segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Passatempo #5: "Os Descendentes" de Kaui Hart Hemmings [VENCEDOR]

O quinto passatempo do As Horas... que me preenchem de prazer, em que esteve em jogo o livro Os Descendentes de Kaui Hart Hemmings  [para recordar aqui], chegou ontem ao fim. Por isso, hoje tenho o prazer de anunciar que a vencedora é...


Muitos parabéns!

Irei de seguida contactá-la e aguardarei que me confirme a sua morada de modo a proceder ao envio do livro.

Muito obrigada a todos os que participaram e até um próximo passatempo! 

( via GIPHY )

domingo, 29 de janeiro de 2017

Música ao Domingo #29: Tiago Bettencourt "Fúria e Paz"



Tiago Bettencourt - “Furia e Paz “ | Music : Tiago Bettencourt | Letra : Tiago Bettencourt | Realização: André Gaspar | Conceito: Tiago Bettencourt | Camera : Pedro Teixeira | Cinematografia : André Gaspar | Edição : Pedro Teixeira, João Correia  | Grading : Pedro Teixeira | Assistente de produção : Xana Alves, Rui Malvarez  | Produção: Diffuse ( diffuse-studios.com ) | facebook.com/diffusestudios

Minha fúria, minha paz, meu bem,
se não fiz o que devia, foi talvez porque temia
não te saber serenar a luta que por dentro fazia alimento do mundo a gritar

Não me ouviste chamar do alto deste monte
tão longe da mentira, mas perto está o dia
a água desta fonte só nos pode lavar
a sombra não te via, mas alto é o nosso monte bem onde o tempo brilha
Não me ouviste chamar
mas quando à noite vens, eu sei que és minha.

Minha ausência, minha luz
Eu sei que nem sempre te fiz bem,
bem longe do que querias não te soube encontrar no fundo da maldade
puxar-te a verdade para poderes confiar

Não me ouviste chamar do alto deste monte
tão longe da mentira, mas perto está o dia
a água desta fonte só nos pode lavar
e quando vens de noite eu sei que és minha

Fonte: YouTube

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Prémio Literário Joaquim Mestre: Protocolo entre DRC Alentejo e ASSESTA [Divulgação]


"Este é um momento particularmente feliz para a ASSESTA. Passou-se um ano desde a nossa apresentação pública, em Beja, e celebramos agora o protocolo para o Prémio Literário Joaquim Mestre, com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo.

Um prémio - um bom prémio - que visa também homenagear o grande escritor alentejano que foi Joaquim Mestre - um mestre para os escritores alentejanos.

Apareçam por Évora. Haverá contadores de histórias [Joaninha Duarte], spoken word  [Napoleão Mira] e jazz alentejano [com Marta d'Almeida e ainda Fernando Évora, a ler um texto de Joaquim Mestre] (!)".


Nas palavras de Luís Miguel Ricardo, aqui vos deixo o convite para no dia 28 de Janeiro, às 16h, na Direção Regional de Cultura do Alentejo (Casa Nobre da Rua de Burgos, em Évora), marcarem presença na assinatura do Protocolo de colaboração para oficializar a criação do Prémio Literário Joaquim Mestre.

"Este Prémio é instituído pela ASSESTA com o objetivo de promover, defender e valorizar a Língua Portuguesa e a Identidade e Diversidade Cultural da Região Alentejo, suas tradições, de promover e incentivar a Criação Literária nas modalidades de conto e romance, o gosto pela Leitura e pela Escrita e ainda, simultaneamente, homenagear o romancista e contista alentejano Joaquim Mestre.

