quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Um Longo Domingo de Noivado" de Sébastien Japrisot [Opinião]

Título:Um Longo Domingo de Noivado
Título original: Un Long Dimanche de Fiançailles
Autor: Sébastien Japrisot
Tradutor: José Antunes
Data de edição: 2005
Editora: Edições ASA
Temática: Romance histórico
N.º de páginas: 249

Sinopse:

Numa noite de Janeiro de 1917, cinco soldados condenados à morte em conselho de guerra são lançados, de mãos amarradas atrás das costas, diante das trincheiras inimigas. O mais novo não tem ainda 20 anos e deixa atrás de si uma jovem noiva e um amor interrompido.

Chegada a paz, Mathilde quer saber a verdade sobre esta ignomínia e descobrir o que realmente aconteceu àquele a quem continua ligada pelos laços de um longo e trágico noivado.

Com mais intensidade do que nunca, Sébastien Japrisot oferece-nos nesta história de paixão e mistério o virtuosismo e a magia da sua escrita. A mulher obstinada e frágil, envolvente e subtil, que aqui se encontra na figura de Mathilde, figurará certamente entre as heroínas mais memoráveis do universo romanesco moderno.

Aquando da sua publicação, Um Longo Domingo de Noivado obteve em França o prestigiado Prémio Interallié.

O romance foi adaptado ao cinema por Jean-Pierre Jeunet, realizador de O Fabuloso Destino de Amélie, contando com Audrey Tautou, que protagonizou o mesmo filme, no papel principal.

Opinião:

No início do século XX, Mathilde viveu um amor intenso com Jean: em crianças conheceram-se, em jovens amaram-se. Apesar da deficiência de Mathilde, presa a uma cadeira de rodas, Jean viu nela uma mulher de pleno direito, que desejou ternamente. Desde então se juraram amantes e noivos.

Durante a I Guerra Mundial, Jean e quatro companheiros são lançados em terra de ninguém, entre as trincheiras francesa e alemã, por desrepeito aos seus deveres enquanto soldados. Desde então o seu destino é incerto.

Por isso, quando Jean desaparece, Mathilde busca incansavelmente a verdade, recusando-se a abrir mão do seu estatuto de noiva, e é essa a procura que acompanhamos ao longo do livro, em que ela escrutina a vida dos quatro soldados e a tudo o que possa trazer um rasgo de luz às suas incertezas.

O autor consegue alimentar o suspense até à última página, já que a perseverante investigação de Mathilde, desvendando pistas e sofrendo revezes, leva-nos a ansiar com ela, pelo seu tamanho esforço, com o surgimento da peça final do puzzle. Além disso, as personagens com que contacta trazem ao leitor histórias tocantes que revelam os dramas de tão incomensurável guerra.

Foi uma leitura galopante, em nada prejudicada por saber de antemão o final (tinha visionado o filme há alguns anos e voltei a revê-lo após a leitura). A adaptação cinematográfica, da responsabilidade de Jean-Pierre Jeunet, foi das mais fiéis que até hoje vi, sem divergências essenciais em relação à história do livro. Adorei a estética: o tom dourado, envelhecido dos cenários, os guarda-roupas, a banda sonora...

Recomendo ambos, filme e livro, os quais merecerão sem dúvida um revisionamento e uma releitura futuramente.

Classificação: 4,5/5*

Sobre o autor: 
Nascido em Marselha, em 1931, Sébastien Japrisot iniciou-se cedo na literatura (publica o seu primeiro romance aos 17 anos), e foi autor de uma vasta obra literária que lhe granjeou o favor da crítica e do público, ao ponto de todos os seus livros terem sido já adaptados ao cinema. Traduzido em todo o mundo, é seguramente um dos escritores franceses mais lidos no estrangeiro. Morreu em Vichy, em 2004. Fonte: WOOK

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