sexta-feira, 28 de setembro de 2018

"Pequenos Fogos em Todo o Lado" de Celeste Ng [Opinião]

Título: Pequenos Fogos em Todo o Lado
Título original: Little Fires Everywhere
Autora: Celeste Ng
Tradutora: Inês Dias
Edição/reimpressão: 2018
Editora: Relógio D'Água
Temática: Romance
N.º de páginas: 320
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Sinopse:

Em Shaker Heights, um pacato subúrbio de Cleveland, está tudo previsto - desde o traçado das ruas sinuosas até à cor das casas, passando pelas vidas bem-sucedidas que os seus residentes levam. E ninguém encarna melhor esse espírito do que Elena Richardson, cujo princípio orientador é obedecer às regras do jogo.

A esta idílica redoma chega Mia Warren - uma artista enigmática e mãe solteira - com a filha adolescente, Pearl. Mia arrenda uma casa aos Richardsons. Rapidamente Mia e Pearl se tornam mais do que inquilinas: os quatro filhos dos Richardsons sentem-se cativados pelas duas figuras femininas. Mas Mia traz consigo um passado misterioso e um desprezo pelo statu quo que ameaçam perturbar esta comunidade cuidadosamente ordenada.

Opinião:

A leitura de novidades não costuma ser um hábito. Acabo por delegar as minhas aquisições para oportunidades com preços mais convidativos e abundância de opiniões. Mas em (quase) tudo há excepções e aproveitei como pretexto o #netbookclub, mais uma iniciativa d'a mulher que ama livros, para uma fuga à rotina enquanto leitora.

A sinopse de Pequenos Fogos em Todo o Lado, sem dúvida, é promissora: uma personagem misteriosa, Mia, e a sua filha Pearl, mudam-se para Shaker Heights, o proclamado arquétipo da ordem, e as suas presenças serão a origem de uma série de ignições. A família Richardson é a mais afectada pela sua chegada, sobretudo a sua matriarca. Elena domina marido e filhos e não permite outra senão a vida perfeita. Torna-se-lhe impactante a liberdade e genuinidade das suas novas vizinhas, confrontando-se assim com as próprias inseguranças.

Celeste Ng aborda os dilemas dos jovens, enquadrados nos anos 90, altura em que os efeitos da Internet não se faziam sentir no seu quotidiano. Não obstante são as memórias dos adultos e as suas dúvidas quanto ao presente e ao que se seguirá, o mais cativante.

No início do enredo conhecemos o seu fim: um incêndio na casa dos Richardsons levam a autora a desenrolar, engenhosamente, o novelo dos acontecimentos que durante um ano o vão desencadear. Ainda assim, a sua rápida sucessão levou-me a que, a mais de metade do livro de uma leitura sôfrega, me sentisse refrear por uma certa perda de empatia. 

O final compensou, sem que um desenvolvimento mais longo não tivesse deixado de ser apreciado, dado o manancial de personagens e temas, longe de inoportunos ou superficiais. A autora aborda questões raciais e de classe social de forma bastante pungente, mostrando como o estatuto e a cor da pele influenciam a sociedade e a opinião pública*. 

Todos possuem um lado oculto e não há quem não esconda segredos, duvide e se interrogue sobre certo e errado, bem e mal. E Mia ensina a Elena como é vão o esforço de tudo tentar controlar: nada é estático e tudo se transforma, mesmo quando menos se espera. 

Uma obra que me conseguiu deixar um sabor agridoce, do mesmo modo que nela lhe reconheço evidentes predicados. Não é de admirar que esteja prevista a sua adaptação a série.

*Leitura complementar aqui

Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
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Celeste Ng cresceu numa família de cientistas. Formou-se na Universidade de Harvard e tirou um mestrado em Belas Artes na Universidade de Michigan, onde recebeu uma bolsa Hopwood, destinada a jovens escritores. Começou por publicar pequenas ficções e ensaios em revistas da especialidade, tendo recebido o prémio Pushcart (que premeia textos literários publicados em revistas). Vive em Cambridge (Massachusetts) com o marido e o filho.

Tudo o que Ficou por Dizer, bestseller do New York Times, foi traduzido em mais de 20 países. Fonte: WOOK Fotografia: CELESTE NG

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