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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

"Um certo incerto Alentejo" de António José da Costa Neves - Prémio Literário Joaquim Mestre [Divulgação]


Na sua primeira edição, em 2017, o Prémio Literário Joaquim Mestre distinguiu como vencedora a obra Um certo incerto Alentejo de António José da Costa Neves. Indica o título tratar-se de uma narrativa decorrida em pleno Alentejo onde "ninguém é inocente", "a maldade é relativa e a redenção tanto se faz na igreja como nas tabernas".

A apresentação do livro terá lugar no próximo Sábado, 15 de Dezembro, pelas 16h30 na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. Conta com a participação de Luís Miguel Ricardo (presidente da ASSESTA) e de Helena Rocha (Direcção Regional da Cultura do Alentejo).

 

Acrescente-se que António José da Costa Neves, sob o pseudónimo de E. S. Tagino, teve publicadas as obras Mea Culpa!, Adamastor, O Pequeno Incendiário, Nem por Sonhos, editadas pela Saída de Emergência, sendo que Mataram o Chefe de Posto e O Amor nos Anos de Chumbo estão ainda disponíveis para aquisição.

( via Bran Morrighan )

terça-feira, 14 de agosto de 2018

XV Palavras Andarilhas [Divulgação]



As Palavras Andarilhas estão quase, quase aí! De 23 a 26 de Agosto, no Jardim Público e na Biblioteca Municipal de Beja, contos, leituras, oficinas, tertúlias, mercadinho andarilho, marionetas e música, farão parte da programação. Com actividades para todos os amantes da palavra lida e falada, desde as famílias aos técnicos, esta é uma alternativa no mínimo, original, aos habituais planos veraneantes. 

As Palavras Andarilhas são "uma festa da palavra contada, lida, ilustrada que em 2018 integra na coprodução para além do Município de Beja, as associações: Ouvir e contar – Associação de Contadores de Histórias, Laredo – Associação Cultural e Carpe Librum – Movimento Educação pela Arte e pela Leitura – Associação Cultural”. Terão lugar o Encontro de Aprendizes do Contar, o Festival de Narração Oral "Eu conto para que tu Sonhes", o Mercadinho Andarilho - feira da leitura e as Palavras Andarilhas | Estafeta dos Contos (algumas das actividades exigem inscrição prévia).

Toda a programação pode ser consultada em Palavras Andarilhas | Beja - A Cidade dos Contos.

Entretanto convido-vos a recordar a edição anterior aqui e a minha presença na mesma aqui

sexta-feira, 25 de maio de 2018

XIV Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja [Divulgação]



«Este ano o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja realiza-se entre os dias 25 de Maio e 10 de Junho.

Inaugura no dia 25, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura.

Mas o Festival também se espalha pelas ruas do centro histórico. Boa parte das exposições estarão patentes no Centro Unesco, no Forno da Ti Bia Gadelha, na Galeria da Rua dos Infantes, no Museu Regional de Beja, no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, no Palacete Vilhena – Sede do EMAS, e no Pax Julia – Teatro Municipal.

São 8, os núcleos expositivos.

E 21, as exposições, com autores de muitas partes do Mundo: Brasil, Espanha (País Basco), França, Itália, Portugal e Suécia.

O Festival oferece ainda aos visitantes uma Programação Paralela bastante diversificada: apresentação de projetos, conversas à volta da BD, lançamento de livros - este ano serão 16 -, sessões de autógrafos, concertos desenhados, etc.

Terá também à disposição de todos o Mercado do Livro, com mais de 60 editores presentes, venda de arte original, venda de merchandising, etc.

Na sexta-feira 25 e no sábado 26 as noites são de concertos desenhados (a programação só termina às 4h00 da manhã).

O primeiro fim-de-semana (25, 26 e 27 de Maio) reunirá os autores representados nas exposições.»

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Contar - Festival de contos do mundo [Divulgação]

Para ouvir e contar histórias o caminho a percorrer será até Beja, a cidade dos Contos. De 22 a 27 de Agosto de 2017, o II Contar - Festival de contos do mundo vai percorrer a cidade. Partindo da Biblioteca, passará pela Mouraria, pelo Pax Julia e, novidade deste ano, irá estar presente no Antigo Hospital da Misericórdia, actual Santa Casa da Misericórdia de Beja. 

