terça-feira, 22 de agosto de 2017

"O Afinador de Memórias" de Jorge Serafim [Opinião]

Título: O Afinador de Memórias
Autor: Jorge Serafim
Edição/reimpressão: 2017
Editora: Edição de Autor
Temática: Infanto-Juvenil
N.º de páginas: 58

Sinopse: 


Era apenas um solitário afinador de memórias! Um homem tenazmente dedicado a consertar coisas esquecidas. Como as frágeis flores, assim deveria ser cuidado tudo o que passou. "Há que manter a memória regada, tão viçosa quanto o tempo a passar", defendia.

Pretendia nomes, acontecimentos, factos, enredos e argumentos para reabilitar o que existiu restaurando o que ainda existe. Queria calcetar tudo no presente. Tinha pressa do passado. Ir de porta em porta armazenar futuro atrás de futuro.

Opinião:

O Contar - Festival de contos do mundo começou hoje e aproveito a deixa para vos falar do último livro de um dos contadores presentes, Jorge Serafim.

Habituada que estou a narrativas longas, as leituras infantis, por norma mais curtas, deixam-me o agravo de saberem a pouco. Neste livro lancei-me num exercício diferente: saborear cada palavra como se fosse a última e o resultado foi um escrutínio demorado de cada recanto, de cada sentido oculto das suas páginas.

Saltam logo à vista as referências a Beja, tanto nas ilustrações como no texto: "Um amor cego à janela de um convento". Mas a história de que nos fala Serafim não tem limitação geográfica. 

Um homem solitário, "dedicado a consertar coisas esquecidas", leva inexoravelmente as suas palavras a ouvidos desinteressados, onde o tempo para escutar é nulo. Dirige-as às ruas da sua cidade, onde muitas são as casas abandonadas, desleixadas, e convencido está de que a sua reabilitação passará pela partilha das histórias que um dia possuíram, pois "A memória é uma casa obrigatória". 

É esta uma busca pela identidade individual e colectiva com um assumido gosto pelo surrealismo mágico, em que a essência transformadora do contador de histórias surge.

As ilustrações apelativas resultam igualmente do trabalho do autor. Admitindo a sua pouca queda para o desenho, optou pelas colagens de diferentes materiais e texturas, da qual a capa é um exemplo. Não será de estranhar encontrar  códigos de barras enquanto vidraças das janelas, ou pelo menos uma pequena flor em cada ilustração, entre recortes do Diário do Alentejo onde se vislumbram edifícios de Beja.

E, na apresentação de O Afinador de Memórias, Jorge Serafim reafirmou o seu amor por esta nossa cidade em palavras, ao expressar de viva voz o que lhe ia na alma sobre a vida cultural de Beja, e em actos, por publicar um livro que lhe incendeia a inspiração. Não poderá por isso ser acusado de não praticar o que prega.

As memórias somos nós e, quem não as tem, é um quadro vazio, por isso tão necessário é cultivá-las - as boas, as más, as nossas, as de todos.


Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Técnico no sector infanto-juvenil da Biblioteca Municipal de Beja, desenvolveu actividade regular na área da promoção do livro e da leitura durante cerca de treze anos. Como contador de histórias, tem percorrido o país de norte a sul, incluindo os Açores, efectuando inúmeras sessões de contos para públicos de todas as idades. Tem participado em encontros de narração oral, nomeadamente em Espanha, Argentina e Canadá. É presença regular na SIC e na RTP1 em programas de humor e é também autor de vários livros: A.Ventura, A Sul de Ti e Estórias do Serafim.: "Conto para que as palavras regressem a casa mais cedo. Para que entre nós deixem de haver vazios difíceis de habitar. Como as aves rumo a um sul à espera de existir. Conto para dar sentido aos passos que faço. Para reaprender a amar todas as ruas que percorro e entender todas as gentes que encontro. Conto para apagar silêncios fundos e afagar tristezas demoradas. Para fazer dos dias a morada da fala e dos meses a terra sonhada. Conto para que tudo à minha volta seja mais bonito. Tão simples de fazer tão complicado de entender...” Contactos: serafimstoria@gmail.com contacontos@sapo.pt contacontos_2@hotmail.com 965428856 Fonte: Narração Oral Fotografia: Red Internacional de Cuentacuentos

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Contar - Festival de contos do mundo [Divulgação]

Para ouvir e contar histórias o caminho a percorrer será até Beja, a cidade dos Contos. De 22 a 27 de Agosto de 2017, o II Contar - Festival de contos do mundo vai percorrer a cidade. Partindo da Biblioteca, passará pela Mouraria, pelo Pax Julia e, novidade deste ano, irá estar presente no Antigo Hospital da Misericórdia, actual Santa Casa da Misericórdia de Beja. 

Toda a informação aqui.



domingo, 6 de agosto de 2017

Música ao Domingo #40: System Of A Down "Lonely Day"



Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Should be banned
It's a day that I can't stand

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Shouldn't exist
It's a day that I'll never miss

Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

And if you go
I wanna go with you
And if you die
I wanna die with you

Take your hand
And walk away

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
And it's mine
It's a day that I'm glad I survived

Fonte: Vagalume

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Aquisições de Abril a Julho

E tal como havia previsto [ver aqui], não só Abril, mas também os meses que se seguiram foram de poucas aquisições. São elas: 


Emily L., se bem se recordam, já foi alvo de leitura e passatempo aqui no blogue e podem ver a minha opinião aqui.

A Lista dos Meus Desejos acabou por me surpreender pelas opiniões positivas. Julguei que não passaria apenas de mais um romance sem grande conteúdo, porém, após o que li, irei dar-lhe uma oportunidade.

Sobre O Homem que Plantava Árvores ouvi elogios rasgados e fiquei muito satisfeita por o conseguir através de uma troca.

De todos o que me desperta mais a curiosidade é A Sociedade dos Sonhadores Involuntários. O autor, José Eduardo Agualusa, recebeu recentemente o International Dublin Literary Award e é uma das vozes mais destacadas da literatura angolana.

Todas informações sobre os livros: