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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Contar - Festival de contos do mundo [Divulgação]

Para ouvir e contar histórias o caminho a percorrer será até Beja, a cidade dos Contos. De 22 a 27 de Agosto de 2017, o II Contar - Festival de contos do mundo vai percorrer a cidade. Partindo da Biblioteca, passará pela Mouraria, pelo Pax Julia e, novidade deste ano, irá estar presente no Antigo Hospital da Misericórdia, actual Santa Casa da Misericórdia de Beja. 

Toda a informação aqui.



sábado, 25 de março de 2017

Poesia e Diário de Florbela Espanca com Elsa Ligeiro [Especial Tertúlia + Opinião]



Ontem foi dia de recordar,  na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, o legado de Florbela Espanca e o lugar da sua obra no contexto literário português. 

Autora «provinciana», não pertenceu a nenhum grupo literário, até porque não é facilmente enquadrável numa só corrente literária, em contraponto com o seu contemporâneo Fernando Pessoa e os modernistas. Não obteve por isso, enquanto viveu, apoio nem tão pouco reconhecimento.

O seu contexto sócio-económico e familiar foi abordado, mas não demasiado aprofundado, embarcando-se antes numa viagem pelo seu diário e lírica, na continuação de um excelente trabalho de promoção da literatura portuguesa por parte de Elsa Ligeiro. Com genuíno entusiasmo discursou sobre Florbela e a sua obra que, apesar de considerada autora menor no meio académico - preconceito outrora partilhado por Elsa, porém ultrapassado com uma leitura mais atenta - tem rasgos de genialidade inegáveis: 

"(...)
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar..."

"Faço às vezes o gesto de quem segura um filho ao colo. Um filho, um filho de carne e osso, não me interessaria talvez, agora... mas sorrio a este, que é apenas amor nos meus braços."

A todos os presentes foi gentilmente oferecido um exemplar de Diário e, convidados a ler em voz alta um excerto, escolhi este soneto:

"És Aquela que tudo te entristece 
Irrita e amargura, tudo humilha; 
Aquela a quem a Mágoa chamou filha; 
A que aos homens e a Deus nada merece. 

Aquela que o sol claro entenebrece 
A que nem sabe a estrada que ora trilha, 
Que nem um lindo amor de maravilha 
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece! 

Mar-Morto sem marés nem ondas largas, 
A rastejar no chão como as mendigas, 
Todo feito de lágrimas amargas! 

És ano que não teve Primavera... 
Ah! Não seres como as outras raparigas 
Ó Princesa Encantada da Quimera!..."

Com uma audiência numerosa, entre a qual verdadeiros apaixonados, discutiram-se aspectos mais ou menos polémicos da sua existência, mas sobretudo a ambivalência característica da sua produção literária. 



Título: Diário 
Autora: Florbela Espanca
Edição/reimpressão: 2007
Editora: Editora Alma Azul
Temática: Diário
N.º de páginas: 48
Para adquirir:


Sinopse:


No seu último ano de vida Florbela Espanca registou num diário tudo que lhe ia na alma. O seu último registo data de 2 de Dezembro, dias antes do seu suicídio a 8 de Dezembro de 1930.

Opinião:

Em adolescente os sonetos de Florbela Espanca e, mais tarde, os seus contos foram leituras da minha preferência. Assim como Sophia de Mello Breyner Andresen, Cesário Verde ou António Nobre, a sua poesia teve um papel preponderante na minha formação enquanto leitora. 

Desconhecia este seu Diário onde Florbela sentiu, pela primeira vez, a necessidade de escrever no seu último ano de vida. Esparso, com maior número de entradas em Janeiro e Fevereiro e com a última frase escrita seis dias antes da sua morte.

Afirma, no início, que tais registos serão atirados "para aqui, negligentemente, sem pretensões de estilo, nem análises filosóficas, o que os ouvidos dos outros não recolhem: reflexões, impressões, ideias, maneiras de ver, de sentir". Não diferindo da sua produção literária, presentes estão as dicotomias morte/vida, exaltação/melancolia, desejo/perda: a sua perpétua inconstância de insatisfação/concretização. 

Nele encontramos referências às suas leituras, pensamentos avulsos, desabafos e momentos de afirmação: "Que me importa a estima dos outros se eu tenho a minha? Que me importa a mediocridade do mundo se Eu sou Eu?" Contudo, apesar destes últimos, a dor da incompreensão, de si e dos outros, corroía-a: "Está escrito que hei-de ser sempre a mesma eterna isolada... Porquê?", em que se reconhece uma alma atormentada.

