terça-feira, 30 de agosto de 2011

Nova estante, novos espaços

Há uns tempos publiquei umas fotos das minhas estantes. Como não eram suficientes e o meu quarto é pequeno, tinha que fazer um estudo aprofundado cada vez que comprava um livro, para descobrir onde o podia enfiar... Depois de muito pedinchar, tiveram dó do meu vício por livros e uma vizinha ofereceu-me uma nova estante. Eis o resultado:






Continuo a ter dois pequenos módulos, que usei para aproveitar o espaço nas mesas-de-cabeceira, e outro módulo para as colecções da revista Sábado.




 E ainda, estas duas aquisições: um cadeirão bastante confortável e este tabuleiro de apoio para os livros ou portátil.


E por agora é tudo... Até que volte a precisar de novos espaços para a minha crescente biblioteca. (:

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

fénix


( via Pinterest )

fénix 
insofrida
requeimada
retorcida
asas
em frenesim
sonhos e cinzas 
esvoaçantes
ser desgraçado
sou eu
que te falo

pela janela em que te vi
repouso
o meu regaço
brilham
como brasas
as duas lágrimas
escorrem

olhas 
como quem 
não quer 
quer
tudo de mim

lábios teus 
anelos
me pedem
infalível a fraqueza
estremece
alma e corpo
te dou

fénix 
insofrida
requeimada
retorcida
tuas asas
procuro
e
ardo 
não sei quem sou.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

E ainda... Ondjaki

( Mulher à janela de Fernando Botero)

"(…) Nada.., que a tuga até num vale a pena…! Mambo(1) que às vezes penso – epá, vais rir, eu sei, mas é o rabo das tugas… Meu, tábua d’engomar, a xoetice(2) toda? Rabo foi aonde então, Nzambi(3) lhes castigou assim porquê?, nossa observação que nós fazíamos, antigas missões na tuga e noutras europas mais, comissão disto e daquilo que dava é pra tirarmos comissões no nosso bolso, e nós ali no bar, fim de tarde, sem as palavras – os olhares só: uma tuga, duas tugas, muitas tugas, mas agora pra encontrar inda um rabo de acender mesmo as vistas? Passas mal. Uí, falo isso por causa da maka(4) das culturas, diferenças só, que eu fico mesmo a pensar que a cultura está mesmo até nos nossos olhos de pessoas, tás a rir?, gala(5) só então: um gajo é daqui, fica a pôr riso na dança dos tugas e outros europeus, ancas desarranjadas e não dão semba(6), tão a falar é malcriado, mambos(7) dos brasileiros, carnaval só. Afinal? Mas depois, considera só: eles também a nos verem dançar e vestir e pôr cu duro, num vão falar dança dos bêbados?, a dar bungula(8) puramente e pôr açúcar e as kabetulas(9) todas, num vão dizer estamos a ficar parecidos com os macacos?, xinguilamentos(10) musicais? Olhos deles, muadiê(11), tou ta pôr, e os nossos olhos todos de cada um: culturas!, num enormes plural e final das contas.” – página 105, em Quantas Madrugas Tem a Noite, de Ondjaki.

(1) coisa; assunto. (2) desprovimento de nádegas salientes. (3) Deus. (4) problema. (5) vê. (6) passo de dança que consiste no confronto das zonas pélvicas entre duas pessoas. (7) coisas; assuntos. (8) tipo de dança. (9) tipo de dança. (10) o estrebuchar. (11) moço; rapaz; homem.


Admirável como Ondjaki consegue conjugar temas tão diversos como a anatomia feminina e os preconceitos culturais. Simultaneamente, deu ainda pequenos consolos à minha auto-estima. Peso 70 kg e a minha gordura está localizada nas ancas e nas coxas. Deverei eu, e todas as mulheres que não tiveram a sorte da perfeição, emigrar para Angola? Ou tudo não passa de uma brutal futilidade que só tem valor pelo lugar em que nascemos e fomos educados? E como isto é tudo, pois caso tivéssemos derivado de um sítio onde fosse culturalmente aceite que, por um lado, os homens andassem de saltos altos e, por outro, as mulheres se pavoneassem nuas para facilitar a reprodução, alguém veria o ridículo da questão? Eu não.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Influências camonianas


Até hoje nunca tinha compreendido tão bem o drama de Camões...

Há poucas horas fui submetida a uma cirurgia oftalmológica para corrigir a miopia do olho direito, ou seja, quando este olho estiver «operacional» vou ver bem sem óculos ou lentes de contacto. O mesmo acontecerá com o olho esquerdo, intervencionado daqui a sensivelmente um mês.

Voltando à afirmação inicial: na noite de domingo para segunda sonhei com o Poeta. Não que tenha algo contra ele, pois até já li a monumental obra que é Os Lusíadas. Porém, se já andava nervosa, não me deixou propriamente descansada vê-lo surgir de entre as sombras.

Bom, em parte o «prenúncio» concretizou-se. Primeiro, porque tenho um olho tapado - graças a deus que não foi vazado durante uma escaramuça! - e o campo de visão substancialmente reduzido. Segundo, porque quando o destapar não vou puder fazer o que mais gosto por um período que me parece por demais longo: satisfazer o vício da leitura e, também, o de escrever aqui para o blogue. Mas sei que todos estes incómodos vão valer a pena, nem que seja pela minha saúde e pela minha auto-estima.

Por isso vos peço que me desejem uma rapidíssima recuperação, para que não esteja missing my wonderland...

Até breve!, ou, como eu gosto de dizer, see u soon

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Reformulações

( Departure of the Winged Ship do pintor russo Vladimir Kush via beautiful life


A vida é só uma, é a frase que mais tenho ouvido. Que fiz eu dela até agora? Nada de relevante, é a resposta que me surge tão espontâneamente que logo aí me demonstra tudo o que preciso saber. Vejo os navios e tanto os tenho desejado... Prestes passam. E eu sofro de os ver partir. 

Reformulando:

A vida é só uma, é a frase que mais tenho ouvido. Que vou eu fazer dela agora? Vou viver! Ser quem nunca fui!, é a resposta que me surge tão instantaneamente que me tira até o fôlego. Nenhum dos navios ficará por apanhar. E as borboletas, gotejando sangue e suor, seguirão os meus passos, neste jogo de cintura entre as ondas da vida e do sonho.