O Prémio será lançado em 2017 e é instituído em parceria com a Direção Regional de Cultura do Alentejo, que irá assegurar o montante financeiro atribuído ao vencedor, e com apoio do Município de Beja". Fontes: Protocolo de colaboração DRC Alentejo - ASSESTA | Direção Regional de Cultura do Alentejo

sábado, 21 de janeiro de 2017

Zafon-a-thon: Oito meses com Zafón


Organizada pela Vanessa Pereira, do blogue Miss Livrinhos e pela Maria João Diogo, do blogue A Biblioteca da João, a maratona Zafon-a-thon vai permitir a leitura e o debate de toda a obra do autor ao longo dos próximos oito meses. Incluirá o mais recente lançamento O Labirinto dos Espíritos que encerra a tetralogia O Cemitério dos Livros Esquecidos.

No geral não posso afirmar que seja uma apreciadora de maratonas, já que não gosto de sentir as minhas leituras condicionadas. Porém, sendo este um autor marcante para o meu crescimento enquanto leitora, não consegui ficar indiferente ao convite.

Assim, A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo serão, para mim, releituras (algo que igualmente foge aos meus hábitos), sendo a leitura dos restantes livros uma estreia.

Este evento decorrerá no grupo de Facebook Cantinho dos Leitores Felizes, ao qual se podem juntar aqui.

Toda a informação sobre o evento em Zafon-a-thon: Oito meses com Zafón e na imagem que se segue:

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Novidades literárias #1

Este será o início de uma rubrica que pretende levar até vós a selecção de algumas das novidades literárias que, segundo o meu critério pessoal, são potencialmente interessantes e merecedoras de atenção.

Para consultar as sinopses e outras informações pertinentes, basta clicar aqui.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

"A Gata" de Colette [Opinião]

Título: A Gata
Título original: La Chatte
Autora: Colette
Tradutor: João B. Viegas
Edição/reimpressão: 2015 (1.ª publicação em 1959)
Editora: A Bela e o Monstro Edições/Rapsódia Final
Temática: Romance
N.º de páginas: 178
Para adquirir: 

Sinopse:

A Gata não foge à regra de toda a obra de Colette e está patente o seu amor pelos animais. Tem-se dito que há na sensualidade da escritora qualquer coisa de animal e que uma fraternidade secreta a liga a este mundo: toda a sua escrita é instintiva. A figura central deste romance é uma gata – Saha, de seu nome – e Colette retrata-a através de imagens e reflexões pouco comuns. Com uma mestria única, cria como que a presença física do felino, tornando tangível o seu corpo flexuoso e macio. Mas a história é também a análise de um sentimento muito humano: o ciúme.

Opinião:

Obra da autora francesa Colette, publicada em 1959, fala-nos de um trio amoroso entre um jovem mimado e indolente, a gata, por quem nutre profundo amor, e a sua noiva, uma jovem igualmente caprichosa.

Alain tem uma adoração obsessiva por Saha, de raça azul russa. Residem numa moradia com um belo jardim que ela explora intensivamente para pura delícia do dono. Colette engrandece a sua figura felina com delicadas descrições das suas deambulações, tanto no jardim como nos aposentos, e demonstrando a relação entre gata e dono:
"Com um salto vertical, subindo no ar como um peixe para a superfície da água, a gata atingiu uma piéride orlada de preto. Comeu-a, tossiu, cuspiu uma asa, lambeu-se numa afectação. O sol brincava no seu pêlo de gata dos Cartuxos, roxo e azulado como a garganta dos pombos bravos.
- Saha!
Ela voltou a cabeça e sorriu-lhe sem disfarce.
- Meu puma pequenino ! gata bem-amada ! criatura altaneira ! Como viverá se nos separarmos? Queres que entremos os dois para as ordens? Queres... eu sei lá !...
Saha escutava-o, mirava-o com um ar terno e distraído, mas, a uma inflexão mais trémula da voz amiga, retirou-lhe o olhar."
Esta harmonia entre Alain e Saha altera-se drasticamente com a celebração do casamento com Camila. Pertencente a uma burguesia decadente, Alain deixa-se conduzir para um matrimónio que parece, à partida, mal fundamentado, surgindo uma crítica às relações por interesse e aos dogmas sociais.

