quarta-feira, 22 de março de 2017

"O Apelo da Selva" de Jack London [Opinião]

Título: O Apelo da Selva
Título original: The Call of the Wild
Autor: Jack London
Tradutora: Maria de Fátima Andrade 
Edição/reimpressão: 2017
Editora: CARDUME EDITORES, LDA. (para Impresa Publishing)
Temática: Romance
N.º de páginas: 128

Sinopse:


Arrancado à doce e pacífica vida que levava numa fazenda da Califórnia, o cão "Buck", metade São Bernardo, metade cão-pastor, é roubado e vendido como cão de trenó. Nas terras selvages do Norte do Canadá, Buck enfrenta a fome, o frio, as lutas com outros cães e os maus tratos sem nunca perder a coragem e a dignidade. Buck acaba por ser esgatado por John Thornton, mas no seu apelo da vida selvagem, que o instiga a rondar livremente pela selva. Esta novela de Jack London, publicada em 1903, revestiu-se de tal sucesso que de imediato foi traduzida em cerca de 90 línguas, sendo reeditada sempre até aos nossos dias.

Opinião:


 No âmbito da inciativa Ler Faz Bem da revista Visão, decidi ler esta obra de Jack London e partilhar a minha opinião de forma diferente: por escrito, como habitual, e por vídeo.


[ ver também aqui ]

Lido numa tarde, o autor não se perde em rodeios e conta uma história poderosa na perspectiva de Buck, o cão traçado de são bernando e cão pastor escocês. Buck parecia destinado a uma vida doméstica, sem percalços além daqueles que encontrasse numa quinta ensolarada em plena Califórnia. Infelizmente, o seu porte possante tenta um dos empregados e Buck acaba por chegar à fronteira com o Canadá, num clima totalmente agreste, depois de vendido para cão de trenó. 


Sujeito às maiores provações, a sua adaptabilidade às circunstâncias foi impressionante: de cão domesticado, torna-se um sobrevivente nato, astuto e líder, evocando a lei do mais forte. O corajoso Buck enfrenta todos os dissabores, mas apenas após a sua prodigiosa transformação num estado totalmente primitivo, encontrará a integração junto dos seus ancestrais.


Esta leitura evocou-me o retrato social de As Vinhas da Ira de John Steinbeck em que, tal como em O Apelo da Selva, se forçam migrações do povo americano devido às condições económico-sociais, ainda que por causas e em períodos diferentes: a seca, durante grande depressão,  e a febre do ouro, iniciada em 1850. Jack London aproveitou, para esta obra, a sua experiência na participação à corrida do ouro (Klondike, no Yukón, Canadá, em 1896). 

Os cães, como todos os animais, são seres sencientes, apenas desconhecemos o alcance da sua percepção da realidade. Ainda assim, o autor deu-lhes voz. Se o ser humano, e assim perdura ao longo de séculos, julga o seu semelhante como objecto mercantil, imaginemos os animais que voz não têm para por si lutar.

Este livro deu-me a esperança de que, desde que estabelecidas com dignidade, as relações entre quaisquer seres vivos só se poderão revestir de respeito e compreensão mútuos.


P.S.: Com esta leitura relembrei-me imediatamente de História de um cão chamado Leal de Luis Sepúlveda, uma história cuja perspectiva é igual - pelos olhos de um cão - e que recomendo vivamente.


Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:

O escritor norte-americano John Griffith London nasceu em 1876, em San Francisco, e faleceu em 1916. Depois de uma infância marcadamente negativa, exerceu todo o tipo de profissões, interessando-se, no entanto, pela leitura e pela escrita desde muito cedo. Publicou novelas em diversas revistas. Da sua vasta obra, destacam-se The Son of the Wolf (1900), The Call of the Wild (O Apelo da Selva, de 1903, obra diversas vezes adaptada para cinema), Martin Eden (1903), Love of Life (1907) e John Baleycorn (1913). Fonte: WOOK 

Mais sobre o autor em: Entre o mistério e a caricatura, quem é Jack London?

1 comentário:

  1. Também estou coleccionando os livros da iniciativa Ler Faz Bem da Visão, ainda não li O Apelo da Selva, vou ver se leio esta semana. Esta review aumentou a minha curiosidade. Adorei A Quinta dos Animais, até fiz uma review no meu blog :)

    Bitaites de um Madeirense

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