sexta-feira, 15 de julho de 2016

"As Horas" de Michael Cunningham [Opinião]

Título: As Horas
Título original: The Hours
Autor: Michael Cunningham
Tradutora: Fernanda Pinto Rodrigues 
Data de edição: 2002 (1.ª publicação em 1998)
Editora: Público
Temática: Romance
N.º de páginas: 224
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Sinopse:
"O livro vencedor do Pulitzer não é uma reescrita, é um mergulho no abismo de Virginia Woolf, que traz à tona o que faz dele uma obra: o abismo singular do seu autor, com o seu próprio poeta demente (Richard, que podemos fazer equivaler a Septimus, mas também a Virginia), os seus beijos inesquecíveis (o de Clarissa e Richard, junto a uma lagoa, ao crepúsculo, e, sobretudo, o de Laura e Kitty, ajoelhadas no chão de uma cozinha na Los Angeles do pós-guerra), a sua cidade (da West e da Greenwich Villages, com os seus quiosques de flores, os seus garotos de patins, a sua experiência da sida, a sua sexualidade difusa, as suas horas monótonas, o seu brilho incandescente, as suas horas de desistir e as suas horas de ressuscitar), a Manhattan em que em vez do primeiro-ministro ou da Rainha as estrelas que suscitam burburinho quando saem à rua são Meryl Streep, Vanessa Redgrave ou Susan Sarandon, e em que a filha de Clarissa já não passeará etérea no vestido justo mas usará ténis como tijolos, um piercing e cabelo rapado." - Alexandra Lucas Coelho, Público

Opinião:

Em As Horas os relatos sobre as vivências das personagens, à medida que as horas decorrem, vão-se alternando em forma de capítulos. O autor conseguiu a proeza de, em cada um dos dias destas mulheres, sintetizar-lhes toda a vida até aí, como se fosse o culminar das suas existências.

Desta forma, inicia-se com o suicídio de Virginia Woolf em 1941 e seguem-se três planos narrativos diferentes:

Em 1923, encontramos Virginia Woolf em Richmond, um subúrbio de Londres. Acompanhamo-la no dia em que inicia a produção da sua obra Mrs. Dalloway. O dilema da sua doença; o sufoco de se ver afastada do centro de Londres, onde estava em pleno contacto com as suas fontes de observação e inspiração; a visita da sua irmã e dos seus três sobrinhos, espelho da vida que possivelmente gostaria de ter; o embate com o marido, exigindo-lhe voltar à vida – tudo surge num dia pleno em significado.

Numa moradia nos subúrbios de Los Angeles, acompanhamos Laura Brown, dona-de-casa que consentiu um casamento e uma vida familiar que não a trazem minimamente preenchida. Dan é o marido, Richie o filho e mais um bebé está a caminho. Sentimos como anseia libertar-se, ainda que a sua vida seja aparentemente normal, satisfatória e, até, desejável. A grande questão que a envolve é: será a procura pela felicidade legítima quando em detrimento do que é moralmente correcto ou, pior ainda, quando pode estilhaçar o futuro da sua família?

Clarissa Vaughn, editora de profissão e residente em Nova Iorque, prepara uma festa para o seu amigo de longa data Richard, poeta recém-laureado com um prémio de consagração da sua carreira, porém, doente com SIDA em estado avançado e que continua a ser dedicadamente cuidado pela amiga. Clarissa tem uma relação homossexual, numa união de facto que dura há mais de uma década com Sally, e uma filha, Julia, uma jovem nascida de uma inseminação artificial. A sua ligação a Richard, provinda da juventude, e o triângulo amoroso que formaram com Louis, marcou a sua vida e trará o momento mais marcante do seu dia.

As vidas destas três personagens interligam-se, directa ou indirectamente, sendo a obra Mrs. Dalloway o denominador comum. Além disso, a frustração de se almejar algo que, quando se concretiza, é fonte de consequências nefastas e irremediáveis, é simultânea a Virginia, Laura e Clarissa.

A adaptação cinematográfica, realizada por Stephen Daldry, transpõe e complementa o livro de modo a que, depois de visionada uma e lido o outro, se tornam indissociáveis.

Classificação: 5,0/5*

Sobre o autor:

Michael Cunningham é autor de As Horas, galardoado com o Pulitzer Prize e o PENFaulkner Award e já adaptado ao cinema; Uma Casa no Fim do Mundo, igualmente adaptado ao grande ecrã; e Sangue do Meu Sangue, todos publicados em Portugal pela Gradiva. Vive em Nova Iorque. Fonte: Gradiva Fotografia: Santa Maddalena Foundation

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