Desta forma, Saha sente profundamente o afastamento, adoptando uma postura depressiva que, rapidamente, a leva a definhar. É comum  a ideia de que os gatos, ao contrários do cães, são desleais para com os seus donos. Mas é mais frequente do que se julga a depressão nestes felinos perante o desleixo ou o abandono, chegando a falecer por se recusarem a comer e, em última instância, a viver.

Quando o seu tutor a resgata e o convívio dos três se impõe, os ciúmes que surgem levarão a uma situação insustentável. Ainda que o objecto de tais sentimentos seja uma gata, Colette conseguiu, em poucas páginas, retratar o ciúme em toda a sua plenitude, numa linguagem poética e encantadora.

Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Sidonie Gabrielle Colette nasceu em 1873, em Saint-Sauveur-en-Puisaye. Aos vinte anos, casa com Gauthier-Villars, crítico musical, autor de romances populares, mais conhecido pelo nome de Willy, e vai viver para Paris. Começa a escrever o seu primeiro livro, Claudine l'École, que, depois de corrigido pelo marido, aparecerá em 1900 apenas com o nome de Willy. Aproveitando o enorme êxito obtido, Willy leva Colette a escrever mais cinco romances que serão publicados, como o primeiro, sem que figure o nome da Aurora.

Em 1906, os Willy divorciam-se e Colette, para viver, faz-se artista de music-hall, mas sem deixar de escrever. É essa experiência que será aproveitada em La Vagabonde (1911).

Em 1912 casa com Henri de Jouvenel, escritor e homem de Estado, com quem vive até 1924. Em 1935 casa, pela terceira vez, com Maurice Goudeket. Entretanto, continuara a publicar os seus livros que, pouco a pouco, a foram impondo como a primeira escritora francesa dos nossos dias.  Chéri (1920), Le Blé en Herbe (1923), La Fin de Chéri (1926), La Chatte (1933), Gigi (1943) são verdadeiras obras-primas.

Membro da Academia Real da Bélgica (1936) e da Academia Goncourt (1944), Colette, venerada por todos, passa os seus últimos dias imobilizada pelo artritismo. Morre em 1954. O governo francês faz-lhe funerais civis oficiais. Fonte: biografia presente em A Gata  Fotografia: The Great Cat

domingo, 15 de janeiro de 2017

"Sudoeste" de Olinda P. Gil [Especial Apresentação + Opinião]


Na tarde de 13 de Janeiro, Olinda P. Gil veio visitar a Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, na companhia de Luís Miguel Ricardo, presidente da ASSESTA, desta vez para apresentar o seu Sudoeste

Apesar de publicado em e-book já em 2014, foi no passado mês de Novembro que a Coolbooks decidiu publicar em papel algumas das obras da sua chancela e o livro da Olinda foi um dos escolhidos. 

Surgiu assim a oportunidade desta apresentação, a qual originou uma conversa descontraída sobre este livro, o mercado editorial digital lusófono, comparativamente ao estrangeiro, e a influência das novas tecnologias na leitura.

Uma das conclusões mais interessantes refere-se ao diminuto crescimento da venda de e-books em Portugal, contrariamente ao esperado e ao verificado com outros países como a Inglaterra, França ou, até mesmo, com os  nossos vizinhos espanhóis. Aparentemente a explicação para tal ocorrência é o preço exagerado da maioria das publicações digitais que leva os e-readers a procurarem leituras noutras línguas onde os preços são, de forma notória, mais económicos.

No que toca aos hábitos de leitura, a nova tecnologia tem levado a uma relativa dispersão da concentração e diminuição dos tempos dedicados à leitura.


Quanto a Sudoeste, obtido o prazer da sua leitura durante esta semana, deixo-vos a minha opinião sobre o mesmo.


Título: Sudoeste
Autor: Olinda P. Gil
Edição/reimpressão: 2016
Editora: Coolbooks
Temática: Contos
N.º de páginas: 80
Para adquirir: 


Sinopse:


O mesmo mar, a mesma casa. Talvez a mesma história e a mesma mulher que nela vive. Ou três histórias diferentes de três mulheres diferentes que viveram na mesma casa.

Sudoeste traz-nos três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema.

Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com «o chamamento do mundo». Todas as histórias se passam na mesma casa, na mesma quinta, na mesma praia, na mesma falésia. As próprias personagens vão tendo pequenas variações. Contudo, os contos são muito diferentes; cada um oferece-nos uma perspetiva distinta de como se pode viver o amor e o desejo de partir: do sentimento mais puro e simples à capacidade de começar tudo de novo.

Opinião:

Imaginemos uma mulher perto de uma roleta. Existem três possibilidades de existência para essa mulher explícitas nessa roleta: as três decorrerão no mesmo local, contudo com famílias, educações e encontros diferentes que moldarão a sua personalidade e vivência.  É um jogo de sorte a que todos estamos sujeitos quando nascemos: feio ou bonito, rico ou pobre, saudável ou doente - ninguém pode prever e escolher o contexto económico e social em que nasce, e isso alterará irremediavelmente o que será.

Assim surgem três contos onde três mulheres - possivelmente a mesma - encontram o seu destino à beira-mar: um doce, que fala de um amor pleno; outro amargo, em que a perda e a traição se entrelaçam; e um último, semi-amargo, onde a concretização de um amor dá lugar à perda. 

Em cada uma das histórias há um encontro entre uma mulher e um homem e surgem ligações entre eles que alteram o curso dos acontecimentos, para o bem e para o mal. A noção de destino e de fatalidade está sempre presente: apesar das suas escolhas, desde logo parece o caminho estar traçado e em cada conto há uma personagem que sente o «chamamento do mundo» e sente a necessidade de partir.

A relação das personagens com o ambiente marítimo é primordial para o desenrolar das suas vidas. Senti-me naturalmente transposta para este contexto - uma quinta à beira-mar, um mar a perder de vista e ruínas de um templo perdido que habitam uma falésia, não fosse eu amante quase platónica do mar.

Este é o segundo livro que leio da Olinda e nele encontrei as suas marcas: o uso da primeira pessoa do singular, a preferência pela narrativa curta - o conto -, as descrições nuas e cruas, sem recurso a subterfúgios. Neste sentido, Eros e Psiché foi a história que mais me agradou, pela sua amargura e tom confessional, derradeiro, que me causou calafrios.

Apesar da aposta editorial se verificar tendencialmente nos romances, ou seja, em narrativas longas e/ou nos grandes «calhamaços», julgo que a publicação de contos, como os da Olinda, e a de outros géneros literários, como a poesia, deve ter lugar no panorama literário, até porque o conto é, por excelência, a narrativa mais próxima da única forma que permitiu, durante tantos séculos, as histórias serem transmitidas: a narração oral.


Classificação: 4,0/5*

Sobre a autora:
Olinda P. Gil começou pelas listas, a seguir passou aos contos. Publicou num jornal nacional. Pelo meio estudou Literatura, apaixonou-se pelos antigos, por Lisboa e deixou sair textos em publicações obscuras. Nem sabe como chegou a adulta. Tem tido trabalhos muito díspares, coisa própria da idade. Gosta de contos. Gosta de Literatura Portuguesa. Gosta de autoras. Continua a sonhar em ser escritora. É Alentejana. Fonte: WOOK

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"A Partir de Uma História Verdadeira" de Delphine de Vigan [Opinião]

Título: A Partir de Uma História Verdadeira
Título original: D'après une histoire vraie
Autora: Delphine de Vigan
Tradutora: Sandra Silva
Edição/reimpressão: 2016 (1.ª publicação em 2015)
Editora: Quetzal
Temática: Romance
N.º de páginas: 400
Para adquirir:


Sinopse:

