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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

"Ala Feminina" de Vanessa Ribeiro Rodrigues [Opinião]

Título: Ala Feminina
Autora: Vanessa Ribeiro Rodrigues
Edição/reimpressão: 2018
Editora: Desassossego (chancela da Saída de Emergência)
Temática: Memórias e Testemunhos
N.º de páginas: 272
Para adquirir:

Sinopse:

Pode a reclusão revelar mistérios da condição da mulher?

O que têm em comum uma colombiana, uma romena, uma angolana, uma venezuelana, uma uruguaia, três brasileiras e nove portuguesas? Para elas, a liberdade é um desejo que carregam na mente, livre para sonhar, com o corpo preso num cárcere, labirinto entre o Rio de Janeiro, o Porto e Lisboa.

São mães, vaidosas, filhas, amantes, sonhadoras, escrevem cartas, leem livros, amam. São barqueiras invisíveis entre dois mundos: o mundo cá de fora e um céu gradeado. Este é mais do que um livro-reportagem, é a intuição subjetiva a partir de conversas com mulheres privadas de liberdade: os medos, os desafios, as conquistas, os desabafos, a ânsia de ser livre.

Opinião:

Ouvir, não há muito, relatos sobre a situação das prisões, em específico as limitações derivadas da greve dos guardas prisionais, ressuscitou-me a vontade de escrever sobre este livro.

Vanessa Ribeiro Rodrigues, jornalista de formação, delineia em Ala Feminina um retrato de cunho próprio da condição das prisioneiras em Portugal. Oriundas de outros domínios ou nascidas no nosso país, todas partilham o mesmo destino: a condenação a uma pena efectiva e o estigma do crime. 

A autora envereda por uma linguagem, além de jornalística, literária, não se esquivando a um caminho difícil de trilhar. Nas suas palavras,
 (...) este livro só fazia sentido formar-se em camadas literárias, em linguagens que se sobrepõem, em sedimentos que se transformam numa matéria viva, em fragmentos de histórias e vivências, itinerâncias e recortes do real. - p. 257
Surge assim a forma de contextualizar as passagens entre os actos - as entrevistas - não o tornando um mero repositório de perguntas e respostas. 
Um pai e uma filha reunidos por um crime? Há de Soraia dizer que se a vida assim foi, terá valido a pena. Há de sossegar, perdoar-se, para ter o abraço paterno. Talvez, então, I-t-a-g-u-a-í, essa palavra-verbo, essa onomatopeia prolongada, seja isso mesmo: o som de um rio a misturar-se no outro, numa forma natural de reconciliação. - p. 57 
Vanessa interroga-se, nomeia e dá voz aos anseios das presidiárias. Começa pelo Brasil e recentra-se em Portugal: Margarida, Aurora, Aida, Elis, Agostinha são exemplos das que sonham com o futuro, para algumas ao virar de poucos meses, tecendo planos e a sofrer antecipadamente pela libertação.

Poderíamos afirmar que estas mulheres são vítimas das circunstâncias, e são-lo, sem dúvida. Porém, confrontadas com as decisões que as levaram às celas, tinham consciência da infracção em que poderiam incorrer, ainda que o risco fosse longínquo no seu horizonte. Apresentam-se na defensiva: dependência, pobreza, doença e enganos, a elementar sobrevivência, uma súmula de factores de condicionamento, encurta-lhes a vista e fá-las saltar a barreira entre o certo e o errado por impulso ou premeditação.

As prisões são, para a generalidade da população, uma realidade velada em que a separação entre eles, os que estão presos, e nós, está sempre presente. A tarefa de a tornar conhecida parece hercúlea. A realização destas entrevistas causa incómodos e leva a reflexões sobre o que se esconde, sobre o que tanto se receia mostrar. Pela minha parte, questiono: revelar as condições das prisões poderia produzir empatia suficiente para que surgissem exigências? A voz dos presidiários é limitada, tal como demonstrado nos últimos protestos.