Toda a informação aqui.



terça-feira, 18 de julho de 2017

Autores ASSESTA - Novos Livros e Projectos [Divulgação]

Venham descobrir as vidas literárias de cinco escritores da ASSESTA - Fernando Évora, Luís Miguel Ricardo, Napoleão Mira, Olinda Gil e Vítor Encarnação -, esta 5.ª feira, às 21h30, na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. Fica o convite para um serão entre amantes das letras!


Para mais informações:

sábado, 20 de maio de 2017

XIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja [Divulgação]


«O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja realiza-se este ano entre os dias 26 de Maio e 11 de Junho, abraçando exclusivamente o Centro Histórico da cidade e em especial o Largo do Museu Regional, epicentro desta Festa da BD.

São 18, as exposições patentes ao público, e 10, os países representados, da Argentina à Dinamarca, passando por Angola e pela Roménia…

Para além das exposições, o Festival oferece aos visitantes uma Programação Paralela bastante diversificada onde pontuam as apresentações de projetos, as conversas à volta da BD, o lançamento de livros, as sessões de autógrafos, workshops, concertos desenhados, etc., etc.

Como não podia deixar de ser, o Festival tem também à disposição dos visitantes o Mercado do Livro - a maior livraria do país durante este período, com mais de 60 editores presentes - e uma zona comercial com várias tendas instaladas (venda de action figures, arte original, posters, prints, etc.).
              
O Festival inaugura sexta-feira, 26 de Maio, às 21h00, no Pax Julia – Teatro Municipal.

Na sexta-feira 26 e no sábado 27 as noites são de concertos desenhados (a programação só termina às 4h00 da manhã).

O primeiro fim-de-semana (26, 27 e 28 de Maio) reunirá grande parte dos autores representados nas exposições

sábado, 25 de março de 2017

Poesia e Diário de Florbela Espanca com Elsa Ligeiro [Especial Tertúlia + Opinião]



Ontem foi dia de recordar,  na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, o legado de Florbela Espanca e o lugar da sua obra no contexto literário português. 

Autora «provinciana», não pertenceu a nenhum grupo literário, até porque não é facilmente enquadrável numa só corrente literária, em contraponto com o seu contemporâneo Fernando Pessoa e os modernistas. Não obteve por isso, enquanto viveu, apoio nem tão pouco reconhecimento.

O seu contexto sócio-económico e familiar foi abordado, mas não demasiado aprofundado, embarcando-se antes numa viagem pelo seu diário e lírica, na continuação de um excelente trabalho de promoção da literatura portuguesa por parte de Elsa Ligeiro. Com genuíno entusiasmo discursou sobre Florbela e a sua obra que, apesar de considerada autora menor no meio académico - preconceito outrora partilhado por Elsa, porém ultrapassado com uma leitura mais atenta - tem rasgos de genialidade inegáveis: 

"(...)
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar..."

"Faço às vezes o gesto de quem segura um filho ao colo. Um filho, um filho de carne e osso, não me interessaria talvez, agora... mas sorrio a este, que é apenas amor nos meus braços."

A todos os presentes foi gentilmente oferecido um exemplar de Diário e, convidados a ler em voz alta um excerto, escolhi este soneto:

"És Aquela que tudo te entristece 
Irrita e amargura, tudo humilha; 
Aquela a quem a Mágoa chamou filha; 
A que aos homens e a Deus nada merece. 

Aquela que o sol claro entenebrece 
A que nem sabe a estrada que ora trilha, 
Que nem um lindo amor de maravilha 
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece! 

Mar-Morto sem marés nem ondas largas, 
A rastejar no chão como as mendigas, 
Todo feito de lágrimas amargas! 

És ano que não teve Primavera... 
Ah! Não seres como as outras raparigas 
Ó Princesa Encantada da Quimera!..."

Com uma audiência numerosa, entre a qual verdadeiros apaixonados, discutiram-se aspectos mais ou menos polémicos da sua existência, mas sobretudo a ambivalência característica da sua produção literária. 



