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quinta-feira, 13 de abril de 2017

"O Prisioneiro do Céu" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: O Prisioneiro do Céu
Título original:  El Prisionero del Cielo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Sérgio Coelho
Edição/reimpressão: 2012
Editora: Planeta Editora
Temática: Romance
N.º de páginas: 400
Para adquirir:


Sinopse:


Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.

Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Opinião:

Desta tetralogia de Carlos Ruiz Zafón, em que se revisita o Cemitério dos Livros Esquecidos, O Prisioneiro do Céu foi a terceira obra publicada. Em relação às duas anteriores, A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu assume o papel de prefácio para a primeira e de posfácio para a segunda, esclarecendo vários aspectos, sobretudo de O Jogo do Anjo em que, no fim de contas, nem tudo correspondeu à realidade.

Mistérios por desvendar continuam a marcar esta narrativa através dos artifícios linguísticos característicos da escrita de Zafón,  porém ausente o sobrenatural marcante em O Jogo do Anjo, e  mais presente desta vez a ficção de teor histórico e social.

É neste contexto que a tão adorada personagem de A Sombra do Vento, Fermín Romero de Torres, surge para novamente brilhar. As revelações acerca do seu passado como prisioneiro no sinistro castelo de Montjuic ainda mais o engrandecem pelo perseverança do seu espírito irreverente. Sujeito a tais condições muitos teriam pura e simplesmente sucumbido à morte ou à loucura.

As condições desta prisão e a luta por um lugar ao sol da personagem Mauricio Valls, director de tão amistoso lugar e o antagonista, mostram o funcionamento da máquina franquista, a escalada na hierarquia instalada na típica luta pelo poder e, na base, os estropiados, esquecidos e sobreviventes, como Fermín ou Rociíto.

Relativamente a outras personagens anteriores, surge igualmente o famigerado David Martín, ele sim o prisioneiro do céu, cuja história terminou de forma abrupta em O Jogo do Anjo e que, afinal, é ainda mais trágica do que se poderia imaginar. Em Daniel Sempere, a quem Fermín dirige os seus desabafos, encontramos os efeitos do que lhe havia sucedido em A Sombra do Vento e descobrimos que homem se tornou. 

Em menos de dois dias estava lido, embrenhada que fiquei com a narrativa de Fermín, como se o mesmo ma estivesse a contar naquela mesa de restaurante.  O final deixa em aberto a mudança sentida em Daniel e em suspenso a sua possível conversão para a escuridão que no seu íntimo nasceu, causando grande ansiedade em relação ao desfecho desta saga no último volume O Labirinto dos Espíritos.   

Uma leitura realizada no âmbito do:


Classificação: 4,5/5*

Nota: 
Rosa de fuego é um conto que nos revela algumas pistas sobre a origem do Cemitério dos Livros Esquecidos e que, segundo o Goodreads, se situa entre O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu. Das versões disponíveis online (desconheço se estará disponível a versão em papel) em espanhol e inglês, decidi-me por ler a espanhola. 

Outrora um homem brilhante e poderoso, a sua insatisfação fá-lo aceitar um novo desafio proposto pelo último imperador romano de Constantinopla, porém não o executa a tempo de o implementar, antes da queda da cidade. Edmond de Luna, o arquitecto de labirintos, regressa então à Barcelona do século XV, na época da Inquisição, e traz uma maldição para a cidade e a origem do local mais nebuloso e, em simultâneo, fascinante e intrigante da tetralogia de Zafón. 

Apesar de demasiado curto e de consistir em mais um estímulo para explorar este labirinto misterioso que maravilha os leitores, este conto carrega em si a veia fantástica do autor e uma moral tão velha como o mundo: a ambição desmedida não trará nada além da destruição. 

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

segunda-feira, 13 de março de 2017

"O Jogo do Anjo" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: O Jogo do Anjo
Título original: El Juego del Angel
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutora: Isabel Fraga
Edição/reimpressão: 2008
Editora: Publicações Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 568
Para adquirir (a edição mais recente):


Sinopse:

«Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais. 

Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.»

Opinião:

Após a releitura de A Sombra do Vento, um livro que devorei num ápice, tanto na primeira como na segunda vez, e cuja história continua a fazer parte das minhas favoritas de sempre, confesso que as minhas expectativas para com O Jogo do Anjo estavam nos píncaros. E foi este o estado de espírito que me acompanhou durante praticamente toda a releitura, apesar de salpicada de ligeiras lembranças.

Desde o início que me voltei a sentir deveras fascinada por este ambiente gótico da Barcelona de Zafón que, ao contrário do antecessor, de certo modo mais luminoso, se revelou repleto de uma beleza doentia de trevas, sangue e dor. 


Esta visão é-nos transmitida por David Martín, um escritor de thrillers policiais, sempre atraído pelo que de mais misterioso e oculto existe na cidade de Barcelona. Sendo contratado pelo enigmático patrão, para que produza uma grande obra de intenções e fins duvidosos, David vê-se, tal como nos seus livros, envolvido numa série de crimes e estranhos acontecimentos que o levarão a colocar em causa a sua própria sanidade.

Em comparação com A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo quase que perde a sua componente de crítica e retrato histórico-social, não havendo uma personagem tão acutilante como Fermín. Apesar disso, gostei das personalidades contrastantes das personagens femininas, Cristina e Isabella, com pontos com os quais me identifiquei: a primeira, atormentada por uma alma problemática, que não se mostra capaz de lidar com as suas escolhas; a segunda, forte e inspiradora, mas que, tão sensível no seu íntimo, se preocupa mais com os outros.

Fiquei agradavelmente surpreendida pela presença da família Sempere e do Cemitério dos Livros Esquecidos, que tanto tinha apreciado no primeiro livro, conhecendo o avô e a mãe de Daniel, já que, cronologicamente, esta narrativa antecede a de A Sombra do Vento.


Contrariamente à minha primeira leitura, em que julguei o final baço e pouco esclarecedor o seu maior ponto fraco, desta vez não me surgiu esse desagrado. Provavelmente captei melhor alguns pontos ao longo da história que lhe deram sentido.

Quanto a recomendações: se já leram A Sombra do Vento e esperam encontrar exactamente a mesma fórmula, podem sair desiludidos. Porém, O Jogo do Anjo é, sem sombra para dúvidas, da mesma lavra de Carlos Ruiz Zafón e, se gostam de um thriller pleno de suspense, mistério e bastante sobrenatural, esta será uma aposta ganha. 

Uma releitura realizada no âmbito do: 


Classificação: 4,5/5*


Sobre o autor:

Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: A Sombra do Vento
Título original: La sombra del viento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: J. Teixeira de Aguilar
Edição/reimpressão: 2006
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 512 
Para adquirir:


Sinopse:

A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, num crescendo de suspense que se mantém até à última página. Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, A Sombra do Vento é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo.

Opinião:

Dez anos passaram e, da primeira leitura, lembrava-me de Daniel e do seu pai, o sr. Sempere, da sua livraria e do Cemitérios dos Livros Esquecidos, de uma personagem divertida e de outra, obscura e ameaçadora. Contudo, a memória é volátil e esta releitura soube quase a estreia.

Através de uma escrita cuidada e metafórica, o ambiente marcadamente gótico de uma Barcelona do século XX, marcada por um pós guerra civil espanhola, surge quase sempre envolto em brumas e mistério. 

Quando Daniel, o protagonista desta história, encontra no Cemitério dos Livros Esquecidos um livro que devora em poucas horas - A Sombra do Vento - o seu interesse por conhecer mais obras do desconhecido autor, Julián Carax, torna-se premente. Mas tal não será fácil, já que alguém as procura e as destrói sem hesitação
. As suas investigações levarão a que descubra uma trágica história que se irá entrelaçar com a sua... 

