domingo, 14 de agosto de 2016

Música ao Domingo #13: Deolinda "Corzinha de Verão"



Porque é que o sol nunca brilha quando fico de férias
Fins-de-semana, ou nos meus dias de folga
Eu passo os dias a ver pessoas em fatos de banho
Calções e havaianas e eu sempre de camisola

E eu andei o ano inteiro, a juntar o meu dinheiro
Para esta desilusão
Dava todo o meu ouro por um pouco do teu bronze
Uma corzinha de verão

Vento, eu na praia a levar com vento
A rogar pragas e a culpar São Pedro
Que mal fiz eu ao céu
E vento, Juro imaginar bom tempo
Espalho o protector solar e estendo o corpo no museu

Porque tudo conspira contra a minha vontade
Sim sim é verdade não estou a ser pessimista
É que a vizinha da cave é sempre a mais bronzeada
Traz um sorriso na cara e não sabe quem foi Kandinsky

E eu andei o ano inteiro, a juntar o meu dinheiro
Para esta desilusão
Dava todo o meu ouro por um pouco do teu bronze
Uma corzinha de verão

Vento, eu na praia a levar com vento
A rogar pragas e a culpar São Pedro
Que mal fiz eu ao céu
E vento, Juro imaginar bom tempo
Espalho o protector solar e estendo o corpo no museu (2x)

O corpo no museu

Ana Bacalhau: Voz, coros/ Vocals, backing vocals
Pedro da Silva Martins: Guitarra Clássica, coros/ Classic guitar, backing vocals
Luís José Martins: Machetes, coros/ Machetes, backing vocals
Zé Pedro Leitão: Contrabaixo, coros, pandeireta/ Double bass, backing vocals, tambourine

Músicos convidados/Guest musicians:
Mário Costa: Percussão/ Percussion
Eurico Amorim: Hammond
António Serginho: Vibrafone/ Vibraphone

Letra e Música/ Written by de Pedro da Silva Martins 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

"Com os Olhos do Coração" de Virginia MacGregor [Opinião]

Título: Com os Olhos do Coração
Título original: What Milo Saw
Autora: Virginia MacGregor
Tradutora: Raquel Dutra Lopes
Edição/reimpressão: 
Editora: Edições ASA
Temática: Romance 
N.º de páginas: 336
Para adquirir:

Sinopse:

Milo tem nove anos e é praticamente cego - é como se visse tudo pelo buraco de uma agulha. Felizmente a bisavó, de 92 anos, ensina-o a olhar para o mundo de uma maneira diferente: se ele prestar mesmo muita atenção, conseguirá ver coisas que mais ninguém vê.

E o que ele vê não é bonito. Desde que o pai se foi embora de casa, "com a sua Galdéria para Abu Dhabi", a mãe anda triste, sempre com o mesmo vestido de folhos, e a queixar-se de falta de dinheiro. Resta-lhe apenas o consolo de Hamlet, o seu porquinho de estimação, e as conversas com a bisavó sobre tempos idos.

Um dia, porém, a bisavó quase incendeia a casa e é enviada para um lar de terceira idade. Milo fica destroçado. Ainda por cima ele vê no lar coisas que mais ninguém vê. Por trás da fachada imaculada do edifício, os idosos vivem aterrorizados pela diretora, a sinistra Enfermeira Thornhill. Milo tem agora uma missão quase impossível.

Com os Olhos do Coração é a epopeia heróica de um rapaz que não se conforma em perder a bisavó e que tudo fará para a resgatar.

Obra de culto de Virginia MacGregor, traduzida em mais de vinte países, Com os Olhos do Coração dá-nos a conhecer uma inesquecível personagem e, através dela, a insensatez do mundo em que vivemos.

Opinião:

Decidi-me por uma leitura mais leve após as anteriores (As Horas de Michael Cunningham e Mrs. Dalloway de Virginia Woolf).

O escolhido foi este Com os Olhos do Coração de Virginia Macgregor: um cocktail de personagens muito variado: Milo, o centro da história e um menino muito atento devido à sua retinose pigmentar; a sua bisavó Lou, muda e já com visíveis dificuldades na orientação e autonomia; a mãe de Milo, Sandy, que engravidou na adolescência, recém-separada, desempregada e claros problemas de auto-estima; Andy, o sempre irresponsável e omnipresente nos pensamentos de Sandy e Milo, ainda que distante fisicamente; Tripi, o refugiado sírio que procura a sua irmã Ayaishah e que encontrou trabalho no lar Não Me Esqueças; e, não esquecer, o porquinho Hamlet, rechonchudo, inteligente e o grande apoio de Milo; entre muitos outros.

