quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón [Opinião]

Título: A Sombra do Vento
Título original: La sombra del viento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: J. Teixeira de Aguilar
Edição/reimpressão: 2006
Editora: Dom Quixote
Temática: Romance
N.º de páginas: 512 
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Sinopse:

A Sombra do Vento é um mistério literário passado na Barcelona da primeira metade do século XX, desde os últimos esplendores do Modernismo até às trevas do pós-guerra. Um inesquecível relato sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros, num crescendo de suspense que se mantém até à última página. Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, A Sombra do Vento é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo.

Opinião:

Dez anos passaram e, da primeira leitura, lembrava-me de Daniel e do seu pai, o sr. Sempere, da sua livraria e do Cemitérios dos Livros Esquecidos, de uma personagem divertida e de outra, obscura e ameaçadora. Contudo, a memória é volátil e esta releitura soube quase a estreia.

Através de uma escrita cuidada e metafórica, o ambiente marcadamente gótico de uma Barcelona do século XX, marcada por um pós guerra civil espanhola, surge quase sempre envolto em brumas e mistério. 

Quando Daniel, o protagonista desta história, encontra no Cemitério dos Livros Esquecidos um livro que devora em poucas horas - A Sombra do Vento - o seu interesse por conhecer mais obras do desconhecido autor, Julián Carax, torna-se premente. Mas tal não será fácil, já que alguém as procura e as destrói sem hesitação
. As suas investigações levarão a que descubra uma trágica história que se irá entrelaçar com a sua... 

À medida que a leitura avançou, a minha vontade de descobrir com Daniel mais sobre este mistério só se foi acentuando. A mistura de estilos, entre romance, suspense, thriller, histórico e de comédia e satírico, sem, contudo, perder a coerência, é um dos grandes trunfos do autor e permite que o leitor flua com a narrativa.


Outro será o conjunto de todas as personagens, sem excepção. De entre elas se destaca o brilhante Fermín Romero de Torres: o homem das mil caras, sofrido, culto, ansioso, sentimental, desbocado, é o sábio filosofante que orienta o jovem Daniel nos momentos mais cruciais. Admirou-me a empatia sentida para com todos os intervenientes, mesmo perante o sanguinário inspector Fumero, cujo passado não justifica, porém clarifica o seu abominável ser. Nem tão pouco as hesitações de Daniel o tornaram menos merecedor do título de herói, uma vez que age no momento preciso.

O clímax será o revelar de uma fatalidade, ao estilo das grandiosas tragédias gregas que, não sendo de uma originalidade inatacável, pelo culminar dos acontecimentos leva a que dor tão pungente seja alvo de toda a comiseração.

Poderá até não ser considerada uma obra-prima consensual, mas com A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón conseguiu algo inegável: atingir e conquistar os corações dos leitores, numa ode magistral ao mundo dos livros.

Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo – não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos –, vamos regressar.

No fim desta releitura, A Sombra do Vento continua a merecer o estatuto de um dos meus livros favoritos de sempre e será, por certo, novamente relido.

Uma releitura realizada no âmbito do: 


Classificação:  5,0/5*

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Inicia a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguem El Palacio de la Medianoche, Las Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publica A Sombra do Vento, que rapidamente se transforma num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008), O Prisioneiro do Céu (2011) e O Labirinto dos Espíritos (2016) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Actualmente, Carlos Ruiz Zafón reside em Los Angeles, onde trabalha nos seus romances, e colabora habitualmente com La Vanguardia e El País. Fonte: WOOK [adaptado]

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