente cru nas realidades apresentadas: o trabalho infantil.

Já Alves Redol opta por nos falar dos «gaibéus»: o povo que se resigna a migrar das suas terras até às lezírias do Ribatejo para a ceifa do arroz e a retornar a casa quando esta termina. 

Assim, seguindo a linha neo-realista, o colectivo é o protagonista e as personagens que surgem são representativas de cada mal que se pretende criticar.

É o retrato de um grupo de camponeses, explorado, sujeito a condições extremas a todos os níveis: fome, doença, clima, insalubridade, ausência de privacidade, desgaste físico extremo. Nos casos das mulheres encontra-se a agravante de serem vistas como meros objectos sexuais, inapreciáveis após a «desonra».

A história não segue uma personagem em particular mas várias, expondo os seus anseios e receios: Rosa que, escolhida pelo patrão, não mais pode fugir ao assédio a que sempre foi sujeita; a Ti Maria, vítima de malária, símbolo do abandono a que os idosos são votados após deixarem de ser considerados forças de trabalho; o par de aspirantes a emigrantes que, há pelo menos três anos, sonham partir e pedem conselho ao ceifeiro rebelde, aquele que já correu mundo e não conseguiu riqueza, apenas desilusão pelo mal e crueldade entre os homens.

Por outro lado, o patrão Agostinho representa o chefe explorador, para o qual os assalariados são meras ferramentas, chegando ao ponto de escolher, de entre as mulheres, as que considera aptas à satisfação dos seus caprichos, logo dispensadas após o fim das colheitas. Dono e senhor, "Era preciso pressa - cada vez mais pressa", sempre que se aproximava. 

Impressionante pelo realismo, julguei sentir o pulsar dos corações dos camponeses, esbraseados pelo sol na ceifa inclemente, destituídos de ânimo na dureza das vidas,  com "Ambições naufragadas, restos de alegrias e desditas (...) O presente era amargo, tão doloroso como o passado. Mas ali, naquele silêncio, guardava sonhos de criança, como se nunca tivesse entrado na vida e ainda a julgasse uma floresta de frutos de oiro".

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:

António Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira no dia 29 de Dezembro de 1911 e faleceu em Lisboa no dia 29 de Novembro de 1969. Era filho de um comerciante modesto. Trabalhou como operário em Angola durante alguns anos. Quando regressou a Portugal em 1936, juntou-se ao movimento que se opunha ao Estado Novo, tornando-se militante do Partido Comunista.

Foi um dos iniciadores do movimento neo-realista em Portugal e o primeiro a conseguir ampla aceitação. A sua obra, que alterna momentos de grande intensidade lírica com quadros de descrição precisa e minuciosa, evoluiu de uma análise social fortemente documental para uma fase mais pessoal e afastada dos preceitos da escola, a partir dos finais dos anos 50. Tomou como motivos centrais os dramas humanos vividos na sociedade ribatejana e, com a trilogia Port Wine (1949-53), também na região duriense. Autor de uma vasta obra, para além dos textos das suas conferências e artigos para os jornais, escreveu romances, contos, peças de teatro e estudos de etnografia. Fonte: Sítio do Livro

domingo, 30 de outubro de 2016

Música ao Domingo #22: António Zambujo "Injuriado"


Realizador, Editor, Director de Fotografia / Director, Editor, Cinematographer: André Tentúgal; Produzido por / Produced by Joana Cordeiro; Assistentes de Produção / Production Assistants: David Craveiro, Margarida Sá Coutinho; “Injuriado” Música e Letra / Song and Lyrics: Chico Buarque

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo para você me injuriar assim
Dinheiro não lhe emprestei

Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim
Dinheiro não lhe emprestei

Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim

domingo, 23 de outubro de 2016

Música ao Domingo #21: Coldplay "Don't Panic"


Music video by Coldplay performing Don't Panic. (C) 2005 EMI Records Ltd 
This label copy information is the subject of copyright protection. All rights reserved. (C) 2005 EMI Records Ltd

Bones, sinking like stones,
All that we fought for,
Homes, places we've grown,
All of us are done for.
And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world,

Bones, sinking like stones,
All that we fought for,
And homes, places we've grown,
All of us are done for.
And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world.

Here we go,
Here we go.

And we live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world.

Oh, all that I know,
There's nothing here to run from,
Cos yeah, everybody here's got somebody to lean on.