A história inicia-se com um incêndio causado pela avó Lou que piores consequências não teve graças à pronta intervenção de Milo. A partir daí, Sandy decide colocar Lou num lar e passamos a observar a senda de Milo em conseguir que a avó regresse a tempo do Natal. Esta vai ser uma tarefa que assume contornos de missão quando Milo constata que a sua avó e os restantes utentes do lar estão em perigo…

A escrita é simples, despretensiosa e o fio condutor não apresenta muitas quebras. De registar apenas algumas ocorrências previsíveis.

O principal ponto forte deste livro é, sem dúvida, a forma equilibrada como conjuga temas tão diversos como a educação das crianças, as limitações advindas das doenças, o respeito e cuidados que devemos aos mais velhos, a paternidade responsável, o drama dos refugiados, o amor pelos animais ou a importância de cultivar e cuidar das relações.

É assim que a perspectiva de Milo, simples e ingénua, doce e terna, sem ambições além da felicidade da família, ensina-nos que, acima de tudo, se deve aprender a estar atento, focar a nossa visão – e restantes sentidos – no que nos rodeia, para que, desta forma, o mais importante não nos passe despercebido.

Classificação: 3,5/5*

Sobre a autora:
Virginia MacGregor cresceu entre a Alemanha, França e Inglaterra, no seio de uma família onde sempre se contaram histórias. Assim que aprendeu a segurar na caneta, começou ela própria a escrever os seus próprios contos. Estudou em Oxford e tornou-se professora de Inglês, nunca abandonando a escrita. É autora dos romances juvenis When I Hold My Breath e Before I See The Sky. Este Com os Olhos do Coração é o seu primeiro livro para adultos. Vive atualmente em Berkshire, Inglaterra, com o marido e os seus dois gatos. Fonte: Biografia do livro Fotografia: Goodreads

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Roteiros por Beja #3: No Museu Jorge Vieira e no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano

A manhã do passado dia 4 foi dedicada a visitar dois locais: o Museu Jorge Vieira - Casa das Artes e o Núcleo Museológico da Rua do Sembrano 

Inaugurado em 1995 por iniciativa de Carreira Marques, o presidente da Câmara Municipal de Beja de então, no Museu Jorge Vieira - Casa das Artes encontra-se um conjunto de esculturas, maquetas e desenhos da autoria de Jorge Vieira (1922-1998), nome maior da arte portuguesa do século XX.

Pai do surrealismo e do abstraccionismo português, inspirava-se em Picasso e, nas suas obras, dava primazia à terracota, ao ferro, ao mármore e ao bronze. Além disso, foi um apaixonado pelo Alentejo que, não sendo o seu local de nascimento, se tornou seu pela afectividade com que as suas gentes o recebiam, motivo pelo qual escolheu Beja para receber as doações realizadas.


Encontram-se obras públicas da sua autoria em Lisboa (Homem Sol), Estremoz (Monumento ao Mármore), Grândola (Monumento à Liberdade), Osaka, entre outros locais, além da presença em diversas colecções nacionais e internacionais. Em Beja pode encontrar-se o Monumento ao Preso Político Desconhecido, neste momento instalado em frente à Pousada de S. Francisco, além das peças presentes no museu, claro.

De realçar que este museu necessita de claras obras de reabilitação ou, melhor ainda, de uma transferência para um local com melhores condições e acessibilidades. 


Sobre o Museu Jorge Vieira - Casa das Artes:
Localizado na Rua do Touro, n.º 33, está aberto de Terça-feira a Domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h (encerra à 2ªfeira, 1/01, 1/05 e 25/12). É gratuito e não acessível a visitantes com mobilidade reduzida. Fonte: CMBeja


O Núcleo Museológico da Rua do Sembrano situa-se no que antes seria uma casa privada na qual, ao entrar em obras, se encontraram vestígios que levaram às escavações ocorridas nos anos 80 e 90. 

Graças a elas foram encontrados inúmeros vestígios que indicam a ocupação daquilo que hoje é Beja desde a Pré-História à Época Contemporânea, incluindo uma larga muralha da Idade do Ferro e termas do período romano, que podem ser facilmente visualizados devido ao chão em vidro que constitui o piso do Núcleo.


