Título: A Partir de Uma História Verdadeira
Título original: D'après une histoire vraie
Autora: Delphine de Vigan
Tradutora: Sandra Silva
Edição/reimpressão: 2016 (1.ª publicação em 2015)
Editora: Quetzal
Temática: Romance
N.º de páginas: 400
Para adquirir:

Título original: D'après une histoire vraie
Autora: Delphine de Vigan
Tradutora: Sandra Silva
Edição/reimpressão: 2016 (1.ª publicação em 2015)
Editora: Quetzal
Temática: Romance
N.º de páginas: 400
Para adquirir:
Sinopse:
Vive em Paris. Aplaudida pela crítica e consagrada pelo
grande público, é autora de vários romances, entre os quais Nô e Eu, que venceu
o Prémio dos Livreiros em 2008. Traduzido em mais de 25 países e adaptado ao
cinema em 2010, ultrapassou, só em França, a marca dos 750 000 exemplares,
sendo um dos romances mais lidos dos últimos anos. Com Rien ne s’oppose à la
nuit, o seu último livro, Delphine de Vigan conquistou o prestigiado Prémio
Romance Fnac, em 2011. Nô e Eu é o seu primeiro livro traduzido em Portugal. Fonte: Quetzal
A história é contada na primeira pessoa, com Delphine, a
narradora, como uma das duas personagens. Todos os nomes são de pessoas reais:
o da autora/narradora, o dos filhos, do namorado… A história é aparentemente
autobiográfica e, no entanto, torna-se a certa altura um jogo de espelhos, em
que é difícil discernir entre realidade e ficção. Nada previsível, cheio de
surpresas, com um suspense crescente (chega a ser atemorizante), mantém o
leitor literalmente agarrado até ao fim(*). Delphine crê que a sua incapacidade
de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher
perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de
uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita - é
escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de
Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades,
termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável - é a amiga ideal.
Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a
gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E
quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a
a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de
forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há
um volte-face na intriga - até aí muito perto do real - e uma possibilidade
autobiográfica. O fim é maravilhosamente surpreendente. O seu livro anterior,
Rien ne s’oppose à la nuit, em que conta a história da mãe, vendeu cerca de um
milhão de exemplares em França e teve vendas na casa das dezenas de milhares em
Espanha.
Opinião:
Desde o início que sabemos onde nos conduz o final. No entanto, esse conhecimento não me retirou em nada a sede de saber em como se chegará a ele. Por outras palavras, sabemos que Delphine, a autora, verá a sua vida devassada pelo conhecimento travado com L., mulher maravilha que se torna para ela essencial.
A questão mais controversa para que remete esta história relaciona-se com a sua originalidade: a relação entre escritor e leitor e o resvalar desta para a obsessão e para o ciúme doentio não é, de todo, uma elaboração primeva desta autora, surgindo com bastante frequência até noutros campos. No que respeito diz a figuras públicas, são frequentes os relatos de fãs que ultrapassam o limite do razoável e forçam a intromissão na intimidade dos seus idolatrados.
A autora assume, desde logo, a influência de outras fontes aquando da citação de Misery de Stephen King, cujo enredo aborda uma dependência doentia de uma leitora pelo seu escritor predilecto. Além disso, o rumo e o desenlace não são inesperados nem, tão pouco, surpreendentes.
Contudo, há algo que realmente valoriza esta narrativa: o jogo de identidades estabelecido entre Delphine e L., quando a primeira consente o roubo da sua identidade e personalidade pela segunda, resultante de uma tremenda crise existencial e literária.
O papel da literatura e do escritor é alvo de constante reflexão e, para mim, é esse o principal propósito do livro: ao longo da narrativa, o leitor é levado a questionar-se a influência do que se escreve para os seus autores, para os visados nas narrativas, para os leitores; o que verdadeiramente querem os leitores ler e se estarão realmente interessados, ou não, nos factos que originaram a ficção; até que ponto poderão os leitores influenciar os escritores na sua criação; até onde irá a importância da ficção perante a realidade.
Estabeleceu-se, desta forma, a admiração pela capacidade da autora alternar entre o real, ou o suposto real, e o ficcional, num jogo de espelhos que se manteve até à última página.
Esta história poderia ser mais inovadora, mais surpreendente? Sim, sem dúvida. Porém, não sei até que ponto serviria aquela que julgo ser a sua finalidade.
Desde o início que sabemos onde nos conduz o final. No entanto, esse conhecimento não me retirou em nada a sede de saber em como se chegará a ele. Por outras palavras, sabemos que Delphine, a autora, verá a sua vida devassada pelo conhecimento travado com L., mulher maravilha que se torna para ela essencial.
A questão mais controversa para que remete esta história relaciona-se com a sua originalidade: a relação entre escritor e leitor e o resvalar desta para a obsessão e para o ciúme doentio não é, de todo, uma elaboração primeva desta autora, surgindo com bastante frequência até noutros campos. No que respeito diz a figuras públicas, são frequentes os relatos de fãs que ultrapassam o limite do razoável e forçam a intromissão na intimidade dos seus idolatrados.
A autora assume, desde logo, a influência de outras fontes aquando da citação de Misery de Stephen King, cujo enredo aborda uma dependência doentia de uma leitora pelo seu escritor predilecto. Além disso, o rumo e o desenlace não são inesperados nem, tão pouco, surpreendentes.
Contudo, há algo que realmente valoriza esta narrativa: o jogo de identidades estabelecido entre Delphine e L., quando a primeira consente o roubo da sua identidade e personalidade pela segunda, resultante de uma tremenda crise existencial e literária.
O papel da literatura e do escritor é alvo de constante reflexão e, para mim, é esse o principal propósito do livro: ao longo da narrativa, o leitor é levado a questionar-se a influência do que se escreve para os seus autores, para os visados nas narrativas, para os leitores; o que verdadeiramente querem os leitores ler e se estarão realmente interessados, ou não, nos factos que originaram a ficção; até que ponto poderão os leitores influenciar os escritores na sua criação; até onde irá a importância da ficção perante a realidade.
Estabeleceu-se, desta forma, a admiração pela capacidade da autora alternar entre o real, ou o suposto real, e o ficcional, num jogo de espelhos que se manteve até à última página.
Esta história poderia ser mais inovadora, mais surpreendente? Sim, sem dúvida. Porém, não sei até que ponto serviria aquela que julgo ser a sua finalidade.
Classificação: 4,5/5*
Sobre a autora:
Vive em Paris. Aplaudida pela crítica e consagrada pelo
grande público, é autora de vários romances, entre os quais Nô e Eu, que venceu
o Prémio dos Livreiros em 2008. Traduzido em mais de 25 países e adaptado ao
cinema em 2010, ultrapassou, só em França, a marca dos 750 000 exemplares,
sendo um dos romances mais lidos dos últimos anos. Com Rien ne s’oppose à la
nuit, o seu último livro, Delphine de Vigan conquistou o prestigiado Prémio
Romance Fnac, em 2011. Nô e Eu é o seu primeiro livro traduzido em Portugal. Fonte: Quetzal
