quarta-feira, 18 de maio de 2016

"Toda a Luz que Não Podemos Ver" de Anthony Doerr [Opinião]

Titulo: Toda a Luz que Não Podemos Ver
Título original: All the Light We Cannot See
Autor: Anthony Doerr
Edição/reimpressão: 2015
Editora: Editorial Presença
Temática: Ficção histórica
N.º de páginas: 520
Para adquirir (outra edição da obra):

Sinopse:

Marie-Laure é uma jovem cega que vive com o pai, o encarregado das chaves do Museu Nacional de História Natural em Paris. Quando as tropas de Hitler ocupam a França, pai e filha refugiam-se na cidade fortificada de Saint-Malo, levando com eles uma joia valiosíssima do museu, que carrega uma maldição. Werner Pfenning é um órfão alemão com um fascínio por rádios, talento que não passou despercebido à temida escola militar da Juventude Hitleriana. Seguindo o exército alemão por uma Europa em guerra, Werner chega a Saint-Malo na véspera do Dia D, onde, inevitavelmente, o seu destino se cruza com o de Marie-Laure, numa comovente combinação de amizade, inocência e humanidade num tempo de ódio e de trevas.

Opinião:

As Grandes Guerras são, e continuarão a ser, uma inesgotável fonte de inspiração para relatos, ficcionados ou reais, que nos permitem assistir a lições de vida (e de valorização da mesma) indescritíveis.

Sem dúvida que as personagens principais, Marie-Laure LeBlanc e Werner Pfennig, em pólos opostos da guerra, nos trazem perspectivas únicas sobre o que foi a 2.ª Guerra Mundial. Porém, a inteligência, a sua perseverança na sobrevivência e o facto de verem e sentirem de forma lúcida a realidade que os rodeava, tornou-os especiais e, instintivamente, reconheceram-se um ao outro como semelhantes. E a alternância de relatos entre as duas personagens permitem-nos acompanhar o seu sofrido percurso com ânsia e preocupação.

Todas as outras personagens - Daniel LeBlanc, o pai de Marie-Laure, e o seu tio-avô Étienne, Jutta, irmã de Werner, Madame Manec, Von Rumpel, Frederick, e tantas outras - apesar de completamente diferentes, expõe uma galeria de quase todas as facetas da espécie humana, transmitindo-me mensagens significantes enquanto leitora.

Não a encarei enquanto leitura compulsiva - aliás, saborear foi a palavra-chave. Foi mesmo bastante pausada, degustada, com a calma necessária para imaginar o que seria não ver e desfrutar dos restantes sentidos, ou não conhecer a música vinda de um rádio e, pela primeira vez, ouvi-la e fazer dos sons o centro da minha vida. O mar que Marie-Laure descobriu teve um eco profundo em mim.
Compreendo as críticas dirigidas ao parco encontro de Marie-Laure e Werner, porém, mais do que esse encontro, considero que o percurso até ele é absolutamente mais relevante, tal como as suas consequências.

Concluo, reflectindo que as guerras, de dimensões bíblicas ou territoriais, continuam a ser uma tragédia, já que impossibilitam milhões de continuarem a abrir os olhos e de verem "tudo o que conseguirem ver antes que se fechem para sempre". Esta será uma história que, espero, perdurará na minha memória por muito e muito tempo, e sobre a qual não poderia deixar de escrever.

Classificação: 5,0/5*

Sobre o autor:

Anthony Doerr nasceu em Cleveland, no Ohio em 1973. Vive com a mulher e os dois filhos em Boise, no Idaho. Publicou os livros de contos - The Shell Collector (2002) e Memory Wall (2010), uma autobiografia Four Seasons in Rome (2007) e dois romances, About Grace (2004) e Toda a Luz que não Podemos Ver, que foi finalista do National Book Award em 2014 e bestseller número 1 do New York Times. Anthony Doerr já foi galardoado com vários prémios, tanto nos Estados Unidos como noutros países: quatro O. Henry Prizes, três Pushcart Prizes, dois Pacific Northwest Book Awards, três Ohioana Book Awards, Barnes & Noble Discover Prize, Rome Prize, New Yorker Public Library’s Young Lions Award, Guggenheim Fellowship, NEA Fellowship, National Magazine Award para ficção. Em 2010, recebeu o Story Prize, um dos mais prestigiados prémios nos Estados Unidos e o Sunday Times EFG Short Story Award. Em 2007 a revista literária Granta considerou Anthony Doerr um dos melhores jovens romancistas americanos.

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