( via Life Message )
quinta-feira, 2 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
"Filhos e Amantes" de D. H. Lawrence [Opinião]
Título original: Sons and Lovers
Autor: D. H. Lawrence
1.ª publicação: 1913
Editora: Público
Temática: Romance
ISBN: 9789896820855
N.º de páginas: 507
Para adquirir (outra edição da obra):

Autor: D. H. Lawrence
1.ª publicação: 1913
Editora: Público
Temática: Romance
ISBN: 9789896820855
N.º de páginas: 507
Para adquirir (outra edição da obra):
Sinopse:
"Este clássico de D. H. Lawrence passa-se nas minas de carvão de Nothingham e acompanha a vida da família de Walter Morel, mineiro de profissão. Cansado e desiludido com o seu trabalho, Morel é um homem rude que está frequentemente alcoolizado. A sua mulher, decepcionada com o seu comportamento, acaba por depositar todas as suas esperanças nos filhos, principalmente em Paul, o protagonista do romance. Filhos e Amantes é considerado o primeiro retrato moderno do Complexo de Édipo, estudado por Freud.
D. H. Lawrence não ganhou o prémio Nobel por ser considerado um misógino "fora de moda". O escritor de Lady Chaterley foi uma figura controversa, com obras censuradas pelo seu erotismo, o que pode ter contribuído para a não atribuição do prémio."
D. H. Lawrence não ganhou o prémio Nobel por ser considerado um misógino "fora de moda". O escritor de Lady Chaterley foi uma figura controversa, com obras censuradas pelo seu erotismo, o que pode ter contribuído para a não atribuição do prémio."
Opinião:
Quem não ouviu já falar do complexo de Édipo? Freud formulou-o com base na tragédia grega Édipo Rei. De forma resumida, esta contava-nos a história de Édipo: ainda em pequeno, após ser predestinado pelos oráculos que mataria o seu pai e se casaria com a mãe, os pais, reis de Tebas, resolvem abandoná-lo. Encontrado por um pastor, Édipo cresce e sai da sua terra. Ignorando as suas verdadeiras origens, encontra no caminho o seu verdadeiro pai, acabando por matá-lo. Ficando com o direito a ser rei de Tebas por um desafio que ultrapassou, sua cidade natal. Inconscientemente escolhe para sua consorte a sua própria mãe, tendo com ela quatro filhos. Novamente os oráculos têm um papel predominante: dizem a Jocasta e a Édipo que são mãe e filho. A primeira, suicida-se; o segundo, fura os próprios olhos, castigo a que se submete por não ter reconhecido aquela que era sua mãe. Assim, Freud diz-nos que o complexo de Édipo se baseia no desejo que o rapaz, num dado estádio do seu desenvolvimento físico e sexual, sente pela mãe por ser um ser do sexo oposto, nutrindo por ela amor, enquanto que o pai passa a ser um seu rival, o que lhe desperta ódio. Apenas quando a criança se apercebe da impossibilidade de possuir a mãe, o pai surge como uma figura que deve ser tomada como exemplo.
Ora, que tem tudo isto a ver com o romance? Filhos e Amantes surge exactamente como um retrato do complexo de Édipo em tempos mais recentes (princípio do século XX).
Gerturde e Walter Morel formam um casal que, à partida, não tem muito futuro. Walter é um ser primitivo, irascível, rude e fogoso. Gertrude apaixona-se por ele, fascinada com o seu vigor e vitalidade. Após os primeiros tempos de um casamento feliz, Gertrude depara-se com consecutivas desilusões: ao contrário de si, Walter é imprudente, irresponsável, mentiroso, nada ambicioso, contentando-se com a vida pouco regrada que o seu labor de mineiro pode proporcionar, não se preocupando em dar mais do que o estritamente necessário à família. Pelo contrário, Gertrude é uma mulher de carácter vincado, o pilar da família, responsável por controlar a economia familiar e a criação e educação dos filhos. Intelectualmente activa, religiosa e puritana, nunca dançava. Incutiu aos filhos a sua visão da vida, já que a sua educação estava a seu cargo e promete a si própria poupar os filhos do ambiente familiar miserável em que vivem - as privações materiais mais a ausência de carinho e amor por parte do pai - sendo que tudo redonda na sobreprotecção da mãe.