Título: Diário 
Autora: Florbela Espanca
Edição/reimpressão: 2007
Editora: Editora Alma Azul
Temática: Diário
N.º de páginas: 48
Para adquirir:


Sinopse:


No seu último ano de vida Florbela Espanca registou num diário tudo que lhe ia na alma. O seu último registo data de 2 de Dezembro, dias antes do seu suicídio a 8 de Dezembro de 1930.

Opinião:

Em adolescente os sonetos de Florbela Espanca e, mais tarde, os seus contos foram leituras da minha preferência. Assim como Sophia de Mello Breyner Andresen, Cesário Verde ou António Nobre, a sua poesia teve um papel preponderante na minha formação enquanto leitora. 

Desconhecia este seu Diário onde Florbela sentiu, pela primeira vez, a necessidade de escrever no seu último ano de vida. Esparso, com maior número de entradas em Janeiro e Fevereiro e com a última frase escrita seis dias antes da sua morte.

Afirma, no início, que tais registos serão atirados "para aqui, negligentemente, sem pretensões de estilo, nem análises filosóficas, o que os ouvidos dos outros não recolhem: reflexões, impressões, ideias, maneiras de ver, de sentir". Não diferindo da sua produção literária, presentes estão as dicotomias morte/vida, exaltação/melancolia, desejo/perda: a sua perpétua inconstância de insatisfação/concretização. 

Nele encontramos referências às suas leituras, pensamentos avulsos, desabafos e momentos de afirmação: "Que me importa a estima dos outros se eu tenho a minha? Que me importa a mediocridade do mundo se Eu sou Eu?" Contudo, apesar destes últimos, a dor da incompreensão, de si e dos outros, corroía-a: "Está escrito que hei-de ser sempre a mesma eterna isolada... Porquê?", em que se reconhece uma alma atormentada.

A última entrada, "E não haver gestos novos nem palavras novas!", será indicativa do que estaria para vir ou uma mera coincidência? Até que ponto nos revelam as suas palavras o que viveu? Meras interrogações que surgem, não silenciadas naturalmente, para alimentar o obscurantismo e o mito que a envolvem e que, aos poucos, vão sendo desvendados.


Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Poetisa e contista. Depois de concluir os estudos liceais em Évora, frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa. A abordagem crítica da sua obra poética, marcada pela exaltação passional, tem permanecido demasiado devedora de correlações, mais ou menos implícitas, estabelecidas entre o seu conturbado percurso biográfico - uma existência amorosa e socialmente malograda que culminaria com um suicídio aos 36 anos de idade -, e uma voz poética feminina, egotista e sentimental, singularmente isolada no contexto literário das primeiras décadas do século. Na verdade, a leitura mais imparcial das suas composições, entre as quais se contam alguns dos mais belos sonetos da língua portuguesa, permite posicioná-la quer na matriz de uma poesia finissecular que, formalmente, cruza caracteres decadentistas, simbolistas (são várias as referências na sua poesia a autores simbolistas) e neorromânticos (acusando a admiração por certos autores da terceira geração romântica, como Antero de Quental), "à maneira de um epígono de António Nobre" (cf. PEREIRA, José Augusto Seabra - prefácio a Obras Completas de Florbela Espanca, vol. I, Poesia, Lisboa, D. Quixote, 1985, p. IV), quer, ainda, pela forma como a vivência do amor promove, a cada passo, uma mitificação do eu, na senda de certos autores do primeiro modernismo como Sá-Carneiro, Alfredo Guisado ou António Botto. Por outra via, a da literatura mística, Florbela Espanca reata conscientemente (Soror Saudade) com a tradição da literatura claustral feminina que recebera, no período de maior florescimento, uma marca conceptista, mantida na poética de Florbela por certa propensão para a exploração das antíteses morte/vida, amor/dor, verdade/engano. A imagem da mulher que sofre de ilusão em ilusão amorosa, que reitera até ao desespero a sua fatalidade, que dá expressão a uma existência irremediavelmente minada pela ansiedade e pela incompreensão, acabou por, na receção alargada da sua poesia, sobrepor-se a outros nexos temáticos com igual pertinência, como a dor de pensar e a aspiração à simplicidade (...). Florbela Espanca. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008. Fonte: WOOK

sábado, 11 de março de 2017

"Com o Riso É que M'Enganas": conferência com Luís Afonso e Bruno Ferreira


No passado dia 9, tive a possibilidade de assistir a uma conferência sobre o tema o Humor na Comunicação, organizada com o objectivo de abordar «“O humor como uma arma poderosa de interação e que torna qualquer discurso mais cativante e positivo, afinal fazer rir estreita ligações e propicia a criatividade.”

