Autor: João Pinto Coelho
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
Sinopse:
Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de
Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais
elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa
chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a
paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade
de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly
até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala
inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado
avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de
Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando
ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e
sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com
diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um
romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso
campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.
Opinião:
Primeiramente, esta é uma obra que entrelaça vários géneros
literários (mistério, histórico, thriller) e temas diversos de forma coerente e
harmoniosa. A linguagem conduz a uma leitura rápida e absorvente, já que é
fluída e sem artifícios.
A marca predominante no enredo é o leque de personagens
femininas inspiradoras, sobreviventes, dotadas de fortes personalidades – Anna,
Sarah, Esther, Kimberly. As personagens masculinas adquirem um papel
subalterno, à excepção de Henryk, o pai de Sarah, envolvido num dos episódios
mais emotivos do livro.
Anna, Sarah e Esther surgem envolvidas em grandes dramas
pessoais representantes de uma época tão funesta. Especialmente o sofrimento de
Sarah, torna-se impressionante e, a forma como dele emergiu, icónica. Sem margem
para dúvidas, uma personagem inesquecível para mim. Ela é a alma desta história.
Algo que apreciei, sem dúvida, foram as reviravoltas
surpreendentes, que me permitiram a renovação da curiosidade e o estímulo para
avançar ainda mais depressa na leitura.
No final, achei que a história de Kimberly foi “arrumada” um
tanto ou quanto precipitadamente para uma personagem tão relevada, e que alguns
pontos poderiam ter sido melhor explorados, como o racismo no colégio de St.
Oswald’s, (view spoiler).
Deparei-me com uma forma diferente e original de abordar
Auschwitz e toda a miséria, infâmia e ignobilidade que lhe está inerente e que
representa um período tão negro da História da Humanidade… O segregacionismo
religioso dos judeus ficou patente na forma equilibrada, mas apartada, como os
habitantes de Oshpitzin coabitavam e na discriminação ao acesso e pleno
cumprimento de funções em cargos políticos. O anti-semitismo já existia. Os
incentivos do nazismo apenas fizeram brotar a planta maldita que enraizada
estava.
A 2.ª Guerra Mundial e o nazismo continuarão a fornecer
matéria mais do que o suficiente para, por um lado, duvidarmos da viabilidade
da continuação da espécie humana e, por outro lado, encontrarmos a esperança de
que isso seja possível graças aos actos mais extraordinários.
Classificação: 4,0/5*
Sobre o autor:
João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em
Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou
diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro
profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em
2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em
Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos
investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o
projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens
portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim
e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado
diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência
internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian,
em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance. Fonte: WOOK


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