Acompanhamos o nascimento dos filhos no seio de uma relação extremamente conflituosa: William, o primogénito, é a esperança da mãe; Annie, a única menina; Paul, de quem acompanhamos o nascimento e se torna o protagonista - profundamente ligado à mãe; Arthur, o único que gostava do pai, a princípio, e que herdou o seu carácter impetuoso. Estes estão contra o pai, alcoólico, presente mas ausente, sempre surripiando o dinheiro para satisfazer o seu vício, ainda que numa proporção manifestamente inconsequente.
Os episódios de extrema violência sucedem-se numa guerra pautada pela frustração de Gertrude e pela insensibilidade do seu marido. Após um episódio deveras marcante para o casal, Gertrude desiste de tentar mudar o marido e faz dos filhos a sua razão de viver.
William e Paul tornam-se, primeiro um, depois o outro, em depósitos das esperanças, desejos e mesmo da vida da mãe, que só vive para e por eles. A mãe desencadeia neles, sobretudo em Paul, o amor, mesmo a uma paixão ardente, e retribui-lhes na mesma moeda, ainda que não tenha havido concretização física - tudo acontece do ponto de vista de uma análise psicológica.
A segunda parte do romance (está dividido em duas partes, sendo que a segunda é a maior) foca-se em Paul, o terceiro filho da família Morel. Dependente da mãe e da irmã, mais distante de William, o irmão mais velho, e sem qualquer ligação ao pai - tudo isto contribuiu para a não resolução do seu complexo de Édipo. Assume a predilecção da mãe por si e corresponde-lhe vivamente. Ela não tem defeitos perante os seus olhos e recusa-se a aceitar que o passar dos anos lhe causem algum desgaste, santificando-a. Conta-lhe todos os acontecimentos da sua vida, por mais insignificantes que sejam, à excepção das experiências sexuais. Paul mostra-se ainda extremamente influenciável pela mãe, ainda que a sua personalidade caprichosa por vezes o faça divergir dela. Nota-se como facilmente se torna íntimo das mulheres e como elas o têm entre si sem receios, chegando mesmo a competir pela sua atenção e amizade. Gertrude é ciumenta pelo lugar que elas ocupam no coração do filho, contudo é a si que Paul retorna sempre, pois a mãe é o seu porto seguro. Por tudo isto julgo que é explorado um quadrilátero amoroso entre Paul, a sua mãe, Miriam e Clara.
Após consultar uma outra edição desta obra (edição de 1994 das Publicações Dom Quixote), acho que há duas informações que não podem deixar de ser dadas: "D. H. Lawrence (1885-1930) nasceu em Eastwood, no Nottinghamshire, filho de um mineiro e de uma mulher de grandes ambições, assistiu desde menino às desavenças entre os pais, motivadas por divergências de opinião quanto ao futuro dos filhos, conflitos conjugais esses que retratou na presente obra" , o que revela um carácter marcadamente autobiográfico nesta história.
Para além disso, na contracapa da mesma edição é-nos dito que: "A versão integral de Filhos e Amantes é agora publicada pela primeira vez. É dez por cento mais longa do que a versão disponível até à data: oitenta páginas haviam sido cortadas pelo primeiro editor, algumas delas devido à inclusão de sexo explícito. Sem outra fonte de rendimento, D. H. Lawrence viu-se forçado a concordar com os cortes e as alterações introduzidas: «Quero lá saber se [o editor] vai cortar uma centena de páginas duvidosas de Filhos e Amantes. O livro tem de se vender, preciso do dinheiro para viver». Passados oitenta anos, a obra-prima de D. H. Lawrence pode finalmente ser publicada tal qual ele a escrever". Fiquei sinceramente na dúvida se esta edição do Público que li está ou não completa, sobretudo depois de ler a introdução da edição da Dom Quixote. Não encontrei cenas de sexo explícito, apenas erotismo. Comparei e encontrei manifestas diferenças. Por exemplo:
Versão da edição do Público: "Havia até um par de meias no espaldar duma cadeira. [...] Sentou-se na cama, considerou em volta a escuridão do quarto, com as pernas cruzadas, imóvel, escutando" (pp. 407-408).
Versão original: "Sentou-se na cama e olhou o quarto às escuras. Apercebeu-se então de um par de meias de vidro nas costas de uma cadeira. Levantou-se sem ruído e calçou-as, sentando-se na cadeira imóvel, sabendo que tinha de a possuir. Depois, sentou-se na cama, erecto, com os pés dobrados sob o corpo, perfeitamente imóvel, à escuta".
