Título: Mrs. Dalloway
Autora: Virginia Woolf
Tradutor: Mário Quintana
Data de edição: 1992 (1.ª publicação em 1925)
Editora: Livros do Brasil
Temática: Romance
Sinopse:
Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve
sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua
casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações
e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido,
Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude
acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren
Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental.
Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a
sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os
segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de
Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.
Opinião:
Esta leitura seguiu-se a As Horas de Michael Cunningham,
visto que se baseia assumidamente nesta. Ao longo dela, estabeleci imensos
paralelos entre as duas obras: Cunningham busca em Virginia Woolf um dos três
planos da sua narrativa e em Clarissa Vaughan a sua Mrs. Dalloway, para além de
outras personagens em que se podem encontrar semelhanças.
A história segue Clarissa Dalloway sobretudo, mas igualmente
outras personagens, no decorrer de um dia. Mrs. Dalloway encarrega-se de
realizar, mais uma vez, uma festa na sua residência. A este pretexto e,
naturalmente, explorando toda a vida de Clarissa, a narradora faz surgir uma
série de personagens, entre as quais Sally, a sua amiga da juventude, revoltosa
e contestatária; Peter, com o qual quase casou, e que se reencontram após
imensos anos; Richard, o seu marido e Elizabeth, a sua filha. Surgem também
Lucrécia e Septimus, numa história paralela, mas que converge à principal pelos
motivos mais dramáticos. A abordagem feita aos sentimentos e pensamentos mais
íntimos de todos os que surgem é espelho da acutilância com que a autora
interpretava o mundo e os seus habitantes, bebendo-lhes a essência.
De notar que a história de Septimus continua actual, na
medida em que demonstra o preconceito em relação à doença mental, a começar
pelos próprios médicos, e a impotência dos mais queridos e próximos – neste
caso Lucrécia – levados a um desespero quase idêntico ao dos próprios doentes.
Classificação: 4,5/5*
Sobre a autora:
Escritora inglesa nascida a 25 de janeiro de 1882, no seio
de uma família da alta sociedade londrina, e falecida a 28 de março de 1941. O
pai, Sir Leslie Stephen, era crítico literário. Virginia Stephen, nome de
solteira, passou a infância numa mansão londrina com os três irmãos e tratada
por sete criados, convivendo com personalidades como Henry James e Thomas
Hardy. Virginia tinha 13 anos quando a mãe morreu e 22 quando chegou a vez do
pai falecer. Os quatro irmãos foram então viver para Bloomsbury, um bairro
londrino da classe média-alta. A irmã mais velha, Vanessa, de 25 anos, tomou
conta dos restantes três.
Em sua casa foi formado o Grupo de Bloomsbury, onde se
reuniam regularmente personalidades como os poetas T. S. Elliot e Clive Bell, o
escritor E.M. Forster entre outros artistas e intelectuais. Os quatro irmãos,
entretanto, viajaram pela Grécia e Turquia, mas pouco depois do regresso morreu
Tholby, em novembro de 1906. Virginia sofreu a primeira de muitas grandes
depressões. Casou em 1912 com o crítico literário Leonard Woolf, que viria a
ser o seu companheiro de toda a vida.
The Voyage Out, de 1915, marca o início da sua carreira de
romancista, mas só dez anos depois, com Mrs Dalloway, considerado o seu
primeiro grande romance modernista, chegou o reconhecimento como escritora
reputada. Orlando, obra de 1928, confirmou as qualidades de Virgina Woolf. Esta
obra tem um protagonista andrógino, inspirado na sua amiga Vita Sackville-West,
com quem manteve uma longa relação íntima. Após obras como A Room of One's Own
(Um Quarto Que Seja Seu), onde defende a independência das mulheres, The Waves
(As Ondas) e The Years (Os Anos), em 1938 lançou um romance polémico, Three
Guineas (Os Três Guineus), na sequência da morte de um sobrinho na Guerra Civil
espanhola. Neste livro, Virginia Woolf defende que a guerra é a expressão do
instinto sexual masculino. A 28 de março de 1941, pouco depois de ter lançado
Between the Acts, Virginia Woolf suicidou-se, atirando-se a um rio com os
bolsos cheios de pedras. Foi a segunda tentativa em poucos dias, interrompendo
assim uma carreira marcada pela obtenção de diversos prémios literários, dos
quais, contudo, só aceitou um, o Fémina, de França.
Paralelamente à atividade de escritora, Virginia, em
conjunto com o marido, fundou e manteve uma editora, destinada a publicar
textos experimentais, textos de amigos e traduções de russo. Intitulada Hobart
Press, a editora funcionava em moldes caseiros, depois de em 1917 Leonard ter
oferecido à esposa uma pequena tipografia. Fonte: WOOK


Esse livro tem uma temática muito interessante e pela sua nota a leitura foi muito proveitosa, vou add à lista.
ResponderEliminarAdorei seu blog e sua resenha, já seguindo :)
Abraços,
http://www.fabulonica.com/