domingo, 3 de setembro de 2017

Música ao Domingo #41: Peter Bjorn And John "Young Folks"


Music video by Peter Bjorn And John performing Young Folks. (C) 2006 Universal Music AB

If I told you things I did before
Told you how I used to be
Would you go along with someone like me
If you knew my story word for word
Had all of my history
Would you go along with someone like me

I did before and had my share
It didn't lead nowhere
I would go along with someone like you
It doesn't matter what you did
Who you were hanging with
We could stick around and see this night through

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you

Usually when things has gone this far
People tend to disappear
No one will surprise me unless you do

I can tell there's something goin' on
Hours seems to disappear
Everyone is leaving I'm still with you

It doesn't matter what we do
Where we are going too
We can stick around and see this night through

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you
Talking only me and you

Talking only me and you

Talking only me and you

Fonte: Vagalume

terça-feira, 22 de agosto de 2017

"O Afinador de Memórias" de Jorge Serafim [Opinião]

Título: O Afinador de Memórias
Autor: Jorge Serafim
Edição/reimpressão: 2017
Editora: Edição de Autor
Temática: Infanto-Juvenil
N.º de páginas: 58

Sinopse: 


Era apenas um solitário afinador de memórias! Um homem tenazmente dedicado a consertar coisas esquecidas. Como as frágeis flores, assim deveria ser cuidado tudo o que passou. "Há que manter a memória regada, tão viçosa quanto o tempo a passar", defendia.

Pretendia nomes, acontecimentos, factos, enredos e argumentos para reabilitar o que existiu restaurando o que ainda existe. Queria calcetar tudo no presente. Tinha pressa do passado. Ir de porta em porta armazenar futuro atrás de futuro.

Opinião:

O Contar - Festival de contos do mundo começou hoje e aproveito a deixa para vos falar do último livro de um dos contadores presentes, Jorge Serafim.

Habituada que estou a narrativas longas, as leituras infantis, por norma mais curtas, deixam-me o agravo de saberem a pouco. Neste livro lancei-me num exercício diferente: saborear cada palavra como se fosse a última e o resultado foi um escrutínio demorado de cada recanto, de cada sentido oculto das suas páginas.

Saltam logo à vista as referências a Beja, tanto nas ilustrações como no texto: "Um amor cego à janela de um convento". Mas a história de que nos fala Serafim não tem limitação geográfica. 

Um homem solitário, "dedicado a consertar coisas esquecidas", leva inexoravelmente as suas palavras a ouvidos desinteressados, onde o tempo para escutar é nulo. Dirige-as às ruas da sua cidade, onde muitas são as casas abandonadas, desleixadas, e convencido está de que a sua reabilitação passará pela partilha das histórias que um dia possuíram, pois "A memória é uma casa obrigatória". 

É esta uma busca pela identidade individual e colectiva com um assumido gosto pelo surrealismo mágico, em que a essência transformadora do contador de histórias surge.

As ilustrações apelativas resultam igualmente do trabalho do autor. Admitindo a sua pouca queda para o desenho, optou pelas colagens de diferentes materiais e texturas, da qual a capa é um exemplo. Não será de estranhar encontrar  códigos de barras enquanto vidraças das janelas, ou pelo menos uma pequena flor em cada ilustração, entre recortes do Diário do Alentejo onde se vislumbram edifícios de Beja.

E, na apresentação de O Afinador de Memórias, Jorge Serafim reafirmou o seu amor por esta nossa cidade em palavras, ao expressar de viva voz o que lhe ia na alma sobre a vida cultural de Beja, e em actos, por publicar um livro que lhe incendeia a inspiração. Não poderá por isso ser acusado de não praticar o que prega.

As memórias somos nós e, quem não as tem, é um quadro vazio, por isso tão necessário é cultivá-las - as boas, as más, as nossas, as de todos.


Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Técnico no sector infanto-juvenil da Biblioteca Municipal de Beja, desenvolveu actividade regular na área da promoção do livro e da leitura durante cerca de treze anos. Como contador de histórias, tem percorrido o país de norte a sul, incluindo os Açores, efectuando inúmeras sessões de contos para públicos de todas as idades. Tem participado em encontros de narração oral, nomeadamente em Espanha, Argentina e Canadá. É presença regular na SIC e na RTP1 em programas de humor e é também autor de vários livros: A.Ventura, A Sul de Ti e Estórias do Serafim.: "Conto para que as palavras regressem a casa mais cedo. Para que entre nós deixem de haver vazios difíceis de habitar. Como as aves rumo a um sul à espera de existir. Conto para dar sentido aos passos que faço. Para reaprender a amar todas as ruas que percorro e entender todas as gentes que encontro. Conto para apagar silêncios fundos e afagar tristezas demoradas. Para fazer dos dias a morada da fala e dos meses a terra sonhada. Conto para que tudo à minha volta seja mais bonito. Tão simples de fazer tão complicado de entender...” Contactos: serafimstoria@gmail.com contacontos@sapo.pt contacontos_2@hotmail.com 965428856 Fonte: Narração Oral Fotografia: Red Internacional de Cuentacuentos

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Contar - Festival de contos do mundo [Divulgação]

Para ouvir e contar histórias o caminho a percorrer será até Beja, a cidade dos Contos. De 22 a 27 de Agosto de 2017, o II Contar - Festival de contos do mundo vai percorrer a cidade. Partindo da Biblioteca, passará pela Mouraria, pelo Pax Julia e, novidade deste ano, irá estar presente no Antigo Hospital da Misericórdia, actual Santa Casa da Misericórdia de Beja. 

Toda a informação aqui.



domingo, 6 de agosto de 2017

Música ao Domingo #40: System Of A Down "Lonely Day"



Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Should be banned
It's a day that I can't stand

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
Shouldn't exist
It's a day that I'll never miss

Such a lonely day
And it's mine
The most loneliest day of my life

And if you go
I wanna go with you
And if you die
I wanna die with you

Take your hand
And walk away

The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life
The most loneliest day of my life

Such a lonely day
And it's mine
It's a day that I'm glad I survived

Fonte: Vagalume

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Aquisições de Abril a Julho

E tal como havia previsto [ver aqui], não só Abril, mas também os meses que se seguiram foram de poucas aquisições. São elas: 


Emily L., se bem se recordam, já foi alvo de leitura e passatempo aqui no blogue e podem ver a minha opinião aqui.

A Lista dos Meus Desejos acabou por me surpreender pelas opiniões positivas. Julguei que não passaria apenas de mais um romance sem grande conteúdo, porém, após o que li, irei dar-lhe uma oportunidade.

Sobre O Homem que Plantava Árvores ouvi elogios rasgados e fiquei muito satisfeita por o conseguir através de uma troca.

De todos o que me desperta mais a curiosidade é A Sociedade dos Sonhadores Involuntários. O autor, José Eduardo Agualusa, recebeu recentemente o International Dublin Literary Award e é uma das vozes mais destacadas da literatura angolana.

Todas informações sobre os livros:

sábado, 29 de julho de 2017

"Marina" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: Marina
Título original:  Marina
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutora: Maria do Carmo Abreu
Edição/reimpressão: 2010
Editora: Editorial Planeta
Temática: Romance
N.º de páginas: 264
Para adquirir:


Sinopse:


«Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos.» «À medida que avançava na escrita, tudo naquela história começou a ter sabor a despedida e, quando a terminei, tive a impressão de que qualquer coisa dentro de mim, qualquer coisa que ainda hoje não sei muito bem o que era, mas de que sinto falta dia a dia, ficou ali para sempre.» Carlos Ruiz Zafón «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»

Opinião:


Óscar Drai é um jovem aventureiro que se perde pelas ruas de Barcelona para combater o tédio, até ao dia em que um canto hipnotizante o leva a invadir uma das velhas mansões. Assim conhece Marina e a luz que se acende perante o seu encontro alumiará as suas solidões. É a história de ambos que ele recordará 15 anos depois.