Os oradores convidados irão partilhar a sua experiência onde o humor sempre teve um papel importante mostrando através de histórias e exemplos, que o sentido de humor também se aprende e se desenvolve ao longo da vida, contribuindo para uma análise crítica de temas pertinentes e fraturantes da nossa sociedade.»

Com a moderação de Paulo Barrigajornalista e director do jornal Diário do Alentejo, Bruno Ferreira, humorista e imitador, e Luís Afonso, cartoonista, foram os oradores convidados.



Perante a pergunta se o humor é também um fogo que arde sem se ver (a tender para o filosófico), Bruno Ferreira falou sobre a dificuldade de definir o humor, considerando a efemeridade o seu maior entrave. Recomendou o livro de Ricardo Araújo Pereira, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar, em que o autor aborda a escrita de humor e os diversos recursos humorísticos passíveis de serem utilizados.

Para Luís Afonso, enquanto cartoornista, o processo criativo pode ser doloroso: caso não seja imediato, torna-se inevitavelmente prolongado e esforçado. Além disso, é uma prova cega, ou seja, sendo maioritariamente o seu primeiro e único público antes da publicação, não obtém uma reacção imediata por parte dos destinatários, o que o leva a fazer e refazer o seu trabalho em diversas ocasiões.

Os limites do humor são, segundo Bruno Ferreira, cada vez menores. Porém, tal adveio de um caminho percorrido de longos anos por diferentes humoristas que afastaram tais barreiras. Considera necessário o desprendimento para um criticismo eficaz e, sim, o humor está na moda porque bebe do quotidiano, constituindo a política e o futebol alvos preferenciais, com figuras como Gilberto Madaíl ou Jorge Jesus, que não apreciaram desde logo as suas caricaturas...

Relativamente ao risco do humor opinativo e à transmissão de informação distorcida, Luís Afonso, enquanto jornalista com respeito pelo seu código deontológico, foi levado a alterar o seu método de trabalho, já que o surgimento do meio digital trouxe novas fontes informativas. Para ele, a matéria-prima deve ser respeitada e confirmada a veracidade informação, o que, por vezes, o conduz a uma encruzilhada: o tempo que decorre entre esta confirmação e a sua utilização poderá causar a desactualização, pelo menos em termos humorísticos. Dado que colabora com vários jornais (e com A Mosca para a RTP), admite que, ocasionalmente, reutiliza o mesmo tema, variando consoante o âmbito das publicações.

Já para o nosso imitador, existe um acordo tácito entre quem cria e quem consome o humor: sabe-se que estará implícita, ainda que nem sempre de forma explícita, uma opinião. Além do mais, a caricatura consiste no aproveitamento e exagero de determinadas características, pelo que nem sempre é totalmente verídica.

Tal como noutra áreas, no humor existem igualmente modas: encontramo-nos no período áureo de figuras como Ricardo Araújo Pereira e Bruno Nogueira, mas o exemplo mais visível da oscilação é o de Herman José. Existe actualmente espaço para vários tipos de humor, incluindo o negro ou o inteligente e, mesmo neste, a piada parva pode surgir. Quanto a estarmos perante uma overdose de humor nos meios de comunicação, a sua presença só se mantém dependendo do feedback e, claro, da moda.

E se rir dá saúde e faz bem, estariam os nossos oradores conscientes de que estão a dar saúde? Entre nos dizer que rir provoca a libertação de endorfinas, o aumento do fluxo sanguíneo, o treino dos abdominais e o facto de 1 minuto de riso ser equivalente a 45 minutos de relaxamento, entre outros benefícios inegáveis, Bruno Ferreira não deixou margem para dúvidas.

