quinta-feira, 26 de maio de 2011

A leitora





Sou uma leitora compulsiva, mesmo quando não tenho vontade de mais nada (e isso acontece mais vezes do que o recomendável...).  Não sou capaz de ler de manhã à noite, porque rapidamente os meus olhos se ressentem e me impedem de prosseguir as leituras de que tanto gosto. Por isso mesmo a minha falta de vista tem aumentado de forma galopante, mas não me importo, porque quem corre por gosto não se cansa.

Consigo ler em qualquer sítio, sendo fácil, por um lado, concentrar-me no que leio, e, por outro, abstrair-me do que me rodeia. Sinto que não tenho uma imaginação pródiga, pois não consigo visualizar sempre, com toda a precisão, as imagens que nos tentam evocar (talvez porque a experiência de vida não é muita? ou, noutros casos, será incapacidade do próprio escritor?). Quando isso acontece, recorro a filmes baseados nas obras, se existirem, claro (por exemplo, Orgulho e Preconceito de Jane Austen).

Privilegio os clássicos. Creio que, para terem alcançado esse estatuto, certamente são garante de alguma qualidade e o preço é, de um modo geral, convidativo (graças a colecções que revistas e jornais têm vindo lançando). São imperenes: aprendo com eles e enriqueço o meu carácter, quer tenham surgido no século XV ou XX.

Todos os livros da minha biblioteca passam por um mesmo ritual. A aquisição de um novo inquilino é especial: estudo-o ao pormenor, analiso se a relação qualidade-preço é positiva, e, quando o obtenho, sinto um gozo imenso ao folheá-lo e cheirá-lo (adoro tanto o cheiro de um livro novo!);  adiciono-o à minha base de dados livresca (utilizo o Goodreads); coloco-o na minha biblioteca, que vou vendo crescer de dia para dia, o que exige sempre alguns estratagemas para ir arranjando espaço; observo-os a todos nos sítios que lhes destinei; e, por fim e mais importante, chega o momento de os ler, acabando quase sempre por decidir impulsivamente.

Como não consigo estar sem fazer nada - começo a ficar ansiosa, sem saber onde pôr as mãos, olhando para tudo e todos -, socorro-me da leitura para me livrar dos tempos mortos. E, devo admitir, dá um certo ar de intelectual ler numa esplanada, café, jardim, ou até na escola, sobretudo se os que me rodeiam passam o tempo em maledicências sobre a vida dos outros...

Encaro as vidas que se desenrolam perante mim como muito menos interessantes quando comparadas às que encontro nos livros. Nem que seja por, na maioria dos casos que, apesar de se tratarem de épocas remotas e/ou lugares longínquos, me ensinam muito mais sobre o carácter humano do que o contacto com as pessoas reais,  já que as personagens nos são apresentadas em toda a sua dimensão: conhecemos os seus segredos, intenções e motivações. Fica a esperança de um dia poder pôr em prática os conhecimentos que adquiri.

1 comentário:

  1. Acontece que traçaste um perfil muito próximo daquilo que sou como leitora!É muito curioso!
    Gostei da forma como te descreves, e aos teus hábitos de leitora (também pesquiso muito antes de comprar e consigo sempre abstrair-me com um livro nas mãos!) e da tua preferência por clássicos.
    Já agora, respondi aos comentários tão atenciosos que deixaste no meu blog! Obrigada pela visita!
    Virei muitas vezes visitar este teu cantinho, tão doce e agradável!
    Beijinhos e boas leituras! :D

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