quinta-feira, 29 de setembro de 2016

As minhas estantes #1

Como qualquer boa livrólica, tenho imenso gosto em espreitar as estantes alheias. Assim, pensando no bem-estar dos livrólicos que me visitam, decidi mostrar as minhas estantes. 

A estante que hoje vos apresento é aquela que, entre as que tenho, tem a distância entre prateleiras mais adequada para livros, por isso reservo-a para as edições mais recentes ou as que considero mais bonitas.

Comecei por a tentar ordenar por editora e, dentro de cada editora, por autor. Porém, tem-se tornado totalmente impossível seguir essa ordem rigidamente.

Alguns livros que destaco são O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas e Guerra e Paz de Tolstói (no topo), Kafka à Beira-mar que li recentemente de Haruki Murakami e se tornou um dos meus preferidos, Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez e os que colecciono de José Saramago e de José Luís Peixoto. Tenho igualmente vários de Joanne Harris, a escritora mais light que sigo.
   

Nos últimos tempos, o volume de livros adquiridos tem superado o espaço disponível, o que me leva a realizar um verdadeiro jogo do tetris e a ter uma pilha na secretária.  

E as vossas estantes, como são?

domingo, 25 de setembro de 2016

Música ao Domingo #19: André Rieu "The Beautiful Blue Danube"



André Rieu & his Johann Strauss Orchestra playing "The Beautiful Blue Danube" (An der schönen blauen Donau) by composer Johann Strauss II. Recorded live at Empress Sisi's castle; Schönbrunn Palace Vienna, Austria with dancers from the famous Austrian Elmayer Dancing School.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"Contos Breves" de Olinda P. Gil [Opinião]

Título: Contos Breves
Autora: Olinda P. Gil
Ilustradora: Claudia Banza
Edição/reimpressão: 2013
Editora: Edição de Autor (impresso por: Tipografia Vitória, Lda. - Aljustrel)
Temática: Contos
N.º de páginas: 112

Sinopse:

Neste opúsculo estão reunidas pequenas narrativas inconscientes: digo isto porque na altura em que foram redigidas era tão jovem que nem sabia que estava a escrever um tipo específico de conto.

O conjunto daqui resultante é uma selecção e revisão de textos criados entre 1999 e 2007, período que corresponde, aproximadamente, à minha colaboração do DN Jovem (suplemento do Diário de Notícias direccionado para os jovens). Muitos dos textos aqui presentes foram lá publicados. Contudo, estão também incluídos alguns que estavam inacabados, tendo sido agora trabalhados.

Opinião:

Serem breves é realmente o que mais caracteriza estes contos, uma vez que alguns nem uma página inteira ocupam. Não quero com isto dizer que a sua qualidade pelo tamanho se meça, antes pelo contrário. 

A autora aborda temas diversos - a liberdade de escrita, o 25 de Abril visto pelos olhos de uma criança, o rapaz que se metamorfoseia ao crescer -, mas são as relações que se tornam um tema recorrente. São pautadas por uma certa ânsia, uma frustração e uma sensualidade que surge naturalmente, não parecendo nada imposta. 

Nota-se igualmente que, por a primeira pessoa do singular ser uma constante, há sempre uma proximidade entre quem lê e as personagens. Pergunto-me se teria sido opcional ou próprio do discurso da autora.

Desconheço se os contos estão ordenados cronologicamente, mas julguei notar um acréscimo na densidade das histórias e na qualidade da escrita à medida que cada conto se sucedia. E confesso que tendo a apreciar mais as histórias quanto mais chegam ao nosso âmago.

Espero voltar a ler mais contos da Olinda. E, cá entre nós, vale a pena continuares a escrever.

Classificação de cada conto (x/5*):
3,5 * Multidão
3,0 * Liberdade de Escrita
3,0 * A História de Apenas uma Página
3,0 * O Eremita
3,5 * Pensamentos de um Marinheiro
3,5 * A Vela
4,0 * Estranha Rotina
3,0 * No Dia em que as Espingardas Atiraram Flores em Vez de Balas
4,0 * Agora, para mim, afinal o tempo existe
4,0 * Como lhe dizer que o amo
4,5 * A Rua do Memorial Perdido
4,0 * Morreste
4,5 * Menina que Te Foste Embora
4,0 * Organismos
4,0 * Na Basílica de Nossa Senhora dos Mártires
4,5 * Numa memória uma ruga
4,0 * Interseccionismo
5,0 * Niger Olor
4,5 * Sophia
3,5 * Numa Pastelaria
3,5 * O Mestre de Ioga
4,0 * Conto Quase Erótico
4,0 * O Pai
4,0 * Anaïs
4,0 * Clube de Teatro
4,0 * Silêncio
3,5 * Comemoração
4,0 * O Hotel
3,0 * Xadrez Alcoolizado
3,0 * João e Maria
4,0 * Palestra

3,8/5* classificação final

Este livro foi uma oferta da autora, aquando do 1.º piquenique literário da ASSESTA [para recordar aqui].

