Sinopse:
Edgar Allan Poe é um dos autores mais publicados do mundo,
conhecido pela genialidade expressa também nos seus famosos contos de terror e
em algumas das histórias de detetives mais macabras jamais escritas, como A
Queda da Casa de Usher, Os Crimes da Rua Morgue ou O Escaravelho de Ouro.
Notável mestre do suspense, Poe também era poeta e, como demonstram os seus
contos sobre hipnotismo e viagens no tempo, foi um pioneiro da ficção
científica.
A presente edição reúne todos os contos deste autor clássico
da literatura universal e decorre da edição ilustrada anteriormente publicada
em dois volumes.
Opinião:
Não podia deixar de dedicar algumas palavras a um dos livros
que mais tempo levei a ler (cerca de 10 meses!), mais do que Guerra e Paz ou
Moby Dick que possuem, igualmente, um volume avantajado e um número de páginas
considerável.
Antes de mais, posso justificar esta demora com o facto de o
livro possuir 69 contos compilados num único volume, o que o torna difícil de transportar dentro da mala, como costumo fazer com os de menor
volume. Além disso, ler contos de enfiada não me parece muito satisfatório, já
que as histórias não amadurecem suficientemente no meu imaginário, tal como
aprecio. Desta forma, fui lendo um conto ali, outro acolá, e assim foi
decorrendo a leitura.
Parti para esta leitura esperando encontrar o pioneiro do
mistério e do terror e, como tal, uma escrita com uma qualidade elevada. Sem
dúvida, não me desiludi. Encontrei igualmente alguns contos que enquadraria em
ficção científica o que, de facto, me surpreendeu. Confesso que foram os que me deram mais luta pois as minhas bases científicas são quase nulas.
Acabei por adoptar a atitude de retirar todo o prazer possível da leitura,
relativizando os aspectos técnicos abordados nestes contos em específico.
Perpassando um olhar generalizado por todos os contos, os que me mereceram maior pontuação baseada sobretudo no gosto pessoal, foram os
que mais se contextualizaram em ambientes, tremendamente góticos, de profundo
mistério e suspense, os mais transcendentes e/ou os satíricos. O conto final
Narrativa de A. Gordon Pym - o de maior dimensão - revelou-se um desfecho
fabuloso porque continuo a adorar histórias de marinheiros, piratas e afins,
repletas de aventuras e onde o homem se supera na imensidão do mar.
Julgo que todas - ou quase todas - as narrativas foram escritas
na primeira pessoa, pelo que os diferentes narradores estão sempre próximos,
adoptando-se invariavelmente a postura de contador de histórias. Quando assim
se pretende, o suspense é crescente, revelando-se a chave do mistério no final.
A cultura de Poe é imensa, surgindo constantemente sem ferir
susceptibilidades. Imagino que tenha sido uma perturbada personalidade na sua
época, porém de intelecto elevado e não reconhecido pelos seus contemporâneos,
como é de bom tom.
Finalmente, é do meu conhecimento que a Edições
tinta-da-china publicou a sua Obra Poética Completa, que entrará directamente
para a minha wishlist e, que espero um dia, ler.
Classificação de cada conto (x/5*):
3,0 * A Aventura Sem Paralelo de um Tal Hans Pfall
4,0 * O Escaravelho de Ouro
4,0 * O Embuste do Balão
4,5 * Von Kempelen e a sua Descoberta
5,0 * A Revelação Mesmérica
5,0 * A Verdade sobre o Caso do Sr. Valdemar
4,5 * A Milésima Segunda História de Xerazade
5,0 * Manuscrito Encontrado Numa Garrafa
4,5 * Uma Descida no Maelström
5,0 * Os Crimes da Rua da Morgue
4,0 * O Mistério de Marie Rogêt
4,5 * A Carta Roubada
5,0 * O Gato Preto
5,0 * A Queda da Casa de Usher
5,0 * O Poço e o Pêndulo
4,5 * O Enterro Prematuro
4,5 * A Máscara da Morte Vermelha
4,5 * O Barril Amontillado
4,0 * O Demónio da Perversidade
4,5 * A Ilha da Fada
5,0 * O Retrato Oval
5,0 * O Encontro
5,0 * O Coração Revelador
4,5 * O Sistema do Doutor Tarr e do Professor Fether
4,0 * A Vida Literária do Ex.mo Sr. Thingum Bob
3,5 * Como Escrever Um Artigo à Blackwood
4,0 * Um Aperto
4,0 * Mistificação
3,5 * O Parágrafo TranXformado
5,0 * Da Vigarice Considerada como Uma das Ciências Exactas
4,5 * O Anjo Estranho
4,0 * Mellonta Tauta
4,0 * Perda de Respiração
5,0 * O Homem Que Foi Consumido
5,0 * O Homem de Negócios
4,0 * O Jogador de Xadrez de Maelzel
4,5 * O Poder da Palavra
5,0 * O Colóquio de Monos e Una
5,0 * A Conversa de Eiros e Charmion
4,0 * Sombra
4,0 * Silêncio
3,5 * Filosofia do Mobiliário
3,5 * Uma História de Jerusalém
4,5 * A Esfinge
4,0 * O Homem da Multidão
4,5 * Nunca Aposte a Sua Cabeça com o Diabo
5,0 * «És Tu o Homem»
5,0 * Hop-Frog
4,0 * Quatro Animais Num
4,0 * Por Que Razão Traz o Francesinho o Braço ao Peito
4,5 * Bon-Bon
4,5* Algumas Palavras com Uma Múmia
4,0 * A Propriedade de Arnheim, ou o Jardim-Paisagem
4,0 * A
Cottage de Landor
4,5 *
William Wilson
5,0 * Berenice
5,0 * Eleonora
5,0 * Ligeia
5,0 * Morella
4,0 * Metzengerstein
5,0 * Uma História das Montanhas Escarpadas
5,0 * Os Óculos
4,0 * O Duc de l’Omelette
5,0 * A Caixa Oblonga
5,0 * O Rei Peste
4,5 * Três Domingos Numa Semana
5,0 * O Diabo no Campanário
4,0 * Entradas de Leão
5,0 * Narrativa de A. Gordon Pym
4,5/5* classificação final
Sobre o autor:
Escritor norte-americano nascido a 9 de janeiro de 1809, em
Boston, e falecido a 7 de outubro de 1849. Filho de dois atores de Baltimore,
David Poe Junior e Elizabeth Arnold Poe, ficou órfão com apenas dois anos de
idade e desde cedo aprendeu a sobreviver sozinho. Foi adotado por uma família
de comerciantes ricos de Richmond, de quem recebeu o apelido Allan.
