Título: As Horas Invisíveis
Título original: The Bone Clocks
Autor: David Mitchell
Tradutor: Manuel Alberto Vieira
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Editorial Presença
Temática: Romance
N.º de páginas: 632
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Sinopse:
Holly Sykes foge de casa dos pais para viver com o
namorado. Embora pareça uma típica adolescente inglesa, é propensa a fenómenos
paranormais. Durante a fuga, conhece uma mulher estranha que a alicia com um
gesto amável em troca de asilo. Décadas depois, Holly compreende por fim que
espécie de asilo a mulher procurava…
Este é um thriller empolgante de David Mitchell, aclamado
autor de Atlas das Nuvens que acompanha a vida atribulada de Holly numa série
de eventos. Estes cruzam-se por vezes de maneira indizível, pondo-a no centro
de uma perigosa jogada nas margens do mundo e da realidade.
Dos Alpes suíços da Idade Média ao interior australiano do
século XIX, culminando num futuro próximo distópico, As Horas Invisíveis é um
romance caleidoscópico que nos oferece uma alegoria do nosso tempo.
David Mitchell foi vencedor do World Fantasy Novel Award
2015.
Opinião:
Com 632 páginas e um sem fim de personagens, esta não constitui, com certeza, uma das opiniões mais fáceis de escrever. Primeiramente, porque é muito difícil falar da história sem revelar factos determinantes para o seu desenrolar e, em segundo, por ser longa e com perspectivas variadas.
A história baseia-se na existência de fenómenos parapsíquicos, os quais apenas são conhecidos por poucos e possuídos por ainda menos. Existem os que nascem dotados - pertencentes à Horologia - e os que, por meios ilícitos, chegam ao mesmo dom e conhecimento - os Anacoretas o que conduz à eterna disputa entre o Bem e o Mal. Ambos desfrutam da imortalidade, mas a que custo? É uma luta feroz que se estende pelo tempo, culminando em algo que, não sendo o ideal, deixa uma luz de esperança para a Humanidade. Holly Sykes, a protagonista, é apanhada no meio deste turbilhão, sofrendo duras consequências, não sendo, contudo, a única.
Temporalmente delimitada entre 1984, 1991, 2004, 2015, 2025 e 2043, nesta narrativa seguimos as perspectivas de imensos intervenientes, que convergem sempre para Holly. E foi sem dúvida por ela que senti definida empatia, talvez por a acompanharmos nos seus momentos decisivos e todo o seu crescimento - desde a adolescência até à velhice. O mundo pós-apocalíptico de 2043, em que o petróleo está encarecido e os mantimentos escasseiam, aproximando-se a passos largos da total anarquia, encerra a história e não me será difícil relembrá-lo.
De um modo geral, o escritor conseguiu criar um contexto lógico justificativo dos fenómenos parapsíquicos, porém, existem alguns pontos mortos na acção que só senti serem recompensados com o término da leitura.
Um livro que não recomendaria a qualquer tipo de leitor, especialmente aos que buscam leituras fluídas e/ou superficiais. Possui um misto de thriller e suspense, ficção contemporânea, histórica e científica, new age e distopia e nesse sentido é das obras mais completas que li. Não é de admirar, portanto, que Cloud Atlas tenha entrado directamente para a minha wishlist, cujas críticas são bem mais favoráveis.
Classificação: 4,0/5*
Sobre o autor:
David Mitchell nasceu em 1962 em Worcestershire, Inglaterra.
Lecionou durante vários anos no Japão. É autor, entre outros, de Atlas das
Nuvens, publicado pela Presença e adaptado para o cinema, bem como de
Ghostwritten, number9dream, Black Swan Green e The Thousand Autumns of Jacob de
Zoet.
Vencedor dos prémios literários John Llewllyn Rhys, Geoffrey
Faber Memorial e South Bank Show e finalista do Man Booker Prize em 2004 e
2014.
Em 2013, a revista Granta incluiu-o na lista de Melhores
Escritores Britânicos.