Titulo: Toda a Luz que Não Podemos Ver
Título original: All the Light We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Editorial Presença
Temática: Ficção histórica
Sinopse:
Marie-Laure é uma jovem cega que vive com o pai, o
encarregado das chaves do Museu Nacional de História Natural em Paris. Quando
as tropas de Hitler ocupam a França, pai e filha refugiam-se na cidade
fortificada de Saint-Malo, levando com eles uma joia valiosíssima do museu, que
carrega uma maldição. Werner Pfenning é um órfão alemão com um fascínio por
rádios, talento que não passou despercebido à temida escola militar da
Juventude Hitleriana. Seguindo o exército alemão por uma Europa em guerra,
Werner chega a Saint-Malo na véspera do Dia D, onde, inevitavelmente, o seu
destino se cruza com o de Marie-Laure, numa comovente combinação de amizade,
inocência e humanidade num tempo de ódio e de trevas.
Opinião:
As Grandes Guerras são, e continuarão a ser, uma inesgotável
fonte de inspiração para relatos, ficcionados ou reais, que nos permitem
assistir a lições de vida (e de valorização da mesma) indescritíveis.
Sem dúvida que as personagens principais, Marie-Laure
LeBlanc e Werner Pfennig, em pólos opostos da guerra, nos trazem perspectivas
únicas sobre o que foi a 2.ª Guerra Mundial. Porém, a inteligência, a sua
perseverança na sobrevivência e o facto de verem e sentirem de forma lúcida a
realidade que os rodeava, tornou-os especiais e, instintivamente,
reconheceram-se um ao outro como semelhantes. E a alternância de relatos entre
as duas personagens permitem-nos acompanhar o seu sofrido percurso com ânsia e
preocupação.
Todas as outras personagens - Daniel LeBlanc, o pai de Marie-Laure,
e o seu tio-avô Étienne, Jutta, irmã de Werner, Madame Manec, Von Rumpel,
Frederick, e tantas outras - apesar de completamente diferentes, expõe uma
galeria de quase todas as facetas da espécie humana, transmitindo-me mensagens
significantes enquanto leitora.
Não a encarei enquanto leitura compulsiva - aliás, saborear
foi a palavra-chave. Foi mesmo bastante pausada, degustada, com a calma
necessária para imaginar o que seria não ver e desfrutar dos restantes
sentidos, ou não conhecer a música vinda de um rádio e, pela primeira vez,
ouvi-la e fazer dos sons o centro da minha vida. O mar que Marie-Laure descobriu
teve um eco profundo em mim.
Compreendo as críticas dirigidas ao parco encontro de
Marie-Laure e Werner, porém, mais do que esse encontro, considero que o
percurso até ele é absolutamente mais relevante, tal como as suas
consequências.
Concluo, reflectindo que as guerras, de dimensões bíblicas
ou territoriais, continuam a ser uma tragédia, já que impossibilitam milhões de
continuarem a abrir os olhos e de verem "tudo o que conseguirem ver antes
que se fechem para sempre". Esta será uma história que, espero, perdurará
na minha memória por muito e muito tempo, e sobre a qual não poderia deixar de
escrever.
Classificação: 5,0/5*
Sobre o autor:
Anthony Doerr nasceu em Cleveland, no Ohio em 1973. Vive com
a mulher e os dois filhos em Boise, no Idaho. Publicou os livros de contos -
The Shell Collector (2002) e Memory Wall (2010), uma autobiografia Four Seasons
in Rome (2007) e dois romances, About Grace (2004) e Toda a Luz que não Podemos
Ver, que foi finalista do National Book Award em 2014 e bestseller número 1 do
New York Times. Anthony Doerr já foi galardoado com vários prémios, tanto nos
Estados Unidos como noutros países: quatro O. Henry Prizes, três Pushcart
Prizes, dois Pacific Northwest Book Awards, três Ohioana Book Awards, Barnes
& Noble Discover Prize, Rome Prize, New Yorker Public Library’s Young Lions
Award, Guggenheim Fellowship, NEA Fellowship, National Magazine Award para
ficção. Em 2010, recebeu o Story Prize, um dos mais prestigiados prémios nos
Estados Unidos e o Sunday Times EFG Short Story Award. Em 2007 a revista
literária Granta considerou Anthony Doerr um dos melhores jovens romancistas
americanos.
