quinta-feira, 28 de julho de 2016

"Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf [Opinião]

Título: Mrs. Dalloway
Autora: Virginia Woolf
Tradutor: Mário Quintana
Data de edição: 1992 (1.ª publicação em 1925)
Editora: Livros do Brasil
Temática: Romance
N.º de páginas: 340
Para adquirir:


Sinopse:

Numa clara manhã de primavera, Clarissa Dalloway resolve sair para comprar flores para a festa que acolherá naquela mesma noite, em sua casa. Enquanto passeia pelas ruas de Londres, são recolhidas imagens, sensações e ideias, entrelaçadas com as personagens que habitam o seu mundo - do marido, Richard Dalloway, à filha, Elizabeth, e a Peter Walsh, amigo de juventude acabado de voltar da Índia - e que com ele se cruzam - como Septimus Warren Smith, veterano da Primeira Guerra Mundial assombrado pela doença mental. Romance que revelou em pleno o talento de Virginia Woolf, a sua perspicácia, a sensibilidade transparente e, sobretudo, a arte suprema de descrever os segredos das almas - não os atos mas as sensações que eles despertam - fazem de Mrs Dalloway uma obra-prima indiscutível da literatura universal.

Opinião:

Esta leitura seguiu-se a As Horas de Michael Cunningham, visto que se baseia assumidamente nesta. Ao longo dela, estabeleci imensos paralelos entre as duas obras: Cunningham busca em Virginia Woolf um dos três planos da sua narrativa e em Clarissa Vaughan a sua Mrs. Dalloway, para além de outras personagens em que se podem encontrar semelhanças.

A história segue Clarissa Dalloway sobretudo, mas igualmente outras personagens, no decorrer de um dia. Mrs. Dalloway encarrega-se de realizar, mais uma vez, uma festa na sua residência. A este pretexto e, naturalmente, explorando toda a vida de Clarissa, a narradora faz surgir uma série de personagens, entre as quais Sally, a sua amiga da juventude, revoltosa e contestatária; Peter, com o qual quase casou, e que se reencontram após imensos anos; Richard, o seu marido e Elizabeth, a sua filha. Surgem também Lucrécia e Septimus, numa história paralela, mas que converge à principal pelos motivos mais dramáticos. A abordagem feita aos sentimentos e pensamentos mais íntimos de todos os que surgem é espelho da acutilância com que a autora interpretava o mundo e os seus habitantes, bebendo-lhes a essência.

De notar que a história de Septimus continua actual, na medida em que demonstra o preconceito em relação à doença mental, a começar pelos próprios médicos, e a impotência dos mais queridos e próximos – neste caso Lucrécia – levados a um desespero quase idêntico ao dos próprios doentes.

Classificação: 4,5/5*

Sobre a autora:

Escritora inglesa nascida a 25 de janeiro de 1882, no seio de uma família da alta sociedade londrina, e falecida a 28 de março de 1941. O pai, Sir Leslie Stephen, era crítico literário. Virginia Stephen, nome de solteira, passou a infância numa mansão londrina com os três irmãos e tratada por sete criados, convivendo com personalidades como Henry James e Thomas Hardy. Virginia tinha 13 anos quando a mãe morreu e 22 quando chegou a vez do pai falecer. Os quatro irmãos foram então viver para Bloomsbury, um bairro londrino da classe média-alta. A irmã mais velha, Vanessa, de 25 anos, tomou conta dos restantes três.

Em sua casa foi formado o Grupo de Bloomsbury, onde se reuniam regularmente personalidades como os poetas T. S. Elliot e Clive Bell, o escritor E.M. Forster entre outros artistas e intelectuais. Os quatro irmãos, entretanto, viajaram pela Grécia e Turquia, mas pouco depois do regresso morreu Tholby, em novembro de 1906. Virginia sofreu a primeira de muitas grandes depressões. Casou em 1912 com o crítico literário Leonard Woolf, que viria a ser o seu companheiro de toda a vida.
The Voyage Out, de 1915, marca o início da sua carreira de romancista, mas só dez anos depois, com Mrs Dalloway, considerado o seu primeiro grande romance modernista, chegou o reconhecimento como escritora reputada. Orlando, obra de 1928, confirmou as qualidades de Virgina Woolf. Esta obra tem um protagonista andrógino, inspirado na sua amiga Vita Sackville-West, com quem manteve uma longa relação íntima. Após obras como A Room of One's Own (Um Quarto Que Seja Seu), onde defende a independência das mulheres, The Waves (As Ondas) e The Years (Os Anos), em 1938 lançou um romance polémico, Three Guineas (Os Três Guineus), na sequência da morte de um sobrinho na Guerra Civil espanhola. Neste livro, Virginia Woolf defende que a guerra é a expressão do instinto sexual masculino. A 28 de março de 1941, pouco depois de ter lançado Between the Acts, Virginia Woolf suicidou-se, atirando-se a um rio com os bolsos cheios de pedras. Foi a segunda tentativa em poucos dias, interrompendo assim uma carreira marcada pela obtenção de diversos prémios literários, dos quais, contudo, só aceitou um, o Fémina, de França.

Paralelamente à atividade de escritora, Virginia, em conjunto com o marido, fundou e manteve uma editora, destinada a publicar textos experimentais, textos de amigos e traduções de russo. Intitulada Hobart Press, a editora funcionava em moldes caseiros, depois de em 1917 Leonard ter oferecido à esposa uma pequena tipografia. Fonte: WOOK

1 comentário:

  1. Esse livro tem uma temática muito interessante e pela sua nota a leitura foi muito proveitosa, vou add à lista.
    Adorei seu blog e sua resenha, já seguindo :)
    Abraços,
    http://www.fabulonica.com/

    ResponderEliminar