À medida que a leitura avançou, a minha vontade de descobrir com Daniel mais sobre este mistério só se foi acentuando. A mistura de estilos, entre romance, suspense, thriller, histórico e de comédia e satírico, sem, contudo, perder a coerência, é um dos grandes trunfos do autor e permite que o leitor flua com a narrativa.


Outro será o conjunto de todas as personagens, sem excepção. De entre elas se destaca o brilhante Fermín Romero de Torres: o homem das mil caras, sofrido, culto, ansioso, sentimental, desbocado, é o sábio filosofante que orienta o jovem Daniel nos momentos mais cruciais. Admirou-me a empatia sentida para com todos os intervenientes, mesmo perante o sanguinário inspector Fumero, cujo passado não justifica, porém clarifica o seu abominável ser. Nem tão pouco as hesitações de Daniel o tornaram menos merecedor do título de herói, uma vez que age no momento preciso.

O clímax será o revelar de uma fatalidade, ao estilo das grandiosas tragédias gregas que, não sendo de uma originalidade inatacável, pelo culminar dos acontecimentos leva a que dor tão pungente seja alvo de toda a comiseração.

Poderá até não ser considerada uma obra-prima consensual, mas com A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón conseguiu algo inegável: atingir e conquistar os corações dos leitores, numa ode magistral ao mundo dos livros.

Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.

No fim desta releitura, A Sombra do Vento continua a merecer o estatuto de um dos meus livros favoritos de sempre e será, por certo, novamente relido.

Uma releitura realizada no âmbito do: 


Classificação:  5,0/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Neste Natal... ofereçam-se livros!

Muitos e bons foram os lançamentos durante o ano corrente. Porém, sendo logisticamente impossível mencioná-los a todos, segue-se uma selecção reduzida dos que me suscitaram mais interesse e que poderão surgir na vossa lista de compras para as prendas de Natal.

( via GIPHY )

A acção de Norte e Sul decorre em meados do séc. XIX, narrando o percurso da protagonista desde o ambiente tranquilo mas decadente de uma Inglaterra sulista, até um norte vigoroso mas turbulento.

Neste romance, Elizabeth Gaskell mostra como a vida pessoal e pública se entrelaçavam numa sociedade recentemente industrializada.








A família Plumb destaca-se pela sua espetacular disfuncionalidade.

Há anos que os quatro irmãos Plumb desesperam por causa da herança. Em testamento, o pai ditou que o dinheiro fosse distribuído apenas quando a filha mais nova celebrasse 40 anos. O seu objetivo era salutar: incentivá-los a lutarem pelos seus sonhos. Mas o plano saiu gorado, pois a poucos meses do aniversário, eles estão tão endividados que só a fortuna familiar poderá salvá-los.

(...)

E quando estão prestes a deitar a mão ao dinheiro, Leo entra seu Porsche acompanhado por uma jovem empregada de mesa. O que acontece a seguir vai ter consequências devastadoras… e um preço exorbitante que só a herança poderá pagar.

Privados daquilo que os definiu perante si próprios e os outros, o que será dos irmãos Plumb?

A solução para todos os males parece estar nas mãos do próprio Leo. Estará ele disposto a sacrificar-se? Ou terão todos de se adaptar a novas (e infernais) circunstâncias? Unidos pela primeira vez, os irmãos revisitam velhos rancores, enfrentam novas verdades, e (finalmente!) refletem sobre as escolhas que fizeram na vida.


Ao fim de trinta e sete anos, Murakami publica os seus dois primeiros romances no Ocidente.

Durante a primavera de 1978, o jovem Haruki Murakami, quando chegava a casa já tarde, depois de mais um dia de trabalho no seu clube de jazz, começou a sentar-se todas as noites à mesa da cozinha, a escrever. O resultado foram duas novelas marcantes – Ouve a Canção do Vento e Flíper, 1973 – que lançaram a carreira de um dos mais aclamados autores da literatura mundial contemporânea.