A história é contada na primeira pessoa, com Delphine, a narradora, como uma das duas personagens. Todos os nomes são de pessoas reais: o da autora/narradora, o dos filhos, do namorado… A história é aparentemente autobiográfica e, no entanto, torna-se a certa altura um jogo de espelhos, em que é difícil discernir entre realidade e ficção. Nada previsível, cheio de surpresas, com um suspense crescente (chega a ser atemorizante), mantém o leitor literalmente agarrado até ao fim(*). Delphine crê que a sua incapacidade de escrever terá coincidido com a entrada de L. na sua vida. L. é a mulher perfeita que Delphine gostaria de ser: muito bonita, impecavelmente cuidada, de uma grande sofisticação e inteligência. L. está também ligada à escrita - é escritora-fantasma. L. insinua-se lenta mas inexoravelmente na vida de Delphine: lê-lhe os pensamentos, adivinha-lhe os desejos e necessidades, termina-lhe as frases, torna-se totalmente indispensável - é a amiga ideal. Mas, aos poucos, sabemos que ela conseguiu isolar Delphine (afastando toda a gente), que lhe lê os diários, a correspondência, que se faz passar por ela! E quer demover Delphine de escrever o livro que esta está a preparar, obrigando-a a escrever a obra que ela (L.) quer: Introduz-se, assim, na vida da amiga de forma insidiosa, permanente, por fim violenta, controlando tudo. É aqui que há um volte-face na intriga - até aí muito perto do real - e uma possibilidade autobiográfica. O fim é maravilhosamente surpreendente. O seu livro anterior, Rien ne s’oppose à la nuit, em que conta a história da mãe, vendeu cerca de um milhão de exemplares em França e teve vendas na casa das dezenas de milhares em Espanha.

Opinião:

Desde o início que sabemos onde nos conduz o final. No entanto, esse conhecimento não me retirou em nada a sede de saber em como se chegará a ele. Por outras palavras, sabemos que Delphine, a autora, verá a sua vida devassada pelo conhecimento travado com L., mulher maravilha que se torna para ela essencial.

A questão mais controversa para que remete esta história relaciona-se com a sua originalidade: a relação entre escritor e leitor e o resvalar desta para a obsessão e para o ciúme doentio não é, de todo, uma elaboração primeva desta autora, surgindo com bastante frequência até noutros campos. No que respeito diz a figuras públicas, são frequentes os relatos de fãs que ultrapassam o limite do razoável e forçam a intromissão na intimidade dos seus idolatrados. 

A autora assume, desde logo, a influência de outras fontes aquando da citação de Misery de Stephen King, cujo enredo aborda uma dependência doentia de uma leitora pelo seu escritor predilecto. Além disso, o rumo e o desenlace não são inesperados nem, tão pouco, surpreendentes. 

Contudo, há algo que realmente valoriza esta narrativa: o jogo de identidades estabelecido entre Delphine e L., quando a primeira consente o roubo da sua identidade e personalidade pela segunda, resultante de uma tremenda crise existencial e literária.

O papel da literatura e do escritor é alvo de constante reflexão e, para mim, é esse o principal propósito do livro: ao longo da narrativa, o leitor é levado a questionar-se a influência do que se escreve para os seus autores, para os visados nas narrativas, para os leitores; o que verdadeiramente querem os leitores ler e se estarão realmente interessados, ou não, nos factos que originaram a ficção; até que ponto poderão os leitores influenciar os escritores na sua criação; até onde irá a importância da ficção perante a realidade.

Estabeleceu-se, desta forma, a admiração pela capacidade da autora alternar entre o real, ou o suposto real, e o ficcional, num jogo de espelhos que se manteve até à última página.

Esta história poderia ser mais inovadora, mais surpreendente? Sim, sem dúvida. Porém, não sei até que ponto serviria aquela que julgo ser a sua finalidade. 