A última entrada, "E não haver gestos novos nem palavras novas!", será indicativa do que estaria para vir ou uma mera coincidência? Até que ponto nos revelam as suas palavras o que viveu? Meras interrogações que surgem, não silenciadas naturalmente, para alimentar o obscurantismo e o mito que a envolvem e que, aos poucos, vão sendo desvendados.


Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Poetisa e contista. Depois de concluir os estudos liceais em Évora, frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. A abordagem crítica da sua obra poética, marcada pela exaltação passional, tem permanecido demasiado devedora de correlações, mais ou menos implícitas, estabelecidas entre o seu conturbado percurso biográfico - uma existência amorosa e socialmente malograda que culminaria com um suicídio aos 36 anos de idade -, e uma voz poética feminina, egotista e sentimental, singularmente isolada no contexto literário das primeiras décadas do século. Na verdade, a leitura mais imparcial das suas composições, entre as quais se contam alguns dos mais belos sonetos da língua portuguesa, permite posicioná-la quer na matriz de uma poesia finissecular que, formalmente, cruza caracteres decadentistas, simbolistas (são várias as referências na sua poesia a autores simbolistas) e neorromânticos (acusando a admiração por certos autores da terceira geração romântica, como Antero de Quental), "à maneira de um epígono de António Nobre" (cf. PEREIRA, José Augusto Seabra - prefácio a Obras Completas de Florbela Espanca, vol. I, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 1985, p. IV), quer, ainda, pela forma como a vivência do amor promove, a cada passo, uma mitificação do eu, na senda de certos autores do primeiro modernismo como Sá-Carneiro, Alfredo Guisado ou António Botto. Por outra via, a da literatura mística, Florbela Espanca reata conscientemente (Soror Saudade) com a tradição da literatura claustral feminina que recebera, no período de maior florescimento, uma marca conceptista, mantida na poética de Florbela por certa propensão para a exploração das antíteses morte/vida, amor/dor, verdade/engano. A imagem da mulher que sofre de ilusão em ilusão amorosa, que reitera até ao desespero a sua fatalidade, que dá expressão a uma existência irremediavelmente minada pela ansiedade e pela incompreensão, acabou por, na receção alargada da sua poesia, sobrepor-se a outros nexos temáticos com igual pertinência, como a dor de pensar e a aspiração à simplicidade (...). Florbela Espanca. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. Fonte: WOOK

sábado, 11 de março de 2017

"Com o Riso É que M'Enganas": conferência com Luís Afonso e Bruno Ferreira


No passado dia 9, tive a possibilidade de assistir a uma conferência sobre o tema o Humor na Comunicação, organizada com o objectivo de abordar «“O humor como uma arma poderosa de interação e que torna qualquer discurso mais cativante e positivo, afinal fazer rir estreita ligações e propicia a criatividade.”

Os oradores convidados irão partilhar a sua experiência onde o humor sempre teve um papel importante mostrando através de histórias e exemplos, que o sentido de humor também se aprende e se desenvolve ao longo da vida, contribuindo para uma análise crítica de temas pertinentes e fraturantes da nossa sociedade.»

Com a moderação de Paulo Barrigajornalista e director do jornal Diário do Alentejo, Bruno Ferreira, humorista e imitador, e Luís Afonso, cartoonista, foram os oradores convidados.



Perante a pergunta se o humor é também um fogo que arde sem se ver (a tender para o filosófico), Bruno Ferreira falou sobre a dificuldade de definir o humor, considerando a efemeridade o seu maior entrave. Recomendou o livro de Ricardo Araújo Pereira, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar, em que o autor aborda a escrita de humor e os diversos recursos humorísticos passíveis de serem utilizados.

Para Luís Afonso, enquanto cartoornista, o processo criativo pode ser doloroso: caso não seja imediato, torna-se inevitavelmente prolongado e esforçado. Além disso, é uma prova cega, ou seja, sendo maioritariamente o seu primeiro e único público antes da publicação, não obtém uma reacção imediata por parte dos destinatários, o que o leva a fazer e refazer o seu trabalho em diversas ocasiões.

Os limites do humor são, segundo Bruno Ferreira, cada vez menores. Porém, tal adveio de um caminho percorrido de longos anos por diferentes humoristas que afastaram tais barreiras. Considera necessário o desprendimento para um criticismo eficaz e, sim, o humor está na moda porque bebe do quotidiano, constituindo a política e o futebol alvos preferenciais, com figuras como Gilberto Madaíl ou Jorge Jesus, que não apreciaram desde logo as suas caricaturas...

Relativamente ao risco do humor opinativo e à transmissão de informação distorcida, Luís Afonso, enquanto jornalista com respeito pelo seu código deontológico, foi levado a alterar o seu método de trabalho, já que o surgimento do meio digital trouxe novas fontes informativas. Para ele, a matéria-prima deve ser respeitada e confirmada a veracidade informação, o que, por vezes, o conduz a uma encruzilhada: o tempo que decorre entre esta confirmação e a sua utilização poderá causar a desactualização, pelo menos em termos humorísticos. Dado que colabora com vários jornais (e com A Mosca para a RTP), admite que, ocasionalmente, reutiliza o mesmo tema, variando consoante o âmbito das publicações.

Já para o nosso imitador, existe um acordo tácito entre quem cria e quem consome o humor: sabe-se que estará implícita, ainda que nem sempre de forma explícita, uma opinião. Além do mais, a caricatura consiste no aproveitamento e exagero de determinadas características, pelo que nem sempre é totalmente verídica.

Tal como noutra áreas, no humor existem igualmente modas: encontramo-nos no período áureo de figuras como Ricardo Araújo Pereira e Bruno Nogueira, mas o exemplo mais visível da oscilação é o de Herman José. Existe actualmente espaço para vários tipos de humor, incluindo o negro ou o inteligente e, mesmo neste, a piada parva pode surgir. Quanto a estarmos perante uma overdose de humor nos meios de comunicação, a sua presença só se mantém dependendo do feedback e, claro, da moda.

E se rir dá saúde e faz bem, estariam os nossos oradores conscientes de que estão a dar saúde? Entre nos dizer que rir provoca a libertação de endorfinas, o aumento do fluxo sanguíneo, o treino dos abdominais e o facto de 1 minuto de riso ser equivalente a 45 minutos de relaxamento, entre outros benefícios inegáveis, Bruno Ferreira não deixou margem para dúvidas.

Resta o agradecimento por uma tarde bem passada e pelo privilégio de ouvir uma nova versão de Taras e Manias de Marco Paulo, desta feita interpretada por Passos Coelho. 😂

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Mil e uma Noites Mil e uma Histórias - HISTÓRIAS DE ÁGUA NA BOCA com Antonella Giraldi


Numa noite fria e despovoada, as palavras de Antonella Giraldi foram o lume que aqueceu os seus ouvintes, em mais uma sessão de Mil e uma Noites Mil e uma Histórias.

De origem italiana, esta contadora que, humildemente, nos confessou ser ainda "pequenina", revelou completo domínio dos tempos, essencial para o efeito surpresa, para potenciar a curiosidade e o suspense. Narrou-nos histórias do avô e do autor Italo Calvino, evocando a sua Itália, igualmente presente no seu sotaque e nas músicas que entoou. 

Fosse num registo mais cómico, falando sobre galinhas leiteiras, ou num tom mais dramático, abordando o fascismo e a morte, poderei afirmar que o papel da narradora foi devidamente cumprido: prender a atenção, tocar e incentivar à reflexão do seu público.

Espero ouvi-la novamente, quiçá nas Palavras Andarilhas, uma vez que, tal como foi dito, histórias contadas em contextos diversos transmitem diferentes energias.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Já conhecem o Promoções de Livros? [Divulgação]


Criado pelo Filipe Lopes no Facebook, este é um grupo para troca de informação sobre promoções de livros em livrarias, supermercados, quiosques, papelarias, etc., promoções essas apenas válidas para Portugal e a partir de 20%. Apela-se à divulgação e participação de todos os membros para se conseguirem encontrar os melhores preços do mercado. E porque vos falo eu deste grupo? Porque sou sua administradora, em parceria com o Filipe e porque de livros se fala aqui. Já somos mais de 7 mil membros! Podem visitar aqui.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

XIV Palavras Andarilhas e I Festival de Contos do Mundo: o rescaldo

As XIV Palavras Andarilhas e o I Festival de Contos do Mundo [ver aqui] terminaram e deixaram saudades. Estive presente nos dias 26, 27 e 28, a passear pelo Jardim Público, onde os eventos decorreram, a assistir às noites de contos, a experimentar "Poesia à la Carte" e a escutar Afonso Cruz a propósito do livro Vamos Comprar um Poeta.

No dia 26 vi...

O meu amor por gatos e livros é notório para os seguidores do blogue, pelo que não será de admirar que tenha ficado encantada por conhecer um gato leitor. Pois é verdade, meus amigos, há gatos que também gostam de ler e podem conhecê-lo aqui.

Santana Jewelry Art

Rodorin


No dia 27 não me escapou...



Andante Associação Artística com o espectáculo "Poesia à la carte"

Passeio pelas Andarilhas


Barraca Suka Suka

Mercadinho Andarilho


Raquel Lima

António Fontinha

Yoshi Hioki e Ângelo Torres

No dia 28 ouvi...

Afonso Cruz que, além de nos falar sobre o seu livro Vamos Comprar um Poeta, falou igualmente sobre a importância de ser infeliz, dos seus hábitos de escritor e de concepção das suas obras. 

Jorge Serafim e Celina Piedade no encerramento


São de invejar as memórias prodigiosas, a fluência dos discursos e as capacidades de improviso tantas vezes demonstradas pelos contadores. As almas dos que os ouvem transbordam de alegria e desejam ardentemente que regressem novamente estes dias de sonho, pelas mãos de tantos encantadores de imaginações.

Sobre todos os contadores, artistas e artesãos mencionados, e de todos os outros que não tive o prazer de fotografar, poderão encontrar informação aqui:

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Roteiros por Beja #4: Museu da Farmácia e Capela de Nossa Senhora da Piedade

O último roteiro por Beja passou pelo Museu da Farmácia e pela Capela de Nossa Senhora da Piedade, localizados na Santa Casa da Misericórdia de Beja. Ambos os locais mereciam uma recuperação urgente e uma apropriada divulgação.

O Museu da Farmácia (ou Botica do Hospital Grande) pode ser encontrado no antigo Hospital Grande da Nossa Senhora da Piedade ou Hospital da Misericórdia, actual Santa Casa da Misericórdia de Beja. 

Apresenta uma exposição de antigos instrumentos utilizados ao longo do período de vida do Hospital, construído em 1490 por ordem de D. Manuel I, Duque de Beja. Podem ser observadas fotografias dos seus principais doutores, frascos contendo os medicamentos utilizados, balanças, aparelhos de electroterapia, entre outros.
 

Sobre o Museu da Farmácia:
Localizado à entrada da Santa Casa da Misericórdia, na rua D. Manuel I, n.º 9, está aberto dos os dias, das 10h às 12h e das 14h às 17h. A entrada é gratuita. Fonte: Santa Casa da Misericórdia de Beja


Com cerca de 526 anos, a Capela de Nossa Senhora da Piedade foi criada em 1490 pelo Duque de Beja, D. Manuel I, com permissão de D. João II, representando a transição do gótico, o estilo original, para o manuelino.

Contém profusa talha dourada colocada em 1743, de estilo rococó, provinda do Convento de S. Francisco aquando do seu encerramento em 1834. Esta foi cortada de forma a se conseguir colocar nesta Capela, já que é de menor dimensão comparativamente ao local onde estava colocada no Convento. Há a pretensão, por parte da Santa Casa da Misericórdia e da Diocese de Beja, de que seja avaliada por um especialista e, posteriormente, recuperada, dado o seu avançado estado de deterioração. 

Observam-se frescos do século XVI e quadros também provenientes do Convento de estilo italiano retratando: Zacarias e o anjo Gabriel, o nascimento de S. João Baptista e o registo do nome de S. João Baptista pelo seu pai, Zacarias, por exemplo, além de estátuas de Santo António, S. José e Nossa Senhora de Lourdes.

Ocorreram alterações na disposição da Capela devido ao terramoto de 1755, inclusive com perda dos frescos na abóbada. O chão de tacos não é o original, uma vez que está a tapar o de pedra, onde seriam enterradas pessoas, como era usual nas antigas igrejas.

As janelas do coro permitiam que as freiras assistissem aos cultos resguardadas e o óculo gótico é essencial para a entrada de ar e luz.

À entrada/saída da Capela encontra-se uma lápide com a seguinte inscrição "Abençoado seja quem por aqui passa".

Sobre a Capela da Nossa Senhora da Piedade:
Localizada igualmente na Santa Casa da Misericórdia, na rua D. Manuel I, n.º 9, está aberta todos os dias das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h. A entrada é gratuita. Fonte: Santa Casa da Misericórdia de Beja