O cumprimento dos seus direitos viabilizará a sua integração na sociedade. Se, à partida, essa garantia for negada, a possibilidade de uma recaída no mesmo padrão de vida - se é que dele conseguiram entretanto sair - será certa. 

Este livro constitui um contributo relevante para tal debate, permitindo em simultâneo uma leitura prazerosa. Poderia, por certo, integrar o Plano Nacional de Leitura. Fica a dica.

Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Vanessa Ribeiro Rodrigues é jornalista, realizadora de cinema documental e professora universitária. Navega entre a poesia, o jornalismo, a literatura, o documentário, a fotografia e a pesquisa académica. Colabora de forma independente com vários órgãos de informação. É investigadora em Comunicação para o Desenvolvimento, mestre em Informação e Jornalismo. Realizou o filme documental Baptismo de Terra, sobre a emigração portuguesa no Rio de Janeiro, que recebeu o Prémio de Melhor Documentário Português no Festival de Cinema Art&Tur e a menção especial de TV no Festival de Cinema de Avanca. A reportagem da TSF Palestina, diários de um lugar incerto ganhou uma menção honrosa no Prémio Jornalismo Direitos Humanos & Integração – UNESCO (2015). Em 2014 foi distinguida com o prémio literário OFF FLIP, Paraty, Brasil, na categoria de conto. Fonte: WOOK Fotografia: ISCIA

sábado, 24 de novembro de 2018

"As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" de Claire North [Opinião]

Título: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
Título original:  The First Fifteen Lives of Harry August
Autora: Claire North
Tradutor: Casimiro da Piedade
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Saída de Emergência
Temática: Ficção científica
N.º de páginas: 412
Para adquirir (a edição mais recente):


Sinopse:

Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se. Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

Opinião:

Os membros do Clube Cronus, os kalachakras, têm em comum um destino: após a sua morte todos renascem, regressando sempre ao ponto de origem. Desta forma, a Harry August está garantido que, assim que morra, voltará às circunstâncias do seu nascimento: o dia de Ano Novo de 1919, numa casa de banho em que a mãe o dá à luz. Este ciclo irá repetir-se, levando-o a passar uma e outra vez pelo período que tinha acabado de viver, com a mesma família e no mesmo contexto social, e são os acontecimentos das suas primeiras quinze vidas que ele nos vem narrar.

Existem clubes Cronus em todas as épocas, desde o passado remoto a um futuro desconhecido e o espírito de entre-ajuda predomina. Quando o seu equilíbrio é posto em causa, pela infracção da regra de ouro de não se interferir e influenciar os marcos históricos, é Harry quem recebe a mensagem do caos futuro e cabe a ele descobrir a sua origem.
"Era uma lembrança do velho adágio segundo o qual tudo o que a tirania precisa para florescer é da cumplicidade de alguns homens bons"
No confronto entre si e aquele que oscila entre seu amigo e arqui-inimigo, surge um retrato da complexidade das relações humanas, inúmeras questões éticas e, mais uma vez, as ambições desmedidas que apodrecem os espíritos. E ainda que se considere o nosso narrador o bom da fita, nem por isso deixa de ter o seu lado negro, nem as suas escolhas deixarão de causar danos.
"Haverá inocência na ignorância? E se há, será que toleramos os outros por causa da sua ignorância? Sentado dentro daquele comboio, com o vapor do meu bafo a juntar-se ao deles e a subir até ao tecto, e a carruagem a saltar sobre cada junção na linha como uma jovem gazela, descobri que não tinha qualquer resposta satisfatória a essa pergunta"
De 1919 até ao final do século XX, o protagonista revive um período abundante em episódios históricos, onde a evolução da espécie se acelerou prodigiosamente. Desde a II Guerra Mundial à expansão espacial, passando pela evolução tecnológica e por construções e colapsos de sistemas políticos, muitos são os acontecimentos abordados na narrativa e que, sem dúvida, a enriquecem. 

Foi uma leitura que, ao não me desiludir, me fez ter ainda mais vontade de ler este género - a ficção científica - que, de inferior, nada tem. Uma obra completa que me trouxe os mesmos prazeres de As Horas Invisíveis de David Mitchell, sobretudo porque não se limita a ficcionar a ciência, mas também alternativas históricas e ambientes sociais, assim como o comportamento humano perante estas possibilidades.