Resta o agradecimento por uma tarde bem passada e pelo privilégio de ouvir uma nova versão de Taras e Manias de Marco Paulo, desta feita interpretada por Passos Coelho. 😂

domingo, 15 de janeiro de 2017

"Sudoeste" de Olinda P. Gil [Especial Apresentação + Opinião]


Na tarde de 13 de Janeiro, Olinda P. Gil veio visitar a Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, na companhia de Luís Miguel Ricardo, presidente da ASSESTA, desta vez para apresentar o seu Sudoeste

Apesar de publicado em e-book já em 2014, foi no passado mês de Novembro que a Coolbooks decidiu publicar em papel algumas das obras da sua chancela e o livro da Olinda foi um dos escolhidos. 

Surgiu assim a oportunidade desta apresentação, a qual originou uma conversa descontraída sobre este livro, o mercado editorial digital lusófono, comparativamente ao estrangeiro, e a influência das novas tecnologias na leitura.

Uma das conclusões mais interessantes refere-se ao diminuto crescimento da venda de e-books em Portugal, contrariamente ao esperado e ao verificado com outros países como a Inglaterra, França ou, até mesmo, com os  nossos vizinhos espanhóis. Aparentemente a explicação para tal ocorrência é o preço exagerado da maioria das publicações digitais que leva os e-readers a procurarem leituras noutras línguas onde os preços são, de forma notória, mais económicos.

No que toca aos hábitos de leitura, a nova tecnologia tem levado a uma relativa dispersão da concentração e diminuição dos tempos dedicados à leitura.


Quanto a Sudoeste, obtido o prazer da sua leitura durante esta semana, deixo-vos a minha opinião sobre o mesmo.


Título: Sudoeste
Autor: Olinda P. Gil
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Coolbooks
Temática: Contos
N.º de páginas: 80
Para adquirir: 


Sinopse:


O mesmo mar, a mesma casa. Talvez a mesma história e a mesma mulher que nela vive. Ou três histórias diferentes de três mulheres diferentes que viveram na mesma casa.

Sudoeste traz-nos três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema.

Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com «o chamamento do mundo». Todas as histórias se passam na mesma casa, na mesma quinta, na mesma praia, na mesma falésia. As próprias personagens vão tendo pequenas variações. Contudo, os contos são muito diferentes; cada um oferece-nos uma perspetiva distinta de como se pode viver o amor e o desejo de partir: do sentimento mais puro e simples à capacidade de começar tudo de novo.

Opinião:

Imaginemos uma mulher perto de uma roleta. Existem três possibilidades de existência para essa mulher explícitas nessa roleta: as três decorrerão no mesmo local, contudo com famílias, educações e encontros diferentes que moldarão a sua personalidade e vivência.  É um jogo de sorte a que todos estamos sujeitos quando nascemos: feio ou bonito, rico ou pobre, saudável ou doente - ninguém pode prever e escolher o contexto económico e social em que nasce, e isso alterará irremediavelmente o que será.

Assim surgem três contos onde três mulheres - possivelmente a mesma - encontram o seu destino à beira-mar: um doce, que fala de um amor pleno; outro amargo, em que a perda e a traição se entrelaçam; e um último, semi-amargo, onde a concretização de um amor dá lugar à perda. 

Em cada uma das histórias há um encontro entre uma mulher e um homem e surgem ligações entre eles que alteram o curso dos acontecimentos, para o bem e para o mal. A noção de destino e de fatalidade está sempre presente: apesar das suas escolhas, desde logo parece o caminho estar traçado e em cada conto há uma personagem que sente o «chamamento do mundo» e sente a necessidade de partir.

A relação das personagens com o ambiente marítimo é primordial para o desenrolar das suas vidas. Senti-me naturalmente transposta para este contexto - uma quinta à beira-mar, um mar a perder de vista e ruínas de um templo perdido que habitam uma falésia, não fosse eu amante quase platónica do mar.

Este é o segundo livro que leio da Olinda e nele encontrei as suas marcas: o uso da primeira pessoa do singular, a preferência pela narrativa curta - o conto -, as descrições nuas e cruas, sem recurso a subterfúgios. Neste sentido, Eros e Psiché foi a história que mais me agradou, pela sua amargura e tom confessional, derradeiro, que me causou calafrios.

Apesar da aposta editorial se verificar tendencialmente nos romances, ou seja, em narrativas longas e/ou nos grandes «calhamaços», julgo que a publicação de contos, como os da Olinda, e a de outros géneros literários, como a poesia, deve ter lugar no panorama literário, até porque o conto é, por excelência, a narrativa mais próxima da única forma que permitiu, durante tantos séculos, as histórias serem transmitidas: a narração oral.


Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Olinda P. Gil começou pelas listas, a seguir passou aos contos. Publicou num jornal nacional. Pelo meio estudou Literatura, apaixonou-se pelos antigos, por Lisboa e deixou sair textos em publicações obscuras. Nem sabe como chegou a adulta. Tem tido trabalhos muito díspares, coisa própria da idade. Gosta de contos. Gosta de Literatura Portuguesa. Gosta de autoras. Continua a sonhar em ser escritora. É Alentejana. Fonte: WOOK

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Mil e uma Noites Mil e uma Histórias - HISTÓRIAS DE ÁGUA NA BOCA com Antonella Giraldi


Numa noite fria e despovoada, as palavras de Antonella Giraldi foram o lume que aqueceu os seus ouvintes, em mais uma sessão de Mil e uma Noites Mil e uma Histórias.

De origem italiana, esta contadora que, humildemente, nos confessou ser ainda "pequenina", revelou completo domínio dos tempos, essencial para o efeito surpresa, para potenciar a curiosidade e o suspense. Narrou-nos histórias do avô e do autor Italo Calvino, evocando a sua Itália, igualmente presente no seu sotaque e nas músicas que entoou. 

Fosse num registo mais cómico, falando sobre galinhas leiteiras, ou num tom mais dramático, abordando o fascismo e a morte, poderei afirmar que o papel da narradora foi devidamente cumprido: prender a atenção, tocar e incentivar à reflexão do seu público.

Espero ouvi-la novamente, quiçá nas Palavras Andarilhas, uma vez que, tal como foi dito, histórias contadas em contextos diversos transmitem diferentes energias.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

I Encontro Ibérico de Leitores de Saramago

Entre 18 e 20 de Novembro será realizado o I Encontro Ibérico de Leitores de Saramago que terá lugar na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. 

O objectivo do encontro é o de "realizar o sonho de José Saramago apresentado nas suas próprias Palavras" e "contribuir para o crescimento da comunidade de leitores da obra de José Saramago".

A programação será a seguinte:

O acesso é gratuito, mas requer inscrição através do email: bibliotecamunicipaldebeja@cm-beja.pt

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

XIV Palavras Andarilhas e I Festival de Contos do Mundo: o rescaldo

As XIV Palavras Andarilhas e o I Festival de Contos do Mundo [ver aqui] terminaram e deixaram saudades. Estive presente nos dias 26, 27 e 28, a passear pelo Jardim Público, onde os eventos decorreram, a assistir às noites de contos, a experimentar "Poesia à la Carte" e a escutar Afonso Cruz a propósito do livro Vamos Comprar um Poeta.

No dia 26 vi...

O meu amor por gatos e livros é notório para os seguidores do blogue, pelo que não será de admirar que tenha ficado encantada por conhecer um gato leitor. Pois é verdade, meus amigos, há gatos que também gostam de ler e podem conhecê-lo aqui.

Santana Jewelry Art

Rodorin


No dia 27 não me escapou...



Andante Associação Artística com o espectáculo "Poesia à la carte"

Passeio pelas Andarilhas


Barraca Suka Suka

Mercadinho Andarilho


Raquel Lima

António Fontinha

Yoshi Hioki e Ângelo Torres

No dia 28 ouvi...

Afonso Cruz que, além de nos falar sobre o seu livro Vamos Comprar um Poeta, falou igualmente sobre a importância de ser infeliz, dos seus hábitos de escritor e de concepção das suas obras. 

Jorge Serafim e Celina Piedade no encerramento


São de invejar as memórias prodigiosas, a fluência dos discursos e as capacidades de improviso tantas vezes demonstradas pelos contadores. As almas dos que os ouvem transbordam de alegria e desejam ardentemente que regressem novamente estes dias de sonho, pelas mãos de tantos encantadores de imaginações.

Sobre todos os contadores, artistas e artesãos mencionados, e de todos os outros que não tive o prazer de fotografar, poderão encontrar informação aqui: