Autor: José Saramago
Edição/reimpressão: 1999
Temática: Romance
N.º de páginas: 382
Para adquirir (a edição mais recente):

Sinopse:
Foi este o último livro para o Ler os Nossos, do qual em breve farei um balanço, e que serviu de pretexto - ainda que não fosse necessário - para ler mais uma obra de José Saramago. Sendo um dos meus autores favoritos, a par de Gabriel García Márquez e Eça de Queiroz, entre outros, não será de admirar que esta leitura tenha sido do meu agrado.
O Alentejo é o pano de fundo para a história destes homens - e mulheres - desde o início do século XX até à posse dos latifúndios pelos trabalhadores, no pós-25 de Abril de 1974. Por sua vez, o foco está na família Mau-Tempo, a inssurecta, desde Domingos, passando por João, o de olhos azuis, até António, que herda a necessidade de itinerância do avô. São homens que vivem de ofícios ou da árdua lavoura do campo e que, apesar de esforços que arrancam sangue, suor e lágrimas, não vêem a sua situação, nem a dos seus companheiros, melhorar.
As mulheres acompanham os homens, em igual medida protagonistas destas jornadas de sofrimento. Sobrecarregadas pela criação dos filhos - mais braços com destino marcado - e oprimidas por pais e maridos, são incansáveis na labuta diária que confrange quem a testemunha.
É esta a realidade específica que serve como retrato de um colectivo: o povo assalariado e a sua condição. Um povo que, paulatinamente, se consciencializa e questiona as normas estabelecidas e o seu papel no mundo. Um mundo em que os salários não matam a fome, em eterna precariedade do nascer ao pôr do sol e onde se labora na miserabilidade.
Iniciado o caminho que levará à libertação, percorrê-lo não é isento de dificuldades e de vítimas, obra da Santíssima Trindade Terrena. O poder do Estado imposto pela autoridade, a guarda, e por Leandro Leandres, responsável da PIDE; Noberto, Gilberto, Dagoberto e afins como personificação do Latifúndio; e aquela que deve ser a voz de razão e indulgência, o padre Agamedes. O trio que impõe a ordem vigente e dela sugam seus proveitos. O regime responsável por deixar cair a espada da repressão sobre as cabeças daqueles que o renegam, enquanto os privilegiados assistem, refugiados nas muralhas do castelo.
Saramago refere-se a esta obra como aquela em que encontrou a sua voz e é ela para mim, tal como a delícia do seu arguto sentido crítico, o factor de maior atracção nas suas narrativas. O seu narrador polifacetado que reflecte, critica, observa e, sendo omnisciente, tem conhecimento de todos os tempos, num relato de fusão entre discurso directo e indirecto.
Inequivocamente uma recomendação sem reservas, pela importância de conhecer a provação dos que nos antecederam. Por todos os que se levantaram do chão.
Classificação: 5,0/5*
Sobre o autor:
Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922,
na aldeia de Azinhaga.
Para adquirir (a edição mais recente):
Sinopse:
A transformação social. A contestação. Personagens em
diálogos. As cruentas desigualdades sociais. Surgem as perguntas proibidas.
Vai-se adquirindo consciência e espaço, para que tudo se levante do chão. Um
livro composto por 34 capítulos. No 17.º está a tortura e a morte de Germano
Santos Vidigal. Germano, o nome que significa irmão, o homem da lança. Apesar
de vencido, o sacrifício da sua vida indica o caminho. «Já o encontraram.
Levam-no dois guardas, para onde quer que nos voltemos não se vê outra coisa,
levam-no da praça, à saída da porta do setor seis juntam-se mais dois, e agora
parece mesmo de propósito, é tudo a subir, como se estivéssemos a ver uma fita
sobre a vida de Cristo, lá em cima é o calvário, estes são os centuriões de
bota rija e guerreiro suor, levam as lanças engatilhadas, está um calor de
sufocar, alto.»
As mulheres são também chamadas à primeira linha das decisões neste belo romance de Saramago. O diálogo monossilábico entre marido e mulher da família Mau-Tempo vai-se alterando. Interessante observar uma narrativa que vai da submissão ao sentido de libertação, através de gerações.
Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998
Opinião:
As mulheres são também chamadas à primeira linha das decisões neste belo romance de Saramago. O diálogo monossilábico entre marido e mulher da família Mau-Tempo vai-se alterando. Interessante observar uma narrativa que vai da submissão ao sentido de libertação, através de gerações.
Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998
Opinião:
Foi este o último livro para o Ler os Nossos, do qual em breve farei um balanço, e que serviu de pretexto - ainda que não fosse necessário - para ler mais uma obra de José Saramago. Sendo um dos meus autores favoritos, a par de Gabriel García Márquez e Eça de Queiroz, entre outros, não será de admirar que esta leitura tenha sido do meu agrado.
O Alentejo é o pano de fundo para a história destes homens - e mulheres - desde o início do século XX até à posse dos latifúndios pelos trabalhadores, no pós-25 de Abril de 1974. Por sua vez, o foco está na família Mau-Tempo, a inssurecta, desde Domingos, passando por João, o de olhos azuis, até António, que herda a necessidade de itinerância do avô. São homens que vivem de ofícios ou da árdua lavoura do campo e que, apesar de esforços que arrancam sangue, suor e lágrimas, não vêem a sua situação, nem a dos seus companheiros, melhorar.
As mulheres acompanham os homens, em igual medida protagonistas destas jornadas de sofrimento. Sobrecarregadas pela criação dos filhos - mais braços com destino marcado - e oprimidas por pais e maridos, são incansáveis na labuta diária que confrange quem a testemunha.
É esta a realidade específica que serve como retrato de um colectivo: o povo assalariado e a sua condição. Um povo que, paulatinamente, se consciencializa e questiona as normas estabelecidas e o seu papel no mundo. Um mundo em que os salários não matam a fome, em eterna precariedade do nascer ao pôr do sol e onde se labora na miserabilidade.
Iniciado o caminho que levará à libertação, percorrê-lo não é isento de dificuldades e de vítimas, obra da Santíssima Trindade Terrena. O poder do Estado imposto pela autoridade, a guarda, e por Leandro Leandres, responsável da PIDE; Noberto, Gilberto, Dagoberto e afins como personificação do Latifúndio; e aquela que deve ser a voz de razão e indulgência, o padre Agamedes. O trio que impõe a ordem vigente e dela sugam seus proveitos. O regime responsável por deixar cair a espada da repressão sobre as cabeças daqueles que o renegam, enquanto os privilegiados assistem, refugiados nas muralhas do castelo.
Saramago refere-se a esta obra como aquela em que encontrou a sua voz e é ela para mim, tal como a delícia do seu arguto sentido crítico, o factor de maior atracção nas suas narrativas. O seu narrador polifacetado que reflecte, critica, observa e, sendo omnisciente, tem conhecimento de todos os tempos, num relato de fusão entre discurso directo e indirecto.
Inequivocamente uma recomendação sem reservas, pela importância de conhecer a provação dos que nos antecederam. Por todos os que se levantaram do chão.
Classificação: 5,0/5*
Sobre o autor:
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio
Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem
ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de
aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais,
viria a sair com o título de Terra do
Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua
morte.
(…)
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa
e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o
seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que
caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho,
em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura
portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim,
passando por O Ano da Morte de Ricardo
Reis, O Evangelho segundo Jesus
Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu
nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos
e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal
dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na
Casa dos Bicos, em Lisboa.

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