Afinal, em que ficamos? Se alguém souber, que me diga. Custo a acreditar que tenha sido publicada a versão censurada de uma obra em pleno século XXI...
De qualquer forma, o livro não me cativou o suficiente para me fazer aprofundar as pesquisas. Dividido em duas partes, achei a primeira, com o combate entre Gertrude e Walter e a formação da sua família, bastante melhor do que a segunda, onde acompanhamos o crescimento de Paul, os seus amores e desamores e a sua relação com a mãe. A exploração do complexo de Édipo é bem feita, sem dúvida - e julgo que esse era o propósito do autor: mostrar como o seu protagonista foi vítima do excesso de amor da mãe e do seu complexo de Édipo não resolvido. Porém, Paul revela-se como alguém cada vez menos interessante, cada vez mais vazio, perdido nas teias do amor que consagra à mãe, até ele próprio se desfazer em nada. Deste modo, acabei por naturalmente me desinteressar acerca do seu destino e perder interesse na leitura.
Classificação: 3,0/5*
Quem não ouviu já falar do complexo de Édipo? Freud formulou-o com base na tragédia grega Édipo Rei. De forma resumida, esta contava-nos a história de Édipo: ainda em pequeno, após ser predestinado pelos oráculos que mataria o seu pai e se casaria com a mãe, os pais, reis de Tebas, resolvem abandoná-lo. Encontrado por um pastor, Édipo cresce e sai da sua terra. Ignorando as suas verdadeiras origens, encontra no caminho o seu verdadeiro pai, acabando por matá-lo. Ficando com o direito a ser rei de Tebas por um desafio que ultrapassou, sua cidade natal. Inconscientemente escolhe para sua consorte a sua própria mãe, tendo com ela quatro filhos. Novamente os oráculos têm um papel predominante: dizem a Jocasta e a Édipo que são mãe e filho. A primeira, suicida-se; o segundo, fura os próprios olhos, castigo a que se submete por não ter reconhecido aquela que era sua mãe. Assim, Freud diz-nos que o complexo de Édipo se baseia no desejo que o rapaz, num dado estádio do seu desenvolvimento físico e sexual, sente pela mãe por ser um ser do sexo oposto, nutrindo por ela amor, enquanto que o pai passa a ser um seu rival, o que lhe desperta ódio. Apenas quando a criança se apercebe da impossibilidade de possuir a mãe, o pai surge como uma figura que deve ser tomada como exemplo.
Ora, que tem tudo isto a ver com o romance? Filhos e Amantes surge exactamente como um retrato do complexo de Édipo em tempos mais recentes (princípio do século XX).
Gerturde e Walter Morel formam um casal que, à partida, não tem muito futuro. Walter é um ser primitivo, irascível, rude e fogoso. Gertrude apaixona-se por ele, fascinada com o seu vigor e vitalidade. Após os primeiros tempos de um casamento feliz, Gertrude depara-se com consecutivas desilusões: ao contrário de si, Walter é imprudente, irresponsável, mentiroso, nada ambicioso, contentando-se com a vida pouco regrada que o seu labor de mineiro pode proporcionar, não se preocupando em dar mais do que o estritamente necessário à família. Pelo contrário, Gertrude é uma mulher de carácter vincado, o pilar da família, responsável por controlar a economia familiar e a criação e educação dos filhos. Intelectualmente activa, religiosa e puritana, nunca dançava. Incutiu aos filhos a sua visão da vida, já que a sua educação estava a seu cargo e promete a si própria poupar os filhos do ambiente familiar miserável em que vivem - as privações materiais mais a ausência de carinho e amor por parte do pai - sendo que tudo redonda na sobreprotecção da mãe.
Acompanhamos o nascimento dos filhos no seio de uma relação extremamente conflituosa: William, o primogénito, é a esperança da mãe; Annie, a única menina; Paul, de quem acompanhamos o nascimento e se torna o protagonista - profundamente ligado à mãe; Arthur, o único que gostava do pai, a princípio, e que herdou o seu carácter impetuoso. Estes estão contra o pai, alcoólico, presente mas ausente, sempre surripiando o dinheiro para satisfazer o seu vício, ainda que numa proporção manifestamente inconsequente.
Os episódios de extrema violência sucedem-se numa guerra pautada pela frustração de Gertrude e pela insensibilidade do seu marido. Após um episódio deveras marcante para o casal, Gertrude desiste de tentar mudar o marido e faz dos filhos a sua razão de viver.
William e Paul tornam-se, primeiro um, depois o outro, em depósitos das esperanças, desejos e mesmo da vida da mãe, que só vive para e por eles. A mãe desencadeia neles, sobretudo em Paul, o amor, mesmo a uma paixão ardente, e retribui-lhes na mesma moeda, ainda que não tenha havido concretização física - tudo acontece do ponto de vista de uma análise psicológica.
A segunda parte do romance (está dividido em duas partes, sendo que a segunda é a maior) foca-se em Paul, o terceiro filho da família Morel. Dependente da mãe e da irmã, mais distante de William, o irmão mais velho, e sem qualquer ligação ao pai - tudo isto contribuiu para a não resolução do seu complexo de Édipo. Assume a predilecção da mãe por si e corresponde-lhe vivamente. Ela não tem defeitos perante os seus olhos e recusa-se a aceitar que o passar dos anos lhe causem algum desgaste, santificando-a. Conta-lhe todos os acontecimentos da sua vida, por mais insignificantes que sejam, à excepção das experiências sexuais. Paul mostra-se ainda extremamente influenciável pela mãe, ainda que a sua personalidade caprichosa por vezes o faça divergir dela. Nota-se como facilmente se torna íntimo das mulheres e como elas o têm entre si sem receios, chegando mesmo a competir pela sua atenção e amizade. Gertrude é ciumenta pelo lugar que elas ocupam no coração do filho, contudo é a si que Paul retorna sempre, pois a mãe é o seu porto seguro. Por tudo isto julgo que é explorado um quadrilátero amoroso entre Paul, a sua mãe, Miriam e Clara.
Após consultar uma outra edição desta obra (edição de 1994 das Publicações Dom Quixote), acho que há duas informações que não podem deixar de ser dadas: "D. H. Lawrence (1885-1930) nasceu em Eastwood, no Nottinghamshire, filho de um mineiro e de uma mulher de grandes ambições, assistiu desde menino às desavenças entre os pais, motivadas por divergências de opinião quanto ao futuro dos filhos, conflitos conjugais esses que retratou na presente obra" , o que revela um carácter marcadamente autobiográfico nesta história.
Para além disso, na contracapa da mesma edição é-nos dito que: "A versão integral de Filhos e Amantes é agora publicada pela primeira vez. É dez por cento mais longa do que a versão disponível até à data: oitenta páginas haviam sido cortadas pelo primeiro editor, algumas delas devido à inclusão de sexo explícito. Sem outra fonte de rendimento, D. H. Lawrence viu-se forçado a concordar com os cortes e as alterações introduzidas: «Quero lá saber se [o editor] vai cortar uma centena de páginas duvidosas de Filhos e Amantes. O livro tem de se vender, preciso do dinheiro para viver». Passados oitenta anos, a obra-prima de D. H. Lawrence pode finalmente ser publicada tal qual ele a escrever". Fiquei sinceramente na dúvida se esta edição do Público que li está ou não completa, sobretudo depois de ler a introdução da edição da Dom Quixote. Não encontrei cenas de sexo explícito, apenas erotismo. Comparei e encontrei manifestas diferenças. Por exemplo:
Versão da edição do Público: "Havia até um par de meias no espaldar duma cadeira. [...] Sentou-se na cama, considerou em volta a escuridão do quarto, com as pernas cruzadas, imóvel, escutando" (pp. 407-408).
Versão original: "Sentou-se na cama e olhou o quarto às escuras. Apercebeu-se então de um par de meias de vidro nas costas de uma cadeira. Levantou-se sem ruído e calçou-as, sentando-se na cadeira imóvel, sabendo que tinha de a possuir. Depois, sentou-se na cama, erecto, com os pés dobrados sob o corpo, perfeitamente imóvel, à escuta".
Afinal, em que ficamos? Se alguém souber, que me diga. Custo a acreditar que tenha sido publicada a versão censurada de uma obra em pleno século XXI...
De qualquer forma, o livro não me cativou o suficiente para me fazer aprofundar as pesquisas. Dividido em duas partes, achei a primeira, com o combate entre Gertrude e Walter e a formação da sua família, bastante melhor do que a segunda, onde acompanhamos o crescimento de Paul, os seus amores e desamores e a sua relação com a mãe. A exploração do complexo de Édipo é bem feita, sem dúvida - e julgo que esse era o propósito do autor: mostrar como o seu protagonista foi vítima do excesso de amor da mãe e do seu complexo de Édipo não resolvido. Porém, Paul revela-se como alguém cada vez menos interessante, cada vez mais vazio, perdido nas teias do amor que consagra à mãe, até ele próprio se desfazer em nada. Deste modo, acabei por naturalmente me desinteressar acerca do seu destino e perder interesse na leitura.