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:
Vive em Paris. Aplaudida pela crítica e consagrada pelo grande público, é autora de vários romances, entre os quais Nô e Eu, que venceu o Prémio dos Livreiros em 2008. Traduzido em mais de 25 países e adaptado ao cinema em 2010, ultrapassou, só em França, a marca dos 750 000 exemplares, sendo um dos romances mais lidos dos últimos anos. Com Rien ne s’oppose à la nuit, o seu último livro, Delphine de Vigan conquistou o prestigiado Prémio Romance Fnac, em 2011. Nô e Eu é o seu primeiro livro traduzido em Portugal. Fonte: Quetzal

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Passatempo #5: "Os Descendentes" de Kaui Hart Hemmings

Hoje a bloguer está de parabéns, mas o presente é para vocês! 



Desta vez, tenho para sortear entre os meus seguidores o livro Os Descendentes de Kaui Hart Hemmings, editado pela Editorial Presença e adaptado para o cinema em 2011, com George Clooney no papel principal.

Sobre o livro:
Matthew King é advogado e um dos homens mais ricos do Havai, mas a sua vida muda por completo, quando a mulher fica em coma depois de um acidente. Esta situação acarreta novas e difíceis responsabilidades para King, entre as quais aprender a lidar com duas filhas nada fáceis. Entretanto, Matthew é surpreendido por uma revelação chocante... Kaui Hart Hemmings, a autora, ambienta este livro sobre relações familiares pouco convencionais no exotismo expressionista do cenário e tira partido da contradição entre o drama familiar e um omnipresente sentido de humor. Os Descendentes foi nomeado para a categoria de Melhor Livro do Ano pelo San Francisco Chronicle. A adaptação ao grande ecrã foi detentora do Globo de Ouro para o melhor filme dramático de 2011.

Regras:
1. Só são válidas as participações em que os dados solicitados sejam correctamente preenchidos.
2. Apenas é permitida uma participação por pessoa e por morada (moradas de envio em Portugal Continental e Ilhas).
3. Só são válidas participações de seguidores da página de Facebook e/ou do blogue, que realizem partilha pública do passatempo, tal como solicitado no formulário.
4. O passatempo termina dia 29 de Janeiro às 23h59m.
5. O vencedor será escolhido aleatoriamente através do mecanismo criado para o efeito pertencente aos formulários Rafflecopter.
6. O vencedor será anunciado no blogue e contactado pelo e-mail que indicar no formulário. Tem 72h para responder ao e-mail, caso contrário, será sorteado um novo vencedor.
7. O envio do prémio não representa qualquer custo para o vencedor e a administração do blogue não se responsabiliza por eventuais extravios dos CTT.
8. O passatempo não é patrocinado por qualquer grupo editorial, sendo o exemplar em questão adquirido e sorteado a título pessoal.
9. Caso não concorde com algum dos pontos anteriormente referidos, por favor, abstenha-se de participar.



domingo, 8 de janeiro de 2017

Música ao Domingo #27: Zeca Afonso "Canção de Embalar"




Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será pra ti
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis)
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Fonte: YouTube

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz [Opinião]

Título: Para onde vão os guarda-chuvas
Autor: Afonso Cruz
Edição/reimpressão: 2013
Editora: Alfaguara
Temática: Romance
N.º de páginas: 624
Para adquirir:


Sinopse:

O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.

Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

Opinião:

Se há livro cujas citações devem ser partilhadas é este. Porém, tal tarefa não é fácil quando o próprio livro é uma constante de reflexões e de dizeres que nos fazem parar em pérolas que se encontram para retirar o fôlego.

Fazal Elahi é o protagonista desta história, toda ela passada num Oriente distante, mas em que esperanças, medos e sofrimentos são em tudo iguais aos do Ocidente. E são as esperanças, os medos e os sofrimentos de Elahi que acompanhamos. 