Estes dois pequenos romances impressivos, em tom de fábula, que por vezes roçam o surreal pelos laivos de ficção científica que os povoam, abordam o quotidiano de dois jovens – o narrador cujo nome nunca chegamos a conhecer e o seu amigo Rato –, perpassado por solidão, obsessão e erotismo. Apresentando uma galeria pela qual desfilam uma rapariga com quatro dedos na mão esquerda, um escritor inventado, o dono de um bar que ouve as confissões de todos os que nele buscam refúgio, um par de gémeas e... gatos, estes dois textos contêm o embrião de todas as características que singularizaram e atravessam todas as obras-primas de Murakami, incluindo alguns dos seus mais recentes livros.


Os seus alunos assassinaram a sua filha. Esta é a sua vingança.

Os seus alunos assassinaram a sua filha. Ela não quer justiça, só vingança.

Confissões é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído onde o suspense é mantido até o fim, quando as diferentes peças encaixam. Mas também é uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.





Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.

A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.

Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.

Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.


Para todos os que se apaixonaram por «A Sombra do Vento», que se deleitaram com «O Jogo do Anjo» e se emocionaram com «O Prisioneiro do Céu», chega no dia 23 de Novembro o aguardado desfecho da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, «O LABIRINTO DOS ESPÍRITOS», de Carlos Ruiz Zafón. O lançamento é feito em simultâneo em Espanha e na América Latina. Catapultados pela crítica internacional à categoria de clássico contemporâneo, os romances da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, converteram-se num dos universos literários mais apaixonantes deste século e Carlos Ruiz Zafón no escritor espanhol mais lido em todo o mundo, depois de Cervantes.


Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.




Os textos e desenhos que aqui se publicam são, na sua maioria, inéditos, provenientes de álbuns que estiveram mais de cem anos escondidos do público. Mesmo nos poucos casos em que os textos e as imagens já se encontravam publicados, nunca foram coligidos numa edição que restituísse a sua forma original. Estes álbuns não só nos revelam uma faceta quase desconhecida de Eça de Queiroz, a de desenhador, como nos permitem uma visão única do círculo familiar e de amigos em que o grande escritor viveu. Desde autocaricaturas a poemas escritos ao desafio, passando por retratos de perfil, partituras e até o desenho de um diabo nu, somos levados aos serões íntimos que Eça de Queiroz partilhava com os seus.


Uma combinação fascinante de beleza e horror.

Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.

Este é um livro admirável sobre sexo e violência - erótico, comovente, incrivelmente corajoso e provocador, original e poético. Segundo Ian McEwan, «um livro sobre loucura e sexo, que merece todo o sucesso que alcançou». Na Coreia do Sul, depois do anúncio do Man Booker International Prize, A Vegetariana vendeu mais de 600 000 exemplares. Aplaudido em todos os países onde está traduzido, é um best-seller internacional.


Um Cântico de Natal (1843) é talvez o mais dickensiano dos contos. É que só Charles Dickens poderia, a propósito do Natal, criar personagens como Scrooge, o pequeno Tim, e os três Espíritos Natalícios, Passado, Presente e Futuro, e acrescentar-lhes o Fantasma de Marley.

Este livro tem passado de geração em geração, acompanhado do desejo do autor de que «assombre as casas dos leitores de forma agradável, e que ninguém deseje apaziguá-lo».

«O que faz o supremo encanto de La Fontaine como fabulista, o que constitui a sua imensa superioridade sobre todos os que antes e depois dele trataram este mesmo género, não é decerto a originalidade, porque raríssimas serão as fábulas cuja ideia ele não houvesse encontrado em Esopo e em Fedro, nos fabulários da Idade Média, ou nos contos italianos; não é também a beleza excecional do estilo, nem a pureza da metrificação. O que constitui o seu encanto supremo é a vida potente que ele sabe dar a todos esses animais que se movem no imenso tablado da natureza, que falam a linguagem que ele lhes presta, obedecendo a paixões que ele lhes atribui.»