Através das suas investigações, Óscar e Marina encontram aquele que luta obsessivamente contra o inexorável passar do tempo, condenando-se a ele e todos os que quer salvar à sua perdição. 

Ao preceder a tetralogia O Cemitério dos Livros Esquecidos, não é de estranhar que em Marina encontremos os elementos caracterizadores dos universos de Zafón. Óscar é a personagem masculina dúbia, Marina é a personagem feminina amaldiçoada, mas cuja fortaleza é invejável. E sempre o ambiente barcelonês, repleto de encantos e recantos, onde ao virar de cada esquina se encontram mistérios cujas resoluções causam danos irreparáveis nos destinos dos seus personagens. 

Uma atmosfera densa e a presença de elementos sobrenaturais reportam para O Jogo do Anjo, onde se incluem ainda referências steampunk e a evocação de Frankenstein, com o surgimento de María Shelley e do seu pai, o doutor Shelley. 

Tendo em conta o tamanho reduzido da narrativa - em comparação com o enorme O Labirinto dos Espíritos - a acção desenrola-se vertiginosamente e o efeito dramático é mais impactante. 

Tornou-se uma leitura mais dura do que as anteriores - ainda que a tenha adorado -, onde Zafón deixava, nos seus finais, a porta aberta ao futuro, ainda que não da forma mais imediata. Em Marinapela tremenda sensação de impotência, fica a certeza de que algo se perdeu e não mais se poderá reclamar, porque a morte é sempre o mais injusto dos fins.

Uma leitura realizada no âmbito do:



Classificação:  5,0/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la MedianocheLas Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

terça-feira, 18 de julho de 2017

Autores ASSESTA - Novos Livros e Projectos [Divulgação]

Venham descobrir as vidas literárias de cinco escritores da ASSESTA - Fernando Évora, Luís Miguel Ricardo, Napoleão Mira, Olinda Gil e Vítor Encarnação -, esta 5.ª feira, às 21h30, na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago. Fica o convite para um serão entre amantes das letras!


Para mais informações:

domingo, 16 de julho de 2017

Música ao Domingo #39: Miguel Araújo e Samuel Úria "Império"



Acredito que depois de morto serei solto.
Para isso não tenho que ser bom,
Tenho que ser sério.
Não contabilizo as boas acções,
Palavra de escuteiro.
Sem contas de cabeça vou marchar pelo Império.

As leis da estoicidade ligam a sirene.
Pedem que abrande o riso,
Tenho que ser sério.
E ao mandarem-me encostar
Não tiram a mão do coldre.
Deixo o carro e vou marchar pelo Império.

O caminho é estreito demais para o meu ego,
Mas para me tornar numa criança
Tenho que ser sério.
Não é a estrada que se alarga,
Sou eu que me apequeno.
A passo de bebé eu vou marchar pelo Império.

Ser imperialista é coisa tida do passado;
Pra me mostrar tão certamente errado
Tenho que ser sério.
E ao queimarem-me a bandeira
Seguram o facho.
Com orgulho inflamado vou marchar pelo Império.

"Faço o bem que quero e o mal que não quero não faço".
Estava a brincar com a verdade
E tenho que ser sério.
A mão à palmatória e à geada
Para ter coração quente.
Sem estrada congelada vou marchar pelo império.

Sei mais da eternidade que do amanhã,
Mas para um futuro risonho
Tenho que ser sério.
Pedir a mão para não perder o pé
E saber pedir perdão.
Com a carga aliviada vou marchar pelo Império.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Rubricas sobre livros #2: O Livro do Dia


"Editam-se em Portugal 15 mil livros por ano. A maior parte deles nunca encontra os leitores a quem se destina. O Livro do Dia procura ser a montra privilegiada do que de melhor se edita em Portugal nas mais diversas áreas: dos clássicos da literatura à revelação de novos autores, da não-ficção ao livro infanto-juvenil. Diariamente, trazemos à antena um novo livro com a escolha do jornalista Carlos Vaz Marques.