Sobre a autora:
Olinda P. Gil é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e mestre em Ensino do Português e das Línguas Clássicas. Tem também uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos.

Foi colaboradora do "DnJovem", suplemento do "Diário de Notícias". Participou com outros colaboradores do suplemento no site na-cama.com e jotalinks.

Foi 3º prémio do concurso literário "Lisboa à Letra" em 2004, na categoria de prosa. Foi seleccionada no 4º concurso de Mini-Contos do IST Taguspark.

Tem textos publicados nas revistas "Ao Sul de Nenhum Norte", "Bang!", "Nanozine", "Revista Literária Sítio" e "InComunidade". Publicou nas colectâneas "Ocultos Buracos", "Beijos de Bicos" e "Poesia sem Gavetas".

Irá publicar, no Brasil, na colectânea "Livros" da Editora Estronho.

Lançou em Novembro de 2013  um conjunto de micronarrativas intitulado "Contos Breves". Escreve no blog www.olindapgil.com

Gostaria de ter entre as suas principais influências Sophia de Mello Breyner Andresen, Hélia Correia, Ana Teresa Pereira e a belga Amelie Nothomb mas não tem a certeza se o consegue. Fonte: Olinda P. Gil blog

domingo, 18 de setembro de 2016

Música ao Domingo #18: Keane "Tear Up This Town"



A música escolhida para hoje fará parte da banda sonora do filme "A Monster Calls", baseado no livro Sete Minutos Depois da Meia-Noite. Nos cinemas a 23 de Setembro.


(C) 2016 Island Records, a division of Universal Music Operations Limited

I wanna hand you my heart and let you carry the load
Nobody tells you anything you need to know
I need a friend but a friend is so hard to find
I need an answer but I'm always one step behind

Cause it takes time
Learning to fly

Do you ever feel like all you want is to go home
To kiss the earth, to weave a way through this storm
Some days I rage like a fire in the wilderness
Some days I only need the darkness and a place to rest

Oh it takes time
(It takes time)
Learning to fly

Tear up this town
Blinking in the sunlight as the walls come down
This fire will burn
Digging for a truth that just can't be found
Don't want your lessons in love
I want to tear it all up

I need a friend but a friend is so hard to find
I need an answer but I'm always one step behind
Oh it takes time
(It takes time)
Yes, it takes time
(It takes time)
Learning to fly

Tear up this town
Blinking in the sunlight as the walls come down
This fire will burn
Digging for a truth that just can't be found
Don't want your lessons in love
I want to tear it all up

Fonte: Vagalume

sábado, 17 de setembro de 2016

Os blogues que sigo #3: FLAMESmr

Desta vez, a convidada para nos falar do seu blogue foi a Roberta Frontini que, numa união de vontades com a sua amiga Mariana Oliveira, criou o FLAMES.


«O FLAMES é um blogue criado por duas amigas que, contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa, não quer dizer "chamas".

O nome do blog é um acrónimo das categorias que abordamos: Filmes, Livros, Animes, Mangas, Entretenimento/Eventos/Espetáculos e Séries. Tentámos sempre manter o espírito do blogue. Acrescentámos apenas as entrevistas e os passatempos que, no entanto, tentamos que tenham sempre a ver com o blogue.

O FLAMES surgiu em 2010 e tem uma história engraçada. Nós fizemos a licenciatura juntas e, durante uma conversa, percebemos que tinham hobbies muito semelhantes. Entretanto cada uma seguiu um mestrado diferente (dentro do curso de psicologia) e como não nos víamos tantas vezes, começámos a trocar e-mails. Até que um dia me lembrei "porque não criamos um blogue e, em vez de estar a escrever só para nós, escrevemos também para outras pessoas?". Inicialmente o objectivo era mantermo-nos actualizadas acerca do que a outra andava a ver ou a ler e, ao mesmo tempo, descobrir novos programas ou livros pelas mãos de uma pessoa em quem confiávamos. No entanto depois quisemos ir mais longe, e tentar que outras pessoas se juntassem "à conversa". Por outro lado, se é verdade que inicialmente nos centrávamos mais em autores estrangeiros, com o tempo percebemos que podíamos usar o blogue para divulgar mais o que de bom se tem feito em Portugal.

Estamos ambas muito satisfeitas com o nosso trabalho. O feedback tem sido fantástico! O carinho que os nossos seguidores têm todos os dias connosco, assim como os autores e as editoras é algo que não consigo de todo descrever. Estamos em várias redes sociais e entretanto também criámos um canal do youtube. O nosso objectivo é divulgar sempre o que temos num maior número de redes sociais possível porque se apostam em nós, então nós também queremos dar o nosso máximo e ajudar ao máximo a divulgar tudo o que nos mandam. Quero aproveitar este espaço para agradecer a todos os que nos têm apoiado de alguma forma e esperamos que considerem que estamos a fazer um bom trabalho.»

A particularidade do FLAMES é a variedade de temas e o canal no Youtube, onde se encontram vídeos com book hauls, unboxings, diários de leitura e muito, muito mais, o que, sem dúvida enriquece o blogue. Quanto a mim, acompanho sempre as publicações sobre livros, animes/mangas e música e adoro ver os unboxings e book hauls, não fosse eu uma inveterada cusca das aquisições e leituras alheias. 

Não deixem de visitar e de acompanhar a Roberta e a Mariana nas seguintes plataformas:

E ainda no Snapchat:@flamesmr

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

"As Horas Invisíveis" de David Mitchell [Opinião]

Título: As Horas Invisíveis
Título original: The Bone Clocks
Autor: David Mitchell
Tradutor: Manuel Alberto Vieira
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Editorial Presença
Temática: Romance
N.º de páginas: 632
Para adquirir:


Sinopse:

Holly Sykes foge de casa dos pais para viver com o namorado. Embora pareça uma típica adolescente inglesa, é propensa a fenómenos paranormais. Durante a fuga, conhece uma mulher estranha que a alicia com um gesto amável em troca de asilo. Décadas depois, Holly compreende por fim que espécie de asilo a mulher procurava…

Este é um thriller empolgante de David Mitchell, aclamado autor de Atlas das Nuvens que acompanha a vida atribulada de Holly numa série de eventos. Estes cruzam-se por vezes de maneira indizível, pondo-a no centro de uma perigosa jogada nas margens do mundo e da realidade.

Dos Alpes suíços da Idade Média ao interior australiano do século XIX, culminando num futuro próximo distópico, As Horas Invisíveis é um romance caleidoscópico que nos oferece uma alegoria do nosso tempo.

David Mitchell foi vencedor do World Fantasy Novel Award 2015.

Opinião:

Com 632 páginas e um sem fim de personagens, esta não constitui, com certeza, uma das opiniões mais fáceis de escrever. Primeiramente, porque é muito difícil falar da história sem revelar factos determinantes para o seu desenrolar e, em segundo, por ser longa e com perspectivas variadas.

A história baseia-se na existência de fenómenos parapsíquicos, os quais apenas são conhecidos por poucos e possuídos por ainda menos. Existem os que nascem dotados - pertencentes à Horologia - e os que, por meios ilícitos, chegam ao mesmo dom e conhecimento - os Anacoretas o que conduz à eterna disputa entre o Bem e o Mal. Ambos desfrutam da imortalidade, mas a que custo? É uma luta feroz que se estende pelo tempo, culminando em algo que, não sendo o ideal, deixa uma luz de esperança para a Humanidade. Holly Sykes, a protagonista, é apanhada no meio deste turbilhão, sofrendo duras consequências, não sendo, contudo, a única.

Temporalmente delimitada entre 1984, 1991, 2004, 2015, 2025 e 2043, nesta narrativa seguimos as perspectivas de imensos intervenientes, que convergem sempre para Holly. E foi sem dúvida por ela que senti definida empatia, talvez por a acompanharmos nos seus momentos decisivos e todo o seu crescimento - desde a adolescência até à velhice. O mundo pós-apocalíptico de 2043, em que o petróleo está encarecido e os mantimentos escasseiam, aproximando-se a passos largos da total anarquia, encerra a história e não me será difícil relembrá-lo.

De um modo geral, o escritor conseguiu criar um contexto lógico justificativo dos fenómenos parapsíquicos, porém, existem alguns pontos mortos na acção que só senti serem recompensados com o término da leitura. 

Um livro que não recomendaria a qualquer tipo de leitor, especialmente aos que buscam leituras fluídas e/ou superficiais. Possui um misto de thriller e suspense, ficção contemporânea, histórica e científica,  new age e distopia e nesse sentido é das obras mais completas que li. Não é de admirar, portanto, que Cloud Atlas tenha entrado directamente para a minha wishlist, cujas críticas são bem mais favoráveis.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
David Mitchell nasceu em 1962 em Worcestershire, Inglaterra. Lecionou durante vários anos no Japão. É autor, entre outros, de Atlas das Nuvens, publicado pela Presença e adaptado para o cinema, bem como de Ghostwritten, number9dream, Black Swan Green e The Thousand Autumns of Jacob de Zoet.

Vencedor dos prémios literários John Llewllyn Rhys, Geoffrey Faber Memorial e South Bank Show e finalista do Man Booker Prize em 2004 e 2014.

Em 2013, a revista Granta incluiu-o na lista de Melhores Escritores Britânicos.

Vive na Irlanda com a mulher e os dois filhos. Fonte: Editorial Presença