sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Cândido" de Voltaire [Opinião]

Título Original: Candide
Autor: Voltaire
1.ª publicação: 1759   
Colecção: Novis - Biblioteca Visão #9
Editora: Abril / Controljornal  
Temática: Romance
ISBN: 9726116015
N.º de páginas: 126
Para adquirir (outra edição da obra):


Sinopse: 

"Cândido é um jovem criado por Pangloss, seu preceptor, que lhe dá da vida a visão optimista de que todos vivem no melhor dos mundos. Mas após várias atribulações, Cândido desencanta-se, desacreditando-se da tese do seu mestre. Esta alegoria irónica é um pretexto para Voltaire denunciar as diferenças sociais, os idealismos exacerbados e a corrupção, monstro que ainda hoje consome as sociedades."

Opinião:

Voltaire (1694-1778), proeminente figura do Iluminismo, conta-nos, neste pequeno livro, a história de Cândido, um jovem alemão e muito, mesmo muito optimista. E por que razão é ele assim? Porque o seu mestre, o filósofo Pangloss, desde sempre lhe fez crer "que o que existe não pode ser diferente; porque, tendo tudo sido criado para um fim, tudo é necessariamente para o melhor dos fins. [...] Porque os porcos foram criados para serem comidos, nós comemos porcos todo o ano. Por consequência, quem afirma que tudo está bem diz apenas uma asneira. É preciso afirmar que tudo vai pelo melhor".

Deste modo, Cândido, após perder o seu lar, cai numa vida errante marcada por duas constantes: o seu amor inquebrantável pela menina Cunegundes e uma sucessão de desgraças e ocorrências maravilhosas, mas efémeras.

Passou pela Bulgária, a Lisboa de 1755, assolada nesse momento pelo terramoto, Cádis, Paraguai, El Dorado, enfim, um verdadeiro roteiro de viagens exóticas e, no mínimo, curiosas e estranhas...

Praticamente quase todas as personagens apresentadas são representantes de tipos que, certamente, pupulavam a sociedade europeia contemporânea de Voltaire, e com características que, infelizmente, todos nós conhecemos. Assim, posso destacar:
  • A inquisição, que fazia aquilo que muito bem sabemos, e que o fazia pelas mais pérfidas e vis razões: poder, conivência, corrupção, para além da luxúria que o inquisidor revela...;
  • O ladrão que rouba os cadáveres espalhados pelas ruas de Lisboa;
  •  O papel das mulheres, escravas, traficadas e exploradas pelos endinheirados;
  • A ganância que até o inocente Cândido revela pelas riquezas do El Dorado;
  • Os judeus que, com a sua ganância, roubaram, e roubaram, e roubaram Cândido até à penúria;
  • Martin, o mais desgraçado dos homens - ainda mais do que Cândido - a quem nada demove de que só existe mal no mundo, levando o seu fanatismo ao extremo...;
  •  A inconstância de ideais, causada pela conveniência da altura, que tanto fazia Cândido lutar pelos bons ou pelos maus
  • Entre tantas outras coisas mais ou menos importantes. 

      Nota: Óptimo livro para ler de uma assentada, nem que seja pelo tamanho, pela linguagem simples e pelas tiradas satíricas que preenchem o livro da primeira à última página.

      Classificação: 4,0/5*

      1 comentário:

      1. Apreciei bastante este livro, e recomendo a leitura de "Zadig", do mesmo autor.

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