quinta-feira, 21 de julho de 2016

Roteiros por Beja #1: Seguindo a antiga muralha

Aos mais despistados podem passar ao lado os vestígios que existem da antiga muralha que rodeava a cidade. Por isso, em contexto de mais uma formação, foi-me proporcionada uma visita guiada para os conhecer. [Para mais informações sobre o Castelo de Beja e a sua muralha ver aqui e aqui]

O ponto de encontro foi a chamada Meia Laranja nas Portas de Mértola, junto ao mais antigo café da cidade, o Luiz da Rocha.

Junto à Caixa Geral de Depósitos, este torreão foi o primeiro vestígio observado das antigas muralhas romanas.

 Por cima da Casa Nataly, um mini mercado, revelou-se mais um pouco.

Na Rua Capitão João Francisco de Sousa, ocultada pelas lojas locais.

Fugindo ao tema principal, estes murais realizados recentemente pela cidade aquando do Beja na Rua, tornaram-se motivo de atracção.

E na continuação da observação da muralha, eis que surge um importante aviso...

...surgindo ela: as suas arestas são feitas em mármore e tem embutida uma cabeça de touro, naturalmente desgastada pelo tempo.

 Na Rua das Portas de Aljustrel.

Da Avenida Miguel Fernandes avista-se o depósito de água, já em processo de demolição, e que se situa na zona onde se localizaria o templo romano da Pax Jvlia.

Mais um dos murais anteriormente referidos, neste caso apresentando o retrato de João Honrado, jornalista e antifascista.  

Surgiu igualmente a oportunidade de visitarmos a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres. Construída em 1672, pela responsabilidade da Irmandade da Nossa Senhora dos Prazeres, o seu espaço reduzido e limitado deve-se ao facto de a muralha da cidade delimitar o espaço disponível para a construção.

As famílias pertencentes a esta irmandade eram detentoras de grande poder económico e financiaram a sua construção, o que se deveu, sobretudo, à rivalidade com Évora, já que estas famílias ambicionavam que a Diocese retornasse a Beja, o que veio a suceder no século XVIII.

Na nave surge um mural (cuja foto se encontra mais abaixo): António de Oliveira Bernardes foi o seu projectista, e poderá dizer-se que é uma espécie de banda desenhada com episódios da vida de Nossa Senhora, utilizando estampas já existentes e reproduzidas em França e Itália. O tecto é o primeiro barroco no país e a sua forma indica que a fé não pode ser contida num espaço físico.

Quanto aos estilos temos, predominantemente: 
  • Maneirismo – no altar-mor;
  • Barroco – naturalismo e rococo – na nave.
No exterior encontra-se a capela de Santo Estevão.
( via Beja y Arrabaldes; foto: Rita Cortês)

Voltamos à muralha, continuamente oculta, perto da Santa Casa da Misericórdia de Beja. A reabilitação deste espaço seria de louvar.

Este roteiro terminou na recém-aberta Torre de Menagem do Castelo de Beja, cuja brancura de agora contrasta com as muralhas que a rodeiam.    

A título de curiosidade, todas as pedras usadas na construção estão assinaladas pelos canteiros que, desta forma, garantiriam os seus pagamentos e, ao se chegar ao cimo, na paisagem que surge destacam-se as torres das igrejas relativamente aos edifícios circundantes.

Para a semana haverá mais!

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