A edição lida (não a referida acima, mas a pertencente à colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica) tem como prefaciadora Inês Botelho, que nos fala sobre a ficção científica, em concreto a sua indevida menorização relativamente a outros géneros literários - percepção essa que partilho - e que ficções como esta vêm desmistificar.  No final, há um posfácio em que Nuno Galopim se debruça sobre obras que se reportam a Histórias que manipulam os calendários, entre as quais 1984 de George Orwell, A Máquina do Tempo de H.G. Wells, ou Dune de Frank Herbert.

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:
Claire NorthClaire North é um dos dois pseudónimos de Catherine Webb – uma autora britânica nascida em 1986. Estudou História na London School of Economics e Teatro na RADA. A sua estreia, Mirror Dreams, foi publicada quando tinha apenas 14 anos. O livro foi publicado em 2002 e granjeou comparações a Terry Pratchett e Phillip Pullman. Webb publicou mais sete romances, conquistando as críticas, o público e mais duas nomeações para a medalha Carnegie. Sob o pseudónimo Kate Griffin, publicou seis obras de fantasia. Em 2014 publicou o primeiro romance de ficção científica sob o pseudónimo de Claire North, As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, tendo sido um bestseller. Em 2015 e 2016, publicou Touch e The Sudden Appearance of Hope. Fonte: WOOK

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

"O Poder" de Naomi Alderman [Opinião]

Wook.pt - O Poder
Título: O Poder
Título original: The Power
Autora: Naomi Alderman
Tradutora: Sónia Maia
Edição/reimpressão: 2018
Editora: Saída de Emergência
Temática: Romance
N.º de páginas: 368
Para adquirir:


Sinopse:

Romance vencedor do Baileys Women's Prize para ficção 2017

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Opinião:

E após Pequenos Fogos em Todos o Lado, a escolha para o #netbookclub [referido aqui] foi O Poder, uma distopia decorrida num mundo similar ao nosso, mas que se altera drasticamente pelo surgimento de uma força. A capacidade de libertar descargas eléctricas dá às mulheres a superioridade, originando uma troca de papéis que abala todos os alicerces conhecidos. O homem deixa de ser o predador, secundarizando-se perante esta onda de poder.

A autora vai alternando entre as perspectivas das personagens, quase todas femininas: Margot, uma influente política americana, e a sua filha Jocelyn, que se debate com o poder que teima em fugir ao seu controlo; Allie, uma adolescente em fuga da violência familiar e que, ao encontrar refúgio num mosteiro, se reinventa como a Mãe Eva, uma líder espiritual; Roxy, filha de um magnata da máfia inglesa e a mais poderosa.

Há uma excepção, nada ocasional. Tunde, um jovem jornalista, partilha os primórdios da mudança e vibra com eles, testemunhando eventos que tanto o atemorizam como o atraem e esta dualidade é um dos pontos mais interessantes da história. É através dele que a autora mostra que, independentemente do sexo, existem emoções e sentimentos partilhados: o instinto de sobrevivência, o medo, a humilhação, o desespero, a necessidade de conforto e de estabilidade e, sobretudo, o sofrimento que o homem, subjugado, experiencia em igual medida.

A capacidade de chocar da narrativa, mais do que a sua forma, induz reflexão sobre o papel feminino nas sociedades contemporâneas, do Oriente ao Ocidente, nos vários estratos sociais. Senti falta de descrições elaboradas que levassem a uma evolução da acção mais pausada e satisfatória para o meu gosto literário. Já o final em aberto assenta que nem uma luva.

As últimas décadas têm representado um ganho significativo quanto aos direitos das mulheres, ou seja, à concretização dos direitos humanos para ambos os sexos. Ainda assim este livro deve ser considerado um alerta ao seu estado de vulnerabilidade, sobretudo nas sociedades em vias de desenvolvimento, em que estão longe de se afirmar sequer como seres humanos de pleno direito.