O Mundo de Sofia é um desses inexplicáveis sucessos que têm gerado uma contagiante adesão por parte dos leitores, entre os quais se contam muitos jovens. Mas não só. Tornou-se de imediato um bestseller em muitos países: está traduzido em mais de cinquenta línguas. Esta intrigante aventura filosófica, que põe em cena um professor de filosofia e uma jovem de catorze anos, percorre a história do pensamento ocidental, sem excluir alguns dos seus mitos e lendas e fazendo breves incursões pelas filosofias orientais. O tema central está estreitamente ligado à construção do universo romanesco que se duplica misteriosamente pela intervenção de outros dois personagens, apresentando-se ele próprio como um enigma. As misteriosas interrogações dirigidas a Sofia: «Quem és tu?» e «De onde vem o mundo?» são aqui emblemáticas da atitude de espanto de alguém, como Gaarder, para quem a existência é um coelho branco que o ilusionista tira ludicamente da cartola.


Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.

Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

sábado, 22 de outubro de 2016

"Os Antiquários" de Pablo De Santis [Opinião]

Título: Os Antiquários
Título original: Los Anticuarios
Autor: Pablo De Santis
Tradutora: Helena Pitta
Edição/reimpressão: 2013 (publicação original em 2010)
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 232
Para adquirir:

Sinopse:

Os antiquários vivem escondidos, sempre rodeados por objetos do passado, em velhas livrarias ou lojas de antiguidades. Não suportam as mudanças nem o presente, são colecionadores. Têm a capacidade de evocar nos outros o rosto ou os gestos de pessoas que morreram. Aprenderam a controlar a sede primordial. Mas quando se sentem atacados, o antigo apetite regressa…

A partir de um incidente, Santiago Lebrón ficará contaminado, transformado em mais um antiquário. E enquanto descobre os segredos dessa antiga tradição, conhecerá o amor estranho, poderoso e perturbador provocado pela sede de sangue. Terá também de descobrir as estratégias de sobrevivência num mundo hostil. Entre elas, a obrigação de acabar com a vida daqueles que cedem à sede, para que a tradição possa continuar na sombra.

Reinventando o mito dos vampiros de forma inteligente, e afastando-se das abordagens corriqueiras da literatura do género dos últimos anos, Pablo de Santis volta a deslumbrar-nos com um notável romance onde seres melancólicos, que habitam espaços repletos de nostalgia, e sobretudo de livros, vivem reclusos.

Opinião: 

Desde criança que Santiago Lebrón contactou com os livros: após ser castigado por uma diabrura, o seu local de contrição foi a biblioteca da aldeia. 

Aos vinte anos procurou, na cidade de Buenos Aires, uma outra vida: primeiro a reparar máquinas de escrever com o tio, depois empregado num jornal onde se torna responsável pela secção «O Mundo do Oculto». E, assim, tudo o que o rodeia começa a mudar drasticamente graças às investigações que desenvolve em torno dos antiquários.

Esta é a história de como Santiago se tornou igualmente um antiquário, ou seja, um vampiro que, apesar de de evitar o sol dizimador e de conseguir controlar a sua sede primordial, se vê refém pela impossibilidade de concretizar o amor que o atormenta, restando-lhe a fuga e a solidão. Não há soluções perfeitas, sendo por isso a capacidade de adaptabilidade determinante para a sobrevivência do protagonista.

De Santis oferece-nos vampiros que ocultam a sua existência em livrarias, antiquários, galerias de arte, tudo o que lhes invoca o passado, permite controlar a existência quotidiana e os impede de imaginarem o incógnito e solitário futuro. E nada melhor para estes seres avessos a mudanças, do que o universo apelativo aos amantes de livros que o autor explora e do qual fica o exemplo:

«Graças a Calisser fui construindo a minha biblioteca. A minha biblioteca-mala, na realidade, porque guardada todos os livros na minha velha mala com autocolantes de transatlânticos e hotéis, que acabou por ficar cheia. Um dos primeiros livros que me ofereceu foi um exemplar da Eneida onde eu tinha estado a meter o nariz.

- É uma má tradução. Mas as más traduções são fundamentais na história da literatura porque são a prova de que os bons livros resistem a qualquer coisa. Sem as más traduções, que mérito teria a nossa fé?»

Tal como nos diz a sinopse, esta é uma belíssima reinvenção da mitologia vampiresca e relembrou-me, por diversas ocasiões, A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, pelo seu ambiente melancólico, mas, principalmente, pelo carácter defensivo deste mundo de livros cujos segredos cheiram a sangue fresco.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Pablo De Santis nasceu em Buenos Aires, em 1963. É licenciado em Letras pela Universidade de Buenos Aires e trabalhou como jornalista e como guionista de banda desenhada, quer compilou em dois álbuns: Rompecabezas e El hipnotizador. Publicou mais de dez livros para adolescentes, ganhando em 2004 o Prémio Konex de Platina. O volume Rey secreto (2005) reúne pequenos contos. É também autor dos romances El palacio de la noche (1987), A Tradução (1998), Filosofía y Letras (1999), El teatro de la memoria (2000), O Calígrafo de Voltaire (2001), La sexta lámpara (2005), O Enigma de Paris (2007), com o qual obteve o Prémio Planeta-Casa de América 2007 e o Prémio da Academia Argentina de Letras 2008, e Os Antiquários (2010). Escritor de sucesso internacional, as suas obras encontram-se traduzidas em francês, italiano, português, alemão, checo, grego, holandês e russo. Fonte: WOOK

sexta-feira, 1 de julho de 2016

"Perguntem a Sarah Gross" de João Pinto Coelho [Opinião]

Título: Perguntem a Sarah Gross
Autor: João Pinto Coelho
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 448
Para adquirir:


Sinopse:


Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.

Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.

Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.

Opinião:

Primeiramente, esta é uma obra que entrelaça vários géneros literários (mistério, histórico, thriller) e temas diversos de forma coerente e harmoniosa. A linguagem conduz a uma leitura rápida e absorvente, já que é fluída e sem artifícios.

A marca predominante no enredo é o leque de personagens femininas inspiradoras, sobreviventes, dotadas de fortes personalidades – Anna, Sarah, Esther, Kimberly. As personagens masculinas adquirem um papel subalterno, à excepção de Henryk, o pai de Sarah, envolvido num dos episódios mais emotivos do livro.

Anna, Sarah e Esther surgem envolvidas em grandes dramas pessoais representantes de uma época tão funesta. Especialmente o sofrimento de Sarah, torna-se impressionante e, a forma como dele emergiu, icónica. Sem margem para dúvidas, uma personagem inesquecível para mim. Ela é a alma desta história.

Algo que apreciei, sem dúvida, foram as reviravoltas surpreendentes, que me permitiram a renovação da curiosidade e o estímulo para avançar ainda mais depressa na leitura.

No final, achei que a história de Kimberly foi “arrumada” um tanto ou quanto precipitadamente para uma personagem tão relevada, e que alguns pontos poderiam ter sido melhor explorados, como o racismo no colégio de St. Oswald’s, (view spoiler).

Deparei-me com uma forma diferente e original de abordar Auschwitz e toda a miséria, infâmia e ignobilidade que lhe está inerente e que representa um período tão negro da História da Humanidade… O segregacionismo religioso dos judeus ficou patente na forma equilibrada, mas apartada, como os habitantes de Oshpitzin coabitavam e na discriminação ao acesso e pleno cumprimento de funções em cargos políticos. O anti-semitismo já existia. Os incentivos do nazismo apenas fizeram brotar a planta maldita que enraizada estava.

A 2.ª Guerra Mundial e o nazismo continuarão a fornecer matéria mais do que o suficiente para, por um lado, duvidarmos da viabilidade da continuação da espécie humana e, por outro lado, encontrarmos a esperança de que isso seja possível graças aos actos mais extraordinários.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor: 

João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance. Fonte: WOOK

sexta-feira, 27 de maio de 2016

"A Árvore das Palavras" de Teolinda Gersão [Opinião]

Título: A Árvore das Palavras
Autora: Teolinda Gersão
Data de edição: 2003 (1.ª publicação: 1997)
Editora: Visão/Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 159
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Sinopse:

"Ela estava na margem, olhando. Enquanto a vida, como os barcos à vela, passava ao largo. Era tudo tão visível e concreto que tinha vontade de chorar. Mas se chorasse era pior, sentiu tirando da mala um lenço de papel, era como se o mundo risse dela, os guarda-sóis, as casas, os barcos, as árvores, as pessoas, sobretudo as pessoas rissem dela."

Opinião:

Uma obra dividida em três partes em que se acompanha Gita e os pais, Laureano e Amélia, no primeiro acto; no segundo, a história de vida de Amélia; e o amadurecimento de Gita no terceiro. Gita é apresentada, inicialmente, como uma menina que encontra compreensão no pai e um tremendo sufoco da parte da mãe, pelo seu desejo de liberdade e independência. Os pais possuem prioridades completamente diferentes: enquanto Laureano se satisfaz com uma vida pacata e sem sobressaltos, Amélia mostra-se permanentemente insatisfeita com a sua sorte, invejando todos os que usufruem de um nível de vida superior ao seu e desdenhando os negros, como Lóia, a empregada doméstica. É neste embate de vivências tão diferentes que Gita cresce e se observa como as discriminações e os preconceitos podem condicionar as vidas.

Habilmente conduzido por Teolinda Gersão, o fio narrativo com avanços e recuos e repartido entre as personagens principais, torna a leitura fluída e saborosa. Moçambique surge como pano de fundo e, simultaneamente, como personagem principal, assumindo-se como a homenagem que a autora pretendeu realizar às dádivas de África recebidas.

"O dia não quebrava os sonhos, podia-se dormir de olhos abertos, e a vida era gozosa e fácil como o jogo e o sonho. Podiam-se abrir os braços e gritar: Eu vivo - mas não era necessário esse gesto exultante e excessivo, as coisas eram tão próximas e simples que quase não se reparava nelas. Saía-se por exemplo a porta da cozinha sem se dar conta de transpor um limiar. Não havia separação entre os espaços, nem intervalos a separar os dias. Porque o corpo ligava a terra ao céu".

Classificação: 4,5/5*

Este livro foi autografado pela autora na sua vinda à Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago a 8 de Janeiro de 2016.

Sobre a autora: 
Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística, Romanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade de Letras de Lisboa e depois de provas académicas professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. A partir de 1995 passou a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Além da permanência de três anos na Alemanha viveu dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique, onde decorre o romance de 1997 A Árvore das Palavras.

Autora sobretudo de romances, publicou até agora duas novelas (Os Teclados e Os Anjos) e duas colectâneas de contos (Histórias de Ver e Andar e A Mulher que prendeu a Chuva).Três dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia: Os Teclados por Jorge Listopad no Centro Cultural da Belém, 2001; Os Anjos por por João Brites e o grupo O Bando, 2003; A Casa da Cabeça de Cavalo ganhou o Grande Prémio do Festival Internacional de Teatro de Bucareste, Roménia, em 2005, com encenação de Eusebiu Stefanescu. Encenada também na Alemanha por Beatriz de Medeiros Silva e o grupo Os Quasilusos, em 2005.

Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004.

O seu livro mais recente é o romance Passagens (2014).

Vive em Lisboa. Fonte: Teolinda Gersão | Site oficial