quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sorry for not being a Mary Jane

( via fanpop )

Não sou magra, esbelta e ruiva.
Os meus olhos não são claros.
E os homens não param à minha passagem.

Mas se ao menos atentassem...

Na minha pele pálida e macia.
No meu cabelo castanho e refulgente.
Nos meus olhos banais e sinceros.

No meu perfeccionismo ansioso.
Na minha anuência submissa.

Neste corpo que se recusa a ser o meu,
Nesta alma que tende a fugir,
Neste espírito que está sempre a gritar.

Mas sou eu.
Sou mesmo assim.
E sei que hão-de gostar de mim,
Pois sou única em cada imperfeição.

4 comentários:

  1. Temos aqui a nova Florbela Espanca! Venham mais destes, por favor, é uma lufada de ar fresco na blogosfera, um poema sobre sentimentos sem ser sentimentalão.

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  2. Melhor comparação não podia ser possível, camarada! Florbela Espanca é das minhas poetisas favoritas. Obrigada.

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  3. Sempre tive dificuldade em me aceitar tal como sou. Mas como digo no "poema": «sou única em cada imperfeição». Assim, por ser única, todos os dias tento gostar mais de mim, aperfeiçoar-me e alcançar essa utopia que é a felicidade.

    O meu grande problema é o facto de, como me disse um amigo, ser, por um lado, «inteligente, bonita [dependendo do gosto], sensata e racional» e, por outro, «magoada, ferida e presa».

    ( Vou tentar escrever coisas mais positivas. Prometo. :P )

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