segunda-feira, 23 de maio de 2016

III Festival Beja Romana: a minha visita

Pelo terceiro ano consecutivo, durante os dias 20, 21 e 22 de Maio, a minha cidade foi palco do festival Beja Romana, em que se recriaram os tempos da grandiosa Pax Julia.

Segundo as palavras da Professora Conceição Lopes, "a cidade de Pax Iulia foi fundada por Augusto, algures entre os anos 25 e 15 do séc. I a.C." e o respectivo "forum localizava-se junto à actual Praça da República, como testemunham as escavações recentemente realizadas nesse local, as quais permitiram a descoberta do maior templo romano conhecido em território nacional". Assim se confirma a riqueza histórica de Beja que, felizmente, vem a ser descoberta pelos bejenses e pelo país com a realização destes eventos.

Nada melhor então do que mostrar alguns dos aspectos que mais gostei na minha visita:

Parte do acampamento militar, com réplicas do armamento usado à época.


Algum artesanato, não especificamente de inspiração romana, mas bastante original.



O palco e um tabernáculo de homenagem a Marte e a Vénus.


Exposição de aves de rapina, demonstração de cavalos, passeios de burro para crianças.
 


E, claro, inúmeros figurantes, entre os quais se encontravam vários habitantes.
 


Uma iniciativa que trouxe uma animação raramente vista no centro histórico da cidade e da qual se espera a repetição nos anos vindouros.

domingo, 22 de maio de 2016

Música ao Domingo #2: Beirut "Elephant Gun"



If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - when all was right and wrong
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - when all was right and wrong
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that I hide

quarta-feira, 18 de maio de 2016

"Toda a Luz que Não Podemos Ver" de Anthony Doerr [Opinião]

Titulo: Toda a Luz que Não Podemos Ver
Título original: All the Light We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Editorial Presença
Temática: Ficção histórica
N.º de páginas: 520
Para adquirir (outra edição da obra):

Sinopse:

Marie-Laure é uma jovem cega que vive com o pai, o encarregado das chaves do Museu Nacional de História Natural em Paris. Quando as tropas de Hitler ocupam a França, pai e filha refugiam-se na cidade fortificada de Saint-Malo, levando com eles uma joia valiosíssima do museu, que carrega uma maldição. Werner Pfenning é um órfão alemão com um fascínio por rádios, talento que não passou despercebido à temida escola militar da Juventude Hitleriana. Seguindo o exército alemão por uma Europa em guerra, Werner chega a Saint-Malo na véspera do Dia D, onde, inevitavelmente, o seu destino se cruza com o de Marie-Laure, numa comovente combinação de amizade, inocência e humanidade num tempo de ódio e de trevas.

Opinião:

As Grandes Guerras são, e continuarão a ser, uma inesgotável fonte de inspiração para relatos, ficcionados ou reais, que nos permitem assistir a lições de vida (e de valorização da mesma) indescritíveis.

Sem dúvida que as personagens principais, Marie-Laure LeBlanc e Werner Pfennig, em pólos opostos da guerra, nos trazem perspectivas únicas sobre o que foi a 2.ª Guerra Mundial. Porém, a inteligência, a sua perseverança na sobrevivência e o facto de verem e sentirem de forma lúcida a realidade que os rodeava, tornou-os especiais e, instintivamente, reconheceram-se um ao outro como semelhantes. E a alternância de relatos entre as duas personagens permitem-nos acompanhar o seu sofrido percurso com ânsia e preocupação.

Todas as outras personagens - Daniel LeBlanc, o pai de Marie-Laure, e o seu tio-avô Étienne, Jutta, irmã de Werner, Madame Manec, Von Rumpel, Frederick, e tantas outras - apesar de completamente diferentes, expõe uma galeria de quase todas as facetas da espécie humana, transmitindo-me mensagens significantes enquanto leitora.

Não a encarei enquanto leitura compulsiva - aliás, saborear foi a palavra-chave. Foi mesmo bastante pausada, degustada, com a calma necessária para imaginar o que seria não ver e desfrutar dos restantes sentidos, ou não conhecer a música vinda de um rádio e, pela primeira vez, ouvi-la e fazer dos sons o centro da minha vida. O mar que Marie-Laure descobriu teve um eco profundo em mim.
Compreendo as críticas dirigidas ao parco encontro de Marie-Laure e Werner, porém, mais do que esse encontro, considero que o percurso até ele é absolutamente mais relevante, tal como as suas consequências.

Concluo, reflectindo que as guerras, de dimensões bíblicas ou territoriais, continuam a ser uma tragédia, já que impossibilitam milhões de continuarem a abrir os olhos e de verem "tudo o que conseguirem ver antes que se fechem para sempre". Esta será uma história que, espero, perdurará na minha memória por muito e muito tempo, e sobre a qual não poderia deixar de escrever.

