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domingo, 16 de junho de 2019

Aquisições de Janeiro e Fevereiro

Indo nós em Junho, e porque o tempo e e as oportunidades não cessam, decido-me pela conveniência de vos colocar a par das novidades literárias da minha estante. Empreendo assim a saborosa vingança contra todos os sortudos que vêm publicando os resultados das suas idas à Feira do Livro de Lisboa, capazes de arregalar os olhos ao mais desenvergonhado acumulador de livros. E isto é só o início!

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Sendo Janeiro o mês do meu aniversário, tive como ofertasPrincípio de Karenina de Afonso Cruz, acompanhado das melhores recomendações e Vilas, natureza em contrasteque compila o trabalho de um artista local, Vilas, que aprecio bastante.

Já na temática da saúde destaco dois de três títulos: Compreender o Stress, entranhado que está no modo de vida da sociedade contemporânea e Prevenir doenças e conservar a saúde, este último da autoria de Francisco George e uma abordagem clara e sintética à saúde pública, sua importância e principais desafios actuais e futuros.

De origem online - trocas, passatempos e pechinchas - chegaram Quem Vamos Queimar Hoje?, uma leitura que recomendo sobre o fenómeno do bullying virtual; o primeiro volume da mais recente obra de Murakami publicada no nosso país, A Morte do Comendador; e Sobe a Maré Negra de Margaret Drabble, a melhor leitura até ao momento sobre o envelhecimento; e Pulp de Bukowski (repetido, pelo que tratei de o oferecer a um seu fã). Além da ficção, Costura Comigo desperta o do-it-yourself que há em nós, com dicas desde o basilar - materiais essenciais, escolha da máquina de costura, técnicas indispensáveis - até ao desenvolvimento de projectos, passo-a-passo, fazendo-se acompanhar dos respectivos moldes.

A cinco euros cadaPara Aquela Que Está Sentada no Escuro À Minha Espera de António Lobo Antunes e Mal Nascer de Carlos Campaniço, foram apanhados ao final da rua no Pingo Doce mais próximo e onde consumo, fatidicamente, de Janeiro a Janeiro.

Para último, os clássicosO Romance do Genji II porque, por norma, não inicio uma série sem ter todos os volumes e, por serem somente dois, a sua obtenção foi-me facilitada; Ivanhoe de Walter Scott e As Aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain estavam à venda no mercado de usados e juntaram-se aos restantes volumes da colecção Geração Público.

A saga continuará, relativa aos meses de Março e Abril. De pilha em pilha, o limite é o tecto até ao desmoronamento e à perdição!


Informações sobre todos os livros:

domingo, 14 de abril de 2019

Parceria JB Comércio Global - Panini e Primo [Divulgação]


A parceria com a JB Comércio Global* continua e, mais uma vez, o As Horas... que me preenchem de prazer foi alvo da sua generosidade. 

Assim recebemos dois livros Panini - Milla Maghilla e O Livro Faz Tudo 2 -, tal como uma mala Primo recheada, pronta a estimular a criatividade da pequenada ou dos graúdos mais afoitos.


Além da leitura, os livros Panini promovem a interacção, estimulando a criança a realizar actividades, sejam elas o desdobrar das páginas e de figuras nelas contidas, como em Milla Maghilla, ou a colagem, a pintura e o desenho em O Livro Faz Tudo 2

A maleta Primo pode tornar-se um auxiliar precioso da imaginação, já que no seu interior encontramos um kit variado: um boião de pintura a dedos, lápis de cera, lápis de pastel, plasticina, entre outros materiais especialmente pensados para os artistas de palmo e meio.

Certamente estão garantidas horas de entretenimento e diversão!

Recordem a publicação sobre a apresentação desta parceria aqui, ou visitem directamente a JB Comércio Global, onde podem conhecer estes e outros produtos de papelaria Primo e livros didácticos Panini

*A JB Comércio Global vende exclusivamente para profissionais, não o fazendo de forma directa a consumidores finais - B2B). 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

"Ala Feminina" de Vanessa Ribeiro Rodrigues [Opinião]

Título: Ala Feminina
Autora: Vanessa Ribeiro Rodrigues
Edição/reimpressão: 2018
Editora: Desassossego (chancela da Saída de Emergência)
Temática: Memórias e Testemunhos
N.º de páginas: 272
Para adquirir:

Sinopse:

Pode a reclusão revelar mistérios da condição da mulher?

