quarta-feira, 24 de maio de 2017

"O Labirinto dos Espíritos" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]


Título: O Labirinto dos Espíritos
Título original:  El Laberinto de los Espíritus
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Mário Dias Correia
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Planeta Editora
Temática: Romance
N.º de páginas: 848
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Sinopse:


Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.

Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível.

O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

Opinião:

Sendo este o encerramento da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos, criou-se a expectativa de que Carlos Ruiz Zafón se superasse. Não posso afirmar que tal tenha sucedido, adoptando a perspectiva de fã incondicional, mas constato a competência com que alcançou o que lhe era exigido, não perdendo os seus traços característicos.

Desta vez, o autor brinda-nos com um registo mais policial, graças ao qual surge Alicia Gris: femme fatale e anjo caído, concentrado de aura gótica, pincelado de luz e sombras. Investigadora de um obscuro órgão governamental, assumirá um papel crucial na resolução dos enigmas pendentes.  E será neste atar de pontas soltas que Alicia se cruzará com a família Sempere e com o nosso inefável Fermín Romero de Torres, bem como com as maquinações que colocarão em perigo a vida de todos.

Acompanhando uma investigação tão longa, entremeada com as histórias sobre Alicia e os Sempere, e sobre outras personagens trazidas a palco pela primeira vez, senti que, por vezes, o fio se perdia da meada. Ainda assim consegui prever parte da conclusão, algo que não me agradou especialmente.

Entre Madrid e Barcelona, o lado mais negro do franquismo continua a ser explanado: a corrupção e os jogos de poder, tanto em altas instâncias como entre os seus subalternos, são uma constante ao longo da narrativa, numa amostra dos podres desta sociedade.

Algumas falhas cronológicas e problemas na revisão minam a leitura, não constituindo impeditivo para, perto do final da leitura, se instalar a saudade pelas personagens e por um ambiente tão único, numa despedida onde a porta do diabrete se encerra com chave de ouro.

Com a leitura de Rosa de fuego [ver aqui], desenvolveu-se a leve esperança de que mais pistas sobre a origem do Cemitério dos Livros Esquecidos fossem desvendadas, o que não veio a suceder. Assim permaneceu o mistério em torno da sua fundação e em como se acumulou tamanho tesouro.

Apesar de a nota introdutória referir que os "diferentes títulos relativos à série do Cemitério dos Livros Esquecidos poderão ser lidos por qualquer ordem ou separadamente" aconselho a leitura por ordem de publicação. O próprio autor, nas palavras de uma personagem, ajudaria a esclarecer todas as incertezas:
"(...) o primeiro tomo centrar-se-ia na história de um leitor (...) e de como nos seus anos de mocidade descobria o mundo dos livros e, por extensão a vida, através de um enigmático romance escrito por um autor desconhecido que escondia um mistério daqueles de deixar a boca seca".
"O segundo tomo, empapado num sabor mórbido e sinistro destinado a espicaçar os leitores de bons costumes, relataria a macabra peripécia vital de um romancista maldito (...)".
"O terceiro  tomo, supondo que o leitor sobrevivesse aos dois primeiros (...) resgatar-nos-ia de forma momentânea do averno e oferecer-nos-ia a história de uma personagem, a personagem por excelência e a voz da consciência oficial da história, ou seja, (...)  Fermín Romero de Torres". 
"A quarta parte, virulentamente enorme e temperada com os perfumes de todas as anteriores, levar-nos-ia por fim ao centro do mistério e desvendaria todos os enigmas (...)".
Tal como afirmei em relação a A Sombra do Vento, não se considerando uma obra prima consensual a tetralogia O Cemitério dos Livros Esquecidos dificilmente será olvidada por quem a leu, seja pelo seu cruzamento de diferentes géneros literários, por personagens que nos despertam a mais profunda amizade, ou por uma prosa tão envolvente como a bruma que em tantos momentos cobre Barcelona. Prometo voltar a ela, sem dúvida. 

Uma leitura realizada no âmbito do:



Classificação:  4,5/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la MedianocheLas Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

1 comentário:

  1. Só li um livro de Zafón há muitos anos e foi porque mo ofereceram, na altura nem sabia que fazia parte de uma tetralogia. O que li foi "O Prisioneiro do Céu" e, apesar de já não me lembrar praticamente de nada da história, lembro-me de ter adorado a escrita do autor!
    Tenho que ver se arranjo os outros livros e ler tudo! Gostei muito da tua opinião! :)
    Beijinhos*
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