Fonte: A-Z Lyrics

sábado, 22 de outubro de 2016

"Os Antiquários" de Pablo De Santis [Opinião]

Título: Os Antiquários
Título original: Los Anticuarios
Autor: Pablo De Santis
Tradutora: Helena Pitta
Edição/reimpressão: 2013 (publicação original em 2010)
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 232
Para adquirir:

Sinopse:

Os antiquários vivem escondidos, sempre rodeados por objetos do passado, em velhas livrarias ou lojas de antiguidades. Não suportam as mudanças nem o presente, são colecionadores. Têm a capacidade de evocar nos outros o rosto ou os gestos de pessoas que morreram. Aprenderam a controlar a sede primordial. Mas quando se sentem atacados, o antigo apetite regressa…

A partir de um incidente, Santiago Lebrón ficará contaminado, transformado em mais um antiquário. E enquanto descobre os segredos dessa antiga tradição, conhecerá o amor estranho, poderoso e perturbador provocado pela sede de sangue. Terá também de descobrir as estratégias de sobrevivência num mundo hostil. Entre elas, a obrigação de acabar com a vida daqueles que cedem à sede, para que a tradição possa continuar na sombra.

Reinventando o mito dos vampiros de forma inteligente, e afastando-se das abordagens corriqueiras da literatura do género dos últimos anos, Pablo de Santis volta a deslumbrar-nos com um notável romance onde seres melancólicos, que habitam espaços repletos de nostalgia, e sobretudo de livros, vivem reclusos.

Opinião: 

Desde criança que Santiago Lebrón contactou com os livros: após ser castigado por uma diabrura, o seu local de contrição foi a biblioteca da aldeia. 

Aos vinte anos procurou, na cidade de Buenos Aires, uma outra vida: primeiro a reparar máquinas de escrever com o tio, depois empregado num jornal onde se torna responsável pela secção «O Mundo do Oculto». E, assim, tudo o que o rodeia começa a mudar drasticamente graças às investigações que desenvolve em torno dos antiquários.

Esta é a história de como Santiago se tornou igualmente um antiquário, ou seja, um vampiro que, apesar de de evitar o sol dizimador e de conseguir controlar a sua sede primordial, se vê refém pela impossibilidade de concretizar o amor que o atormenta, restando-lhe a fuga e a solidão. Não há soluções perfeitas, sendo por isso a capacidade de adaptabilidade determinante para a sobrevivência do protagonista.

De Santis oferece-nos vampiros que ocultam a sua existência em livrarias, antiquários, galerias de arte, tudo o que lhes invoca o passado, permite controlar a existência quotidiana e os impede de imaginarem o incógnito e solitário futuro. E nada melhor para estes seres avessos a mudanças, do que o universo apelativo aos amantes de livros que o autor explora e do qual fica o exemplo:

«Graças a Calisser fui construindo a minha biblioteca. A minha biblioteca-mala, na realidade, porque guardada todos os livros na minha velha mala com autocolantes de transatlânticos e hotéis, que acabou por ficar cheia. Um dos primeiros livros que me ofereceu foi um exemplar da Eneida onde eu tinha estado a meter o nariz.

- É uma má tradução. Mas as más traduções são fundamentais na história da literatura porque são a prova de que os bons livros resistem a qualquer coisa. Sem as más traduções, que mérito teria a nossa fé?»

Tal como nos diz a sinopse, esta é uma belíssima reinvenção da mitologia vampiresca e relembrou-me, por diversas ocasiões, A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, pelo seu ambiente melancólico, mas, principalmente, pelo carácter defensivo deste mundo de livros cujos segredos cheiram a sangue fresco.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Pablo De Santis nasceu em Buenos Aires, em 1963. É licenciado em Letras pela Universidade de Buenos Aires e trabalhou como jornalista e como guionista de banda desenhada, quer compilou em dois álbuns: Rompecabezas e El hipnotizador. Publicou mais de dez livros para adolescentes, ganhando em 2004 o Prémio Konex de Platina. O volume Rey secreto (2005) reúne pequenos contos. É também autor dos romances El palacio de la noche (1987), A Tradução (1998), Filosofía y Letras (1999), El teatro de la memoria (2000), O Calígrafo de Voltaire (2001), La sexta lámpara (2005), O Enigma de Paris (2007), com o qual obteve o Prémio Planeta-Casa de América 2007 e o Prémio da Academia Argentina de Letras 2008, e Os Antiquários (2010). Escritor de sucesso internacional, as suas obras encontram-se traduzidas em francês, italiano, português, alemão, checo, grego, holandês e russo. Fonte: WOOK