Seja quem for que detenha o poder, a degenerescência e o caos podem instalar-se. Iremos a tempo de evitar a perpetuação deste paradigma?

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:
Naomi Alderman
Nascida em Londres, Alderman frequentou a South Hampstead High School e a Lincoln College, Oxford, onde leu Filosofia, Política e Economia. Mais tarde, estuda escrita criativa na Universidade de East Anglia antes de se tornar uma romancista. Em 2007, o Sunday Times nomeou-a escritora jovem do ano.


Foi a principal escritora da Perplex City, um jogo de realidade alternativa, em Mind Candy de 2004 a junho de 2007. Passou a escritora principal no jogo de vídeo em execução Zombies, Run! que foi lançado em 2012. Escreveu artigos para vários jornais britânicos, e tem uma coluna de tecnologia regular no The Guardian.

Em 2012 Alderman foi nomeada Professora de Escrita Criativa na Bath Spa University, Inglaterra. Em 2013, foi incluída na lista Granta dos 20 melhores jovens escritores. O seu pai é Geoffrey Alderman, um académico que se especializou em história anglo-judaica. Fonte: WOOK

quarta-feira, 8 de março de 2017

"Os Olhos de Allan Poe" de Louis Bayard [Opinião]

Título: Os Olhos de Allan Poe
Título original: The Pale Blue Eye
Autor: Louis Bayard
Tradutor: José Remelhe
Edição/reimpressão: 2011
Editora: Edições Saída de Emergência
Temática: Thriller histórico
N.º de páginas: 416

Sinopse:

Corre o ano de 1830. Na Academia de West Point, a tranquilidade de um final de tarde de Outubro é perturbada pela descoberta do corpo de um jovem cadete enforcado junto ao recinto da formatura. Não é a primeira vez que se verifica um aparente suicídio num regime ríspido como o de West Point, mas, na manhã seguinte, constata-se um abominável acto ainda mais grave. Alguém assaltou o quarto onde o cadáver repousava e levou o coração. Desesperada para evitar publicidade negativa, a academia contrata os serviços de Augustus Landor, ex-detective de renome. Viúvo, e atormentado no seu isolamento, Landor decide aceitar o caso. Nos interrogatórios iniciais, descobre um caprichoso e curioso jovem cadete com propensão para a bebida e com um passado sombrio. O nome desse cadete? Edgar Allan Poe. Impressionado pelos astutos poderes de observação de Poe, Landor está convencido de que o poeta lhe pode ser útil - caso consiga permanecer sóbrio o tempo suficiente para colocar em acção os seus perspicazes poderes de raciocínio. Trabalhando em estrita colaboração, os dois homens desenvolvem um relacionamento surpreendentemente profundo à medida que a investigação os conduz a um oculto mundo de sociedades secretas, rituais de sacrifício e mais cadáveres. Porém, os macabros homicídios e o passado secreto de Landor ameaçam afastar os dois e terminar com a sua recente amizade.

Opinião:

Em Os Olhos de Allan Poe, a história tem como pano de fundo a academia militar de West Point, pelo ano de 1830. Neste local ocorre uma morte peculiar, assumindo contornos tenebrosos quando o cadáver desaparece e é posteriormente encontrado com o coração extraído.

Para a investigação deste caso é destacado Landor, um investigador reformado, residente nas redondezas desde há alguns anos, que terá como objectivo descobrir os culpados e salvaguardar o bom nome desta instituição militar. E quem, se não Edgar Allan Poe, poderia ser o seu escolhido para ajudante nestas investigações? Todos poderão ser o criminoso: entre oficiais, funcionários e cadetes, há desconfianças de sobra.

Os thrillers históricos, ao invés de contemporâneos, têm despertado o meu interesse e a presença deste Allan Poe, como personagem deste enredo, ainda mais o cativou. Tendo em conta a minha leitura de Todos os Contos, curiosa fiquei com este título e possíveis informações que desta leitura pudesse extrair.

