quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Siddhartha" de Hermann Hesse [Opinião]


Não vale a pena estar a fabricar uma opinião sobre este livro.
Estas palavras falarão por si:

"Avançou reflectindo, cada vez mais devagar, e perguntou a si mesmo: «Mas o que era isso que querias aprender com doutrinas e com mestres e que eles, que tanto te ensinaram, não te podiam ensinar?» E compreendeu: «Era o Eu, cujo sentido e natureza eu queria conhecer. Era o Eu, de que eu queria libertar-me, que eu queria vencer. Mas não fui capaz de o vencer, apenas de o enganar, de fugir dele, esconder-me dele. Na verdade, nada no mundo ocupou tanto os meus pensamentos como este Eu, este enigma, o facto de eu estar vivo, de existir separado e isolado dos outros, de ser Siddhartha! E sobre nada no mundo sei tão pouco como sobre mim próprio, sobre Siddhartha!»"

"- Ah, o samana é forte e nada teme. Ele podia forçar-te, bela jovem. Podia roubar-te. Podia magoar-te.
 - Não, samana, não tenho medo. Alguma vez um samana ou um brâmane receou que alguém o atacasse e lhe roubasse a sua sabedoria, a sua religiosidade e o seu pensamento? Não, porque essas coisas só a ele lhe pertencem e ele só as partilha quando quer e com quem quer. Assim é, e também assim é com Kamala e com as alegrias do amor. A boca de Kamala é bela e vermelha, mas se tentares beijá-la contra a vontade de Kamala não receberás uma gota sequer de toda a doçura que ela contém! Tu és um aluno aplicado. Siddhartha, por isso aprende isto: podes mendigar amor, comprá-lo, recebê-lo de oferta, encontrá-lo na rua, mas nunca roubá-lo. Imaginaste um caminho errado e seria uma pena se um belo jovem como tu tão mal o compreendesse."

"Ele, que no amor era ainda uma criança, com tendência para se atirar cega e sofregamente para o prazer sem dar prazer e que cada gesto, cada carícia, cada contacto, cada olhar, todos os ínfimos recantos do corpo têm o seu segredo, que podem dar a felicidade àquele que o sabe despertar. Ela ensinou-lhe que os amantes não se devem separar, depois do festim do amor, sem se admirarem mutuamente, sem serem conquistados ou conquistarem, para que nenhum deles sinta tédio ou solidão e para evitar a desagradável sensação de terem maltratado ou terem sido maltratados."

"E no entanto este caminho foi muito bom, e no entanto a ave que habita no meu peito não morreu. Mas que caminho foi este! Fui obrigado a cometer tantos erros, tantos pecados, tantas loucuras, a enfrentar tanta miséria e desilusão e sofrimento, para voltar a ser uma criança e poder recomeçar. Mas foi o caminho certo, o meu coração concorda, os meus olhos sorriem-lhe. Tive de sobreviver ao desespero, tive de descer ao pensamento mais insensato, à ideia de suicídio, para poder experimentar a misericórdia, para aceitar novamente o Om, para poder voltar a dormir bem e acordar bem. Tive de ser louco para redescobrir Atman em mim. Tive de pecar para poder voltar a viver. Para onde me conduzirá ainda o meu caminho? É um caminho louco, anda às curvas, anda talvez em círculos. Que vá por onde quiser, eu segui-lo-ei."

"- Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos."

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