Elahi é um homem que vive na esperança de não ser percebido, confundindo-se na multidão, nas paredes, sempre de olhos postos no chão, a evitar desejar para não atrair a infelicidade, escondendo-se na invisibilidade da modéstia. Contudo, nem assim lhe é poupado o Sofrimento, aquele que, para o homem, tende a ser o maior de todos: a perda de um ente familiar querido. A trágica forma como ocorre leva-nos a duvidar da sua capacidade de superação, no entanto o emaranhado da vida traz sempre surpresas. Este é para mim o ponto fulcral do livro: tudo conduz a ele, tudo dele deriva. 


Afonso Cruz disse, aquando da sua presença nas Palavras Andarilhas, preferir personagens com múltiplas facetas, não tendencialmente más ou boas, pretas ou brancas, mas com um colorido de características, qualidades e defeitos, que as tornem humanas. Por isso, à excepção do corruptor e autoritário coronel Krupin, consegui encontrar em todas as personagens pontos de compreensão, identificação, proximidade. Todos temos os nossos demónios, com os quais lutamos para os superarmos.


Bibi procura a liberdade das mulheres ocidentais numa realidade que não a aceita; Badini, o mudo, lutou com a poesia; Aminah, presa aos preconceitos, não reconhece a felicidade pela qual tanto pediu.


Para onde vão os guarda-chuvas é a pergunta que urge: as memórias, as histórias, os sonhos, o que fica em nós dos que partem e dos que vivem, ou seja, tudo o que somos, para onde vai quando o perdemos. E é neste Oriente em que ainda sobrevive a magia e a capacidade de acreditar em milagres, que Afonso Cruz nos leva a procurar a resposta.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor:
Além de escritor, Afonso Cruz é também ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb. Nasceu em 1971, na Figueira da Foz, e viria a frequentar mais tarde a Escola António Arroio, em Lisboa, e a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, assim como o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de cinquenta países de todo o mundo. Já conquistou vários prémios: Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009, Prémio da União Europeia para a Literatura 2012, Prémio Autores 2011 SPA/RTP; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011, Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People, Prémio Ler/Booktailors – Melhor Ilustração Original, Melhor Livro do Ano da Time Out 2012 e foi finalista dos prémios Fernando Namora e Grande Prémio de Romance e Novela APE e conquistou o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014. Fonte: WOOK

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Balanço das leituras de 2016

Como meta estabeleci 35 livros para ler em 2016. Fiquei pelos 33 livros, já que tive várias quebras no ritmo de leitura ao longo do ano. Para este ano vou ser mais modesta e propor-me 30 livros. 

Graças ao Goodreads, é fácil fazer uma avaliação global do meu ano literário:


Uma vez que a média das minhas classificações em 2016 foi de 4,3, naturalmente afirmo que, em termos de qualidade, as leituras deste ano foram muito boas.

De notar que o livro mais longo, Contos de Hans Christian Andersen, transitou para 2017. Não tenho por hábito ler vários livros em simultâneo, pelo que a leitura não tem avançado - algo que terá de mudar, pois são contos deliciosos!

Seguem-se todas as leituras de 2016:



E, entre todas, as leituras mais marcantes foram (top 10):

10. Contos ASSESTA - Alentejo - a força/marça do Alentejo.


8. Os Olhos de Allan Poe de Louis Bayard - um mistério bem concebido.

7. As Horas Invisíveis de David Mitchell - exemplar fascinante de como é possível o cruzamento de géneros literários.

6. Gaibéus de Alves Redol - um clássico português de um realismo incrível.


4. Para onde vão os guarda-chuvas de Afonso Cruz - que me deu a conhecer um autor maravilhoso.

3. Kafka à Beira-mar de Haruki Murakami - que me desconcertou totalmente.

2. Todos os Contos de Edgar Allan Poe - contos que não esquecerei tão cedo.

1. As Horas de Michael Cunningham - um verdadeiro murro no estômago.

Reabri este blogue em Maio de 2016, com novo nome e cara renovada, pelo que ainda não tenho todas as opiniões escritas e publicadas, mas é um trabalho a ser realizado progressivamente. Além disso, tenho várias ideias para futuras publicações. Conto convosco para me acompanharem!