sábado, 9 de julho de 2016

"O Prédio" de Miguel Morais [Opinião]

Título: O Prédio
Autor: Miguel Morais
Data de edição: 2012
Editora: Edições Vieira da Silva
Temática: Humor
N.º de páginas: 80
Para adquirir:


Sinopse:

Se o seu sonho é morar numa vivenda, contente-se por não viver num prédio assim. Quando uma infiltração nas arrecadações põe à prova os condóminos deste prédio, o que sairá da cabeça de uma corja constituída por um cantor desafinado, uma psicóloga deprimida, um polícia brutamontes, um informático chulo, uma estudante prostituta, um cientista maluco, um casal com sete filhos e um escritor javardo?

Opinião:

Gosto de histórias decorridas em prédios, como Claraboia de José Saramago ou Caminho Como Uma Casa em Chamas de António Lobo Antunes. Porém, naturalmente que não estava a esperar encontrar um registo semelhante. Surgiu-me antes uma narrativa humorístico-satírica em que as personagens são directamente apresentadas e respectivamente colocadas nos seus andares, pelo que não temos de descortinar através da leitura quem é quem ou onde mora esta ou aquela personagem.

Acompanham-se então as peripécias, sobretudo as que reúnem os condóminos, em busca da solução para o problema que atingiu o prédio.

Acabou por ser uma leitura rápida, mas que se perdeu em figuras-tipo demasiado estereotipadas: o que era para ser engraçado, acaba por não o ser demasiadas vezes, roçando apenas o seu objectivo.

Apreciei bem mais as duas histórias em anexo, sobretudo A volta aos cavalos com a sereia taxista, devido ao carácter surreal de uma sociedade conviver tão naturalmente com sereias taxistas e outros seres mitológicos.

Classificação: 2,5/5*

Sobre o autor: 

Nasceu a 6 de outubro de 1977, em Lisboa. Publicou Poesia para médicos, farmacêuticos, biólogos e afins (2009), A (p)Alma da Arte (2010), A crise financeira do Pai Natal (2010), A viagem da Flor Dourada (2011) e O prédio (2012). O seu mais recente trabalho, O ano mais estúpido do meu irmão mais novo (2015), foi lançado em três volumes, um por cada quadrimestre.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Revista Somos Livros Verão 2016 [Divulgação]

Já está disponível a revista da rede de livrarias Bertrand para este Verão, a SOMOS LIVROS. Destaque para a entrevista a Mario Vargas Llosa e para o conto de Sandro William Junqueira. Para ver aqui.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Museu Botânico: visita e divulgação

Na passada sexta-feira, no âmbito de uma formação que actualmente frequento, tive a oportunidade de visitar o Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja.

Este "é um centro de cultura científica, vocacionado para a apresentação de exposições temporárias que ilustram a relação milenar estabelecida entre o Homem e as Plantas. O Museu tem como objectivos conservar, estudar e divulgar objectos e conhecimentos provenientes de recolhas e estudos, de botânica económica e de etnobotânica, desenvolvidos em Portugal e no estrangeiro. Através do estudo de objectos manufacturados a partir de plantas, de matérias-primas vegetais e de objectos naturais, o visitante pode redescobrir o engenho do Homem e o poder criativo da Natureza".

Esta foi uma visita guiada por Luís Mendonça de Carvalho, professor e director do Museu, o que grandemente enriqueceu o seu interesse e, felizmente, consegui ver a exposição acerca do papel das plantas no desastre do Titanic pouco antes de ser desmontada. Deixo-vos as fotografias da praxe, com modestas tentativas de explicação de alguns dos pormenores.

Na foto, da esquerda para a direita: trigo, em sementes e em rama, além de um artefacto; a maior semente do Reino Vegetal, o coco-do-mar; bijuteria em marfim vegetal; algodão em rama, gangas e tecido tingido com a cor indígo; a maior pinha; o fruto da árvore da bala-de-canhão.

Na foto, da frente para trás: bola na madeira mais pesada, a madeira-da-vida; tábua na madeira mais leve, a balsa; cássia, o produto que nos é vendido como canela; e a verdadeira canela, mais cara e difícil de encontrar.


Entrando na exposição Titanic, encontrava-se o colete que os tripulantes usaram, cujo interior era em cortiça. Foi-nos explicado que, ao mergulhar, caso o colete se encontrasse mal atado, a parte inferior viria repentinamente para cima, o que deu origem a diversos maxilares partidos... 

As cordas utilizadas na época eram feitas a partir de côco.

 A lista e fotografias de passageiros do Titanic.

A madeira escolhida para as barcas salva-vidas, a balsa, incluindo uma das fotografias que retrata uma das barcas encontradas com sobreviventes.

As bebidas utilizadas na época e a sua origem vegetal correspondente.

Um jornal de notícias da época.

Um chapéu de palha, bastante duro, com fabrico à época.

Gravuras variadas e mais vestígios vegetais.

Cartazes promocionais anunciando as viagens do Titanic.

Fotografias das fases de construção do navio.

E outras curiosidades, como o sabonete utilizado, o tabaco, entre outras.

Houve direito a outras curiosidades, onde se observou:
A cortiça em vários estados.

Inúmeros frascos com sementes, especiarias e outras substâncias.

E maravilhosas (e curiosas) manufacturas de origem vegetal.

Para o mês de Setembro está prevista uma exposição sobre a simbologia das plantas na Inglaterra vitoriana que, certamente, irei visitar já que é uma das minhas épocas favoritas.

Contactos:
Museu Botânico
Escola Superior Agrária de Beja
Apartado 6158
7801-908 Beja Codex
Telefone: 284 314 300 / Fax: 284 388 207
Email: museu@esab.ipbeja.pt
Site: www.esab.ipbeja.pt/museu/ [Temporariamente indisponível]

Horário:
Todos os dias úteis das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30
Preços: Gratuito

Fonte: CMBeja

domingo, 3 de julho de 2016

Música ao Domingo #7: Radiohead "Burn the Witch"


Antecipando a presença dos Radiohead no NOS Alive'16, a 8 de Julho, aqui fica a sugestão para este Domingo:


Stay in the shadows
Cheer at the gallows
This is a round up

This is a low flying panic attack
Sing a song on the jukebox that goes

Burn the witch
Burn the witch
We know where you live

Red crosses on wooden doors
And if you float you burn
Loose talk around tables
Abandon all reason
Avoid all eye contact
Do not react
Shoot the messengers

This is a low flying panic attack
Sing the song of sixpence that goes

Burn the witch
Burn the witch
We know where you live

We know where you live

sexta-feira, 1 de julho de 2016

"Perguntem a Sarah Gross" de João Pinto Coelho [Opinião]

Título: Perguntem a Sarah Gross
Autor: João Pinto Coelho
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 448
Para adquirir:


Sinopse:


Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.

Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.

Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.

Opinião:

Primeiramente, esta é uma obra que entrelaça vários géneros literários (mistério, histórico, thriller) e temas diversos de forma coerente e harmoniosa. A linguagem conduz a uma leitura rápida e absorvente, já que é fluída e sem artifícios.

A marca predominante no enredo é o leque de personagens femininas inspiradoras, sobreviventes, dotadas de fortes personalidades – Anna, Sarah, Esther, Kimberly. As personagens masculinas adquirem um papel subalterno, à excepção de Henryk, o pai de Sarah, envolvido num dos episódios mais emotivos do livro.

Anna, Sarah e Esther surgem envolvidas em grandes dramas pessoais representantes de uma época tão funesta. Especialmente o sofrimento de Sarah, torna-se impressionante e, a forma como dele emergiu, icónica. Sem margem para dúvidas, uma personagem inesquecível para mim. Ela é a alma desta história.

Algo que apreciei, sem dúvida, foram as reviravoltas surpreendentes, que me permitiram a renovação da curiosidade e o estímulo para avançar ainda mais depressa na leitura.

No final, achei que a história de Kimberly foi “arrumada” um tanto ou quanto precipitadamente para uma personagem tão relevada, e que alguns pontos poderiam ter sido melhor explorados, como o racismo no colégio de St. Oswald’s, (view spoiler).

Deparei-me com uma forma diferente e original de abordar Auschwitz e toda a miséria, infâmia e ignobilidade que lhe está inerente e que representa um período tão negro da História da Humanidade… O segregacionismo religioso dos judeus ficou patente na forma equilibrada, mas apartada, como os habitantes de Oshpitzin coabitavam e na discriminação ao acesso e pleno cumprimento de funções em cargos políticos. O anti-semitismo já existia. Os incentivos do nazismo apenas fizeram brotar a planta maldita que enraizada estava.

A 2.ª Guerra Mundial e o nazismo continuarão a fornecer matéria mais do que o suficiente para, por um lado, duvidarmos da viabilidade da continuação da espécie humana e, por outro lado, encontrarmos a esperança de que isso seja possível graças aos actos mais extraordinários.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor: 

João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance. Fonte: WOOK

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Colecção de Clássicos para Leitores de Hoje [Divulgação]

"Para comemorar os seus 35 anos, a Relógio D'Água lança uma colecção de Clássicos para Leitores de Hoje, com traduções cuidadas, prefácios que contextualizam as obras e preços entre 5 e 10€." Conheçam os títulos disponíveis aqui.


E depois disto, não me venham com desculpas para não se lerem autores clássicos!

( via Giphy )