sábado, 28 de abril de 2018

Ainda sobre o Dia Mundial do Livro

A 23 de Abril celebrou-se mais um Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Por todo o lado, várias foram as iniciativas que assinalaram a efeméride e no Facebook, pela minha cronologia, surgiram imagens a ela relativas. Algumas considerei-as tão originais que resolvi partilhar uma selecção. Espero que gostem! 

( ilustração de Anna Grimal, via Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago )



( ilustração de Hugo Van der Ding, via Dom Quixote )



( ilustração de Yoko Tanji, via Suma de Letras Portugal )

quarta-feira, 25 de abril de 2018

"No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex" de Nathaniel Philbrick [Opinião]

Título: No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex
Título original: In the Heart of the Sea
Autor: Nathaniel Philbrick
Tradutoras: Maria João da Rocha Afonso e Ana Cristina Pais
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Editorial Presença
Temática: Não Ficção e Ensaios - Viagens
N.º de páginas: 320
Para adquirir:


Sinopse: 

No verão de 1819, o baleeiro Essex partiu de Nantucket para mais uma expedição de caça à baleia. Quinze meses depois, o impensável aconteceu: numa região remota do Pacífico Sul, um cachalote de enormes proporções provocou o naufrágio do Essex.

A tripulação de 20 homens refugiou-se em três botes salva-vidas rumo à América do Sul, numa jornada épica pela sobrevivência. Três meses depois, os oito tripulantes que continuavam vivos foram encontrados à deriva. Para sobreviver, usaram todos os recursos, inclusive o canibalismo.

No Coração do Mar é um relato empolgante de um naufrágio tão relevante no seu tempo como o do Titanic atualmente. A aventura do Essex inspirou Herman Melville a escrever o clássico Moby Dick.

Opinião:

Apesar de viver em pleno Alentejo, apartada do mar, o meu fascínio pelo este sempre esteve presente. Leituras como Moby Dick de Hermann Melville, A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson ou Robinson Crusoé de Daniel Defoe ainda mais o acentuaram e introduziram-me na época em que os oceanos, além de caminhos para o desconhecido, eram eles próprios um mistério

Na sinopse de No Coração do Mar - A tragédia do Baleeiro Essex, desde logo se destaca o facto de ter sido esta história a inspirar Herman Melville a escrever Moby Dick - um estímulo sobretudo para quem já realizou esta leitura.

Sendo uma obra de não ficção pressupunha-se um tom mais seco, menos artificioso, o que não se verifica de todo. Nathaniel Philbrick consegue agarrar o leitor com a sua profunda pesquisa acerca de todos os aspectos que rodearam este naufrágio, desde a socialização e psicologia de sobrevivência, como a corroboração e/ou esclarecimento das ocorrências descritas pelos sobreviventes. Ficaram demonstrados os efeitos assustadoramente dramáticos da desidratação e da fome em condições extremas, sendo a recorrência ao canibalismo mais frequente do que se julga nestes contextos.

A abertura da obra apresenta uma introdução à história de Nantucket, ilha que, na época dos acontecimentos - no século XIX -, se havia tornado o maior porto baleeiro, dependendo toda a sua economia desta actividade e, no final, constata-se como a diminuição da baleação a afectou Além disso, os esquemas, mapas e fotografias ajudam sem dúvida os leigos na matéria.

O autor conseguiu, ou pelo menos tentou incansavelmente, deslindar a veracidade entre os relatos nem sempre coincidentes de dois dos sobreviventes, Owen Chase e Thomas Nickerson. O que prevalece não deixa margem para dúvidas: desde o início, toda a tripulação do Essex  esteve sujeita a uma terrível conjuntura, quer fosse pelos caprichos da Natureza, quer pelas inexperiência e teimosia dos seus membros, adiando-se a sua salvação muito para lá do razoável.

A adaptação cinematográfica toma algumas liberdades quanto à narrativa de Nathaniel Philbrick, criando interacções entre personagens que não terão sucedido. Tornou, desta forma, o filme mais coeso pelo preenchimento de algumas lacunas impossíveis de desvendar, exceptuando-se o uso excessivo da aparição da vingativa baleia. 

"O desastre do Essex não é uma história de aventura. É uma tragédia que por acaso é uma das maiores histórias verídicas jamais contadas" e com tal não posso deixar de concordar.


Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Nathaniel Philbrick é autor dos livros Mayflower: A Story of Courage, Community, and War e Sea of Glory: The Epic South Seas Expedition, 1838-1842, que venceu o Theodore and Franklin D. Roosevelt Naval History Prize. No Coração do Mar, vencedor do National Book Award, encontra-se traduzido em 23 línguas e deu origem a uma adaptação cinematográfica realizada por Ron Howard e produzida pela Warner Brothers, com Chris Hemsworth como protagonista. Nathaniel Philbrick vive na ilha de Nantucket, nos Estados Unidos da América.  Fonte: Editorial Presença 

domingo, 8 de abril de 2018

"Baker's Magic - A Magia do Pão" de Diane Zahler [Opinião]

Título: Baker's Magic - A Magia do Pão
Título original: Baker's Magic
Autora: Diane Zahler 
Tradutora: Carla Ribeiro
Edição/reimpressão:  2016
Editora:  Individual
Temática: Juvenil
N.º de páginas:  280
Para adquirir:


Sinopse:

Quando Bee, uma órfã no pobre reino de Aradyn, é apanhada a roubar um bolo numa padaria, o padeiro solitário oferece-se, para alegria da jovem, para a tomar como aprendiza. A felicidade recém-descoberta de Bee passa através de magia para os seus bolos, começando a atrair as atenções do palácio, onde reside a princesa Anika. Mestre Joris, um poderoso mago e apreciador de bolos, torna-se no "guardião" de Bee, mantendo-a prisioneira e convertendo todos os terrenos aráveis em campos de tulipas. Graças ao ajudante de ferreiro da aldeia, Bee ajuda a princesa Anika a fugir de um casamento que lhe é imposto. O grupo dá início a uma incrível aventura no alto mar, acabando por naufragar e ser salvo por uma tripulação de piratas, liderada pela temerária capitã Zafira Zay. É uma aventura que conduz a descobertas surpreendentes, de parentes supostamente falecidos e árvores há muito perdidas. O tema da órfã corajosa que descobre a magia e a amizade, pode não ser original, mas ação a rodos e personagens cativantes como Bee, a Princesa Anika e a capitã Zafira Zay, fazem com que este livro se leia dum só fôlego.

Opinião:

Feiticeiros, bruxas e magos, jovens à procura do seu lugar no mundo, muita magia e fantasia à mistura... Relembrar-vos-á algo?

Num reino onde as árvores desapareceram e campos de túlipas se estendem a perder de vista, Bee encontra refúgio na padaria do Mestre Bouts, que lhe ensina o seu ofício. Como Tita, em Como Água para Chocolate de Laura Esquível, Bee descobre que transmite os seus sentimentos enquanto cozinha. No seu caso, pães e bolos contêm medo, veracidade, amor, coragem, ou seja, tudo o que desejar consoante aquilo em que se concentra durante a confecção.

Mas a sua vida não se cingirá por muito tempo à padaria. Juntamente com Will, o seu amigo aprendiz de ferreiro, e a solitária princesa Anika, irão numa demanda pela defesa do reino de Aradyn. Ao erradicar as árvores, o ganancioso mago responsável pelo reino desequilibrou a Natureza, iniciando a sua auto-destruição. Muitas aventuras decorrerão, sobretudo proporcionadas por personagens como a capitã Zafira Zay.

Uma história sobre a amizade, a perseverança, a importância do respeito pela Natureza e dos bens preciosos que nos fornece e que, como certos tomamos e desprezamos. 

Constitui uma leitura ideal para quem gosta de contos de fadas, leve e fluída, cativante para jovens leitores - o seu público-alvo natural -, por isso a aconselho vivamente a quem queira estimular, a esta faixa etária, o gosto pela leitura. Já para leitores mais experientes poderá tornar-se previsível, compensada pela doçura da sua fantasia e moral. 

Para encerrar, a autora partilha connosco a receita do delicioso - pelo menos assim creio - bolo Bouts, o famoso bolo que enleva todos os que o provam ao longo da história.