O autor, aproveitando o desconhecimento de vários aspectos da vida de Allan Poe, reclamou-o como uma das suas personagens. Desta forma, surge nesta narrativa como um jovem na casa dos vinte, culto, eloquente, sagaz e imaginativo. Apresenta, porém, uma faceta perturbada devido à morte da mãe na infância, que continua a venerar, e pela relação conflituosa com o pai adoptivo. Integra a academia de West Point após passagens atribuladas pelas vidas universitárias e militar, com o estigma de problemático e errático. Nesta fase, a sua produção literária tende para a poesia e a sua imensa cultura, evidenciada pelo seu discurso, encontra-se totalmente deslocada no meio académico de West Point, sendo, ao invés de valorizado, marginalizado pelos colegas.

Acompanharemos Landor e Poe nas suas investigações pouco ortodoxas, num crescendo de mistério e suspense, perfeitamente levado a cabo pelo autor Louis Bayard. Os culpados e a conclusão parecem evidentes, todavia, de que forma nos enganamos, e este final não desilude pela previsibilidade que inicialmente aparenta, muito longe disso.

Constituindo esta leitura um caso em que a ficção tomou posse da realidade, a personagem criada é tão palpável que, no fim, só desejamos que corresponda à histórica.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Segundo o Washington Post, com os seus três romances mais recentes, Mr. Timothy, Os Olhos de Allan Poe e The Black Tower, Louis Bayard ascendeu "ao topo da liga do thriller histórico". Notável autor do New York Times, foi nomeado para os galardões Edgar e Dagger e considerado um dos principais autores do ano pela revista People.

Louis é também um ensaísta e crítico reconhecido a nível nacional cujos artigos foram publicados no New York Times, no Washington Post, no Los Angeles Time, no Huffington Post, Salon, Nerve.com e no Preservation. Entre outros romances da sua autoria incluem-se Fool's Errand e Endangered Species. Deu o seu contributo para as antologias The Worst Noel e Maybe Baby (HarperCollins) e 101 Damnations (St. Martin's). Fotografia: Goodreads

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Uma Praça em Antuérpia" de Luize Valente [Opinião]

Título: Uma Praça em Antuérpia
Autora: Luize Valente
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Saída de Emergência
Temática: Ficção histórica
N.º de páginas: 352
Para adquirir:


Sinopse:

A história de duas irmãs que a guerra separou e o terrível segredo que deixaram para trás.

Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.

Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França.

A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal,um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois.

Opinião:

Olívia e Clarice são irmãs gémeas nascidas e criadas em Portugal. Porém, à partida, tomamos conhecimento que somente uma está viva, devido a uma grande tragédia que sobre elas se abateu. Para alguns leitores, esta poderá ser uma enorme desvantagem. 

Esta foi uma leitura que iniciei com altas expectativas pelas inúmeras apreciações positivas, apesar de desconhecer outras obras da autora. Aliás, ouvi-a, por mero acaso, apresentar o seu livro na televisão, falando igualmente de Aristides de Sousa Mendes. Personagem histórica pela qual sempre senti grande curiosidade, fui levada a ler a sua biografia antes de iniciar Uma Praça em Antuérpia [ver opinião sobre Aristides de Sousa Mendes - Um Herói Português de José-Alain Fralon aqui].

As expectativas foram parcialmente satisfeitas. O final pareceu-me forçado, conduzido a uma coincidência algo inacreditável, o que, na realidade, não fugiu à globalidade da história, em que as coincidências se sucederam de forma constante e sistemática.

Por outro lado, considerei as personagens credíveis. Ademais as movimentações de Clarice e Theodor na sua rota de fuga aparenta
m ter sido cuidadosamente delineadas pela autora, provocando expectativa e ansiedade  em quem os acompanha. O seu encontro com Aristides e a obtenção do visto pressupõe um futuro risonho e uma esperança palpável...

Luize Valente criou uma ficção sob um fundo histórico, apoiado em testemunhos verídicos e factos comprovados numa teia que, melhor construída seria, não fossem as improbabilidades gritantes minarem a sua narrativa.


