segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Criadores" de Paul Johnson [Opinião]

Título: Criadores
Título original: Creators: From Chaucer and Durer to Picasso and Disney
Autor: Paul Johnson
Edição/reimpressão: 2006
Editora: Alêtheia Editores
Temática: Ensaios
N.º de páginas: 388
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Sinopse:

Vinte anos depois de ter publicado o «best-seller» Intellectuals, Paul M. Johnson reúne num volume ensaios sobre incríveis e prolíficos espíritos creativos. Ele analisa escritores, de Chaucer a Shakespeare, de Mark Twain a T.S. Elliot, artistas como Dürer, e arquitectos como Pugin e Viollet-le-Duc. Explica as diferentes formas como Jane Austen, Madame de Stael ou George Elliot lutaram para fazer ouvir a sua voz num universo masculino. Victor Hugo por seu turno permitiu-se interrogar: «Podem os génios coexistir com pessoas pouco inteligentes?» Joahnn Sebastian Bach dá-lhe o pretexto para se debruçar sobre o papel da genética na criatividade. Alguns ensaios fazem comparações extraordinárias: de Turner com o japonês Hokusai, e de dois grandes estilistas Balenciaga e Dior. O último ensaio examina dois génios criativos: Picasso e Disney e questiona-se sobre qual dos dois mais influenciou as artes visuais do século XX.

Opinião:

Paul Johnson propõe, com este Criadores, uma reflexão sobre o poder criativo e o que torna determinadas individualidades essencialmente criativas e criadoras. Nas suas palavras:

"(...) embora potencialmente ou na realidade sejamos todos criativos, existem graus na criatividade, que vão desde o instinto que leva um tordo a construir o seu ninho e que, nos seres humanos, se reflecte em construções mais complexas, porém igualmente humildes, ao verdadeiramente sublime, que leva os artistas a empreender obras enormes e delicadas nunca antes concebidas e muito menos concretizadas. Como definir este nível de criatividade, ou como explicá-lo? Não conseguimos defini-lo, da mesma forma que não conseguimos definir o génio. Mas podemos ilustrá-lo. É o que este livro tenta fazer".

Desde o século XIV até à actualidade, as figuras abordadas ocupam essencialmente o campo das artes: literatura - Chauce, Shakespeare, Victor Hugo, Jane Austen, Mark Twain e T.S. Elliot; arquitectura e arte vidreira - Pugin, Viollet-le-duc e Tiffany; moda - Dior e Balenciaga; animação - Wallt Disney; pintura - Dürer, Turner, Hokusai e Picasso. 

O que mais me motivou nesta leitura foi o descobrir do papel de figuras que desconhecia - Dürer e Chaucer, por exemplo - e o conhecer melhor as personalidades de figuras que sempre povoaram o meu imaginário: Shakespeare, Jane Austen, ou Walt Disney. Se, por um lado, deixou-me estarrecida a violência de Picasso, por outro adorei conhecer Mark Twain e compreendi a razão pela qual é uma referência para os comediantes. 

Ao contrário do que se poderia julgar, esta não é uma leitura difícil, apesar do uso de termos mais técnicos referentes aos ofícios de determinadas figuras - Pugin e Viollet-le-duc, enquanto mestres da arte gótica, fizeram-me recorrer várias vezes ao precioso Google.

Não se considere, porém, que o autor menospreza a ciência. No encerramento da obra, surge a referência à bifurcação das artes e das ciências e a importância da «criação» científica:  

"Por que não incluí nada, por exemplo, sobre as ciências? Não tenho resposta satisfatória para esta pergunta. É verdade que alguns observadores não permitirão que os cientistas sejam apelidados de criativos. Os cientistas são descobridores. Não se pode criar algo que já existe. Fazer descobertas é uma forma de actividade factual. Há duas objecções a este argumento (...) ao longo da história não se estabeleceu nenhuma verdadeira distinção entre o exercício da capacidade ou mesmo do génio nas artes e nas ciências.". 

O autor conclui afirmando que a arte ou ciências criativas não estão necessariamente interligadas ao modo de ganhar a vida do criador, nem tão pouco a criação é "propriamente desfrutada", sendo antes "uma experiência dolorosa e muitas vezes aterradora".

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Paul Johnson, destacado historiador britânico, cuja obra é internacionalmente reconhecida, conta com uma extensa lista de título publicados nas mais diversas áreas. Em History of Christianity e History of the Jews aborda a dimensão religiosa, em Modern Times analisa o século XX, e em Art: a new History relata a história das artes visuais. Com Intellectuals. um «best-seller» internacional, marcou profundamente o pensamento final dos anos 80. Escreve semanalmente para o Spectator e mensalmente para a Forbes. Fotografia: Goodreads

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