O que têm em comum uma colombiana, uma romena, uma angolana, uma venezuelana, uma uruguaia, três brasileiras e nove portuguesas? Para elas, a liberdade é um desejo que carregam na mente, livre para sonhar, com o corpo preso num cárcere, labirinto entre o Rio de Janeiro, o Porto e Lisboa.

São mães, vaidosas, filhas, amantes, sonhadoras, escrevem cartas, leem livros, amam. São barqueiras invisíveis entre dois mundos: o mundo cá de fora e um céu gradeado. Este é mais do que um livro-reportagem, é a intuição subjetiva a partir de conversas com mulheres privadas de liberdade: os medos, os desafios, as conquistas, os desabafos, a ânsia de ser livre.

Opinião:

Ouvir, não há muito, relatos sobre a situação das prisões, em específico as limitações derivadas da greve dos guardas prisionais, ressuscitou-me a vontade de escrever sobre este livro.

Vanessa Ribeiro Rodrigues, jornalista de formação, delineia em Ala Feminina um retrato de cunho próprio da condição das prisioneiras em Portugal. Oriundas de outros domínios ou nascidas no nosso país, todas partilham o mesmo destino: a condenação a uma pena efectiva e o estigma do crime. 

A autora envereda por uma linguagem, além de jornalística, literária, não se esquivando a um caminho difícil de trilhar. Nas suas palavras,
 (...) este livro só fazia sentido formar-se em camadas literárias, em linguagens que se sobrepõem, em sedimentos que se transformam numa matéria viva, em fragmentos de histórias e vivências, itinerâncias e recortes do real. - p. 257
Surge assim a forma de contextualizar as passagens entre os actos - as entrevistas - não o tornando um mero repositório de perguntas e respostas. 
Um pai e uma filha reunidos por um crime? Há de Soraia dizer que se a vida assim foi, terá valido a pena. Há de sossegar, perdoar-se, para ter o abraço paterno. Talvez, então, I-t-a-g-u-a-í, essa palavra-verbo, essa onomatopeia prolongada, seja isso mesmo: o som de um rio a misturar-se no outro, numa forma natural de reconciliação. - p. 57 
Vanessa interroga-se, nomeia e dá voz aos anseios das presidiárias. Começa pelo Brasil e recentra-se em Portugal: Margarida, Aurora, Aida, Elis, Agostinha são exemplos das que sonham com o futuro, para algumas ao virar de poucos meses, tecendo planos e a sofrer antecipadamente pela libertação.

Poderíamos afirmar que estas mulheres são vítimas das circunstâncias, e são-lo, sem dúvida. Porém, confrontadas com as decisões que as levaram às celas, tinham consciência da infracção em que poderiam incorrer, ainda que o risco fosse longínquo no seu horizonte. Apresentam-se na defensiva: dependência, pobreza, doença e enganos, a elementar sobrevivência, uma súmula de factores de condicionamento, encurta-lhes a vista e fá-las saltar a barreira entre o certo e o errado por impulso ou premeditação.

As prisões são, para a generalidade da população, uma realidade velada em que a separação entre eles, os que estão presos, e nós, está sempre presente. A tarefa de a tornar conhecida parece hercúlea. A realização destas entrevistas causa incómodos e leva a reflexões sobre o que se esconde, sobre o que tanto se receia mostrar. Pela minha parte, questiono: revelar as condições das prisões poderia produzir empatia suficiente para que surgissem exigências? A voz dos presidiários é limitada, tal como demonstrado nos últimos protestos.

O cumprimento dos seus direitos viabilizará a sua integração na sociedade. Se, à partida, essa garantia for negada, a possibilidade de uma recaída no mesmo padrão de vida - se é que dele conseguiram entretanto sair - será certa. 

Este livro constitui um contributo relevante para tal debate, permitindo em simultâneo uma leitura prazerosa. Poderia, por certo, integrar o Plano Nacional de Leitura. Fica a dica.

Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Vanessa Ribeiro Rodrigues é jornalista, realizadora de cinema documental e professora universitária. Navega entre a poesia, o jornalismo, a literatura, o documentário, a fotografia e a pesquisa académica. Colabora de forma independente com vários órgãos de informação. É investigadora em Comunicação para o Desenvolvimento, mestre em Informação e Jornalismo. Realizou o filme documental Baptismo de Terra, sobre a emigração portuguesa no Rio de Janeiro, que recebeu o Prémio de Melhor Documentário Português no Festival de Cinema Art&Tur e a menção especial de TV no Festival de Cinema de Avanca. A reportagem da TSF Palestina, diários de um lugar incerto ganhou uma menção honrosa no Prémio Jornalismo Direitos Humanos & Integração – UNESCO (2015). Em 2014 foi distinguida com o prémio literário OFF FLIP, Paraty, Brasil, na categoria de conto. Fonte: WOOK Fotografia: ISCIA

sábado, 12 de janeiro de 2019

Aquisições de Novembro e Dezembro

E depois da contenção de Setembro e Outubro, veio o desgoverno total nos últimos meses do ano. Felizmente o reflexo na carteira continua a ser diminuto, o espaço é que, para não variar, impõe as suas restrições, pelo que pensar em desfazer-me de alguns livros cuja leitura não seja premente, ou cuja continuidade nas minhas estantes não seja mandatária, será uma prioridade em 2019.

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Relativamente às novas aquisições dou destaque aos clássicos Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, uma obra do autor russo com um teor romântico, lida entretanto e mais do que recomendável e A Flecha Negra de Robert L. Stevenson, pertencente a uma colecção do jornal Público, da qual tenho O Conde de Monte Cristo e Moby Dick, entre outros. 

Além destes encontrei o para mim desconhecido O Romance do Genji hipnotizada pela sinopse e pela capa, o preço sedutor não me deu outra hipótese a não ser adoptá-lo. Ao chegar a casa e após breve pesquisa, descobri ser este o primeiro de dois volumes, pelo que terei, obviamente, de adquirir o segundo tomo em breve (um belo incentivo para uma livrólica anónima, não é?). 

Da Bertrand Livreiros chegou Os Contos de Giuseppe Tomasi di Lampedusa que ofereceu, pelo Natal, duzentos livros a duzentos leitores através de desafios lançados no Facebook. Sendo a escolha aleatória, fiquei surpreendida por a Bertrand Livreiros ter acertado em cheio no meu gosto literário.

Em ficção contemporânea, adquiri A História Secreta de Donna Tartt, neste caso para aproveitar a substituição por outra edição que, tendo o mesmo tradutor, seria melhor pela qualidade do papel e da capa dura características das edições Círculo de Leitores. O Último Adeus de Kate Morton e A Praia de Manhattan de Jennifer Egan resultaram de trocas.

De autores lusófonos temos na pilha Mulheres de Cinza de Mia Couto, oferta da JB Comércio Global e O rapaz de bronze de Sophia de Mello Breyner Andresen que vem continuar a minha colecção das suas obras infantis. Camilo Castelo Branco e o seu Novelas do Minho dispensam apresentações, tal como Os Avieiros de Alves Redol.

Para o fim deixei A Piada Infinita de David Foster Wallace, uma obra da qual tenho ouvido maravilhas. Com receio de uma possível futura ruptura de stock e por ser Natal e o meu aniversário se aproximar, aproveitei uma promoção da WOOK e ofereci-o a mim sem mais hesitações.


Informações sobre todos os livros:

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Leituras de 2018: Top 5

Inspirada por inúmeras partilhas sobre as melhores leituras de 2018, escolhi o meu top 5 de um total de trinta e três leituras realizadas. Aqui fica, sem uma ordem específica.


José Saramago é um dos autores preferidos e pretendo realizar a leitura de, pelo menos, um dos seus livros a cada ano até atingir a totalidade da sua obra. Posto isto, não é admirar que Levantado do Chão tenha marcado o meu ano e surja neste top 5. Até ao momento, ainda que seja impossível gostar de todas as suas obras por igual, este é um autor que nunca me desiludiu. 

Opinião publicada aqui.



Desde 2016 que encontrava estes Contos de Hans Christian Andersen na mesa-de-cabeceira.  Facilmente deixei que se intrometem-se outros livros e, sendo o conto um narrativa curta, nunca senti dificuldade em retomar a leitura, mesmo ficando largos meses sem o fazer. Contudo, foi chegado o momento de a terminar - da mesma colecção tenho Fábulas de La Fontaine e Contos Completos dos Irmãos Grimm, decidindo fazê-lo até ao fim do ano. 



Razões para Viver é o testemunho do autor, Matt Haig, sobre a sua relação com a depressão e a ansiedade. Apesar de sentir que se poderiam ter aprofundado determinados aspectos, considero este livro a introdução e uma ferramenta ideal para familiarizar o leitor com estes conceitos.






 Em Uma Volta ao Mundo com Leitores, Sandra Barão Nobre conduz-nos numa viagem pelo mundo em que o encontro com leitores é o pretexto. Seja qual for a leitura, a autora pretendeu imortalizar os actos de leitura e interrogar sobre a motivação para os mesmos.

Opinião publicada aqui.




Uma narrativa poderosa, O Grande Gatsby é uma das obras maiores de F. Scott Fitzgerald. Nela Jay Gatsby procura recuperar o tempo perdido e resgatar o amor de Daisy Buchanan através da riqueza e do luxo ofuscantes. Envolveu-me os sentidos pela sua prosa delicada, raiando a perfeição e por uma história que não esquecerei tão cedo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Rubricas sobre livros #5: Todas as Palavras



"Um programa sobre livros e seus autores.
Ana Daniela Soares, Inês Fonseca Santos e Luís Caetano conversam com quem nos emociona através das palavras.

Ou, por outras palavras, este é um programa de entrevistas a autores de todos os géneros literários, pontuadas pelas melhores sugestões relativas aos últimos lançamentos do mercado editorial português.

A não perder aqui.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Um certo incerto Alentejo" de António José da Costa Neves - Prémio Literário Joaquim Mestre [Divulgação]


Na sua primeira edição, em 2017, o Prémio Literário Joaquim Mestre distinguiu como vencedora a obra Um certo incerto Alentejo de António José da Costa Neves. Indica o título tratar-se de uma narrativa decorrida em pleno Alentejo onde "ninguém é inocente", "a maldade é relativa e a redenção tanto se faz na igreja como nas tabernas".

A apresentação do livro terá lugar no próximo Sábado, 15 de Dezembro, pelas 16h30 na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. Conta com a participação de Luís Miguel Ricardo (presidente da ASSESTA) e de Helena Rocha (Direcção Regional da Cultura do Alentejo).

 

Acrescente-se que António José da Costa Neves, sob o pseudónimo de E. S. Tagino, teve publicadas as obras Mea Culpa!, Adamastor, O Pequeno Incendiário, Nem por Sonhos, editadas pela Saída de Emergência, sendo que Mataram o Chefe de Posto e O Amor nos Anos de Chumbo estão ainda disponíveis para aquisição.

( via Bran Morrighan )

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Parceria JB Comércio Global [Divulgação]

Se por acaso passaram pela página de Facebook do As Horas.. que me preenchem de prazerou pelo perfil no Instagram, terão reparado no destaque dado à mais recente aquisição: Mulheres de Cinza de Mia Couto, o primeiro livro de As Areias do Imperador - uma trilogia moçambicana.



Tal se deve a ser fruto de uma gentileza da JB Comércio Global, com a qual estabelecemos parceria. Se ainda não conhecem esta incrível empresa, é um prazer apresentá-la sem mais delongas.

A JB é uma empresa vilacondense - e 100% portuguesa - importadora, grossista e distribuidora das principais marcas em Portugal. Fundada em 1998, conta com vinte anos de experiência enquanto comercializadora em diversas áreas: Papelaria, Economato, Jogos e Brinquedos, Livraria, Gift e Embalagem, Cosmética, Guloseimas, Informática e Tecnologia, Higiene e Copa, Equipamentos, Apresentação Visual e Mobiliário de Escritório, entre outros. É um sem fim de artigos aos melhores preços de revenda!