Classificação: 5,0/5*

Sobre o autor:

Anthony Doerr nasceu em Cleveland, no Ohio em 1973. Vive com a mulher e os dois filhos em Boise, no Idaho. Publicou os livros de contos - The Shell Collector (2002) e Memory Wall (2010), uma autobiografia Four Seasons in Rome (2007) e dois romances, About Grace (2004) e Toda a Luz que não Podemos Ver, que foi finalista do National Book Award em 2014 e bestseller número 1 do New York Times. Anthony Doerr já foi galardoado com vários prémios, tanto nos Estados Unidos como noutros países: quatro O. Henry Prizes, três Pushcart Prizes, dois Pacific Northwest Book Awards, três Ohioana Book Awards, Barnes & Noble Discover Prize, Rome Prize, New Yorker Public Library’s Young Lions Award, Guggenheim Fellowship, NEA Fellowship, National Magazine Award para ficção. Em 2010, recebeu o Story Prize, um dos mais prestigiados prémios nos Estados Unidos e o Sunday Times EFG Short Story Award. Em 2007 a revista literária Granta considerou Anthony Doerr um dos melhores jovens romancistas americanos.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Festa do Cinema [Divulgação]

Começa hoje a Festa do Cinema! Nos dias 16, 17 e 18 de Maio, em todas as salas de cinema portuguesa os bilhetes estarão apenas a € 2,50. Tendo em conta os preços praticados habitualmente, é de aproveitar, sobretudo para quem não visita um cinema há algum tempo. Mais informação aqui: http://www.festadocinema.pt/


domingo, 15 de maio de 2016

Música ao Domingo #1: David Fonseca "Hoje eu não sou"



Abre os olhos são 6 da tarde do dia que já passou,
acordei dentro de um corpo dormente tal e qual ao que se deitou,
hoje eu não sou
transparente tão ausente já esqueci tudo o que lembrei,
hoje eu não sou
quase nada, alma apagada e tenho tanto que ainda não tem,
saio de casa passo apressado mas não sei bem para onde vou,
sigo a calçada mas está desfocada tanta gente que aqui já passou
hoje eu não sou
quase morto, controlo remoto, sou boneco à tua mercê,
hoje eu não sou
de joelhos bola de espelhos dá-me luz mas nunca me vê,
hoje eu não sou
hoje eu não estou
sou um fantasma de um desejo
sou só uma boca sem o teu beijo
hoje eu não sou
hoje eu não estou
sou uma chaga sempre aberta,
e o teu abraço só me aperta onde eu não sou,
ponho dois pratos na mesa um retrato em que sorris para quem o tirou,
faço as perguntas, dou as respostas tu já foste eu ainda aqui estou,
hoje eu não sou
já deitado farol apagado, quarto escuro não sei de quem,
hoje eu não sou
uma prece só reconhece a tua voz e a de mais ninguém,
hoje eu não sou
hoje eu não estou
sou um fantasma de um desejo
sou só uma boca sem o teu beijo
hoje eu não sou
hoje eu não estou
...
onde estás no escuro eu não te vejo

tudo me faz lembrar de ti mas não te tenho

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Mil e uma Noites Mil e uma Histórias - HISTÓRIAS DE TANTOS LUGARES com Maria Clara Cavalcanti

Ontem à noite, uma vez mais marquei presença na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago para mais uma noite de contos, desta vez com a presença de Maria Clara Cavalcanti, excelente narradora brasileira.


Foi uma hora e pouco num serão bem passado, em que Maria Clara contou histórias que desconhecia e outras que conhecia da tradição portuguesa, mas com adaptações notórias à cultura brasileira. Aliás, foi referido pela própria que, ao longo das suas pesquisas sobre contos de todo o mundo, encontrou o mesmo conto em diferentes regiões do mundo com as respectivas adaptações à sua origem geográfica. Por exemplo, existe a Cinderela africana, ajudada por um sapo, ou uma Cinderela japonesa, neste caso auxiliada por um peixe. Curioso ainda como, uma tribo índia de Goiás tinha uma história tão semelhante a O Príncipe com Orelhas de BurroJuca Sára tem Orelhas de Maracajá.


O Mil e Uma Noites, Mil e Uma Histórias é uma iniciativa organizada pela Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, realizada há vários anos e, devido aos profissionais que nela trabalham, Beja tem uma forte tradição de narração oral com o seu expoente máximo no evento Palavras Andarilhas.  Brevemente falarei nele, uma vez que se vai realizar este ano. 

E na vossa região, também têm a sorte de a biblioteca organizar eventos como estes?