Classificação: 3,0/5*

Sobre a autora:
Diane Zahler é autora de quatro contos de fadas: A Décima Terceira Princesa, Uma Verdadeira Princesa, Princesa dos Cisnes Selvagens e As Filhas da Bela Adormecida. Também escreveu dois ensaios para leitores adultos - A Morte Negra e A Birmânia de Than Shwe, e uma quantidade quase infinita de livros didáticos para estudantes do secundário. Já morou em Seattle, Morgantown, Ithaca, Solana Beach, Manhattan, Bronx e Bélgica, mas agora reside com o marido e o cão numa velha quinta no vale do Hudson. Gosta a sério de cozinhar – e de provar os seus cozinhados. Fonte: WOOK | Fotografia: DianeZahler

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Dia Internacional do Livro Infantil 2018

Desde 1967, data em que se assinala o nascimento de Hans Christian Andersen, que se celebra o Dia Internacional do Livro Infantil. Pretende-se assim chamar "a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância".

Este ano "a DGLAB convidou a ilustradora Fátima Afonso, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser a autora da imagem do cartaz". Pode igualmente visualizar-se o cartaz internacional aqui.


O pequeno torna-se grande num livro

"As pessoas inclinam-se para o ritmo e para o equilíbrio, tal como a energia magnética organiza as aparas de metal numa experiência da física, tal como um floco de neve forma cristais a partir da água.

Num conto de fadas ou num poema, as crianças gostam de repetição, de refrãos e de temas universais, porque eles podem ser reconhecidos uma e outra vez – trazem ao texto regularidade. O mundo ganha uma ordem bonita. Ainda me lembro como, em criança, lutava comigo mesma para defender a justiça e a simetria, pela igualdade de direitos da esquerda e da direita: se tamborilava com os dedos em cima da mesa, contava quantas vezes tinha de bater com cada dedo, para que os outros não se sentissem ofendidos. E quando aplaudia, batia com a mão direita na esquerda, mas depois pensava que não era justo e aprendi a fazê-lo de maneira contrária – batendo com a esquerda na direita. Este desejo instintivo de equilíbrio parece engraçado, é certo, mas mostra a necessidade de evitar que o mundo se torne assimétrico. E eu tinha a sensação de ser a única responsável por todo o seu equilíbrio.

A inclinação das crianças por poemas e por histórias surge igualmente da sua necessidade de levar harmonia ao caos do mundo. Da indeterminação, tudo tende para a ordem. As canções infantis, as canções populares, os jogos, os contos de fadas, a poesia – são formas de existência ritmicamente organizadas que ajudam os mais pequenos a estruturar a sua presença no grande caos. Criam a consciência instintiva de que a ordem do mundo é possível, e que as pessoas têm nele um lugar único. Tudo conduz para este objetivo: a organização rítmica do texto, as linhas com letras e o design da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande revela-se no pequeno, e damos-lhe forma nos livros infantis, mesmo quando não estamos a pensar em Deus ou na dimensão fractal. Um livro infantil é uma força milagrosa que favorece o enorme desejo das crianças e a sua capacidade de ser. Promove a sua coragem de viver.

Num livro, o pequeno é sempre grande, de forma instantânea e não apenas quando se chega à idade adulta. Um livro é um mistério onde se pode encontrar algo que não se procurava ou que não estava ao nosso alcance. Aquilo que os leitores de uma certa idade não conseguem compreender, permanece na sua consciência como uma impressão, e continua a atuar mesmo quando não o compreendem totalmente. Um livro ilustrado pode funcionar como uma arca do tesouro de sabedoria e cultura mesmo para os adultos, da mesma forma que as crianças podem ler um livro para adultos e encontrar nele a sua própria história, um indício para as suas jovens vidas. O contexto cultural molda as pessoas, estabelecendo as bases para as impressões que se farão sentir no futuro, assim como para experiências mais difíceis, às quais terão de sobreviver sem por isso terem de deixar de ser íntegras.

Um livro infantil representa o respeito pela grandeza do pequeno. Representa um mundo que se cria de novo uma e outra vez, uma seriedade lúdica e preciosa, sem a qual tudo, incluindo a literatura para crianças, seria apenas um trabalho pesado e vazio.

INESE ZANDERE, nascida na Letónia em 1958, é poeta e uma das maiores escritoras de livros para a infância do seu país.

Tradução: Maria Carlos Loureiro, feita a partir da versão francesa e espanhola".

Fonte: DGLAB