Mais uma história sobre a Segunda Guerra Mundial, a propagação do nazismo e a afirmação do anti-simetismo, que continua a não deixar (quase) ninguém indiferente. Foram vidas de sobrevivência e superação quando tudo se perde, incluindo o mais precioso: o amor de quem nos é mais precioso.

Classificação: 3,5/5*

Sobre a autora:
Luize Valente nasceu no Rio de Janeiro, é escritora, documentarista e jornalista, com mais de 25 anos de experiência em televisão, nas redes Globo, Bandeirantes, canal GNT e GloboNews. É autora de diversas obras e documentários, entre os quais se destacam o livro em coautoria com Elaine Eiger Israel: rotas e raízes, e os documentários Caminhos da Memória: a Trajetória dos Judeus em Portugal (2002) e A Estrela Oculta do Sertão (2005), que recebeu o prémio de Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema Judaico de São Paulo.

A partir de 2012 envereda pela ficção, publicando na Editora Record o romance histórico O Segredo do Oratório (2012).

Em 2015 foi lançado, igualmente pela Editora Record, o seu novo romance histórico, Uma Praça em Antuérpia, que agora temos o privilégio de editar em Portugal na ilustre Coleção da História de Portugal em Romances. Estão a decorrer negociações com uma produtora de Nova Iorque para a adaptação deste título ao cinema. Fonte: Saída de Emergência

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Neste Natal... ofereçam-se livros!

Muitos e bons foram os lançamentos durante o ano corrente. Porém, sendo logisticamente impossível mencioná-los a todos, segue-se uma selecção reduzida dos que me suscitaram mais interesse e que poderão surgir na vossa lista de compras para as prendas de Natal.

( via GIPHY )

A acção de Norte e Sul decorre em meados do séc. XIX, narrando o percurso da protagonista desde o ambiente tranquilo mas decadente de uma Inglaterra sulista, até um norte vigoroso mas turbulento.

Neste romance, Elizabeth Gaskell mostra como a vida pessoal e pública se entrelaçavam numa sociedade recentemente industrializada.








A família Plumb destaca-se pela sua espetacular disfuncionalidade.

Há anos que os quatro irmãos Plumb desesperam por causa da herança. Em testamento, o pai ditou que o dinheiro fosse distribuído apenas quando a filha mais nova celebrasse 40 anos. O seu objetivo era salutar: incentivá-los a lutarem pelos seus sonhos. Mas o plano saiu gorado, pois a poucos meses do aniversário, eles estão tão endividados que só a fortuna familiar poderá salvá-los.

(...)

E quando estão prestes a deitar a mão ao dinheiro, Leo entra seu Porsche acompanhado por uma jovem empregada de mesa. O que acontece a seguir vai ter consequências devastadoras… e um preço exorbitante que só a herança poderá pagar.

Privados daquilo que os definiu perante si próprios e os outros, o que será dos irmãos Plumb?

A solução para todos os males parece estar nas mãos do próprio Leo. Estará ele disposto a sacrificar-se? Ou terão todos de se adaptar a novas (e infernais) circunstâncias? Unidos pela primeira vez, os irmãos revisitam velhos rancores, enfrentam novas verdades, e (finalmente!) refletem sobre as escolhas que fizeram na vida.


Ao fim de trinta e sete anos, Murakami publica os seus dois primeiros romances no Ocidente.

Durante a primavera de 1978, o jovem Haruki Murakami, quando chegava a casa já tarde, depois de mais um dia de trabalho no seu clube de jazz, começou a sentar-se todas as noites à mesa da cozinha, a escrever. O resultado foram duas novelas marcantes – Ouve a Canção do Vento e Flíper, 1973 – que lançaram a carreira de um dos mais aclamados autores da literatura mundial contemporânea.

Estes dois pequenos romances impressivos, em tom de fábula, que por vezes roçam o surreal pelos laivos de ficção científica que os povoam, abordam o quotidiano de dois jovens – o narrador cujo nome nunca chegamos a conhecer e o seu amigo Rato –, perpassado por solidão, obsessão e erotismo. Apresentando uma galeria pela qual desfilam uma rapariga com quatro dedos na mão esquerda, um escritor inventado, o dono de um bar que ouve as confissões de todos os que nele buscam refúgio, um par de gémeas e... gatos, estes dois textos contêm o embrião de todas as características que singularizaram e atravessam todas as obras-primas de Murakami, incluindo alguns dos seus mais recentes livros.


