domingo, 15 de janeiro de 2017

"Sudoeste" de Olinda P. Gil [Especial Apresentação + Opinião]


Na tarde de 13 de Janeiro, Olinda P. Gil veio visitar a Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, na companhia de Luís Miguel Ricardo, presidente da ASSESTA, desta vez para apresentar o seu Sudoeste

Apesar de publicado em e-book já em 2014, foi no passado mês de Novembro que a Coolbooks decidiu publicar em papel algumas das obras da sua chancela e o livro da Olinda foi um dos escolhidos. 

Surgiu assim a oportunidade desta apresentação, a qual originou uma conversa descontraída sobre este livro, o mercado editorial digital lusófono, comparativamente ao estrangeiro, e a influência das novas tecnologias na leitura.

Uma das conclusões mais interessantes refere-se ao diminuto crescimento da venda de e-books em Portugal, contrariamente ao esperado e ao verificado com outros países como a Inglaterra, França ou, até mesmo, com os  nossos vizinhos espanhóis. Aparentemente a explicação para tal ocorrência é o preço exagerado da maioria das publicações digitais que leva os e-readers a procurarem leituras noutras línguas onde os preços são, de forma notória, mais económicos.

No que toca aos hábitos de leitura, a nova tecnologia tem levado a uma relativa dispersão da concentração e diminuição dos tempos dedicados à leitura.


Quanto a Sudoeste, obtido o prazer da sua leitura durante esta semana, deixo-vos a minha opinião sobre o mesmo.


Título: Sudoeste
Autor: Olinda P. Gil
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Coolbooks
Temática: Contos
N.º de páginas: 80
Para adquirir: 


Sinopse:


O mesmo mar, a mesma casa. Talvez a mesma história e a mesma mulher que nela vive. Ou três histórias diferentes de três mulheres diferentes que viveram na mesma casa.

Sudoeste traz-nos três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema.

Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com «o chamamento do mundo». Todas as histórias se passam na mesma casa, na mesma quinta, na mesma praia, na mesma falésia. As próprias personagens vão tendo pequenas variações. Contudo, os contos são muito diferentes; cada um oferece-nos uma perspetiva distinta de como se pode viver o amor e o desejo de partir: do sentimento mais puro e simples à capacidade de começar tudo de novo.

Opinião:

Imaginemos uma mulher perto de uma roleta. Existem três possibilidades de existência para essa mulher explícitas nessa roleta: as três decorrerão no mesmo local, contudo com famílias, educações e encontros diferentes que moldarão a sua personalidade e vivência.  É um jogo de sorte a que todos estamos sujeitos quando nascemos: feio ou bonito, rico ou pobre, saudável ou doente - ninguém pode prever e escolher o contexto económico e social em que nasce, e isso alterará irremediavelmente o que será.

Assim surgem três contos onde três mulheres - possivelmente a mesma - encontram o seu destino à beira-mar: um doce, que fala de um amor pleno; outro amargo, em que a perda e a traição se entrelaçam; e um último, semi-amargo, onde a concretização de um amor dá lugar à perda. 

Em cada uma das histórias há um encontro entre uma mulher e um homem e surgem ligações entre eles que alteram o curso dos acontecimentos, para o bem e para o mal. A noção de destino e de fatalidade está sempre presente: apesar das suas escolhas, desde logo parece o caminho estar traçado e em cada conto há uma personagem que sente o «chamamento do mundo» e sente a necessidade de partir.

A relação das personagens com o ambiente marítimo é primordial para o desenrolar das suas vidas. Senti-me naturalmente transposta para este contexto - uma quinta à beira-mar, um mar a perder de vista e ruínas de um templo perdido que habitam uma falésia, não fosse eu amante quase platónica do mar.

Este é o segundo livro que leio da Olinda e nele encontrei as suas marcas: o uso da primeira pessoa do singular, a preferência pela narrativa curta - o conto -, as descrições nuas e cruas, sem recurso a subterfúgios. Neste sentido, Eros e Psiché foi a história que mais me agradou, pela sua amargura e tom confessional, derradeiro, que me causou calafrios.

Apesar da aposta editorial se verificar tendencialmente nos romances, ou seja, em narrativas longas e/ou nos grandes «calhamaços», julgo que a publicação de contos, como os da Olinda, e a de outros géneros literários, como a poesia, deve ter lugar no panorama literário, até porque o conto é, por excelência, a narrativa mais próxima da única forma que permitiu, durante tantos séculos, as histórias serem transmitidas: a narração oral.


Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Olinda P. Gil começou pelas listas, a seguir passou aos contos. Publicou num jornal nacional. Pelo meio estudou Literatura, apaixonou-se pelos antigos, por Lisboa e deixou sair textos em publicações obscuras. Nem sabe como chegou a adulta. Tem tido trabalhos muito díspares, coisa própria da idade. Gosta de contos. Gosta de Literatura Portuguesa. Gosta de autoras. Continua a sonhar em ser escritora. É Alentejana. Fonte: WOOK

1 comentário:

  1. Eu prefiro os livros em papel, e eacho que um ebbok cansa muito mais a vista!

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