Entre 1815 e 1820, a família Allan viveu em Inglaterra e na
Escócia, onde Poe recebeu uma educação tradicional, regressando depois a
Richmond. Poe foi para a Universidade da Virgínia em 1826, onde estudou grego,
latim, francês, espanhol e italiano, mas desistiu do curso onze meses depois
por causa do seu vício do jogo e do álcool. Resolveu então ir para Boston, onde
publicou em 1827 um fascículo de poemas da juventude de inspiração byroniana,
Tamerlane and Other Poems.
Em 1829 publicou o seu primeiro volume de poemas, com o
título Al Aaraaf, Tamerlane and Minor Poems, onde se denota a influência de
John Milton e Thomas Moore. Foi então para Nova Iorque, onde publicou outro
volume, contendo alguns dos seus melhores poemas e onde se evidencia a
influência de Keats, Shelley e Coleridge.
Em 1835 estreou-se como diretor do jornal Southern Literary
Messenger, em Richmond, onde se tornaria conhecido como crítico literário, mas
veio a ser despedido do seu cargo alegadamente por causa do seu problema da
bebida. O álcool viria aliás a ser o estigma que marcaria toda a sua vida até à
morte. Casou-se nesse mesmo ano com a sua prima de apenas treze anos, Virgínia
Clemm, e o casal resolveu então instalar-se em Nova Iorque, onde não chegou a permanecer
muito tempo. Foi em Filadélfia que Poe alcançou fama através de vários volumes
de poemas e histórias de mistério e de terror. Em 1838 escreveu The Narrative
of Arthur Gordon Pym (A Narrativa de Arthur Gordon Pym), obra de prosa em que
combinou factos reais com as suas fantasias mais insanes. Em 1839 tornou-se
codiretor do Burton's Gentleman's Magazine em Filadélfia, e nesse mesmo ano
escreveu várias obras que o tornaram famoso pelo seu estilo de literatura
ligado ao macabro e ao sobrenatural. São elas William Wilson e The Fall of the House of Usher (A Queda da
Casa de Usher). A primeira história policial surgiu apenas em 1841, na
revista Graham's Lady's and Gentleman's Magazine, sob o nome The Murders of the
Rue Morgue (Os Crimes da Rue Morgue), e em 1843 Poe recebeu o seu primeiro
prémio literário com a obra The Gold Bug. Em 1844 regressou a Nova Iorque e
tornou-se subdiretor do New York Mirror. Na edição de 29 de janeiro de 1845
deste jornal surgiu o poema The Raven (O Corvo), com o qual Poe atingiu o auge
da sua fama nacional.
Dois anos mais tarde morre a sua mulher Virgínia, mas Poe
volta a casar, com Elmira Royster, em 1849. Porém, antes disso, Poe publica
Eureka, uma obra que deu azo a muita contestação por parte de alguns críticos
da época e que é considerada uma dissertação transcendental sobre o universo,
muito louvada por uns e detestada por outros.
É de regresso à terra natal do seu pai que Poe começa a
apresentar indícios de que o problema do alcoolismo já era de certo modo
irreversível. De facto, ele esteve na origem da morte do poeta. A obra de Poe é
o espelho da sua vida conturbada e dos seus hábitos e atitudes antissociais,
que o levavam a ter uma escrita que ia para além dos padrões convencionais. Se
por um lado foi vítima de certas circunstâncias que estavam para além do seu
controle, como foi o facto de ter ficado órfão aos dois anos de idade, por
outro fez-se escravo de um problema - o álcool - que agravaria a sua
personalidade já de si inconstante, imprevisível e incontrolável. Edgar Allan Poe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto
Editora, 2003-2009. Fonte: WOOK