Os seus alunos assassinaram a sua filha. Esta é a sua vingança.

Os seus alunos assassinaram a sua filha. Ela não quer justiça, só vingança.

Confissões é um romance narrado a várias vozes, magistralmente construído onde o suspense é mantido até o fim, quando as diferentes peças encaixam. Mas também é uma reflexão sobre o sistema educativo, os laços familiares, o comportamento humano, o amor e a vingança.





Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.

A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.

Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.

Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.


Para todos os que se apaixonaram por «A Sombra do Vento», que se deleitaram com «O Jogo do Anjo» e se emocionaram com «O Prisioneiro do Céu», chega no dia 23 de Novembro o aguardado desfecho da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, «O LABIRINTO DOS ESPÍRITOS», de Carlos Ruiz Zafón. O lançamento é feito em simultâneo em Espanha e na América Latina. Catapultados pela crítica internacional à categoria de clássico contemporâneo, os romances da série O Cemitério dos Livros Esquecidos, converteram-se num dos universos literários mais apaixonantes deste século e Carlos Ruiz Zafón no escritor espanhol mais lido em todo o mundo, depois de Cervantes.


Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.




Os textos e desenhos que aqui se publicam são, na sua maioria, inéditos, provenientes de álbuns que estiveram mais de cem anos escondidos do público. Mesmo nos poucos casos em que os textos e as imagens já se encontravam publicados, nunca foram coligidos numa edição que restituísse a sua forma original. Estes álbuns não só nos revelam uma faceta quase desconhecida de Eça de Queiroz, a de desenhador, como nos permitem uma visão única do círculo familiar e de amigos em que o grande escritor viveu. Desde autocaricaturas a poemas escritos ao desafio, passando por retratos de perfil, partituras e até o desenho de um diabo nu, somos levados aos serões íntimos que Eça de Queiroz partilhava com os seus.


Uma combinação fascinante de beleza e horror.

Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.

Este é um livro admirável sobre sexo e violência - erótico, comovente, incrivelmente corajoso e provocador, original e poético. Segundo Ian McEwan, «um livro sobre loucura e sexo, que merece todo o sucesso que alcançou». Na Coreia do Sul, depois do anúncio do Man Booker International Prize, A Vegetariana vendeu mais de 600 000 exemplares. Aplaudido em todos os países onde está traduzido, é um best-seller internacional.


Um Cântico de Natal (1843) é talvez o mais dickensiano dos contos. É que só Charles Dickens poderia, a propósito do Natal, criar personagens como Scrooge, o pequeno Tim, e os três Espíritos Natalícios, Passado, Presente e Futuro, e acrescentar-lhes o Fantasma de Marley.

Este livro tem passado de geração em geração, acompanhado do desejo do autor de que «assombre as casas dos leitores de forma agradável, e que ninguém deseje apaziguá-lo».

«O que faz o supremo encanto de La Fontaine como fabulista, o que constitui a sua imensa superioridade sobre todos os que antes e depois dele trataram este mesmo género, não é decerto a originalidade, porque raríssimas serão as fábulas cuja ideia ele não houvesse encontrado em Esopo e em Fedro, nos fabulários da Idade Média, ou nos contos italianos; não é também a beleza excecional do estilo, nem a pureza da metrificação. O que constitui o seu encanto supremo é a vida potente que ele sabe dar a todos esses animais que se movem no imenso tablado da natureza, que falam a linguagem que ele lhes presta, obedecendo a paixões que ele lhes atribui.»