O Livro do Dia, com Carlos Vaz Marques, de segunda a sexta, às 06h25, 10h15, 14h50 e 20h35.

Uma parceria com o Plano Nacional de Leitura."

Para ouvir aqui.

domingo, 2 de julho de 2017

Música ao Domingo #38: The Killers "All These Things That I've Done"


Music video by The Killers performing All These Things That I've Done. (C) 2005 The Island Def Jam Music Group

When there's nowhere else to run
Is there room for one more son
One more son
If you can hold on
If you can hold on, hold on
I want to stand up, I want to let go
You know, you know, no you don't, you don't
I want to shine on in the hearts of men
I want a meaning from the back of my broken hand

Another head aches, another heart breaks
I am so much older than I can take
And my affection, well it comes and goes
I need direction to perfection, no no no no, help me out
Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the backburner
You know you got to help me out, yeah

And when there's nowhere else to run
Is there room for one more son
These changes ain't changing me
The cold-hearted boy I used to be

Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the backburner
You know you got to help me out, yeah
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down

I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier
I got soul, but I'm not a soldier

Yeah, you know you got to help me out
Yeah, oh don't you put me on the backburner
You know you got to help me out
Yeah, you're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down
Yeah, oh don't you put me on the backburner
You're gonna bring yourself down
Yeah, you're gonna bring yourself down

Over and again, last call for sin
While everyone's lost, the battle is won
With all these things that I've done
All these things that I've done
(Time, truth, hearts)
If you can hold on
If you can hold on

Fonte: SongMeanings

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"O Fantasma de Canterville" de Oscar Wilde [Opinião]

Título: O Fantasma de Canterville
Título original: The Canterville Ghost and Other Stories
Autor: Oscar Wilde
Tradutor: João Gentil
Edições/reimpressão: 2011
Editora:  Biblioteca Sábado
Temática:  Contos
N.º de páginas:  216

Sinopse:
Sir Simon é um espírito bastante contente com o papel que interpreta no mundo: é um fantasma que se dedica a aterrorizar os moradores de Canterville Chase... Até que tudo muda para sempre quando na sua mansão se instala uma família de norte-americanos que não acreditam nas superstições e que não têm medo de fantasmas, e ele descobre que o seu poder sobre os vivos começa a desaparecer.

Oscar Wilde assina aqui um dos contos de fantasmas mais conhecidos de toda a história da literatura, objecto de várias adaptações cinematográficas, no qual critica as antigas convenções da sociedade vitoriana e a frivolidade da emergente cultura americana, que completamos com outros contos tão conhecidos como O Crime de Lord Arthur Saville ou A Esfinge Sem Segredos.

Contém os contos:
- O Fantasma de Canterville
- O Pescador e a sua Alma
- O Aniversário da Infanta
- A Esfinge Sem Segredos
- O Crime de Lord Arthur Saville


Opinião:

A figura de Oscar Wilde, para leitores interessados em clássicos, é um nome deveras conhecido, mais não seja pela sua polémica existência.

A sua escrita e, sobretudo, os seus temas não deixam de lhe fazer jus: elementos mórbidos estão presentes em todos estes contos, a par de uma Natureza e luxo inebriantes.

O Pescador e a sua Alma foi o meu preferido desta colectânea: um homem, pescador de profissão, apaixonado por uma sereia que todas as noites lhe canta e o encanta, abdica da sua alma para com ela concretizar o seu amor. Todavia, a alma, abandonada, toma forma e irá trazer-lhe as maiores tentações.  

