[A primeira parte aqui]
A Sala do Capítulo seria em tempos idos utilizada para reuniões em que se discutiriam assuntos relevantes para o quotidiano do Convento, ou para aplicação de correctivos às freiras desobedientes.
As pinturas são de inspiração barroca e, além das que se
encontram visíveis, debaixo dos azulejos haveriam pinturas do século XV. Chegou
a ser fotografado um macaquinho com trela, possivelmente uma oferta realizada a
uma das freiras do Convento e, naturalmente, considerado extremamente exótico.
Os bancos e as paredes estão forrados de azulejos quinhentistas
até meia altura e não possuem figuras humanas ou animais, já que a religião
muçulmana não o permitiria, além de que o Alcorão impunha um erro nas obras
humanas - a perfeição a Deus pertence.
Acima dos azulejos estão pinturas a têmpera de S. João
Baptista, S. João Evangelista, S. Sebastião, Santa Clara e S. Francisco de
Assis. Encontram-se representações da paixão de Cristo, estando este
representado crucificado e na fase de tortura antes da Via Sacra.
Numa das sala de pinturas que visitámos, no quadro de
maior dimensão surge S. Bartolomeu a ser esfolado vivo (séc. XVII – atribuído
a Ribera, o que já não se confirma). A visível calma e entrega a este processo
por parte de S. Bartolomeu demonstra o seu carácter de santo.
Outra pintura muito
interessante é Ecce Homo (séc. XV), imagem de devoção, realizada a partir de
cartões de Nuno Gonçalves, autor dos Painéis de São Vicente de
Fora.
No chão estão duas
estátuas representando S. Sebastião, soldado romano convertido ao cristianismo
e que, questionado sobre esta conversão não a negou. Foi por isso martirizado –
atado a uma árvore e alvo de setas. Numa das estátuas, quando ainda existiam as setas em prata que
o perfuravam, por brincadeira foi pendurada numa delas a
seguinte mensagem: “basta de tanto sofrer”...
No primeiro andar encontra-se a exposição arqueológica, entre a qual a doada por Fernando Nunes Ribeiro, com descobertas realizadas na área de Beja, incluindo moedas, peças de adorno,
lajes tumulares, entre outras. Observa-se igualmente uma das poucas linguagens no mundo que
ainda não foram decifradas – a escrita do Sudoeste – e que teria sido
modificada pelos fenícios.
Por último, foi discutida a história de Mariana Alcoforado. Nascida em 1640, data do início da
Guerra da Restauração, a pouco mais de 50 metros de distância do Museu, na sua altura Convento da Conceição (e onde hoje se situa o restaurante O Alcoforado), sobre ela conhecem-se em concreto as suas datas de nascimento e óbito.
Conta-se, contudo, que entrou neste Convento com cerca de 11 anos de idade, onde professou aos 16 anos, na Ordem de Santa Clara.
O cavaleiro de Chamilly ter-lhe-ia sido apresentado pelo seu
irmão e julga-se que se tenham encontrado no próprio Convento,
nos seus aposentos. Nessa altura ela teria por volta dos 21 anos e ele 27 anos.
Desde a sua partida, Mariana nunca mais o voltou a ver, até
falecer aos 83 anos. Porém, escreveu-lhe pelo menos as cinco cartas
que vieram a conhecimento do público.
As Lettres Portugaises
são consideradas das mais bonitas cartas de amor e um clássico da literatura. Nelas se encontra a referência à janela gradeada, que se encontra no primeiro andar do Museu, por
onde o terá visto pela primeira vez: “estava
naquele balcão no dia fatal em que senti os primeiros sinais da minha
desgraçada paixão”.
Publicadas em francês em 1669, a autenticidade das cartas e
da sua autoria encontra-se ainda envolta em mistério e polémica, uma vez que
alguns teóricos defenderam que o seu autor poderá ter sido Gabriel Joseph de
Lavergne Guilleragues. A ausência de educação para as mulheres desta altura e a juventude de Mariana enfatizam estas dúvidas. Contudo, os pormenores sobre o Convento nas cartas são de tal forma
fiéis à realidade que se duvida desta teoria.
Acreditando que a autoria seja de Mariana, as cartas poderão
ter vindo a público dado o hábito existente na Corte francesa de se ler a
correspondência e daí ter surgido algum interesse pela sua publicação.
Aventa-se também a hipótese de ser uma vingança por parte do Marquês de
Chamilly, entre outras possibilidades.
Localizado no Largo da Conceição,
aguarda a vossa visita de Terça-feira a Domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h às
17h15 (encerra Segundas-feiras e feriados).
O preço dos bilhetes é de € 2, com 50% de redução para
estudantes, reformados e professores (com cartão comprovativo). Gratuito para
jovens até aos 15 anos e professores acompanhando visitas de estudo. A entrada
é gratuita aos Domingos.
Os bilhetes dão acesso ao Museu principal e ao seu Núcleo
Visigótico que se localiza no Largo de Santo Amaro. Fonte: CM Beja