Podem visitar o seu espaço físico com 1000 m2 de exposição em Vila do Conde (Cash & Carry) ou encontrar os produtos que desejam em JBnet.ptDispõe ainda de um Clube Vip, que lhes permitirá aceder a fantásticos prémios e outras regalias, incluindo campanhas de portes grátis.

Vende exclusivamente para profissionais, não o fazendo de forma directa a consumidores finais - B2B). Além de envios para todo o território nacional, os seus artigos chegam também a países africanos de língua portuguesa, como Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A JB não esquece o seu papel na sociedade e orgulha-se de ter realizado diversas acções de solidariedade social. Foram várias as entidades beneficiadas, como a Cruz Vermelha Portuguesa, o IPO do Porto, Banco de Bens Doados da Entreajuda, Fundação Infância Feliz (em Cabo Verde), entre outras. Já doou mais de 200 mil livros pois tem consciência de que, se todos ajudarmos, não custa!

Além disso, prima pelas boas práticas ambientais, como o comprova a sua adesão à Sociedade Ponto Verde e a preocupação com a eficiência energética e com a minimização do impacto da sua actividade.

Fiquei naturalmente satisfeita pelo contacto amistoso da sua colaboradora, a Joana. Deu-me a conhecer uma empresa com consciência social e ambiental, empreendedora e conhecedora das necessidades de inovação num mercado cada vez mais global e exigente. E sinal disso é o contacto directo estabelecido através destas gentis parcerias. Na parte que me toca, deixo o meu agradecimento pois encheram-me as medidas com esta obra de Mia Couto!

Podem encontrar a JB Comércio Global na sua página oficial, JBnet.pt, ou segui-la através das redes sociais:



sábado, 24 de novembro de 2018

"As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" de Claire North [Opinião]

Título: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
Título original:  The First Fifteen Lives of Harry August
Autora: Claire North
Tradutor: Casimiro da Piedade
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Saída de Emergência
Temática: Ficção científica
N.º de páginas: 412
Para adquirir (a edição mais recente):


Sinopse:

Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se. Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

Opinião:

Os membros do Clube Cronus, os kalachakras, têm em comum um destino: após a sua morte todos renascem, regressando sempre ao ponto de origem. Desta forma, a Harry August está garantido que, assim que morra, voltará às circunstâncias do seu nascimento: o dia de Ano Novo de 1919, numa casa de banho em que a mãe o dá à luz. Este ciclo irá repetir-se, levando-o a passar uma e outra vez pelo período que tinha acabado de viver, com a mesma família e no mesmo contexto social, e são os acontecimentos das suas primeiras quinze vidas que ele nos vem narrar.

Existem clubes Cronus em todas as épocas, desde o passado remoto a um futuro desconhecido e o espírito de entre-ajuda predomina. Quando o seu equilíbrio é posto em causa, pela infracção da regra de ouro de não se interferir e influenciar os marcos históricos, é Harry quem recebe a mensagem do caos futuro e cabe a ele descobrir a sua origem.
"Era uma lembrança do velho adágio segundo o qual tudo o que a tirania precisa para florescer é da cumplicidade de alguns homens bons"
No confronto entre si e aquele que oscila entre seu amigo e arqui-inimigo, surge um retrato da complexidade das relações humanas, inúmeras questões éticas e, mais uma vez, as ambições desmedidas que apodrecem os espíritos. E ainda que se considere o nosso narrador o bom da fita, nem por isso deixa de ter o seu lado negro, nem as suas escolhas deixarão de causar danos.
"Haverá inocência na ignorância? E se há, será que toleramos os outros por causa da sua ignorância? Sentado dentro daquele comboio, com o vapor do meu bafo a juntar-se ao deles e a subir até ao tecto, e a carruagem a saltar sobre cada junção na linha como uma jovem gazela, descobri que não tinha qualquer resposta satisfatória a essa pergunta"
De 1919 até ao final do século XX, o protagonista revive um período abundante em episódios históricos, onde a evolução da espécie se acelerou prodigiosamente. Desde a II Guerra Mundial à expansão espacial, passando pela evolução tecnológica e por construções e colapsos de sistemas políticos, muitos são os acontecimentos abordados na narrativa e que, sem dúvida, a enriquecem. 