Existe uma exposição permanente com objectos retirados das escavações que nos fala da ocupação pré-romana de Beja e de Beja Romana, na Antiguidade Tardia, Islâmica, Medieval, na Idade Moderna e na Época Contemporânea.


Encontrava-se igualmente patente outra exposição, mas de carácter temporário: Sob a Terra e as Águas - 20 anos de arqueologia entre o Guadiana e o Sado, apresentando diversos vestígios descobertos ao longo dos trabalhos desenvolvidos relativos ao Alqueva. Numa selecção apurada entre mais de duas mil peças, encontram-se, desde o Paleolítico até à Idade Moderna,  objectos cuja descoberta vai permitir reescrever a História.


O painel de azulejos localizado à entrada do Núcleo, dedicado ao ciclo da água, é da autoria de Rogério Ribeiro e, pessoalmente, acho-o lindíssimo e digno de ser paulatinamente admirado.



Sobre o Núcleo Museológico da Rua do Sembrano:
Localizado na Rua do Sembrano/Largo de S. João, está aberto de Terça-feira a Domingo das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h (encerra à Segunda-feira, 1/1, 1/5, 25/12). É gratuito e  acessível a visitantes com mobilidade reduzida. Visitas guiadas, gratuitas, em português, inglês ou castelhano, deverão ser marcadas com antecedência através do telefone 284 311 920. Fonte: CMBeja

domingo, 7 de agosto de 2016

Música ao Domingo #12: Mew "Comforting Sounds"



I don't feel alright
In spite of these comforting sounds
You make
I don't feel alright
Because you make promises
That you break
Into your house
Why don't we share our solitude?
Nothing is pure anymore but solitude
It's hard to make sense
Feels as if I'm sensing you
Through a lens
If someone else comes
I'll just sit here listening to the drums
Previously I never called it solitude
And probably you know
All the dirty shows I've put on
Blunted and exhausted like anyone
Honestly I tried to avoid it
Honestly
Back when we were kids, we would always know when to stop
And now all the good kids are
Messing up
Nobody has gained or
Accomplished anything

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

XIV Palavras Andarilhas [Divulgação]


A biblioteca sai à rua, ganham voz as palavras e as histórias fazem sonhar. Há 14 anos que assim é e este ano não será excepção. A programação já está disponível aqui e, como não podia deixar de ser, no As Horas... que me preenchem de prazer aguarda-se com expectativa mais esta edição das Palavras Andarilhas.

"As Palavras Andarilhas são uma festa da Palavra – lida, escutada, contada – que de dois em dois anos se faz em Beja – a cidade dos Contos. Este encontro é promovido desde 1999 pela Câmara Municipal de Beja através da Biblioteca Municipal de Beja José Saramago e pela Associação para a Defesa de Património da Região de Beja e assume-se hoje como um grande momento de aprendizagem colectiva, em torno da promoção da leitura, da narração oral e da literatura.

Porque fazemos as Palavras Andarilhas?

Para promover a relação e reforço de competências dos mediadores de leitura que em diferentes contextos desenvolvem a sua actividade facilitando a partilha de saberes e experiências e de novas práticas e atitudes face à animação e promoção do livro e da leitura;

Para potenciar o ganho de competências na abordagem da palavra – falada e escrita – que se traduzam na criação de novas estratégias na formação de leitores;

Para valorizar o conto, na sua vertente de tradição oral de recriação da palavra escrita,  e os contadores e aprendizes do contar – enquanto veículos da  expressão da memória, cultura e afectos das comunidades;

Porque acreditamos no contributo da palavra, da literatura, da arte em geral para a formação do Homem Novo.

A quem se dirigem as Palavras Andarilhas?

A todos os que potenciam a relação com a palavra e fazem dela um instrumento de reflexão sobre o MUNDO: bibliotecários, técnicos de biblioteca, narradores, animadores sócio – culturais, ilustradores; agentes educativos e pais, leitores e não leitores e à cidade de Beja." Fonte: Palavras Andarilhas

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Roteiros por Beja #2: No Museu Regional de Beja (parte II)

[A primeira parte aqui]

A Sala do Capítulo seria em tempos idos utilizada para reuniões em que se discutiriam assuntos relevantes para o quotidiano do Convento, ou para aplicação de correctivos às freiras desobedientes.


As pinturas são de inspiração barroca e, além das que se encontram visíveis, debaixo dos azulejos haveriam pinturas do século XV. Chegou a ser fotografado um macaquinho com trela, possivelmente uma oferta realizada a uma das freiras do Convento e, naturalmente, considerado extremamente exótico.

Os bancos e as paredes estão forrados de azulejos quinhentistas até meia altura e não possuem figuras humanas ou animais, já que a religião muçulmana não o permitiria, além de que o Alcorão impunha um erro nas obras humanas - a perfeição a Deus pertence.

Acima dos azulejos estão pinturas a têmpera de S. João Baptista, S. João Evangelista, S. Sebastião, Santa Clara e S. Francisco de Assis. Encontram-se representações da paixão de Cristo, estando este representado crucificado e na fase de tortura antes da Via Sacra.

Numa das sala de pinturas que visitámos, no quadro de maior dimensão surge S. Bartolomeu a ser esfolado vivo (séc. XVII – atribuído a Ribera, o que já não se confirma). A visível calma e entrega a este processo por parte de S. Bartolomeu demonstra o seu carácter de santo.

Outra pintura muito interessante é Ecce Homo (séc. XV), imagem de devoção, realizada a partir de cartões de Nuno Gonçalves, autor dos Painéis de São Vicente de Fora.

No chão estão duas estátuas representando S. Sebastião, soldado romano convertido ao cristianismo e que, questionado sobre esta conversão não a negou. Foi por isso martirizado – atado a uma árvore e alvo de setas. Numa das estátuas, quando ainda existiam as setas em prata que o perfuravam, por brincadeira foi pendurada numa delas a seguinte mensagem: “basta de tanto sofrer”... 

No primeiro andar encontra-se a exposição arqueológica, entre a qual a doada por Fernando Nunes Ribeiro, com descobertas realizadas na área de Beja, incluindo moedas, peças de adorno, lajes tumulares, entre outras. Observa-se igualmente uma das poucas linguagens no mundo que ainda não foram decifradas – a escrita do Sudoeste – e que teria sido modificada pelos fenícios.


Por último, foi discutida a história de Mariana Alcoforado. Nascida em 1640, data do início da Guerra da Restauração, a pouco mais de 50 metros de distância do Museu, na sua altura Convento da Conceição (e onde hoje se situa o restaurante O Alcoforado), sobre ela conhecem-se em concreto as suas datas de nascimento e óbito.

Conta-se, contudo, que entrou neste Convento com cerca de 11 anos de idade, onde professou aos 16 anos, na Ordem de Santa Clara.

O cavaleiro de Chamilly ter-lhe-ia sido apresentado pelo seu irmão e julga-se que se tenham encontrado no próprio Convento, nos seus aposentos. Nessa altura ela teria por volta dos 21 anos e ele 27 anos.

Desde a sua partida, Mariana nunca mais o voltou a ver, até falecer aos 83 anos. Porém, escreveu-lhe pelo menos as cinco cartas que vieram a conhecimento do público.

As Lettres Portugaises são consideradas das mais bonitas cartas de amor e um clássico da literatura. Nelas se encontra a referência à janela gradeada, que se encontra no primeiro andar do Museu, por onde o terá visto pela primeira vez: “estava naquele balcão no dia fatal em que senti os primeiros sinais da minha desgraçada paixão”. 

Publicadas em francês em 1669, a autenticidade das cartas e da sua autoria encontra-se ainda envolta em mistério e polémica, uma vez que alguns teóricos defenderam que o seu autor poderá ter sido Gabriel Joseph de Lavergne Guilleragues. A ausência de educação para as mulheres desta altura e a juventude de Mariana enfatizam estas dúvidas. Contudo, os pormenores sobre o Convento nas cartas são de tal forma fiéis à realidade que se duvida desta teoria. 

Acreditando que a autoria seja de Mariana, as cartas poderão ter vindo a público dado o hábito existente na Corte francesa de se ler a correspondência e daí ter surgido algum interesse pela sua publicação. Aventa-se também a hipótese de ser uma vingança por parte do Marquês de Chamilly, entre outras possibilidades.
( via página oficial no Facebook da Câmara Municipal de Beja )


Sobre o Museu Regional de Beja:
Localizado no Largo da Conceição, aguarda a vossa visita de Terça-feira a Domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h às 17h15 (encerra Segundas-feiras e feriados).

O preço dos bilhetes é de € 2, com 50% de redução para estudantes, reformados e professores (com cartão comprovativo). Gratuito para jovens até aos 15 anos e professores acompanhando visitas de estudo. A entrada é gratuita aos Domingos.

Os bilhetes dão acesso ao Museu principal e ao seu Núcleo Visigótico que se localiza no Largo de Santo Amaro. Fonte: CM Beja