quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

"História de um cão chamado Leal" de Luis Sepúlveda [Opinião]

Título: História de um cão chamado Leal
Título original: Historia de un perro llamado Leal
Autor: Luis Sepúlveda
Tradutora: Helena Pitta
Ilustrador: Paulo Galindro
Edição/reimpressão: Maio de 2016
Editora: Porto Editora
Temática: Romance 
N.º de páginas: 112
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Sinopse:

Afmau, que significa «leal e fiel» na língua mapuche, a língua da Gente da Terra, é o nome ideal para um filhote de pastor-alemão que, sobrevivendo à fome e ao frio da montanha onde nasceu, assim demonstra a sua enorme lealdade à vida. Na companhia de Aukamañ, um rapazinho mapuche, Afmau aprende a conhecer o mundo que o rodeia e a respeitar a diversidade da natureza.

Porém, nem todos pensam da mesma forma: um bando de estrangeiros, com costumes estranhos aos da Gente da Terra, chega à aldeia onde Afmau vive, semeando o caos e o medo.

Condenado daí em diante a uma vida de servidão e crueldade, obedecendo a uma missão odiosa - perseguir e capturar todos os que se oponham ao bando de estrangeiros -, o destino acaba por proporcionar a Afmau uma derradeira oportunidade de redenção, numa fábula maravilhosa e naturalista onde Luis Sepúlveda reflete sobre o peso do passado e da memória, a força da amizade e da solidariedade e o respeito pela Terra e por todos quantos nela habitam.

Opinião:

Impressionante como em tão poucas páginas Luis Sepúlveda nos consegue contar uma história, curta, sem dúvida, mas tão plena de significado.

Esta história é contada da perspectiva de Afmau, o cão leal que, em cachorrinho, sobreviveu à fome e ao frio e foi salvo por nawel, o jaguar. É por ele levado para a povoação dos mapuche, a Gente da Terra, que o acolhe como uma dádiva. Aí conhece a família que o acolhe da qual Aukamañ, o seu companheiro, faz parte. 

 A Gente da Terra é um povo que vive em harmonia com a natureza, gratos pelo sustento que esta lhes dá e assim Afmau cresce feliz com Aukamañ. Porém, o desequilíbrio causado pelos wingkas, o bando de invasores, porá em causa esta felicidade e a sobrevivência de todos. 

São inúmeras as lições que retiramos desta história: o respeito pelas culturas próprias a cada povo, pela fauna e flora e pelos animais que domesticámos ao longo de séculos e que têm de ser respeitados pela forma como se nos dedicam; e a compreensão de que como a pobreza e a luta pela sobrevivência leva os homens a se embrutecerem e a esquecerem princípios essenciais de respeito para com o próximo.

A linguagem mapuche enriquece o texto, aparentemente tão simples, com um toque de autenticidade.

Devo acrescentar que Paulo Galindro está novamente de parabéns [recordem Uma Noite Caiu Uma Estrela] pelas maravilhosas ilustrações e design que enriquecem imenso esta obra.

Classificação: 4,0/5*

Sobre o autor:
Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Da sua vasta obra (toda ela traduzida em Portugal), destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas Mundo do Fim do Mundo, Patagónia Express, Encontros de Amor num País em Guerra, Diário de um Killer Sentimental ou A Sombra do que Fomos (Prémio Primavera de Romance em 2009), por exemplo, conquistaram também, em todo o mundo, a admiração de milhões de leitores. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço. Fonte: Porto Editora

Sobre o ilustrador: 
Nascido em 1970 e licenciado em arquitetura, Paulo Galindro é autor de diversos livros ilustrados, feitos em parceria com alguns dos mais importantes escritores nacionais e internacionais, como Luís Sepúlveda, António Mota, David Machado, entre outros. Viu a sua obra premiada por diversas vezes. Juntamente com Natalina Cóias criou o coletivo de ilustração Pintarriscos.  Fonte: BOOKOFFICE

1 comentário:

  1. Gostava imenso de ler este livro. A forma como a história é contada é muito interessante e leva-nos a pensar na maneira como nos relacionamos uns com os outros e com o mundo.

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