Ao ler O Crime de Lord Arthur Saville e A Esfinge Sem Segredos, algo me pareceu estranhamente familiar e ao finalizar a leitura tive a certeza de os haver lido. O Goodreads confirmou-mo: li-os isoladamente na seguinte edição apresentado ao lado.

De qualquer forma, não dei o tempo por desperdiçado: sobretudo O Crime de Lord Arthur Saville é suficientemente perverso para merecer uma releitura. 

Todos os contos foram intrigantes, surpreendentes e, como seria de esperar, com uma moral certeira. 

Sobre O Fantasma de Canterville falarei de seguida.

Classificação de cada conto (x/5*):

4,5* O Fantasma de Canterville
5,0* O Pescador e a sua Alma
4,5* O Aniversário da Infanta
3,5* A Esfinge Sem Segredos
4,0* O Crime de Lord Arthur Saville

4,3/5* classificação final


Título: O Fantasma de Canterville
Título original: The Canterville Ghost
Autor: Oscar Wilde
Tradutora: Maria Manuela Novais Santos
Edição/reimpressão: Outubro de 2016
Editora: Porto Editora
Temática: Literatura juvenil
N.º de páginas: 80
Para adquirir:

Sinopse:


A primeira história publicada por Oscar Wilde leva-nos a um castelo assombrado, adquirido por uma abastada família americana que não acredita no sobrenatural, obrigando o pobre fantasma residente a encetar uma série de estratagemas para assustar os seus novos hóspedes. Nunca o fantástico, o terror e a comédia se combinaram numa trama tão genial, que nos diverte e nos leva a refletir sobre os valores mais elevados da vida.

A Coleção Reino das Letras nasce da vontade de aliar a magia das melhores histórias de todos os tempos à leitura sempre renovada que delas podemos fazer. No Reino das Letras, o rei chama-se Sonho e a rainha Imaginação!

Opinião:

O Fantasma de Canterville é uma belíssima paródia às superstições, além do inerente criticismo à aristocracia inglesa e aos novo-ricos americanos.


Habitando Canterville Chase desde o século XVI, Sir Simon tem como o único propósito  da sua existência assombrar qualquer que seja o residente dos seus aposentos e, com efeito, tem desempenhado essa função brilhantemente. Porém, o caso muda de figura quando a propriedade da mansão passa para um ministro americano, Sir Otis, e respectiva família. Apesar de alertados para a presença de um fantasma, nenhum dos familiares mostra o mais ínfimo receio e seguem-se uma série de episódios hilariantes em que a dignidade do pobre fantasma é reduzida a cinzas.


Nota-se claramente que o autor não se prende a convenções e critica tanto os compatriotas como os estrangeiros que, de uma forma ou de outra, pretendem impor os seus padrões e muito a isso ajuda o fantasma, incumbido de uma função que não questionou durante séculos.

Mas serão a coragem e a constância  que irão conduzir àquilo que realmente importa: o perdão e a redenção que trarão a tão desejada paz.

Li as duas traduções: esta, da edição Porto Editora (colecção Reino das Letras) e a anterior, referente à colecção Biblioteca Sábado. Apreciei notar e comparar as ligeiras diferenças, as opções dos tradutores, mas sem alterarem em nada o cerne da história. Recomendo, sem dúvida, esta edição aos mais novos e a anterior a leitores mais maduros.

Classificação: 4,5/5*


Sobre o autor:
Oscar Wilde foi talvez o mais importante dramaturgo da época vitoriana. Criador do movimento dândi, que defendia o belo e o culto da beleza como um antídoto para os horrores da época industrial, Wilde publicou a sua primeira obra em 1881, a que se seguiram duas peças de teatro. A partir de 1887 iniciou uma fase de produção literária intensa, em que escreveu diversos contos, peças de teatro, como A Importância de se Chamar Ernesto, e um romance. Em 1895, foi acusado de homossexualidade e violentamente atacado pela imprensa, tendo-se envolvido num processo que o levou à prisão. Morreu em Paris em 1900. Fonte: WOOK