O Mundo de Sofia é um desses inexplicáveis sucessos que têm gerado uma contagiante adesão por parte dos leitores, entre os quais se contam muitos jovens. Mas não só. Tornou-se de imediato um bestseller em muitos países: está traduzido em mais de cinquenta línguas. Esta intrigante aventura filosófica, que põe em cena um professor de filosofia e uma jovem de catorze anos, percorre a história do pensamento ocidental, sem excluir alguns dos seus mitos e lendas e fazendo breves incursões pelas filosofias orientais. O tema central está estreitamente ligado à construção do universo romanesco que se duplica misteriosamente pela intervenção de outros dois personagens, apresentando-se ele próprio como um enigma. As misteriosas interrogações dirigidas a Sofia: «Quem és tu?» e «De onde vem o mundo?» são aqui emblemáticas da atitude de espanto de alguém, como Gaarder, para quem a existência é um coelho branco que o ilusionista tira ludicamente da cartola.


Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?

A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.

Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Feira do Livro de Lisboa: a minha visita

Este 10 de Junho será sempre especial para mim.  Além de visitar a Feira do Livro de Lisboa, que já não visitava há alguns anos, realizou-se o Encontro Nacional dos Livrólicos Anónimos, organizado pela maravilhosa e enérgica dinamizadora Carla Isabel, administradora do GLA - Grupo dos Livrólicos Anónimos. Assim, tal como já tinha dito na página do FB do As Horas... que me preenchem de prazer tive o prazer de conhecer as livrólicas que encontro online diariamente e com as quais criei amizade e muitas outras cujas opiniões sigo e são referências para mim.

Iniciámos este encontro com um almoço no Burger King, seguido de um café, já na FLL, no espaço Delta Q:

Segui-se a reunião no espaço da Editorial Presença e a recepção foi fantástica. 

Algumas das presentes foram presenteadas com alguns miminhos - por exemplo, a Vera Carregueira do Crónicas de uma Leitora, a Odete Silva do destante, ou a Vera Brandão do Menina_dos_Policiais -, incluindo o novo livro de Tracy Chevalier, Os Frutos do Vento, autora que já me proporcionou duas boas leituras: Rapariga com Brinco de Pérola e A Última Fugitiva.

Aproveitei para tirar uma foto ao livro gigante do Wally, uma das atracções da FLL:

Ao que se seguiu mais uma fotografia de grupo com as livrólicas que entretanto chegaram:

As livrólicas dirigiram-se então para a sessão de autógrafos, no espaço TOPSELLER, com o autor M. J. Arlidge. Como o seu género literário não é a minha praia, prossegui com a visita.

E, naturalmente, encontrei inúmeras mascotes que animavam a criançada.

Avistei igualmente vários escritores presentes para sessões de autógrafos e dois dedos de conversa, tais como Gonçalo M. Tavares, Ondjaki, Mário Zambujal, Catarina Furtado, entre outros.

Por fim, a visita terminou junto à Piaggio BrigaDoce, onde provei um delicioso gelado de brigadeiro de chocolate! 

E, como não poderia deixar de ser, não resisti à tentação e comprei dois livros: Contos Completos de Irmãos Grimm, compra pela qual me ofereceram um livro da colecção Vampiro, e As Mentiras de Locke Lamora de Scott Lynch. Graças à querida Sílvia Reis do blogue O Dia da Liberdade, consegui trazer mais um livro neste dia - O Aprendiz de Gutenberg de Alex Christie - ganho num passatempo e que ela fez a gentileza de me ir levantar. E como o favor já foi pequeno, ainda me ofereceu Quando o Sol Brilha de Rui Conceição Silva! A TOPSELLER estava a oferecer Génesis de Tom Fox, prequela de Dominus. Juntam-se os marcadores que assinalam o Encontro dos Livrólicos Anónimos e a recepção da Editorial Presença e o marcador de um livro para pintar que tenho: Sete Mares.

Com a compra de Contos Completos de Irmãos Grimm, fiquei com os três livros que reúnem contos de autores clássicos lançados até agora pela Temas e Debates. Todos os Contos de Edgar Allan Poe já foi lido e Contos de Hans Christian Andersen progride, embora lentamente.

Agora resta-me esperar que, no próximo ano, a vida me permita nova deslocação à Feira do Livro de Lisboa para mais animação e partilha deste vício que é ler!