Foi uma leitura que, ao não me desiludir, me fez ter ainda mais vontade de ler este género - a ficção científica - que, de inferior, nada tem. Uma obra completa que me trouxe os mesmos prazeres de As Horas Invisíveis de David Mitchell, sobretudo porque não se limita a ficcionar a ciência, mas também alternativas históricas e ambientes sociais, assim como o comportamento humano perante estas possibilidades.

A edição lida (não a referida acima, mas a pertencente à colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica) tem como prefaciadora Inês Botelho, que nos fala sobre a ficção científica, em concreto a sua indevida menorização relativamente a outros géneros literários - percepção essa que partilho - e que ficções como esta vêm desmistificar.  No final, há um posfácio em que Nuno Galopim se debruça sobre obras que se reportam a Histórias que manipulam os calendários, entre as quais 1984 de George Orwell, A Máquina do Tempo de H.G. Wells, ou Dune de Frank Herbert.

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:
Claire NorthClaire North é um dos dois pseudónimos de Catherine Webb – uma autora britânica nascida em 1986. Estudou História na London School of Economics e Teatro na RADA. A sua estreia, Mirror Dreams, foi publicada quando tinha apenas 14 anos. O livro foi publicado em 2002 e granjeou comparações a Terry Pratchett e Phillip Pullman. Webb publicou mais sete romances, conquistando as críticas, o público e mais duas nomeações para a medalha Carnegie. Sob o pseudónimo Kate Griffin, publicou seis obras de fantasia. Em 2014 publicou o primeiro romance de ficção científica sob o pseudónimo de Claire North, As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, tendo sido um bestseller. Em 2015 e 2016, publicou Touch e The Sudden Appearance of Hope. Fonte: WOOK

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Aquisições de Setembro e Outubro

A caminhar para o final do ano, a contenção tem marcado as aquisições, até porque o espaço nas estantes vai ficando reduzido (novamente, após arrumações e reencaminhamentos para a sala...). Por agora, estes ainda tiveram lugar, vamos ver os próximos!

[clicar na imagem para aumentar]

Através de uma troca consegui O Messias de Duna de Frank Herbert, por isso fiquei legitimada a adquirir Duna do mesmo autor. A ficção científica não me intimida, por isso tudo o que se enquadre na categoria de clássico merece atenção.

A Invenção das Asas de Sue Monk Kidd e Invencível de Laura Hillenbrand, adaptado ao cinema por Angelina Jolie foram igualmente fruto de proveitosas trocas. São duas histórias decorridas em contextos e realidades afastadas, porém realçam a capacidade de superação e sobrevivência.

Por serem verdadeiras pechinchas, que não admitiram recusa conscienciosa, vieram Livro Sem Ninguém, Se Eu Fosse Chão, Os Sonhos de Einstein e O Crime do Padre Mouret e Sangue do Meu Sangue. Com este último poderei reencontrar Michael Cunningham, cuja obra As Horas me inspirou o nome do blogue.

Aproveitando o saldo da WOOK, recebi Arquivos de Dresner de Afonso Cruz, ficando a um passo de reunir toda a Enciclopédia da Estória Universal já publicada- falta-me Biblioteca de BrasovA Ruína de Jennifer Egan e Razões para Viver de Matt Haig, lido num ápice mal chegou. Recomendo-o sobretudo a quem se queira inteirar sobre temas que, apesar de corriqueiros, são marcados por desinformação e preconceito: saúde mental, especificamente estados depressivos e de ansiedade. De qualquer forma, uma opinião mais aprimorada virá em breve.

Resta agora saber o que trará o final do ano para as minhas mui estimadas estantes! 

Todas as informações sobre os livros:

domingo, 28 de outubro de 2018

"Uma Volta ao Mundo com Leitores" de Sandra Barão Nobre [Opinião]

Título: Uma Volta ao Mundo com Leitores
Autora: Sandra Barão Nobre
Edição/reimpressão: 2017
Editora: Relógio D'Água
Temática: Literatura de viagem
N.º de páginas: 360
Para adquirir:


Sinopse:


Esta viagem de Sandra Barão Nobre começa em abril de 2013, quando chega a casa depois de um dia de trabalho e abre o mapa-mundo no chão da sua sala. A intenção inicial da criadora do site Acordo Fotográfico (uma homenagem ao ato de ler) era visitar os países de língua portuguesa ou as regiões do mundo onde ela ainda sobrevive, como Malaca, Macau e Goa. Mas, quando uma sua amiga decide participar na aventura, combinam explorar mais o sudeste asiático (em particular, países como Tailândia, Laos, Vietname e Camboja).

Quando Sandra Barão Nobre regressou a Portugal em finais de agosto de 2014, visitara catorze países e a sua vida mudara.

Os textos que fazem parte deste livro, fragmentos do diário, entrevistas e narrativas de viagem, foram escritos a propósito dos leitores que a autora conheceu durante este longo périplo e dos lugares onde esses encontros ocorreram.

Opinião:

O interesse concreto por Uma Volta ao Mundo com Leitores surgiu aquando da sua apresentação, em Junho, na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, onde estiveram expostas algumas das suas fotografias a leitores. Descobri depois que fui alvo da lente da Sandra ao passar pela página de Facebook do Acordo Fotográfico.

Previamente, aquando do lançamento em 2017, a capa havia-me suscitado curiosidade, tal como o título: gosto de ler sobre o mundo bibliófilo e apercebi-me de uma recepção positiva generalizada. O formato do livro, um pouco mais pequeno do que o habitual, torna-o um mimo. Aliás, as edições da Relógio D'Água são para mim um fetiche: simples, sóbrias e cuidadas, pelo que ultimamente tenho tentado adquirir mais títulos do seu catálogo.

Em modo low cost, a viagem de Sandra atravessou catorze países (Brasil, Austrália , Timor-Leste, Malásia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietname, China, Índia, Zanzibar, África do Sul, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde) de Março a Agosto de 2014. Estava ainda vívido o entusiasmo que demonstrou a falar das suas experiências e do seu inevitável enriquecimento pessoal. Talvez por isso se tenha revelado uma pessoa enérgica, emotiva, aberta e, sobretudo, extremamente empática.

As descrições da viagem são intercaladas pela descoberta de leitores. Esta busca reflecte o seu próprio gosto pela leitura e encontrá-los mostrou ser uma fonte de total satisfação, independentemente do género e autores escolhidos, algo do qual também comungo. Curiosamente alguns títulos repetiram-me em diferentes latitudes, como A Guerra dos Tronos de George R. R. Martin. Quando sobre os encontros não havia muito a dizer, fosse pela timidez dos abordados ou pelas barreiras linguísticas, a autora contornou habilmente estas lacunas abordando antes as circunstâncias que os tornaram possíveis.

Um livro que me acompanhou na canícula dos primeiros dias de Agosto, aliviou-me o calor sofrido com as descrições de alguns dos locais paradisíacos visitados. Mesmo que alguns não primassem pela frescura, surgiu sempre uma praia, um lago, um rio ou, simplesmente, um local com ar condicionado, para retemperar forças e ganhar balanço para mais uma etapa.

Surgindo a hipótese de viajar, optaria certamente até destinos diferentes, numa procura por uma oferta cultural e de maior conforto. Ainda assim, tal como a Sandra, senti-me enriquecida já que os seus relatos me despertaram para realidades antes desconhecidas. Espero ler mais sobre as suas viagens em breve!

Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Sandra Barão NobreSandra Barão Nobre nasceu em França, em 1972. Em 1980 volta para Portugal com a família e vive em Portimão, no Algarve, até ao fim dos estudos secundários. Em 1995 licencia-se em Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa. Desempenha funções na Telecel, na Câmara de Comércio Uruguaio-Portuguesa (em Montevideu), na Fundação de Serralves e na livraria on-line WOOK, onde trabalha entre 2003 e 2015. Nos entretantos, nunca parou de viajar. Em 2011, cria o Acordofotografico.com — um site onde homenageia o ato de ler — e em 2014 parte de mochila às costas para fazer uma volta ao mundo. Fonte: WOOK

domingo, 14 de outubro de 2018

Rubricas sobre livros #4: À Volta dos Livros


"Conversas diárias com autores portugueses sobre as suas mais recentes obras. Destaques literários, de 2ª a 6ª Feira na Antena 1 com edição de Ana Daniela Soares."

Para ouvir aqui.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"O Poder" de Naomi Alderman [Opinião]

Wook.pt - O Poder
Título: O Poder
Título original: The Power
Autora: Naomi Alderman
Tradutora: Sónia Maia
Edição/reimpressão: 2018
Editora: Saída de Emergência
Temática: Romance
N.º de páginas: 368
Para adquirir:


Sinopse:

Romance vencedor do Baileys Women's Prize para ficção 2017

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Opinião:

E após Pequenos Fogos em Todos o Lado, a escolha para o #netbookclub [referido aqui] foi O Poder, uma distopia decorrida num mundo similar ao nosso, mas que se altera drasticamente pelo surgimento de uma força. A capacidade de libertar descargas eléctricas dá às mulheres a superioridade, originando uma troca de papéis que abala todos os alicerces conhecidos. O homem deixa de ser o predador, secundarizando-se perante esta onda de poder.

A autora vai alternando entre as perspectivas das personagens, quase todas femininas: Margot, uma influente política americana, e a sua filha Jocelyn, que se debate com o poder que teima em fugir ao seu controlo; Allie, uma adolescente em fuga da violência familiar e que, ao encontrar refúgio num mosteiro, se reinventa como a Mãe Eva, uma líder espiritual; Roxy, filha de um magnata da máfia inglesa e a mais poderosa.

Há uma excepção, nada ocasional. Tunde, um jovem jornalista, partilha os primórdios da mudança e vibra com eles, testemunhando eventos que tanto o atemorizam como o atraem e esta dualidade é um dos pontos mais interessantes da história. É através dele que a autora mostra que, independentemente do sexo, existem emoções e sentimentos partilhados: o instinto de sobrevivência, o medo, a humilhação, o desespero, a necessidade de conforto e de estabilidade e, sobretudo, o sofrimento que o homem, subjugado, experiencia em igual medida.

A capacidade de chocar da narrativa, mais do que a sua forma, induz reflexão sobre o papel feminino nas sociedades contemporâneas, do Oriente ao Ocidente, nos vários estratos sociais. Senti falta de descrições elaboradas que levassem a uma evolução da acção mais pausada e satisfatória para o meu gosto literário. Já o final em aberto assenta que nem uma luva.

As últimas décadas têm representado um ganho significativo quanto aos direitos das mulheres, ou seja, à concretização dos direitos humanos para ambos os sexos. Ainda assim este livro deve ser considerado um alerta ao seu estado de vulnerabilidade, sobretudo nas sociedades em vias de desenvolvimento, em que estão longe de se afirmar sequer como seres humanos de pleno direito.

Seja quem for que detenha o poder, a degenerescência e o caos podem instalar-se. Iremos a tempo de evitar a perpetuação deste paradigma?

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:
Naomi Alderman
Nascida em Londres, Alderman frequentou a South Hampstead High School e a Lincoln College, Oxford, onde leu Filosofia, Política e Economia. Mais tarde, estuda escrita criativa na Universidade de East Anglia antes de se tornar uma romancista. Em 2007, o Sunday Times nomeou-a escritora jovem do ano.


Foi a principal escritora da Perplex City, um jogo de realidade alternativa, em Mind Candy de 2004 a junho de 2007. Passou a escritora principal no jogo de vídeo em execução Zombies, Run! que foi lançado em 2012. Escreveu artigos para vários jornais britânicos, e tem uma coluna de tecnologia regular no The Guardian.

Em 2012 Alderman foi nomeada Professora de Escrita Criativa na Bath Spa University, Inglaterra. Em 2013, foi incluída na lista Granta dos 20 melhores jovens escritores. O seu pai é Geoffrey Alderman, um académico que se especializou em história anglo-judaica. Fonte: WOOK