Autora: Teolinda Gersão
Data de edição: 2003 (1.ª publicação: 1997)
Editora: Visão/Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 159
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Sinopse:
"Ela estava na margem, olhando. Enquanto a vida, como os barcos à vela, passava ao largo. Era tudo tão visível e concreto que tinha vontade de chorar. Mas se chorasse era pior, sentiu tirando da mala um lenço de papel, era como se o mundo risse dela, os guarda-sóis, as casas, os barcos, as árvores, as pessoas, sobretudo as pessoas rissem dela."
Opinião:
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Sinopse:
"Ela estava na margem, olhando. Enquanto a vida, como os barcos à vela, passava ao largo. Era tudo tão visível e concreto que tinha vontade de chorar. Mas se chorasse era pior, sentiu tirando da mala um lenço de papel, era como se o mundo risse dela, os guarda-sóis, as casas, os barcos, as árvores, as pessoas, sobretudo as pessoas rissem dela."
Uma obra dividida em três partes em que se acompanha Gita e
os pais, Laureano e Amélia, no primeiro acto; no segundo, a história de vida de
Amélia; e o amadurecimento de Gita no terceiro. Gita é apresentada,
inicialmente, como uma menina que encontra compreensão no pai e um tremendo sufoco da parte
da mãe, pelo seu desejo de liberdade e independência. Os pais possuem
prioridades completamente diferentes: enquanto Laureano se satisfaz com uma
vida pacata e sem sobressaltos, Amélia mostra-se permanentemente insatisfeita
com a sua sorte, invejando todos os que usufruem de um nível de vida superior
ao seu e desdenhando os negros, como Lóia, a empregada doméstica. É neste
embate de vivências tão diferentes que Gita cresce e se observa como as
discriminações e os preconceitos podem condicionar as vidas.
Habilmente conduzido por Teolinda Gersão, o fio narrativo
com avanços e recuos e repartido entre as personagens principais, torna a
leitura fluída e saborosa. Moçambique surge como pano de fundo e,
simultaneamente, como personagem principal, assumindo-se como a homenagem que a
autora pretendeu realizar às dádivas de África recebidas.
"O dia não quebrava os sonhos, podia-se dormir de olhos abertos, e a vida era gozosa e fácil como o jogo e o sonho. Podiam-se abrir os braços e gritar: Eu vivo - mas não era necessário esse gesto exultante e excessivo, as coisas eram tão próximas e simples que quase não se reparava nelas. Saía-se por exemplo a porta da cozinha sem se dar conta de transpor um limiar. Não havia separação entre os espaços, nem intervalos a separar os dias. Porque o corpo ligava a terra ao céu".
Classificação: 4,5/5*
Este livro foi autografado pela autora na sua vinda à Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago a 8 de Janeiro de 2016.
"O dia não quebrava os sonhos, podia-se dormir de olhos abertos, e a vida era gozosa e fácil como o jogo e o sonho. Podiam-se abrir os braços e gritar: Eu vivo - mas não era necessário esse gesto exultante e excessivo, as coisas eram tão próximas e simples que quase não se reparava nelas. Saía-se por exemplo a porta da cozinha sem se dar conta de transpor um limiar. Não havia separação entre os espaços, nem intervalos a separar os dias. Porque o corpo ligava a terra ao céu".
Classificação: 4,5/5*
Este livro foi autografado pela autora na sua vinda à Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago a 8 de Janeiro de 2016.
Sobre a autora:
Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística,
Romanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi
Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade
de Letras de Lisboa e depois de provas académicas professora catedrática da
Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura
Comparada. A partir de 1995 passou a dedicar-se exclusivamente à literatura.
Além da permanência de três anos na Alemanha viveu dois anos
em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde decorre o romance de 1997 A
Árvore das Palavras.
Autora sobretudo de romances, publicou até agora duas
novelas (Os Teclados e Os Anjos) e duas colectâneas de contos (Histórias de Ver
e Andar e A Mulher que prendeu a Chuva).Três dos seus livros foram adaptados ao
teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia: Os Teclados por Jorge
Listopad no Centro Cultural da Belém, 2001; Os Anjos por por João Brites e o
grupo O Bando, 2003; A Casa da Cabeça de Cavalo ganhou o Grande Prémio do
Festival Internacional de Teatro de Bucareste, Roménia, em 2005, com encenação
de Eusebiu Stefanescu. Encenada também na Alemanha por Beatriz de Medeiros
Silva e o grupo Os Quasilusos, em 2005.
Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004.
O seu livro mais recente é o romance Passagens (2014).

























