segunda-feira, 26 de junho de 2017

"O Fantasma de Canterville" de Oscar Wilde [Opinião]

Título: O Fantasma de Canterville
Título original: The Canterville Ghost and Other Stories
Autor: Oscar Wilde
Tradutor: João Gentil
Edições/reimpressão: 2011
Editora:  Biblioteca Sábado
Temática:  Contos
N.º de páginas:  216

Sinopse:
Sir Simon é um espírito bastante contente com o papel que interpreta no mundo: é um fantasma que se dedica a aterrorizar os moradores de Canterville Chase... Até que tudo muda para sempre quando na sua mansão se instala uma família de norte-americanos que não acreditam nas superstições e que não têm medo de fantasmas, e ele descobre que o seu poder sobre os vivos começa a desaparecer.

Oscar Wilde assina aqui um dos contos de fantasmas mais conhecidos de toda a história da literatura, objecto de várias adaptações cinematográficas, no qual critica as antigas convenções da sociedade vitoriana e a frivolidade da emergente cultura americana, que completamos com outros contos tão conhecidos como O Crime de Lord Arthur Saville ou A Esfinge Sem Segredos.

Contém os contos:
- O Fantasma de Canterville
- O Pescador e a sua Alma
- O Aniversário da Infanta
- A Esfinge Sem Segredos
- O Crime de Lord Arthur Saville


Opinião:

A figura de Oscar Wilde, para leitores interessados em clássicos, é um nome deveras conhecido, mais não seja pela sua polémica existência.

A sua escrita e, sobretudo, os seus temas não deixam de lhe fazer jus: elementos mórbidos estão presentes em todos estes contos, a par de uma Natureza e luxo inebriantes.

O Pescador e a sua Alma foi o meu preferido desta colectânea: um homem, pescador de profissão, apaixonado por uma sereia que todas as noites lhe canta e o encanta, abdica da sua alma para com ela concretizar o seu amor. Todavia, a alma, abandonada, toma forma e irá trazer-lhe as maiores tentações.  

Ao ler O Crime de Lord Arthur Saville e A Esfinge Sem Segredos, algo me pareceu estranhamente familiar e ao finalizar a leitura tive a certeza de os haver lido. O Goodreads confirmou-mo: li-os isoladamente na seguinte edição apresentado ao lado.

De qualquer forma, não dei o tempo por desperdiçado: sobretudo O Crime de Lord Arthur Saville é suficientemente perverso para merecer uma releitura. 

Todos os contos foram intrigantes, surpreendentes e, como seria de esperar, com uma moral certeira. 

Sobre O Fantasma de Canterville falarei de seguida.

Classificação de cada conto (x/5*):

4,5* O Fantasma de Canterville
5,0* O Pescador e a sua Alma
4,5* O Aniversário da Infanta
3,5* A Esfinge Sem Segredos
4,0* O Crime de Lord Arthur Saville

4,3/5* classificação final


Título: O Fantasma de Canterville
Título original: The Canterville Ghost
Autor: Oscar Wilde
Tradutora: Maria Manuela Novais Santos
Edição/reimpressão: Outubro de 2016
Editora: Porto Editora
Temática: Literatura juvenil
N.º de páginas: 80
Para adquirir:

Sinopse:


A primeira história publicada por Oscar Wilde leva-nos a um castelo assombrado, adquirido por uma abastada família americana que não acredita no sobrenatural, obrigando o pobre fantasma residente a encetar uma série de estratagemas para assustar os seus novos hóspedes. Nunca o fantástico, o terror e a comédia se combinaram numa trama tão genial, que nos diverte e nos leva a refletir sobre os valores mais elevados da vida.

A Coleção Reino das Letras nasce da vontade de aliar a magia das melhores histórias de todos os tempos à leitura sempre renovada que delas podemos fazer. No Reino das Letras, o rei chama-se Sonho e a rainha Imaginação!

Opinião:

O Fantasma de Canterville é uma belíssima paródia às superstições, além do inerente criticismo à aristocracia inglesa e aos novo-ricos americanos.


Habitando Canterville Chase desde o século XVI, Sir Simon tem como o único propósito  da sua existência assombrar qualquer que seja o residente dos seus aposentos e, com efeito, tem desempenhado essa função brilhantemente. Porém, o caso muda de figura quando a propriedade da mansão passa para um ministro americano, Sir Otis, e respectiva família. Apesar de alertados para a presença de um fantasma, nenhum dos familiares mostra o mais ínfimo receio e seguem-se uma série de episódios hilariantes em que a dignidade do pobre fantasma é reduzida a cinzas.


Nota-se claramente que o autor não se prende a convenções e critica tanto os compatriotas como os estrangeiros que, de uma forma ou de outra, pretendem impor os seus padrões e muito a isso ajuda o fantasma, incumbido de uma função que não questionou durante séculos.

Mas serão a coragem e a constância  que irão conduzir àquilo que realmente importa: o perdão e a redenção que trarão a tão desejada paz.

Li as duas traduções: esta, da edição Porto Editora (colecção Reino das Letras) e a anterior, referente à colecção Biblioteca Sábado. Apreciei notar e comparar as ligeiras diferenças, as opções dos tradutores, mas sem alterarem em nada o cerne da história. Recomendo, sem dúvida, esta edição aos mais novos e a anterior a leitores mais maduros.

Classificação: 4,5/5*


Sobre o autor:
Oscar Wilde foi talvez o mais importante dramaturgo da época vitoriana. Criador do movimento dândi, que defendia o belo e o culto da beleza como um antídoto para os horrores da época industrial, Wilde publicou a sua primeira obra em 1881, a que se seguiram duas peças de teatro. A partir de 1887 iniciou uma fase de produção literária intensa, em que escreveu diversos contos, peças de teatro, como A Importância de se Chamar Ernesto, e um romance. Em 1895, foi acusado de homossexualidade e violentamente atacado pela imprensa, tendo-se envolvido num processo que o levou à prisão. Morreu em Paris em 1900. Fonte: WOOK

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