Classificação: 3,0/5*
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A problemática do verbo amar
( via you are in my beautiful mess )
Olho para os teus pés, descalços. Se não estivéssemos aqui, nada me impediria de idolatrá-los. Não, não é o resultado de alguma perversão fetichista. Apenas quero amar-te. Apetece-me. E se os meus braços não te podem abarcar por inteiro, melhor será que vá por partes.
Nada em ti é por acaso. Tudo está em total harmonia ainda que toldado pela mais perfeita desproporção. Se as partes fazem o todo, e o todo é perfeito, por que não haveriam de o ser as partes? São incompletas, dizes, nada significam por si só. Mais uma razão para que as abandones: todo o teu pouco é tudo para mim.
Neste jogo em que não há certo ou errado, por que não me deixas a eles consagrar? Não quererás que lhes conjugue o verbo amar?
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A leitora
( via Reading Is For Lovers )
Sou uma leitora compulsiva, mesmo quando não tenho vontade de mais nada (e isso acontece mais vezes do que o recomendável...). Não sou capaz de ler de manhã à noite, porque rapidamente os meus olhos se ressentem e me impedem de prosseguir as leituras de que tanto gosto. Por isso mesmo a minha falta de vista tem aumentado de forma galopante, mas não me importo, porque quem corre por gosto não se cansa.
Consigo ler em qualquer sítio, sendo fácil, por um lado, concentrar-me no que leio, e, por outro, abstrair-me do que me rodeia. Sinto que não tenho uma imaginação pródiga, pois não consigo visualizar sempre, com toda a precisão, as imagens que nos tentam evocar (talvez porque a experiência de vida não é muita? ou, noutros casos, será incapacidade do próprio escritor?). Quando isso acontece, recorro a filmes baseados nas obras, se existirem, claro (por exemplo, Orgulho e Preconceito de Jane Austen).
Privilegio os clássicos. Creio que, para terem alcançado esse estatuto, certamente são garante de alguma qualidade e o preço é, de um modo geral, convidativo (graças a colecções que revistas e jornais têm vindo lançando). São imperenes: aprendo com eles e enriqueço o meu carácter, quer tenham surgido no século XV ou XX.
Todos os livros da minha biblioteca passam por um mesmo ritual. A aquisição de um novo inquilino é especial: estudo-o ao pormenor, analiso se a relação qualidade-preço é positiva, e, quando o obtenho, sinto um gozo imenso ao folheá-lo e cheirá-lo (adoro tanto o cheiro de um livro novo!); adiciono-o à minha base de dados livresca (utilizo o Goodreads); coloco-o na minha biblioteca, que vou vendo crescer de dia para dia, o que exige sempre alguns estratagemas para ir arranjando espaço; observo-os a todos nos sítios que lhes destinei; e, por fim e mais importante, chega o momento de os ler, acabando quase sempre por decidir impulsivamente.
Como não consigo estar sem fazer nada - começo a ficar ansiosa, sem saber onde pôr as mãos, olhando para tudo e todos -, socorro-me da leitura para me livrar dos tempos mortos. E, devo admitir, dá um certo ar de intelectual ler numa esplanada, café, jardim, ou até na escola, sobretudo se os que me rodeiam passam o tempo em maledicências sobre a vida dos outros...
Encaro as vidas que se desenrolam perante mim como muito menos interessantes quando comparadas às que encontro nos livros. Nem que seja por, na maioria dos casos que, apesar de se tratarem de épocas remotas e/ou lugares longínquos, me ensinam muito mais sobre o carácter humano do que o contacto com as pessoas reais, já que as personagens nos são apresentadas em toda a sua dimensão: conhecemos os seus segredos, intenções e motivações. Fica a esperança de um dia poder pôr em prática os conhecimentos que adquiri.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
"Os Grandes Mistérios da História" [Opinião]
Autor: Canal de História
1.ª publicação: 2008
Editora: Clube do Autor
ISBN: 9789898452061
Temática: História
Páginas: 440
Sinopse:
"A História da humanidade está repleta de grandes mistérios. Desde as civilizações mais antigas, passando por continentes perdidos e lendários, até um passado mais recente, são incontáveis os factos «históricos» que carecem de uma explicação razoável. Eis Os Grandes Mistérios da História decifrados com o rigor e perícia do Canal de História.
Mitos, lendas e enigmas seculares são explicados na obra Os Grandes Mistérios da História através da exposição de teorias distintas defendidas por historiadores de renome.
A Atlântida existe? Como foram construídas as pirâmides do Egipto? Onde está, afinal, o Santo Graal? Porque continuam a acontecer desaparecimentos no Triângulo das Bermudas? A História está repleta de perguntas sem resposta, enigmas inquietantes que têm deixado perplexos até os investigadores mais reputados.
Civilizações antigas, tesouros ocultos, fenómenos inexplicáveis, personagens lendárias … Os Grandes Mistérios da História revela as respostas aos temas mais controversos e aparentemente incompreensíveis da história da humanidade."
Opinião:
Para todos os amantes da História, seja ela comprovada ou ainda um mito, este é um livro indispensável. Através de uma linguagem acessível, todos os mistérios são apresentados de forma concisa, seguindo-se as teorias e contra-teorias que os tentam desvendar, ou, simplesmente, a sua explicação quando tudo o que o rodeia está já a descoberto. No que me toca, foi uma leitura compulsiva e assaz agradável, mas a minha opinião é tendenciosa, já que adoro História... De qualquer forma, aqui ficam imagens e algumas citações de alguns dos mistérios que achei mais fascinantes:
O mistério dos anasazi
"Mesa Verde, no Sudoeste do Colorado, é uma terra de
canyons escarpados e mesetas elevadas onde se localizam algumas das ruínas
pré-históricas mais impressionantes dos Estados Unidos e alguns dos maiores
mistérios da arqueologia norte-americana. (...) No entanto, ninguém conseguiu
ainda explicar a razão que terá levado os índios anasazi, antigos habitantes do
Sudoeste dos Estados Unidos, a construir estes povoamentos incríveis em
alcantilados para os abandonarem décadas depois e nunca mais regressarem."
O que mais me impressionou: a complexidade das construções,
o desaparecimento sem deixar rasto deste povo e a brutalidade dos rituais que
lhe é associado.
( via Top Tenz )
Os gémeos do Titanic
"Os grandes transatlânticos Olympic, Titanic e Britannic nasceram na primeira década do século XX, quando este tipo de embarcações majestosas dominava o mundo. Os três navios, quase idênticos, tiveram uma existência estranha e um final trágico. Chegou-se mesmo a falar de navios marcados pela desgraça".
O que mais me impressionou: a monumentalidade dos navios - assustadoramente imensos! - e o trágico destino que tiveram.
( via Faro é Faro )
A lenda do rei Artur
"Entre os relatos perduráveis ao longo de séculos na
civilização ocidental, e que chegaram aos nossos dias, salienta-se um cuja
origem data da Alta Idade Média, numa época de convulsas migrações e brutais
guerras étnicas. Um relato de heróis e de grandes batalhas, de um poderoso e
magnânimo rei, de fraternidade de nobres cavaleiros e da sua cruzada para
criarem o mundo perfeito (...) a lenda
do rei Artur e dos seus cavaleiros da Távola (ou mesa) Redonda."
O que mais me impressionou: a explicação clara de todas as possibilidades acerca da remota origem da lenda do rei Artur, incluindo o próprio idealismo medieval que muitos pormenores terá acrescentado a esta lenda.
( via Britannia )
O Santo Sudário
"Desde 1578, atraídos pela mais famosa relíquia do
cristianismo, milhares de crentes acorrem à cidade italiana de Turim. Querem
ver um pedaço de lençol de pouco mais de quatro metros de comprimento por cerca
de um metro de largura, onde se exibe a imagem de frente e de costas de um
homem morto por crucificação. Como tantos outros milhões de cristãos, estão
convencidos de que se trata da autêntica mortalha de Jesus, o «Santo Sudário»
que lhe envolveu o corpo após a sua morte."
O que mais me impressionou: o combate renhido entre a Fé e a Ciência, sem que nenhum ganhe definitivamente. Muitas são as reticências que ficam, ainda que eu me incline a aceitar a datação por carbono 14 que situa a origem do Sudário entre os séculos XIII e XIV - opinião meramente pessoal, influenciada pelo meu agnosticismo, tendente ao ateísmo...
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